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Segundo Guareschi e Biz (2005, p.37), “Há um fenômeno que perpassa, nos dias de hoje, todas as camadas da sociedade como se fosse a água para o peixe, o ar que respiramos: essa é realidade da mídia”.

Quando ouvimos os relatos das pessoas mais velhas, sobre como era ouvir uma novela pelo rádio, ou escutar o noticiário, entendemos quanto de ficção e realidade as mídias nos trazem, nos levam a viajar no tempo e imaginar como era a sociedade naqueles tempos, como nos retratos em preto e branco.

Ao longo desses anos com o avanço tecnológico a imagem vem substituindo gradativamente a palavra, levando-nos a ruptura com o nosso imaginário, para alguns a vinheta do repórter Esso testemunha ocular da história..., significava que alguma coisa importante estava acontecendo no país, uma informação nova estava sendo disponibilizada pelo locutor do rádio.

Hoje, ao ouvirmos a vinheta do jornal nacional da TV Globo, lembramos que essa chamada de atenção funciona como um indicador para aqueles que querem ficar bem informados, na programação normal ou extraordinária. Os sons e as palavras podem nos fazer voltar no tempo trazendo um saudosismo para os ouvintes mais antigo desse meio de comunicação.

O mundo acompanhou os horrores promovidos pelas duas grandes guerras mundiais pelo rádio e naquela época cabia ao locutor fazer se entender na narração dos fatos, provocando o imaginário do ouvinte sobre os combates que estavam ocorrendo no front de batalha.

As informações pelas palavras vinham de muito longe e tinha objetivo de atualizar as pessoas sobre o que se passava, muitas vezes vinham pelos fios do telégrafo que eram decodificados, traduzidos e narrados com euforia e tristeza pelos locutores. Ficava a cargo de o ouvinte imaginar, montar o quebra-cabeça para entender os fatos acontecidos.

Recentemente tivemos o episódio que traumatizou a sociedade brasileira, o caso do acidente do avião TAM, que teve as gravações da comunicação do diálogo entre a tripulação de bordo e a equipe da torre de controle divulgadas. O locutor com a voz embargada procurava transmitir os últimos diálogos na tentativa de narrar os trechos escritos e em certos momentos a voz sumia e ficavam os ruídos da transmissão. Em casa ficamos imaginando, trabalhando a mente como num filme para entender, encontrar respostas, sobre as causas do acidente.

Em nosso trabalho e na busca por leituras sobre o uso do rádio como um recurso pedagógico na educação não foi muito facilitado em função de não encontrarmos muitas literaturas voltadas para o uso desse veículo de comunicação na educação, buscamos também informações junto aos professores nas escolas e não conseguimos relatos sobre trabalhos realizados e ou experiências com o uso do rádio no dia-a-dia em sala de aula.

Segundo Souza (2005), “... nas últimas quatro décadas várias foram os programas que utilizaram o rádio na educação permanente e continuada, programas esses desenvolvidos por instituições públicas e privadas”.

As primeiras iniciativas constam em 1934, com a inauguração da estação da Rádio Escola Municipal do Distrito Federal, por iniciativa da Fundação Roquette Pinto que transmitia conhecimentos sistematizados para escolas e para o público em geral.

Os alunos-radiouvintes matriculados recebiam, antecipadamente, as apostilas das aulas radiofônicas pelo correio ou na própria Rádio e acompanhavam as aulas pela Rádio-Escola. Posteriormente, resolviam as questões que estavam na apostila e as remetiam pelo correio ou as entregavam na Rádio. Quando tinham dúvidas sobre os exercícios, comunicava-se com a Rádio-Escola por telefone, cartas ou visita aos estúdios da Emissora.

Em 1936, esta programação foi cedida ao Ministério da Educação com o compromisso de que a emissora continuasse a difundir programas educativos e culturais. Ela passou, então, a denominar-se Rádio do Ministério de Educação e Cultura (Rádio MEC), iniciando assim, o sistema de Rádios Educativas no Brasil.

Hoje, com a evolução tecnológica temos rádios AM’s e FM’s com programações variadas ao gosto do ouvinte, mas nenhuma com programas específicos voltados à educação.

Encontramos também na internet as web-rádios, que transmitem suas programações nos moldes das rádios tradicionais: música, entretenimento, jornalismo, informações culturais e utilidade pública. Existem também as rádios comunitárias, com um trabalho alternativo, que através da variedade na programação busca atender o interesse da comunidade.

Apesar deste meio de comunicação ser uma concessão pública e prestar serviços à comunidade, a sua vinculação, está sempre cheia de intencionalidade ou a serviço da camada social dominante, geralmente grupos de comunicação ou governo, não havendo em sua programação horários voltados ao interesse da educação.

É visível a importância e o potencial educativo das rádios através do seu alcance, querem através do sistema tradicional de transmissão em ondas de freqüência modulada (FM), ondas médias (AM), ondas tropicais (OT) ondas médias (OM) ou via internet.

É lamentável que todo esse potencial tecnológico não esteja disponível para abraçar a causa da universalização e democratização do ensino, pois o alcance desse veículo de comunicação é muito grande e pouco explorado educacionalmente.

Para muitos que desfrutam das modernidades tecnológicas disponíveis nos dias atuais, o rádio é considerado como uma mídia antiga, porém existe todo um potencial pedagógico a ser trabalhado com ele, e também deve-se pensar no alcance que pode proporcionar, já que em determinadas regiões ainda não existem estruturas tecnológicas para o acesso desses recursos mais modernos.

Neste contexto, cabe ao educador pensar em usar essa mídia, mediante a elaboração de projetos de forma inovadora transformando o (a) aluno (a) ouvinte, passivo em autor (a) e produtor (a) crítico.

O professor pode e deve explorar a riqueza da programação das rádios através de noticiários, comerciais, entrevistas, já que como um recurso pedagógico

atende suas expectativas e criatividade, o que possibilita tornar suas aulas mais agradáveis, atuais e inovadoras.

Para isso, pode trabalhar os temas de maneira a atrair a atenção do aluno mostrando o lado educativo e útil da programação, trabalhar as falhas, os erros na pronúncia das palavras e os vícios de linguagem utilizados. Pode também sensibilizar o seu gestor escolar a criar parcerias para estimular os alunos a planejarem o seu próprio programa de rádio, e que vivam a situação de ser um repórter, um entrevistador ou um locutor por um dia e quem sabe a partir daí descobrir novos talentos que possam ainda ser aperfeiçoados posteriormente.

Cabe aos gestores, pedagogos, técnicos e professores, lançarem um novo olhar de utilização desse veículo de comunicação de forma isolada ou integrada visando introduzi-lo na escola, não como uma ferramenta de lazer, de entretenimento nos intervalos das aulas, mas como um recurso pedagógico, propiciando aos educandos a oportunidade de aprender, produzir e selecionar programas educativos de qualidade, exercendo a autonomia sobre o que ouvir nesta mídia.

Outra forma de comunicação muito utilizada pelos educadores refere-se aos Impressos, tanto na forma de livros, como material didático apostilado ou recortes diversos.