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4 Metodología

4.3 La guía de entrevista

Ao iniciar o segundo semestre letivo em 2014, chegamos (eu, o coordenador e os pibidianos) no espaço da cantina para realizar os encontros semanais e fomos surpreendidos com uma lotação de carteiras empilhadas na parte elevada do palco e também nos cantos da cantina. No restante do espaço do refeitório as mesas e bancos. O local onde as aulas de teatro geralmente aconteciam agora estava ocupado.

Nosso espaço estava restrito e desconfortável. As carteiras estragadas foram retiradas das salas e do depósito e alocadas na cantina aguardando a empresa responsável retirá-las. Consideramos o fato um “balde de água fria”, principalmente por ter como referência o transcorrer do primeiro semestre, com as aulas e ações desenvolvidas naquele espaço: as experiências de compartilhamento das cenas curtas dos bolsistas pibidianos e dos secundaristas no encontro EntreCenas.

Em reunião com os bolsistas verificamos a possibilidade de dialogar sobre a situação a partir de ações artísticas problematizando a questão das carteiras empilhadas: “o que pensavam os secundaristas acerca dessa nova paisagem?”. Coletivamente, chegamos à proposta de criar pequenas instalações com a mobília. Deslocamos algumas das carteiras para o meio do refeitório mantendo a disposição de empilhamento e colamos

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vários post-it. Foram disponibilizadas canetas suspensas em cordões para facilitar a escrita dos comentários dos adolescentes. Outra ação foi amarrar vários balões coloridos nas carteiras (levezas às concretudes empilhadas). Essa imagem expressava parte de nosso anseio: que os balões retirassem as carteiras, liberando o local para o trabalho criativo, que usa como combustível a imaginação, e pode ser tão volátil e colorida como aquelas bexigas. (ver apêndice F47).

Simultaneamente à ação, organizamos um equipamento de som com microfone, possibilitando aos estudantes verbalizarem seus anseios, compartilharem ideias, proposições e opiniões sobre a instalação que haviam encontrado no espaço da cantina no horário daquele recreio. Na semana seguinte, após análise, a diretora constatou a importância das aulas para os estudantes e a necessidade de liberar aquele espaço, o que resultou na orientação, junto aos ASG, para realocarem as carteiras nos depósitos até a chegada da empresa responsável pelo recolhimento.

Após a intervenção artística e a retirada das carteiras, os bolsistas propuseram um plano de trabalho com jogos teatrais, teatro esporte e improvisações de cena. Realizamos rodas de conversa para ouvir opiniões dos estudantes sobre a aula de Teatro, a escola e as situações que os/nos incomodavam. Buscávamos dados para conduzir propostas de intervenções, ações performáticas no horário do recreio, convidando os estudantes secundaristas a intervir no ambiente para dialogar sobre as questões que os inquietavam, de modo semelhante à maneira que fizemos com as cadeiras entulhadas.

Ações político-poéticas sendo compartilhadas como parte dos aprendizados em aula. Exposição de desconforto e outras possibilidades de comunicação que ultrapassassem o diálogo realizado apenas por meio do uso da palavra falada. Através do corpo, de objetos e da composição/disposição/combinação de ações, criar campos de diálogo acerca de um assunto ou situação de conflito. Essa proposta se articulava com a investigação de um dos bolsistas com o teatro contemporâneo, caminhando ao encontro da performance quem chega aqui?, apresentada no início do ano letivo.

Uma das inquietações surgidas nos diálogos entre estudantes e bolsistas foi o “isolamento” gerado pelo celular e o fone de ouvido, principalmente durante o horário do recreio, quando parte dos jovens deixavam de socializar uns com os outros para jogar ou fazer outras atividades no aparelho móvel conectado, isolados ainda com o acessório auricular. Mesmo quando se reuniam, geralmente o celular ganhava considerável espaço. Mas quais seriam outras possibilidades com esse instrumento? Como ele poderia tornar-

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se um meio de interação e criação artística dialogando com o contexto cotidiano dos estudantes?

A partir do compartilhamento de várias possibilidades de intervenção, os bolsistas decidiram fazer uma “balada silenciosa”, com cada um ouvindo uma música no celular com o fone de ouvido e dançando conforme o ritmo de sua música nos espaços de recreio. Cada bolsista escolheu seus ritmos. A proposta: cada bolsista escolheria um lugar no pátio, começaria a dançar e aos poucos mudaria para outro ambiente, possibilitando que vários estudantes pudessem vê-lo. Ao final, voltariam todos para o meio do pátio e dançariam juntos até finalizarem a intervenção.

Os estudantes secundaristas reagiram de diferentes maneiras. Alguns saíram de perto de quem estava dançando para não ficar no foco da ação, outros faziam negativas com a cabeça demonstrando não compreender o que estava acontecendo. Ao mesmo tempo alguns adolescentes começaram a dançar junto com os bolsistas, mesmo sem saber a música que estava tocando no celular, inclusive alguns pediram para ouvir a música no fone de ouvido e outros ofereciam o próprio celular com músicas para os bolsistas dançarem. De um modo geral, os comentários eram semelhantes aos ouvidos na performance apresentada no início do ano, voltadas para a definição e sentidos (para si) das manifestações artísticas.

Quando um estudante nos perguntava acerca das ações e seus respectivos significados, devolvíamos ao espectador a pergunta “e qual o sentido para você?”. Esse posicionamento possibilitou que cada jovem formulasse sentidos a partir de seu repertório de saberes e experiências. Na semana seguinte, após um período de “digestão da ação apreciada”, dialogávamos com os/as estudantes acerca dos objetivos norteadores da composição.

O distanciamento, de aproximadamente uma semana, entre uma aula e outra, por vezes dificultava a construção de uma fruição do processo artístico apreciado, visto que as memórias das ações se esvaem de uma semana para outra, no entanto, também acredito na potencialidade do tempo de “silêncio” para a fruição, possibilitando aos estudantes buscarem seus próprios elementos para a construção de um percurso narrativo que traga seus próprios significados.

Em se tratando do público adolescente, acredito na importância de compartilhar (posteriormente) parte dos objetivos iniciais que nortearam a composição artística, criando nos estudantes estados comparativos do seu ponto de vista (da ação em performance) e dos objetivos escolhidos pelos artistas. Esse espaço pode possibilitar a

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desconstrução de possíveis equívocos ou distanciamento entre a ação e o artista performer, porque apesar de breves, acredito que esses diálogos e esclarecimentos abriram espaços para fortalecer a iniciativa dos demais estudantes a realizarem suas próprias intervenções: arriscando-se na performance, colocando-se em jogo e no jogo com os demais colegas nos horários de recreio.

A escolha de iniciar as ações em performance com os bolsistas do PIBID teve como objetivo ampliar para os adolescentes e à comunidade escolar outros lugares de apreciação e interação com programas performáticos. Ações no cotidiano que foram realizadas com o objetivo de abrir campos artísticos em diversas frentes de diálogo, rompendo a linearidade e suscitando novos olhares para si, para o outro, o seu entorno e para as estéticas artísticas. Em seguida, os adolescentes foram convidados a compor suas próprias ações em performance.