Kapittel 3: Subjektivitet, erfaring og realisme
3.9. Gyldighetskriterier og filosofisk realisme
A população do município de Uberlândia no início da década de 1940 perfazia aproximadamente 42 mil habitantes, dos quais cerca de 20 mil viviam na área rural. A essa população rural o município ofertava o ensino primário em 23 escolas e em algumas funcionavam duas cadeiras em razão da quantidade de crianças em idade escolar, como na Escola Municipal Pontal e na Escola Cruzeiro dos Peixotos.
Se o Regulamento Escolar de 1923 e as determinações da Reforma de 1927 fossem seguidos rigorosamente no município, várias escolas não teriam funcionado em função do número de alunos que oscilava e da quantidade significativa de desistências em razão de mudanças ao longo do ano letivo, provavelmente em razão do fim das colheitas.
Mas isso não ocorreu e as escolas funcionaram com quantitativo variado. Os livros de matrícula23, atas e fotografias revelam turmas entre 8 e 55 crianças (onde havia duas “cadeiras”) e quando contabilizam adultos e convidados chega a 96 pessoas em alguns casos.
Na Escola Municipal do Pombo em 1941, a turma multisseriada registrada no mês de setembro pela professora Adelaide Marques era composta por 35 crianças, dezenove do sexo feminino e dezesseis do sexo masculino, distribuídos nas três séries, sendo 25 alunos na primeira série, oito na segunda série e dois na terceira. (LIVRO, 1941).
O livro de matrículas da Escola Municipal de Paranan do ano de 1941 encontrado no ArPU tornou possível conhecer o perfil de algumas famílias. Segundo esses livros, a Escola Municipal Rural Paranan recebeu vários imigrantes italianos das famílias Pagoto, Bernadeli, Monte e Knychala. (LIVRO, 1941).
De acordo com as anotações da professora Graciema Rios nas quatro páginas, destinadas aos pais ou responsáveis pelas matrículas de sessenta crianças naquele ano, havia lavouristas, lavradores e fazendeiros brasileiros e italianos, dos quais quarenta declararam ser
22
As práticas higienistas em Uberlândia nesse período foram parte da investigação de Sousa (2010).
23
Os livros de matrícula escolar encontrados no ArPU também funcionavam como registro de frequência. Eram encadernados com capa dura, com termo de abertura e traziam uma parte inicial de instruções de preenchimento, uma segunda parte de registro de dados dos alunos e responsáveis e uma terceira parte com folhas de registro mensal de frequência.
alfabetizados. Em 1941, pelos registros da Escola Paranan algumas famílias possuíam mais de duas crianças matriculadas e o total era maior que o da Escola do Pombo. (LIVRO, 1941).
Quanto aos alunos em Paranan, de acordo com as fontes pesquisadas, em 1941 o perfil das crianças matriculadas era de 33 alunos e 27 alunas com idades variadas, entre 7 a 14 anos, dentre os quais alguns descendentes de italianos, em mais uma sala multisseriada composta por 39 crianças no primeiro ano, 11 crianças no segundo ano e 10 no terceiro ano.
A chegada de imigrantes no Brasil a partir de 1930 deixou marcas na cidade de Uberlândia, que também cresceu com a imigração. Entre as imagens identificadas da CPJA foi encontrado o registro da Escola Municipal Paranan, um dos dez estabelecimentos escolares rurais criados em 13 de maio de 1939 em resposta à “Cruzada Nacional da Educação”, identificada a seguir como Imagem 8.
Imagem 8 - Alunos, professoras e inspetor escolar na Escola Rural Paranan [19--]
Fonte: CPJA. ArPU.
A Imagem 8 registra a presença de 21 meninos e dezesseis meninas que posam para o fotógrafo. Os alunos da primeira fileira estão sentados ao lado de seis adultos, próximos ao inspetor Jerônimo Arantes, que ocupa a posição central. Há um rapaz de pé à esquerda e logo abaixo a etiqueta em letras vermelhas indica o nome da escola “PARANAN”. Várias meninas
trajam vestidos claros e laço de fita e os meninos também estão uniformizados, todos muito sérios e alguns descalços.
Nessa turma havia uma maioria de 25 crianças brancas, sete pardas e cinco negras. Da mesma forma que em Paranan a quantidade de crianças negras é sempre menor na maioria absoluta das imagens da coleção e em várias não há nenhuma criança negra.
Além de italianos, também há registros de imigração sírio-libanesa para a cidade em início do século XX, segundo Amorim (2014) e japonesa a partir de 1920, conforme os estudos de Silva (2012).
Assim, as crianças filhas de italianos não foram os únicos imigrantes a frequentar as escolas em Uberlândia nesse período uma vez que no material do ArPU há alguns registros de atas que atestam haver crianças com traços japoneses entre os alunos até 1943. Depois dessa data as crianças com sobrenomes japoneses raramente aparecem e nossas suposições são de que tenham completado a última série ofertada ou em decorrência da guerra em curso.
Em busca de fontes para a pesquisa, encontramos nos livros de matrícula e atas vestígios dessas crianças com traços japoneses entre os alunos que frequentaram as escolas rurais Paraíso, Salinas, Caetanos e por fotografia a escola Cabaças e novamente em Caetanos.
Na coleção há cerca de doze fotografias nas quais se observa a presença de crianças com traços fisionômicos orientais compatíveis com aqueles dos japoneses, como a Imagem 9.
Imagem 9 - Alunas e professoras de Escola Rural não identificada [19--]
Comparando essa fotografia a outras do acervo e a outros materiais encontrados no ArPU, foi possível identificar as duas professoras24, que eram Auta de Oliveira (de roupa clara) e Cecília Teles (de vestido escuro). Ambas eram negras e estavam vestidas elegantemente; apareciam na posição central com a turma de 35 meninas, das quais seis possuíam traços orientais, três eram negras e as demais eram pardas ou brancas. Ao fundo havia um homem na porta e uma moça sorridente na janela. Há outra foto dessas professoras, com as mesmas vestimentas ao lado de meninos, provavelmente tirada na mesma data, sendo que entre eles há um garotinho com traços orientais, compatível com os de japoneses.
No aspecto quantitativo, o número de alunos varia consideravelmente, pelo menos nas fotografias da CPJA. Na Escola Municipal Rural Cruzeiro dos Peixotos há registro de um grupo de doze alunas com um pandeiro, provavelmente antes ou após alguma apresentação cultural; na Escola Municipal Rural Sobradinho há um registro fotográfico de 23 alunos onde aparece o inspetor e professoras ao lado da turma e na Escola Municipal Rural de Machados há trinta meninos e 25 meninas que se juntam à moradores e autoridades perfazendo um total de 91 pessoas, em uma das fotografias.
Além da quantidade de crianças que aparece nas fotografias da CPJA, alguns elementos são identificados com frequência, como a minoria de crianças negras, o esforço para se apresentar uniformizado, a seriedade e a presença de poucos materiais escolares.
Ao investigar outros documentos no arquivo, os livros de matrícula das escolas Paranan e Pombo informaram o perfil das turmas com cerca de 35 alunos por turno, idades entre 7 e 14 anos, situação de analfabetismo de muitos pais, eliminação de alunos devido a mudanças e até alguns problemas disciplinares anotados.
Na escola rural Paraíso, em julho de 1940, segundo a inspeção “[...] havendo um aluno indisciplinado e com péssima freqüência atendi o pedido da professora fazendo a eliminação do referido aluno em virtude das provas de seu mau procedimento.” (UBERLÂNDIA, 1940, p. 8). Isso nos levou a pensar que nem tudo era tão “harmônico” como as autoridades pretendiam demonstrar.
Também chamou a atenção a diferença entre os livros de matrícula de Paranan e Pombo no início dos anos 1940. O livro de Paranan, preenchido pela professora Graciema
24
Embora não exista nenhuma identificação específica na fotografia, a suspeita é de que seja uma representação da Escola Municipal Rural Sobradinho por volta de 1938, quando as professoras Auta de Oliveira e Cecília Teles atuaram como efetiva e adjunta, do início ao final do ano.
Rios em 1941, solicitava informações sobre os pais, como profissão, residência, grau de instrução e nacionalidade, além no nome, idade e sexo das sessenta crianças, se já sabiam ler e escrever; se já haviam repetido o ano e se possuíam registro civil. Não solicitava informações sobre raça ou cor da pele.
Já o livro da Escola Pombo da Fazenda do Pó, também impresso, foi preenchido pela professora Adelaide Marques em 1941 e traz na capa a identificação “Estado de Minas Gerais Secretaria da Educação” e linhas para preencher o nome da escola, da professora, localização, distrito e município e todos os demais dados das crianças matriculadas.
No registro da frequência diária de novembro desse ano a professora encerrou o ano com 35 alunos frequentes, dos quais dezesseis eram meninos e dezenove meninas distribuídas nos três anos: dois no terceiro, oito no segundo e 25 no primeiro.
Na relação de professores de 1941, a professora Adelaide Marques estava relacionada como regente na Escola Rural Rio das Pedras, porém não encontramos nenhum registro no ArPU de uma escola com tal nomenclatura em funcionamento naquele ano.
Percebe-se pelos dois livros que o serviço de inspeção, através da escrituração, procurava ter mais controle sobre o ensino ao utilizar a estatística para obter dados não só das crianças, mas dos pais e famílias, tornando-se cada vez mais detalhista como a instrução de número 18 recomendava “[...] para que possa haver um controle mais perfeito no movimento de freqüência [...].” (LIVRO, 1941, n.p.).