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Håndtering av eldres bosituasjon i kommunale planer

Para iniciar nossa conversa sobre um sentido Insurgente de escola para os professores, pensamos ser necessário antecipar a justificativa do uso do termo: há uma aproximação e utilização da base do materialismo histórico dialético, e, portanto, da educação defendida pela base marxista, que aparecem de forma clara e precisa na fala de nossos sujeitos colaboradores, e sobre a visão de escola e de sociedade que ambos fazem. “O papel da educação escolar na luta pelo socialismo define-se pela importância do conhecimento na luta contra o capital e na busca da formação plena do ser humano” (DUARTE, 2012, p. 153). O tema insurgente foi escolhido por não tratar de uma filiação explícita ao materialismo histórico dialético, mas indica uma postura contrária e revolucionária contra um modelo de escola e sociedade indesejado.

Para estes professores, MHIT-26, FEDF-31 e FPED-27, o sentido Insurgente de sociedade é o que amarra o projeto de escola deles, nos dando elementos similares na fala dos três professores. Adentrando na síntese dos temos utilizados pelos professores, MHIT-26 faz a defesa de um projeto de uma educação inclusiva e democrática, fazendo a utilização do termo de inclusão, amparado numa perspectiva sociológica de conquistas sociais resultantes para a transformação da base econômica, política, social e o que podemos entender também cultural. A defesa é por um projeto progressista de escola pública, que destine investimentos públicos para a instituição pública, para uma classe, entendida implicitamente ser a classe trabalhadora. Por uma educação progressista, podemos partir do conceito de uma visão de educação que trabalhe para superar visões não críticas ou as que se enquadram como crítico reprodutivistas, por não romperem com as perspectivas das relações econômicas e sócias, estabelecidas pela atual hegemonia. A educação progressista, parte, então, de uma concepção que trabalhe o conhecimento historicamente produzido pela humanidade, numa relação

dialética entre conteúdo, método e concepção de mundo. Na fala do professor MHIT-26 é possível entender essa perspectiva, ao relacionar a ideia de utilizar a educação como meio democratizar a sociedade, atribuindo e relacionando críticas aos privilégios que determinadas classes sociais tem tido sobre a educação privada.

tem que ser distinto em vários aspectos […] se pensar um projeto de educação pro ensino público […] transformar a educação como meio de democratizar a sociedade […] nos últimos 12 anos apesar da inclusão que você teve de pessoas na educação você teve um privilégio da educação privada […] ter uma série de programas (Prof. MHIT-26, Entrevista, 2015).

A professora FEDF-31 faz a defesa da escola para a classe trabalhadora, fazendo o uso desse sentido com bastante ênfase no seu projeto de educação. É interessante trazer a percepção de que há princípios elementares de uma educação que se movimente pelo pertencimento da classe trabalhadora em toda a organização da instituição escolar, o que inclui os espaços físicos, problematizando a utilização sectária desses espaços, que, ao nosso entender, representa e reproduzem as formas de organização da secretaria de educação, mencionadas pelos professores MHIT-26 e FPED-27, e do estado do sistema capitalista. Entendemos que esses princípios trazidos para a construção de um projeto de escola pertencente a uma classe são o que MHIT-26 está chamando de democratização e socialização.

o projeto político pedagógico a cara da escola que o filho vai estudar […] esse projeto de escola vai muito além da escola uma sociedade onde os trabalhadores determinam onde os seus filhos vão estudar do ponto de vista do trabalhador […] trazer a comunidade […] o pai não tem direito de entrar na escola […] a escola ela é fechada […] se declara que ela é aberta pra comunidade […] na fala na prática isso não acontece […] alunos não podem entrar na sala dos professores […] não podem entrar no banheiro dos professores […] como é que ele vai se apropriar dessa escola […] é uma coisa de cima pra baixo (Profa. FEDF-31, Entrevista, 2015).

A professora FPED-27 faz a defesa de uma escola para a classe trabalhadora, apontando a emancipação da classe como sentido fundamental desse projeto. Na medida em que nossa colaboradora vai mostrando sua crença na escola pública como uma instituição essencial para a organização da classe trabalhadora, ela aponta fundamentos de uma educação que faça o recorte de classe, gênero e raça, num perspectiva problematizadora e crítica. Esse currículo apontado por ela faz relação direta com o que o professor MHIT-26 chama de direitos humanos e diversidade, como parte de seu trabalho pedagógico.

a escola ainda e o lugar que a gente consegue reunir os filhos da classe trabalhadora e passar alguma coisa significativa pra que essas pessoas consigam de alguma forma mudar sua escolha mudar a história do mundo mudar o percurso das coisas […] o projeto de escola no qual eu acredito é justamente o projeto de uma escola emancipadora […] a escola que eu defendo é a escola pública […]escola pra classe trabalhadora […] no sentido de disputar esses espaços dos quais elas nunca vão ter chance de entrar se a gente não tiver uma educação […]que faça sempre o recorte de gênero classe e raça (Profa. FPED-27, Entrevista, 2015).

Em termos de uma educação para a classe trabalhadora, Gadotti (1988, p. 77) referencia o trabalho do professor desempenhado na fala de FPED-27, justificando ser “[…] necessária uma verdadeira pedagogia do conflito que evidencie as contradições em vez de camuflá-las, com paciência revolucionária, consciente do que historicamente é possível”. Há um elemento que FPED-27 traz em sua fala de forma direta, que os outros professores também trazem como fundamento dessa perspectiva crítica e emancipatória de uma escola: a educação pela a qual eles lutam é para que uma classe tenha condições materiais e intelectuais para fazer a disputa social. Estamos entendendo que, embora a posição de FPED-27 seja contra a disputa meritocrática tal como está posta socialmente, principalmente para o trabalho e formação escolar, a intenção é que essas pessoas, formadas pela escola pública se apropriem do conhecimento para ter condições necessárias para alcançarem coisas maiores, o que entendemos ser, por exemplo, a organização de uma escola para a classe trabalhadora (citado por FEDF-31) e a democratização da escolha profissional (citada por FPED-27).

Assim, esse projeto de escola de sentido revolucionário assume uma função principal: apropriar estudantes do conhecimento para a emancipação humana [nota de rodapé]. Contudo, assume também o papel em fazer a disputa de consciência, e ao que entendemos não se limita a relação aluno x professor, mas comunidade x escola, na perspectiva que também está posta, em democratizar o ensino, e corresponder a demanda da comunidade que atende, como por exemplo, a violência. Sobre este ponto, discorreremos mais adiante no texto, por merecer uma atenção diferenciada.

Conforme temos defendido nesse trabalho, o sentido do projeto de escola em que se acredita vai ganhando formato conforme a constituição das significações, apontadas por nós pela forma de construção dessa instituição escolar, mas também pela formação inicial e continuada, e o campo ideológico com o qual o professor se aproxima. Para a escola de sentido Insurgente, apresentamos inicialmente a aproximação com a teoria marxista, influente nas formas de perceber a sociedade.

Para além desse fator, nos cabe também fazer aproximações do trajeto de formação inicial profissional, e dos caminhos percorridos na formação continuada. Entre os professores

MHIT-26, FEDF-31 e FPED-27, dois professores se formaram na universidade pública, e deram continuidade ao estudo, fazendo mestrado, também na instituição pública. Somente após a conclusão da pós-graduação strictu sensu, é que ambos os professores ingressam na docência, na SEDF. A professora FEDF-31 faz sua graduação em uma universidade particular. Entretanto, o diferencial da formação dos três professores está na importância dada em manter-se estudando.

A professora FEDF-31 não teve possibilidades de participar de extensão e pesquisa, como os outros professores na universidade pública, no qual demonstram em sua fala a importância desses espaços para a formação profissional. Outro diferencial que aparece, é a possibilidade do estudo com base na teoria marxista por dentro da academia, fator que FEDF- 31 vai buscar na militância em espaços políticos, problematizando em sua fala, uma formação profissional sem perspectiva político-pedagógico.

Minha formação foi orientada muito pro fitness a gente não teve nenhuma ideia de concepção pedagógica de concepção política […] então a minha concepção de educação é uma concepção marxista mas não pela universidade foi uma questão de formação política mesmo de grupo político (Profa. FEDF-31, Entrevista, 2015).

O que se configura na fala dos três professores é a importância da apropriação teórica, e a valorização de manter-se estudando. O estudo é defendido como uma forma de luta pelo projeto em que acredita, entendendo que a pesquisa e a defesa de uma tese ocupam lugar central.

tem que estar estudando eu participo de um grupo de estudo na universidade21 que

[…] que são marxistas também (Profa. FEDF-31, Entrevista, 2015).

esses espaços dentro da própria faculdade de educação […] se constituem assim como propostas educativas (Profa. FPED-27, Entrevista, 2015).

Tem várias formas de luta tem as formas tradicionais seja em congresso de educação você escrever uma tese e defender (Prof. MHIT-26, Entrevista, 2015).

Nesta perspectiva, o estudo continuado como parte da função docente, toma caráter e sentido de apropriação teórica e embasamento epistemológico que mune o professor para consolidar a sua práxis, numa escola para a emancipação da classe trabalhadora. Duarte nos traz uma base para pensar que o estudo permite o professor estabelecer as relações de produção social de forma crítica, adquirindo base para discernir e saber como se posicionar diante até mesmo das objetivações sociais que emanam diariamente a escola, de forma direta

21 A professora se refere a um grupo ligado a uma universidade pública, não revelada nessa pesquisa, para

e direta. O estudo torna-se uma base para a resistência por outro projeto de escola e de sociedade.

Há necessidades de os professores se organizarem na luta para que a escola torne-se uma instituição que inspire e aspire conhecimento. O foco de tudo o que se faz dentro da escola deve ser o conhecimento. Precisamos resistir às políticas educacionais que apontam em direção à descaracterização da escola e do trabalho do professor (DUARTE, 2012, p. 158).

Outra similaridade importante que aparece para nós, e a militância em espaços políticos sociais. MHIT-26 e FPED-27 tiveram a oportunidade em participar de movimento estudantil. E todos os três professores estão em militância em algum movimento social alocado no campo da esquerda. MHIT-26 ainda identifica a sua militância partidária, e junto com FEDF-31, em perspectivas diferentes, participam da disputa sindical. Na fala de FPED- 27 não aparece qualquer associação ao sindicato. Porém, pela conversa informal não gravada, a professora nos conta ser sindicalizada, e participar das ações em luta da carreira docente na SEDF. A professora FEDF-31 é delegada sindical da escola em que trabalha, e MHIT-26 faz a disputa da base sindical.

O que vamos entendendo na fala dos três professores, é que a militância faz parte do trabalho e da profissão, e o trabalho faz parte da militância. Ambos constituem um ao outro, num movimento dialético. Logo, a militância proporciona aos professores um projeto claro de constituição de sociedade, e logo de escola, lhes colocando formas de luta por esse projeto, e também, campo de estudo. A formação política influencia de forma direta na formação e ação pedagógica, sendo perceptível a apropriação pela militância da perspectiva teórica em que se baseiam, para dar fundamentos a prática pedagógica, e a forma de lidar com o cotidiano, e as instâncias que tem recurso. A professora FPED-27 vai nos relatar que a militância proporciona o aprofundamento teórico e o contato com obras literárias que poderia não ter acesso da formação inicial.

A partir dos elementos mostrados, o sentido da escola Insurgente se configura como parte de uma perspectiva de escola que estamos chamando de Projeto de Mudança, por se propor a romper com a base econômica da estrutura social e mantedora das relações e organização constituída para a escola. Os professores FPED-27 e MHIT-26 trazem, uma análise de que a estrutura organizacional da SEDF coopera para a manutenção do Estado Capitalista, e para a sectarização de um projeto unitário22 de uma escola pública para a classe

22 Em linhas que se orientam pelos marxistas Gramsci e Pistrak, a escola unitária assume um programa político

trabalhadora. Logo, os três professores assumem uma posição de enfrentamento as bases político-pedagógico estruturantes da instituição escolar, e a função da disputa de consciência de classe.