5.1 Resultatdiskusjon
5.1.2 Gruppene delt
dificuldade (coordenação motora) e das pequenas (timidez, falta de treino,...), emocionalmente, o trabalho em grupo me faz muito bem. Compartilho com os integrantes, a cada encontro, uma nova experiência que tem enriquecido muito a minha existência.
Em relação à minha participação na pesquisa, considero que foi importante, pois, me fez pensar o que antes não pensava. No início, foi difícil identificar as simetrias entre as figuras apresentadas, e, pior ainda no momento de reconhecê-las na dança. Tenho dificuldades quanto à atenção (atenção flutuante). Mas participando da pesquisa, das reuniões nas quais Anete nos esclareceu e demonstrou como a percepção da simetria nos facilitaria um desenvolvimento na execução dos passos, pude me dar conta de que, sem que tivesse percebido, eu havia incorporado a simetria e que, de fato, esse conhecimento era eficaz, pois trouxe resultados imediatos à minha performance.
Fazer parte da Escolinha é maravilhoso e ter participado da pesquisa foi enriquecedor. Tenho certeza que a minha visão se ampliou, pois hoje consigo enxergar, reconhecer coisas que antes, apesar de estarem tão próximas e evidentes, não eram percebidas por mim. Portanto, a grande contribuição foi que, ao notar as simetrias, pude compreender que eu também poderia ser capaz de realizá-las. Assim, sou grata por ter participado desse momento tão especial na construção de um novo saber.
Ieié por Anete:
Um dos fatores importantes desta pesquisa foi saber de informações que em uma entrevista para seleção e admissão de bailarinos, e muitas vezes, em sala de aula, nos passam despercebidos. Ao relatar, em um dos depoimentos, que possuía “atenção flutuante52”, procurei me aprofundar no assunto e repassei para o educador e monitores da EDROS que a acompanhavam, para realizar um trabalho um pouco diferenciado.
52
Segundo, Guerra e Carvalho, 2004, a atenção flutuante consistiria, basicamente, num esforço no sentido de evitar que a atenção, na cena analítica, seja fixada, intencionalmente, num elemento determinado, deixando-se guiar, nessa seleção, pelas próprias aspirações e expectativas. Ao desenvolver o conceito de atenção flutuante, Freud (1912/1948) coloca, ainda, a necessidade de, na escuta, suspender o mais possível as representações-meta. (...) e aponta a necessidade de realização de sínteses momentâneas, deslocando as representações-meta para uma posição provisória, marcada pela abertura para o inesperado.
Por outro lado, pude, de fato, perceber que a sua postura ao longo da pesquisa foi de uma ouvinte extremamente observadora. E suas observações colaboraram com seu crescimento como atleta dançarina, incorporando mudanças na sua forma de dançar, na sua postura, pois compreendia os movimentos que tinha de realizar, exercitando aquilo que assumia ser um obstáculo para a sua aprendizagem – sua atenção.
4.2.9. Marcelo
Marcelo de Souza Santos Ou, simplesmente, Marcelo
Falar da minha vida não é meu forte, pois não gosto muito. Sou baiano de Alagoinhas, nasci em 4 de maio de 1978 e sou o 14° filho de uma prole de 19 irmãos; sendo dois de criação, mas nós os consideramos como se fossem legítimos, e isso é mesmo.
Tive uma infância maravilhosa com alguns percalços que a vida teima em pôr em nossos caminhos, mas vejo de forma positiva, pois isso só serve para unir ainda mais essa grande família, isso literalmente falando.
Sou técnico em Eletromecânica e trabalhei em uma multinacional (Bosch) na área de produção (área de química). Fazia cursinho para prestar vestibular para Psicologia e, no mesmo período, aproveitei e fiz o concurso para PM, sendo aprovado na 200ª. colocação, num total de 3.200 vagas, faltando as provas físicas. Mas o destino não quis que eu fosse PM. No mês das provas físicas aconteceu o acidente que mudaria minha vida totalmente e para melhor. Digo isso de coração exaltando de alegria, pois as melhores coisas da minha vida estão acontecendo agora e estou tendo a honra, que poucos têm, de conhecer e de conviver com pessoas maravilhosas e entrar em um mundo que é privilégio apenas para poucos escolhidos - O MUNDO DA DANÇA. Conheci por mero acaso (ou não?).
Acredito que estava no meu destino “cair” entre pessoas que veem o mundo de forma mais aberta e que são capazes de enfrentar o que for preciso para que os
FOTO 63 – O atleta dançarino Marcelo no 8º Campeonato Brasileiro de DECR, em Juiz de Fora –
MG, em dez. 2009. Fonte: ARQUIVO ABDCR (2009).
seus sonhos tornem-se realidade. Saí de mero espectador para me tornar um componente da grandiosa CRS.
Falo isso de alma realmente renovada. Afinal, minha vida mudou na data de 19 de março de 2007. Quando fui levantar uma barrica de mais ou menos 65 kg com um colega, e subindo uma escada, senti uma dor muito forte na coluna, como se estivesse me rasgando as costas. Soltei a barrica e meu colega me colocou sentado no degrau por alguns instantes, depois senti um formigamento e uma frieza na perna esquerda. Dali em diante não mais a senti. A mesma sensação foi sentida na perna direita. Desde então, não sinto movimento algum do umbigo para baixo.
Quanto à pesquisa, espero que venha trazer muitos benefícios para o desenvolvimento do trabalho desenvolvido na Cia. A dança nada mais é que a busca pela plenitude da perfeição e da alegria de viver, apenas deslizando no salão.
Marcelo por Anete:
Marcelo sempre se mostrou uma pessoa muito questionadora. Simpático para estabelecer relações, ao chegar à EDROS se revelou um bailarino dedicado em aprender o que lhe era proposto. No início, chegou em uma cadeira de rodas que o “engolia” e restringia seus movimentos. Mesmo com seus medos de se desafiar, de cair da cadeira, de se expor, contava no grupo com companheiros que o encorajavam e o desafiavam a cada encontro de dança. Ao perceber o seu desempenho, foi convidado a fazer parte da CRS. Chorou de alegria e contou para toda a sua família e amigos. Era o desejo dele fazer parte do corpo de atletas dançarinos da CRS. Ao longo dos dias, Marcelo foi se esmerando na dança e no estudo da modalidade. Vencer a timidez era seu maior desafio e aconteceu quando estreou numa apresentação numa escola particular de Salvador. Dali em diante, se revelou.
Durante os estudos desenvolvidos ao longo da pesquisa, Marcelo era muito observador e, mesmo sem saber executar bem alguns movimentos, percebia como os deveriam ser feitos para a obtenção de um bom resultado. Adotou suas estratégias de estudo e compreensão dos movimentos através de anotações, da análise de vídeos e de aulas que se propunha a fazer com os colegas da companhia. Fruto desse esforço, resultou no primeiro lugar na categoria LWD2, iniciante, no 8º Campeonato Brasileiro de DECR, realizado em Juiz de Fora, em dezembro de 2009.
4.2.10. Naldo
Meu nome é Marinaldo Santos da Silva, mas gosto de ser chamado de “Naldo”.
Sou baiano e tenho 20 anos. Sou estudante do 2º ano do ensino médio do Colégio Estadual Tales de Azevedo.
Sou atleta dançarino da CRS desde o ano de 2006.
Minhas atividades são: estudo, aulas de dança na CRS e dou aula na EDROS, que considero como meu trabalho e do qual eu gosto muito.
Antes eu já fazia dança no projeto social chamado Buscapé, que acontece no Pelourinho (bairro do Centro Histórico de Salvador), no qual fazia dança contemporânea com a professora Antonieta. Lá tive a oportunidade de descobrir a dança em cadeira de rodas, através de Cabral e Anete, que foram ao projeto apresentar a DECR. Fizeram-me o convite para participar de sua Cia, pois estavam procurando um andante masculino para formar uma dupla com Rosana, minha primeira parceira na DECR. Atualmente, sou parceiro da Daniele.
Hoje me vejo mudado em tudo. A CRS me ensinou muito e agradeço por tudo que conquistei. Melhorei minha dança e aprendi coisas do tipo: passos, ritmos, contagens, regras e criar coreografias. Não só na dança como na minha vida pessoal,... mudei muito.
FOTO 64– O atleta dançarino Naldo no 8º Campeonato Brasileiro de DECR, em Juiz de
Fora – MG, em dez. 2009. Fonte: ARQUIVO ABDCR (2009).
Com a pesquisa que Anete vem realizando com os bailarinos da CRS e da EDROS pude ver quantas descobertas interessantes existem ao estudarmos a matemática na dança. Acredito que essa pesquisa contribuirá no melhor entendimento de conhecimentos, pois facilitarão a nossa compreensão sobre as formas, contagens, posicionamentos, ou seja, informações que a dança pede.
Naldo por Anete:
Conheci Naldo no ano de 2005. Num projeto social denominado Buscapé, pertencente à ONG Vida Brasil, eu e Cabral tivemos a possibilidade de, em alguns encontros, ministrar algumas aulas de DECR para os jovens. Naldo era um deles. O que me chamou atenção nele foi a sua forma de dançar, a atenção que tinha com a educadora responsável pela turma, a professora Antonieta, e sua rítmica. Ao final da aula, o convidamos para conhecer a CRS e, estando lá, se encantou. Desde então, Naldo é atleta dançarino da ABDCR.
Quando chegou à ABDCR, tinha 17 anos de idade. Colocamos a necessidade de estudar para se manter no projeto. Desde então, vimos mostrando a Naldo a importância do estudo formal para uma carreira que ele verbaliza querer construir na/com a DECR. Hoje, o considero um dos ótimos atletas dançarinos da ABDCR. Percebo como ele ama verdadeiramente essa modalidade e se dedica ao estudo dela, através de vídeos.
Entretanto, notei que o maior ganho da pesquisa para Naldo foi ele perceber a importância de investigar os movimentos que realizava e estudá-los com profundidade. Ele deu sinais que entendeu isso. No final do ano passado, motivado pelos estudos realizados ao longo da pesquisa, apresentou na escola que estuda um trabalho sobre a matemática, que envolvia os movimentos de uma pequena coreografia que apresentaria. Interessado, buscou-me para mostrar o que tinha percebido para fazer os devidos ajustes e correções. Sua postura mudou muito.
4.2.11. Ricardo Moreno
Paulo Ricardo da Cruz Silva,
mas gosta de ser chamado por Ricardo Moreno
Sou baiano e tenho 33 anos. Fui uma criança muito levada, tanto na rua quanto na escola, mas nunca fui reprovado na escola ou fiquei em recuperação, pois sempre fui um menino muito inteligente e estudioso.
A minha mãe morreu quando eu tinha nove anos de idade. Tive então de viver viajando com meu pai, que era pedrisa (vendedor de pedras preciosas). Vivi assim até os meus 15 anos. De volta a Salvador, comecei a trabalhar em uma clínica veterinária. Resolvi abrir meu próprio negócio (um pet shop) e, nas horas vagas, praticava kickboxing53.
Em 2001 tive meu crânio, lombar e tímpano afetados durante uma luta quando praticava o kickboxing. Três anos depois, se deu o surgimento da esclerose múltipla54, até então sem causa e nem cura.
53
É um sistema de Artes Marciais (há quem o considere um desporte de combate como o boxe e não uma arte marcial) relativamente novo, cujas regras derivam da combinação de diversas técnicas de combate de uma variedade de outras disciplinas mais tradicionais, incluindo o Boxe, Kung Fu e Tae Kwon Do.
54
Não é uma doença mental. Não é contagiosa. Não é suscetível de prevenção e não tem cura. É uma das doenças mais comuns do SNC (Sistema Nervoso Central: cérebro e medula espinhal) em adultos jovens. De causa ainda desconhecida, foi descrita inicialmente, em 1868, pelo neurologista
FOTO 65 – O atleta dançarino Paulo Ricardo no salão de