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5.1 Resultatdiskusjon

5.1.1 Gruppene samlet

A adolescência foi chegando e eu cada vez gostando mais e mais de dançar. Algumas colegas minhas de escola já iam às discotecas da cidade e chegavam na segunda-feira contando todas as novidades: como dançaram muito e se divertiam bastante naquele lugar que tomava conta da minha imaginação, de acordo com o que eu ouvia.

Até que um sábado, depois de insistir muito, mas muito mesmo com meu pai, que me achava nova demais para participar desses ambientes, consegui convencê- lo a me levar na tão sonhada discoteca. Ele foi junto (é claro!) e parecia um guarda- costas com os braços cruzados, olhando para todos os lados para verificar se nenhum rapazinho daqueles iria me oferecer bebida, drogas, tentar me agarrar ou alguma coisa parecida com o que ele achasse que era perigoso. Disse pra mim: “Minha filha, finge que não estou aqui, pode dançar à vontade...” Bom, nas músicas em que se dançava solto tudo bem, mas quando era música lenta, nenhum menino chegava perto de mim. Dá pra imaginar o porquê, não é? Mesmo assim, foi muuuuuuuuuuuiiiiito boa aquela noite, dancei demais, me diverti muito e até hoje não esqueço a minha primeira vez (e única naquele ano) numa discoteca. Quis voltar outras vezes, mas recebia um não como resposta.

Os anos se passaram e meu pai foi transferido do Rio Grande do Sul para um distrito de Barreiras, uma cidade no oeste da Bahia, chamado Mimoso do Oeste, hoje emancipado, Luís Eduardo Magalhães. Lá não existiam discotecas, o que foi um grande alívio para meus pais, pois cada vez mais eu insistia em frequentar aqueles lugares. Existiam sim, encontros com outros jovens sedentos por diversão, música e dança, na casa de algum deles. Morei algum tempo em Mimoso do Oeste e depois, no ano em que meu pai iria se aposentar e voltar para o Rio Grande do Sul, resolvi, com uma amiga, vir morar em Salvador.

Queria fazer o vestibular para dança, mas estava desempregada e só tinha uma “mesada” da minha família, então eu e minha amiga resolvemos antes de tudo encontrar algo para o nosso sustento na nova cidade. Mandamos currículos para vários lugares, mas, talvez pela falta de experiência, nunca fomos chamadas para nenhum deles. Até que uma pessoa nos indicou uma empresa que trabalhava com “panelas diferentes que vendiam muito”. Fomos verificar isso, e começamos a vender utensílios para cozinha de porta em porta.

Foi numa dessas saídas para o trabalho que passei por uma academia onde davam aulas de dança de salão, daí eu pensei: “Tenho facilidade pra dança, dança

de salão não deve ser tão difícil, vou aprender rapidinho e volto para o Rio Grande do Sul para dar aulas de dança lá!”

E assim eu fiz, me matriculei no curso de dança de salão e deixei claro para os professores qual era o meu objetivo. Porém, durante as aulas, percebi que não era tão fácil e tão rápido quanto eu pensava...

Os dias, meses e anos foram passando e eu, apesar da saudade da família, estava gostando de morar em Salvador.

No ano 2000, os professores com quem comecei a aprender dança de salão abriram uma academia de dança e me convidaram para dar aulas com eles. Fui me aperfeiçoando, participando de cursos e congressos aqui e em outras cidades.

Em 2004, através dessa mesma academia, conheci Anete e Cabral, que estavam procurando um professor de dança de salão para ajudá-los na dança esportiva em cadeira de rodas. Perguntaram se eu gostaria de fazer esse trabalho com eles. Respondi: “Eu???? Eu nem sabia que cadeirantes dançavam! Eu não entendo nada de dança em cadeira de rodas!!!” E Cabral me disse: “ Nós também não. Vamos aprender juntos!”

Daquele dia pra cá, continuo na Cia Rodas no Salão tentando ainda aprender a cada dia um pouquinho mais sobre dança esportiva em cadeira de rodas, aprendendo também a cada dia alguma coisa com os participantes desse grupo e tendo a certeza de que ainda tenho muito, muito mesmo a aprender.

Carine por Anete:

Compartilhar com Carine dos conhecimentos e dúvidas, ao longo desse estudo, foi maravilhoso. Uma característica de Carine que sempre me encantou é a sua sinceridade em falar abertamente o que sabia, mas também o que não dominava e tinha dúvidas. Por isso, sua participação nesta pesquisa advém do ano de 2004, quando ela foi convidada a realizar um trabalho comigo e Cabral na DECR. Desafio para nós três. Há quase seis anos buscando informações e conhecimentos que nos possibilitassem ferramentas seguras para atuar nesse ambiente, o estudo proposto possibilitou que nos aproximássemos para discutirmos e aprofundarmos questões que nem percebíamos se relacionar com a modalidade. Outro fator interessante foi que notávamos que tínhamos de buscar ajuda de outras pessoas. Assim, criei o link da ABDCR com a professora Bettina Ried, e que também estabeleceu contatos com técnicos da Europa. Esse intercâmbio foi fundamental para nos sinalizar a

importância de nos aproximarmos de estudiosos de áreas afins, mas também de outras áreas. Desse estudo ficou o fruto da semente que resultou em ótimos resultados no campeonato brasileiro de DECR do ano de 2009. Nossa missão agora é dar continuidade ao que foi iniciado com esta pesquisa, para que possamos nos apropriar ainda mais e ampliar para outros espaços.

4.2.5. Edy

Edimari dos Santos, mais conhecida como Edy

Nasci na cidade do Salvador em 5 de fevereiro de 1984. Minha profissão é dona de casa e agora dançarina também, rs!

Conheci o trabalho da ABDCR através de Rocha, numa festa. Quando soube do trabalho que era realizado, achei interessante. Entretanto, foi só isso e mais nada... Como nunca gostei de dançar, vi que seria bom para Ivana (que é sua prima de consideração e cadeirante).

Meus planos eram levar Ivana para as aulas e ficar esperando até o término delas. A minha intenção era essa, até porque eu não gostava da ideia de ter que ir para lá, sistematicamente, acompanhando Ivana. Achava que seria um ‘saco’... Mas quando passei a acompanhá-la, passei a fazer as aulas, de tanto os meninos (os bailarinos da Cia) me “obrigarem” (rsrsrs), falando: "Acompanhante também dança aqui!”.

No começo eu confesso que não gostava, pois achava tudo muito chato e difícil. Eu não gostava de dançar, pois era um pau duro, rs! Não assimilava nada, meu Deus! Eu era um horror, rs!

Passei a fazer as aulas de dança na EDROS. Com a ajuda de todos, passei a gostar e a me dedicar às aulas. O que no começo era uma chatice, passou a ser prazeroso pra mim. Tenho que vencer os obstáculos todos os dias porque, para mim,

FOTO 59 – A atleta dançarina Edy no 8º