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O ensaio investigativo que apresento é um estudo qualitativo de caráter descritivo simples. É um estudo qualitativo pois pressupõe “ (…) o interesse em se conhecer a forma como as pessoas experienciam e interpretam o mundo social que também acabam por construir interactivamente” (Almeida & Freire, 2007, p. 110).

O Método Qualitativo trabalha com valores, com crenças, com hábitos e com atitudes. Este tipo de investigação caracteriza-se por ser um método indutivo e descritivo. Inicialmente a primeira preocupação do investigador é a descrição e somente, posteriormente, a análise de dados.

O ensaio investigativo é um estudo descritivo simples, pois ao longo do mesmo descrevi o que aconteceu em relação à minha amostra (Fortin, 1999). A minha descrição procurou ser rigorosa e resultou em dados recolhidos que interpretei (Carmo & Ferreira, 1998).

31 2.1. Problemática, pergunta de partida e objetivos da investigação

Reconhecida a importância cultural, social e formativa inerente ao livro e à cultura escrita que este encerra, escolhi realizar o ensaio investigativo centrado na observação da interação das crianças com os livros no momento de brincadeira livre. Como referem os autores anteriormente apresentados, a criança deve criar laços afetivos com um livro, sendo que nestas idades o livro deve ser encarado como algo lúdico, como um brinquedo. Segundo Taquelim (2010, p. 18) “No seu longo processo de formação enquanto leitora, a criança vai também necessitar de se relacionar com as formas de representação do Mundo pela escrita. O livro agora mistura-se com o brinquedo (…).” O ensaio investigativo baseou-se na seguinte pergunta de partida: “Como é que crianças entre os 18 e os 27 meses interagem com o livro em momentos de brincadeira livre?”. Com a finalidade de responder à minha pergunta de partida, formulei os seguintes objetivos 1) Observar se as crianças escolhem os livros para brincar no momento da brincadeira livre; 2) Descrever a forma como as crianças interagem com os livros enquanto brinquedos; 3) Descrever tipos de interações, identificando os intervenientes e 4) Problematizar as potencialidades do livro-brinquedo em contexto de creche.

2.2. Contexto da investigação e população de estudo

Para a realização do estudo, recorri a uma amostra de três crianças do grupo de crianças da Sala Lilás (população), ou seja, a criança L, a criança A e a criança G1, da Sala Lilás,

da Instituição “Bambi – Creche e Jardim de Infância”. Destas três crianças, duas são do sexo masculino e uma do sexo feminino. Em dezembro de 2013, a criança L tinha 27 meses, a criança A tinha 26 meses e a criança G tinha 18 meses.

Não estudei a população na sua totalidade, devido à dimensão do grupo de crianças e ainda por ser difícil aplicar todos os procedimentos da minha investigação a todos os elementos, sendo por isso necessário a seleção de uma amostra (Sousa, 2009).

A escolha destas três crianças foi por conveniência, uma vez que são as duas crianças mais velhas da sala e a mais velha do último grupo de três crianças que transitou do

1 Com o objetivo de respeitar a confidencialidade das crianças, estas são representadas pelas

32 berçário sensivelmente a meio da Prática. Para além disso, estas crianças encontravam- se disponíveis (Carmo & Ferreira, 1998). É uma amostra por conveniência, pois escolhi as crianças a que tinha acesso (Gil, 1999).

2.3. Técnicas e instrumentos de recolha e tratamento de dados

Para a concretização deste ensaio investigativo recorri à observação naturalista, participante, direta e indireta.

Optei pela observação durante o ensaio investigativo, pois esta consiste numa técnica de recolha de dados, com a finalidade de conseguir informações e dados acerca do estudo, utilizando os meus sentidos, permitindo-me analisar as informações recolhidas posteriormente (Lakatos & Marconi, 1985). A observação possibilitou “ (…) efectuar registos de acontecimentos, comportamentos e atitudes, no seu contexto próprio e sem alterar a sua espontaneidade” (Sousa, 2009, p. 109).

Recorri à observação naturalista, pois a fonte direta de dados foi o contexto próprio das crianças, isto é, a Sala Lilás (Carmo & Ferreira, 1998).

Foi uma observação participante, visto ser eu própria o instrumento principal de observação e de ter estado envolvida no quotidiano daquele grupo de crianças. A observação participante caracteriza-se pelo facto de o investigador ser um “ator social”, que vive as mesmas situações dos indivíduos que está a observar e que “ (…) deseja compreender um meio social que, à partida, lhe é estranho ou exterior e que lhe vai permitir integrar-se progressivamente nas actividades das pessoas que nele vivem” (Lessard-Hébert, Goyette, & Boutin, 1990, p. 155). O investigador torna-se tão próximo do grupo, que se incorpora no mesmo, participando nas atividades deste (Lakatos & Marconi, 1985; Moreira, 2007). Assim, e ainda de acordo com Sousa (2009, p. 113) este tipo de observação “ (…) consiste no envolvimento pessoal do observador na vida da comunidade educacional que pretende estudar, como se fosse um dos seus elementos, observando a vida do grupo a partir do seu interior, como seu membro.” A minha observação foi participante, pois interagi com as crianças e elas comigo, neste período de observação, integrando-me neste grupo de crianças como seu membro (Gil, 1999). Deste modo, a observação neste estudo é também direta, pelo facto de ter sido eu própria a observadora e estar em contacto com as crianças, na sua sala (Moreira, 2007).

33 Foi uma observação, onde recorri aos meus sentidos e pude proceder à recolha de informações e dados, captando situações, no momento em que estas ocorreram, sem recurso a documentos acessórios ou de testemunhos. Para além disso, foi uma observação indireta, pois apesar de ter sido eu a tirar fotografias, só posteriormente as pude analisar, sendo que as fotografias “ (…) dão-nos fortes dados descritivos, são muitas vezes utilizadas para compreender o subjectivo e são frequentemente analisadas indutivamente” (Bogdan & Biklen, 1994, p. 183).

Desta forma, no desenrolar da fase de recolha de dados, fiz registo fotográfico e retirei notas de campo, que “ (…) para além da função de recolha de dados, ajudam a criá-los e a analisá-los (encaminhando e reorientando a investigação) (…) ” (Moreira, 2007, p. 192). Recorri a notas de campos, com a finalidade de registar as informações, as situações, os dados e os acontecimentos que surgiram no momento de observação. Segundo Bogdan e Biklen (1994, p. 150), as notas de campo são “ (…) o relato escrito daquilo que o investigador ouve, vê, experiencia e pensa no decurso da recolha (…).” Os dados obtidos, durante a fase de recolha de dados, foram posteriormente, analisados recorrendo à análise de conteúdo, com a finalidade de retirar as informações mais importantes para a concretização do ensaio investigativo. Deste modo, tive de identificar “categorias e unidades de análise”, com base nas informações recolhidas relativamente aos objetivos do meu estudo (Sousa, 2009).

2.4. Procedimentos

A concretização deste estudo passou por várias fases, desde a definição da temática, da problemática, da pergunta de partida e dos objetivos do estudo, à metodologia de investigação utilizada, bem como à análise e discussão dos dados. Escolhi ainda os participantes do ensaio investigativo, bem como as técnicas e instrumentos de recolha e tratamento de dados. Por último, organizei os dados necessários para a realização da sua análise e discussão de dados, culminando o estudo com uma conclusão.

Este estudo decorreu durante quatro semanas de observação (semana de dez e onze e semana de dezasseis a dezoito de dezembro de 2013; semana de seis a oito e semana de treze e catorze de janeiro de 2014), correspondendo a dez dias de observação. Na primeira semana de observação coloquei um livro, junto dos brinquedos da Sala Lilás, no momento de brincadeira livre. Nas restantes semanas, coloquei ao todo três livros

34 junto dos brinquedos, escolhidos em função dos critérios atrás referidos, no momento de brincadeira livre. Durante a fase de recolha de dados, observei três crianças, no momento de brincadeira livre, durante dez minutos no período da manhã (das 10h30m às 10h40m) e outros dez no período da tarde (das 16h40m às 16h50m), sendo estas horas possíveis de serem alteradas aquando da observação, devido ao prolongamento de alguns momentos de rotina.

A minha observação visou seguir os seguintes itens: i) A interação entre a criança e o livro; ii) A interação da criança com o livro entre pares; iii) A interação da criança com o livro e com o adulto; integrando-se estes itens na categoria “A relação com o livro”. Relativamente à primeira subcategoria “A interação entre a criança e o livro”, o objetivo consistiu na observação da exploração das crianças com os livros no momento de brincadeira. Na subcategoria “A interação da criança com o livro entre pares”, o intuito recaiu na observação do modo como as crianças se relacionavam entre si a partir do livro. A última subcategoria “A interação da criança com o livro e com o adulto” baseou-se na observação da reação das crianças com o livro junto de um adulto.