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Gruppe C om Nordic Choice

Kapittel 4 Analyse

4.4 Analyse og tolkning

4.4.1 Gruppe C om Nordic Choice

De acordo com os resultados obtidos na detecção de chumbo e cádmio no açúcar mascavo dos diferentes sistemas de produção (Tabela 9) não se detectou contaminação por Pb nas amostras de açúcar produzidas nos tratamentos TEST, SCAQ e SOVV. Entretanto, nas amostras SCVQ, SCCQ e SOCV, o Pb foi detectado, e as concentrações encontradas estão acima do limite máximo estabelecido na Resolução - RDC Nº- 42, de 29 de agosto de 2013 (BRASIL, 2013) que tolera limite máximo de 0,1 mg kg-1 em açúcares.

Quando comparadas as concentrações de Pb encontradas neste estudo, que variaram de 0,16 a 0,30 mg kg-1, com o valor estabelecido pela African

Organisation for Standardisation (ARSO, 2012), conforme apresentado na Tabela 4, que estabelece o limite máximo de tolerância de 0,5 mg kg-1 de Pb para o açúcar mascavo destinado à alimentação humana, verifica-se que as concentrações estão abaixo daquele limite de tolerância. Portanto, do ponto de vista de segurança alimentar a atual legislação brasileira (BRASIL, 2013) é mais rigorosa, com o limite máximo de tolerância para Pb em açúcar em comparação com a ARSO (2012).

Tabela 9. Valores médios (mg kg-1) dos teores metais pesados encontrados nas amostras de açúcar mascavo proveniente de cana de açúcar de diferentes tratamentos (n=6).

Tratamento Pb

(mg kg-1)

Cd (mg kg-1)

TEST < LOQ < LOQ

SCVQ 0,30a < LOQ

SCAQ < LOQ < LOQ

SCCQ 0,16ab < LOQ

SOCV 0,20a < LOQ

SOVV < LOQ < LOQ

- Médias com letras iguais, na coluna, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pela análise de variância ANOVA - teste de Tukey.

- (< LOQ) abaixo do limite de quantificação.

- TEST: testemunha absoluta; SCVQ: sistema convencional com corretivo orgânico e adubo químico; SCAQ: sistema convencional sem calcário e com adubo químico; SCCQ: sistema convencional com calcário e adubo químico; SOCV: sistema orgânico com calcário e composto orgânico; SOVV: sistema orgânico com corretivo e composto orgânico.

Estudo recente realizado por Wilwerth et al. (2009) com diversas marcas de açúcar mascavo encontrou concentrações de Pb na ordem de 6,3 a 16,2 mg kg-1. Os teores de Pb aqui encontrados nas amostras de açúcar mascavo provenientes dos tratamentos: SCVQ, 0,30 mg kg-1; SOCV, 0,20 mg kg-1 e SCCQ, 0,16 mg kg-1, foram menores do que os encontrados por Faria (2012) em açúcar mascavo orgânico a concentração de Pb estava na ordem de 0,69 mg kg-1.

A contaminação das amostras de açúcar por chumbo pode ser advinda de várias fontes, dentre elas: deposição atmosférica; aplicação de corretivos, fertilizantes e agroquímicos; água de irrigação e por adição de resíduos orgânicos e inorgânicos (TAVARES, 2010). Assim, esses fatores podem ter contribuído para a contaminação das amostras de açúcar mascavo, produzidos nos tratamentos SCVQ, SCCQ e SOCV, analisadas neste trabalho.

De acordo com Moreira; Moreira (2004), o chumbo é um dos contaminantes mais comuns do ambiente, sendo considerado como um elemento que possui efeitos tóxicos sobre os homens e animais, e sem nenhuma função fisiológica no organismo. A dose de ingestão aceitável provisória (PTWE) para chumbo atualmente é de 25 μg kg-1 de peso corpóreo

por semana (CAPITANI, 2009). Para um adulto de 70 kg a dose aceitável de ingestão deve ser de 250 μg dia-1. Contrastando com os adultos, as crianças

entre 2 meses e 6 anos de idade podem absorver até 50% da quantidade ingerida. Baseado no nível de ação ainda em vigor proposto pelo Centers for Disease Control and Prevention - CDC em 1991, que é de 10 μg dL-1 de Pb no

sangue em crianças, calcula-se então que uma criança de 10 kg não pode ter ingestão de Pb maior de 60 μg dia-1 em sua dieta, sob risco de desenvolver

efeitos a longo prazo (CAPITANI, 2009).

Paralelamente, verificou-se que as amostras de açúcar mascavo dos diferentes tratamentos e analisadas neste trabalho, também não apresentaram contaminação pelo Cd. A legislação brasileira estabelece como limites máximos de tolerâncias entre 0,01 e 2,00 mg kg-1 de Cd em alimentos

(2012) estabelece o limite máximo de tolerância de 0,05 mg kg-1 de Cd para o açúcar mascavo destinado à alimentação humana.

Martins et al. (2009), que analisaram o teor de cádmio em produtos à base de cereais em diferentes estabelecimentos comerciais (supermercado, farmácia, cooperativa de produtos biológicos) na área de Lisboa, de origem convencional e biológica, destinada à alimentação infantil, obtiveram teores de cádmio situados entre 1,2 e 9,0 μg kg-1 e entre 9,0 e 69,0 μg kg-1 de peso

fresco, respectivamente. Segundo os autores, os teores de cádmio encontrados são superiores nas amostras biológicas quando comparados com as de origem convencional.

Skrbic et al. (2003) analisaram amostras de açúcar de beterraba produzidas por algumas fábricas de açúcar de beterraba na Yugoslavia, e o teor de cádmio nas amostras variou de 0,04 a 0,16 mg kg-1. As concentrações

de Cd foram inferiores à concentração máxima permitida determinada pela legislação local. Em outro estudo, Waheed et al. (2009) utilizaram análise instrumental por ativação com nêutrons (INAA) para deteminação de Cd nas amostras de açúcar mascavo, açúcar branco e rapadura coletadas na indústria de cana de açúcar do Pasquistão e não detectaram Cd em nenhuma das amostras de açúcar analisadas.

Verifica-se, portanto, que os resultados de Cd encontrados por nós no açúcar mascavo proveniente de vários tratamentos são semelhantes aos encontrados por vários autores nos diferentes tipos de acucares.

O cádmio e um metal tóxico que ocorre naturalmente no solo, mas também pode surgir devido à ação antrópica. O cádmio e facilmente absorvido por culturas agrícolas e, por conseguinte, entra facilmente nas diferentes cadeias alimentares da população humana e de animais. A exposição prolongada a este metal apresenta como consequência lesões em diferentes órgãos e tecidos (rins, fígado, ossos e pulmões), além de ter efeitos cancerígenos (MARTINS et al., 2009). Segundo Azevedo; Chasin (2003), as concentrações de cádmio em condições de ser incorporado pela planta em diferentes alimentos variam muito de acordo com sua origem, com a concentração do metal no solo e sua disponibilidade no meio. Grãos e cereais

constituem as culturas de maior porcentagem da absorção de cádmio, dado que o concentram. A concentração de cádmio em açúcar e conservantes em países como Reino Unido, Finlândia, Suécia, Dinamarca e Holanda variam de 3 e 30 µg kg-1 em peso úmido.

4.2 Nutrientes minerais

Os resultados dos teores dos nutrientes minerais Cu, Zn, Mn e Fe determinados nas amostras de açúcar mascavo provenientes de diferentes tratamentos da cana de açúcar estão apresentados na Tabela 10.

Tabela 10. Teores de nutrientes encontrados nas amostras de açúcar mascavo dos diferentes tratamentos (mg kg-1; n=6) e limites de diferentes organizações (em cinza)

TEST SCVQ SCAQ SCCQ SOCV SOVV TACO*

2011

WHO** 1996

UL-WHO*** 2006

Elemento mg kg-1 mg 100g-1 mg dia-1 mg dia-1

Cu 1,58 c 1,95 b 2,13 a 2,13 a 1,97 b 1,38 d 0,17 2 10

Zn 5,72c 5,76 bc 5,89 ab 5,99 a 5,71 c 4,90 d 0,5 15 45

Mn 18,43 b 15,41 d 20,46 a 15,69 d 15,85 cd 15,33 d 2,03 3 11

Fe 14,28 c 16,95 b 19,01a 14,31 c 15,20 c 12,35 d 8,3 20 45

- Médias com letras iguais, em linha, não diferem significativamente a 5% de probabilidade pela análise de variância ANOVA - teste de Tukey.

-TEST: testemunha absoluta; SCVQ: sistema convencional com corretivo orgânico e adubo químico; SCAQ: sistema convencional sem calcário e com adubo químico; SCCQ: sistema convencional com calcário e adubo químico; SOCV: sistema orgânico com calcário e composto orgânico; SOVV: sistema orgânico com corretivo e composto orgânico.

* Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO, 2011) ** World Health Organization (WHO, 1996)

*** UL – Tolerable Upper Intake Level (WHO, 2006)

Para comparação dos resultados (Tabela 10) utilizou-se os valores de Cu, Zn, Mn e Fe detectados no açúcar mascavo com os que estão reportados na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TACO, 2011), em relação

aos valores das necessidades diárias recomendado pela World Health Organization (WHO, 1996) e ao limite máximo tolerável de ingestão - UL – Tolerable Upper Intake Level (WHO, 2006), que representam os valores máximos de um nutriente que pode ser ingerido diária e cronicamente, sem causar riscos adversos à saúde de quase todos os indivíduos de um determinado grupo, em um determinado estágio de vida e sexo.

Os teores de Cu encontrados nas amostras de SCVQ, SOCV, SCAQ e SCCQ, apesar de apresentarem diferenças estatísticas nas amostras (Tabela 10), são muito próximos e irrelevantes do ponto de vista nutricional. As amostras de açúcar mascavo provenientes dos tratamentos de produção por manejo orgânico TEST e SOVV apresentaram teores de Cu estatisticamente menores quando comparados aos demais tratamentos. Considerando-se uma ingestão diária de 100 g de açúcar mascavo oriundo de cada um dos sistemas de tratamento e analisados neste trabalho (Tabela 10), o teor de Cu ingerido estaria na faixa de 0,14 a 0,20 mg 100g-1. Verificou-se, portanto, que as

amostras de açúcar mascavo proveniente de todos os sistemas de produção estão em níveis nutricionais abaixo da necessidade diária recomendada para o Cu na alimentação humana que, segundo a WHO (1996),é de 2,0 mg dia-1. Os teores de Cu encontrado nas amostras de açúcar mascavo de diferentes tratamentos da cana (SCVQ, SOCV, SCAQ e SCCQ) foram mais altos do que os encontrados na tabela TACO (2011); por outro lado, nas amostras TEST e SOVV os teores de Cu foram menores.

Os valores da TACO (2011) referem-se a valores de médias dos resultados analíticos de, no mínimo, três e no máximo, cinco amostras, das principais marcas comerciais de açúcar mascavo, coletadas em super/hipermercados de diferentes regiões do Brasil. Assim, não é possível afirmar que o tipo de manejo, seja ele orgânico ou convencional, tenha sido fator determinante para o aumento ou a diminuição do teor de Cu nas amostras de açúcar analisadas.

Verificou-se que em todas as amostras de açúcar mascavo oriundas dos diferentes sistemas de produção analisadas apresentaram teores de Cu dentro dos níveis toleráveis estabelecidos por BRASIL (1998), isto é, estiveram

sempre entre 0,1 e 10 mg kg-1, que são os limites estabelecidos para Cu em alimentos. Entretanto, se compararmos os resultados de Cu aqui detectados nas amostras de açúcar mascavo com os valores da ARSO (2012), que estabelece como o limite máximo de tolerância de 1,0 mg kg-1, nota-se que todas as amostras, tanto do manejo orgânico como do convencional apresentaram teores de Cu estão acima do estabelecido por esta organização internacional. Ressalta-se que o limite de tolerância de Cu utilizado na análise comparativa para este estudo e estabelecido pela legislação brasileira (BRASIL, 1998), refere-se ao teor de Cu em alimentos em geral. Sendo que, os limites de tolerância de Cu estabelecido pela ARSO (2012) é para açúcar mascavo propriamente dito.

Desta forma, as pequenas diferenças nos resultados de teores de Cu aqui obtidos para os sistemas de produção orgânica e convencional não chegam a ser relevantes do ponto de vista do aspecto nutricional, quando se leva em consideração uma ingestão diária de 100g de açúcar mascavo orgânico e convencional. Porém, quando comparados com os limites estabelecidos pela ARSO (2012) os teores detectados de Cu são inseguros do ponto de vista de segurança alimentar.

Em estudo realizado por Faria (2012) com diversos tipos de açúcar, o teor de Cu encontrado nas amostras de açúcar mascavo foi da ordem 1,6 mg kg-1. Em outro estudo, de Wilwerth et al. (2009), foram analisadas 31 marcas de açúcar mascavo comercial e os teores de Cu variaram entre 0,2 e 13,3 mg kg-1, intervalo ao qual nossos resultados se encontram (Tabela 10).

Considerando os diversos resultados citados na literatura e apresentados nas Tabelas 1 e 2 para os teores de Cu em produtos agrícolas produzidos no sistema de manejo orgânico e convencional, observa-se que foram realizadas 11 pesquisas e 30 comparações, não havendo diferença em relação ao teor de Cu entre os dois sistemas (Tabela 1). Já na Tabela 2, das 23 comparações, em 16 estudos o teor de Cu foi igual para ambos os sistemas, e em 5 estudos foram relatados que houve aumento do teor de cobre para os produtos orgânicos e somente em dois estudos foram observados decréscimos

do teor de Cu nas amostras produzidas em sistema orgânico em comparação ao sistema convencional.

Quando se compara os resultados de Cu em alimentos reportados nas Tabelas 1 e 2, com os resultados de teores de Cu em açúcar mascavo obtidos neste trabalho para os diferentes sistemas de tratamentos orgânico e convencional, verifica-se que nossos resultados se encontram de acordo com os dados da literatura. Ainda, de acordo com Oliveira et al. (2007), o teor nutritivo do Cu em açúcar mascavo pode variar de 0,1 a 0,3 mg 100g-1. Desta forma, os resultados de Cu obtidos neste estudo nas amostras de açúcar mascavo dos diferentes sistemas de tratamentos variaram de 0,14 a 0,20 mg 100g-1 e são, portanto, semelhantes aos dados apresentados na Tabela 3.

O Cu é um elemento traço essencial para todos os organismos, incluindo seres humanos, e está relacionado com as funções metabólicas de enzimas cobre-dependentes – cuproenzimas - como por exemplo: citocromo c oxidase, superóxido dismutase citosólica, lisil oxidase, tirosinase, ceruloplasmina e dopamina b-hidroxilase (MACEDO et al., 2010). A essencialidade desse metal deve-se a sua incorporação a grande número de enzima e proteínas estruturais. O papel do cobre nas atividades enzimáticas de óxido/redução se deve à sua habilidade em funcionar como um elétron intermediário de transferência. É o principal componente do centro catalítico de diversas enzimas redox e sua presença é essencial para processos fisiológicos normais, como respiração celular, síntese de melanina, biossíntese de tecido conectivo, defesa contra radicais livres e metabolismo de ferro intracelular. A ingestão de níveis elevados de cobre pode provocar náuseas, vómitos, dores de estômago ou diarréia (AZEVEDO; CHASIN, 2003).

Em relação aos teores de Zn encontrados nas amostras de açúcar analisadas, observa-se que as amostras TEST, SCVQ, SOCV, SCAQ, SCCQ e SOVV (Tabela 10) apresentaram diferença estatística entre os sistemas de produção de manejo orgânico e convencional. Estas diferenças podem ser consideradas irrelevantes do ponto de vista nutricional porque se levarmos em consideração uma ingestão diária de 100 g de açúcar mascavo orgânico e convencional das amostras analisadas neste trabalho, o teor de Zn ingerido

seria de aproximadamente de 0,49 a 0,60 mg 100 g-1, que estão em nível nutricional abaixo do recomendado como necessidade diária para o Zn na alimentação humana, que é 15mg dia-1 (WHO, 1996). Porém, pode-se observar que os teores de Zn foram similares aos publicados na TACO (2011) para o açúcar mascavo, que é de 0,5 mg em 100g -1, e muito abaixo do limite máximo tolerável de ingestão - UL – Tolerable Upper Intake Level (WHO, 2006), que é de 45 mg dia-1.

Em comparação com os limites de Zn estabelecidos pela ARSO (2012), isto é, 3,0 mg de Zn kg-1, todas as amostras, tanto do sistema orgânico como do convencional, apresentaram teores de Zn acima dos limites tolerados. Podendo-se dizer que estão acima do limite da segurança alimentar.

Waheed e Ahmad (2008) analisaram teores de Zn em amostras de açúcar mascavo coletadas na indústria de cana de açúcar do Pasquistão e detectaram teores de Zn de 3,4 µg g-1. Verifica-se, portanto, que os resultados

encontrados por nós no açúcar mascavo proveniente de vários tratamentos do plantio da cana são maiores (entre 4,90 e 5,99 mg kg-1) do que os encontrados

por esses autores. Entretanto, um estudo descrito por Dragunski et al. (2009) avaliou o teor de Zn, durante o processamento, desde a coleta da cana de açúcar até a obtenção do açúcar como produto final e o teor de zinco no açúcar foi de 7,38 mg kg-1. Segundo Dragunski et al. (2009), no processo de fabricação do açúcar pode ocorrer perda ou ganho de minerais, devido à incorporação ou precipitação de algumas substâncias.

Observando-se as Tabelas 1 e 2, verifica-se que não houve diferença do teor de Zn entre os dois sistemas de produção nas diversas pesquisas e comparações realizadas. O que corrobora os dados obtidos neste trabalho. Entretanto, na comparação com o valor nutritivo do Zn em açúcar mascavo descrito na Tabela 3 que é de 0,04 a 0,2 mg 100 g-1, os valores encontrados neste trabalhos foram maiores (entre 0,49 a 0,60 mg 100 g-1).

O zinco é essencial para o crescimento, desenvolvimento e função imunológica. Suas funções biológicas podem ser divididas em catalíticas, estruturais e regulatórias. Mais de 100 enzimas são dependentes do zinco como catalisador, entre elas, desidrogenase alcoólica, fosfatase alcalina e RNA

polimerases. É essencial também para a estrutura de certas proteínas envolvidas na expressão gênica influenciando a apoptose e a atividade da proteína C quinase. Na função estrutural ele participa como parte integrante de enzimas antioxidantes como a cobre-zinco-superóxido dismutase (SARNI et al., 2010).

O zinco é ainda um elemento estrutural e funcional de grande importância para o cérebro. No sistema nervoso central atua na síntese de proteínas importantes para a produção de neurotransmissores e favorece a afinidade para os seus receptores. Pesquisas com animais de experimentação têm mostrado as consequências da deficiência de zinco no desenvolvimento do cérebro, nos níveis de atividade e atenção, na memória e no desenvolvimento cognitivo (PEDRAZA; QUEIROZ, 2011).

Segundo Silva et al. (2010) quando um mineral é ingerido, sua biodisponibilidade é influenciada por propriedades específicas do mineral, como por exemplo, sua valência e forma molecular (orgânica versus inorgânica) são importantes e, por causa dessas propriedades específicas, o mineral pode formar complexos com outros componentes no intestino, o que pode dificultar ou facilitar a absorção do mineral pela mucosa, seu transporte ou seu metabolismo no organismo. Além disso, somente as análises químicas de uma dieta ou de um determinado ingrediente não indicam a efetividade biológica de um nutriente (AMARARANTE et al., 2011).

Verificou-se também que as concentrações de Mn não diferiram significativamente nas amostras SCVQ, SCCQ, SOCV e SOVV (Tabela 10). Entretanto, nas amostras de açúcar mascavo de TEST e SCAQ, os teores de Mn foram mais altos quando comparados com as dos demais tratamentos. Levando-se em consideração o aspecto nutricional sobre a necessidade diária recomendada para o Mn na alimentação humana, que segundo a WHO (1996) é de 3 mg dia-1, em todas as amostras de açúcar mascavo, tanto do sistemas de produção de manejo orgânico como de convencional, os valores detectados estiveram abaixo tanto do valor máximo de ingestão diária crônica permitido de um nutriente (11 mg dia-1), quanto do valor recomendado para a dieta humana

Comparando-se os teores de Mn nas amostras com o valor descrito na TACO (2011) que é de 2,03 mg 100g-1, somente a amostra SCAQ apresentou teor de Mn dentro do valor esperado (2,05mg 100g-1). Nas demais amostras, os teores de Mn foram menores (TEST, 1,84 mg 100g-1; SCVQ, 1,54 mg 100g-1; SCCQ, 1,57 mg 100g-1; SOCV, 1,59 mg 100g-1 e SOVV, 1,53 mg 100g-1) do que os que constam na TACO (2011) .

Wilwerth et al. (2009) utilizaram a técnica de espectrometria de emissão em plasma (ICP) na determinação de nutrientes minerais em açúcar mascavo e detectaram valores de Mn entre 2,1 e 56,2 mg kg-1. Observou-se, portanto, que os resultados aqui relatados de açúcar mascavo proveniente de vários tratamentos do plantio da cana são semelhantes (entre 15,41 e 20,46 mg kg-1) aos encontrados por esses autores.

Entretanto, em outro estudo descrito por Waheed e Ahmad (2008) utilizando a análise instrumental por ativação com nêutrons (INAA) na deteminação de Mn em açúcar mascavo, o teor de Mn detectado foi da ordem de 3,70 µg g-1, menor do que os encontrados nesse estudo.

Quanto ao sistema de produção, observa-se na Tabela 2, que dos 17 estudos realizados, 13 estudos relatam que os teores de Mn nos alimentos estudados foram iguais para os alimentos obtidos por produção orgânica e convencional, e quatro estudos relatam que houve decréscimos no teor de Mn no sistema orgânico. Desta forma, os resultados obtidos nas amostras SCVQ, SCCQ, SOCV, e SOVV neste trabalho estão condizentes com os dados reportados na Tabela 2.

O manganês é um nutriente essencial em pequenas quantidades para muitos organismos vivos, incluindo o ser humano, principalmente em processos reprodutivos, manutenção da estrutura óssea e funcionamento do sistema nervoso. A principal fonte de exposição da população geral é por consumo de alimentos ou suplementos nutricionais contendo manganês, no entanto, o metal apresenta baixa toxicidade após ingestão. As algas e plânctons podem consumir e concentrar o manganês. O metal pode ter sua concentração aumentada no ambiente, em função da atividade industrial e da decomposição de combustíveis fósseis (AZEVEDO; CHASIN, 2003). No organismo, o

manganês também exerce papel importante na síntese da protrombina na presença de vitamina K e das enzimas glicosiltransferases, participando da síntese de mucopolissacarídeos e intervindo indiretamente na condrogênese e