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O esboço da teoria de Amatuzzi ancora-se na contribuição de estudiosos tanto clássicos quanto contemporâneos, alguns deles inclusive foram os citados no início deste trabalho, em um dialógo no qual buscou uma integração elaborada á luz da fenomenologia.

O referido esboço, que antecede a construção de sua Teoria, partiu da leitura de importantes estudiosos: a) Piaget, com a proposta das “etapas de desenvolvimento”, destacando as fases do nascimento, perfazendo a adolescência, até a vida adulta, com características e diferenciações de cada etapa; b) Maslow, com sua “hierarquia de necessidades básicas”, especialmente as de realização, que finalizam no topo da pirâmide; c) Erik Erikson, com seu conceito de “identidade” e sua descrição das “oito idades da vida”; d) James Fowler, cuja teoria, fundamentada

em Piaget, descreveu, com muita propriedade, a questão dos “estágios da fé” (AMATUZZI, 2001a, p. 26).

Como psicólogo e pesquisador, o autor trabalha com a abordagem fenomenológica, e buscou uma proposta teórica sobre o desenvolvimento religioso. Segundo o próprio autor, esta proposta, “surgiu da necessidade de clarear ideias em relação ao desenvolvimento religioso e de uma pesquisa anterior em que buscava uma descrição fenomenológica” (AMATUZZI, 2001b, p.25) a partir dos depoimentos colhidos em pesquisas sobre um dos seus principais conceitos: a experiência religiosa das pessoas. Ele pode apreender que estes depoimentos continham uma estrutura comum de experiência, mas por outro lado eram bastante diferentes nos níveis de maturidade religiosa, os quais se aproximavam do nível de maturidade humana em geral. Portanto, para cada pessoa, a fé pode representar uma escolha baseada em seus valores e com uma forma peculiar que se manifesta por meio de intensidades diferentes.

A partir desta experiência, Amatuzzi (2001a, p. 36) levanta alguns questionamentos que nortearam suas pesquisas, sendo que as principais ideias despertaram-lhe o interesse para a construção do esboço de sua teoria, que apontaram para o modo como se caracteriza “o desenvolvimento religioso”.

 No âmbito deste esboço, alguns conceitos são considerados, como os que se seguem: Senso religioso, inquietação religiosa, religiosidade: é o que está subjacente às indagações humanas pelo sentido último.  Forma religiosa, posição religiosa, religião (no sentido subjetivo): é

onde desemboca o senso religioso, concretamente, como tomada de posição pessoal no campo religioso.

 Campo religioso: é o campo das indagações pelo sentido enquanto potencialmente radicalizáveis. Movimentar-se concretamente nesse campo de indagações é movimentar-se no campo religioso.

 Vivência religiosa: é tudo que o indivíduo pode contar a respeito de seus movimentos no campo religioso, independentemente de qual seja sua posição religiosa.

 Experiência religiosa: é uma experiência particular, pessoal, de percepção de uma nova dimensão de realidade, da qual lhe advém seu último e global: experiência de contato (vivido como real embora

indireto) com um pólo absoluto de referência do sentido último de todas as coisas (frequentemente denominado Deus).

 Fé, fé humana: é o que dá sentido à vida, é a tomada de posição básica diante da vida, enquanto operativa e não necessariamente enquanto declarada. O acesso à fé real da pessoa pressupõe que se vá além das declarações e, portanto se dá numa entrevista em profundidade.

 O estado da fé se situa entre dois pólos: o de uma confiança e o de uma desconfiança, ou seja, o de um abir-se para o outro ou o de um fechar-se em si mesmo.

 Fé religiosa: a fé se torna religiosa quando ela se realiza como confiança básica (portanto, como num dos pólos da fé enquanto tomada de posição básica diante da vida), implicando a afirmação ao menos implícita de um absoluto, incondicionado, transcendente, fonte última do sentido, em quem se deposita a confiança.

 Adesão religiosa: o fato de o indivíduo se dizer pertencente a uma determinada religião pode ou não ter um sentido psicologicamente superficial, dependendo do grau em que essa tomada de posição esteja enraizada em uma fé religiosa assumida e operativa, e não apenas em uma declaração que teria predominantemente funções psicológicas defensivas ou de evitação das verdadeiras questões de sentido.

 Sistema religioso, religião (no sentido objetivo) é a organização externa, mais ou menos coerente, de crenças, valores, mitos e ritos que giram em torno de um enfoque da questão do sentido último, e que frequentemente corresponde à existência histórica de um corpo social hierarquizado ao quais algumas pessoas dão sua adesão.

 Desenvolvimento religioso: é o desenvolvimento humano no campo religioso, isto é, no campo das questões de sentido enquanto potencialmente radicalizáveis até sua ultimidade. Uma descrição geral dos caminhos do desenvolvimento religioso deve articular ao menos três dimensões: 1) o desenvolvimento psicológico; 2) a ocorrência de

experiências religiosas pessoais e seus desdobramentos; 3) o encontro da pessoa com tradições religiosas vivas.

Amatuzzi (2001a) refere-se à experiência religiosa como algo essencialmente vivido, particular, que permite uma nova dimensão da realidade que inclui, segundo a própria pessoa, o contato pessoal com o que é frequentemente denominado de Deus. Assim, este autor identificou que a fé humana é a tomada de posição inicial, sendo isto vivido como o que lhe dá sentido diante da vida. Desta forma, a fé passa a ser nomeada de “fé religiosa” (op. cit., 2001a p. 31) quando atinge um patamar de confiança básica, isto implica na afirmação, mesmo que implícita, de um absoluto, transcendente, em quem se deposita confiança.

Assim, depende do grau e intensidade em que essa posição esteja enraizada, como a uma fé assumida e operativa, e não apenas em uma declaração substancial que teria predominantemente funções psicológicas defensivas ou de evitação das verdadeiras questões de sentido. Deste modo, o autor descreve:

Os caminhos do desenvolvimento religioso são descritos de maneira geral, como articulados em três dimensões, o desenvolvimento psicológico; a ocorrência de experiências religiosas pessoais e seus desdobramentos; e encontro da pessoa com tradições religiosas vivas (AMATUZZI, 2001a, p. 32).

Portanto, para o individuo, o desenvolvimento religioso e os valores podem se relacionar no sentido de perfazer o “caminho evolutivo do eu” (op. cit., 2001a, p. 33). Contudo o processo de constituição de um eu, em cada fase da vida do individuo, pode ser estabelecida como um desafio, tanto do ponto de vista psicológico, quanto existencial, sendo definido como a uma “etapa ou “estágio” (op. cit., 2001, p.32)”. No entanto, os limites de cada etapa se interpenetram de tal forma que não é possível delimitar que um desafio possa estar totalmente superado.

Nesta perspectiva, Amatuzzi (2001a, p. 34) enumera os desafios centrais do desenvolvimento pessoal, os quais compreendem:

 Passar do sonho à realidade, acordar para o mundo, confiar.  Do ciúme à relação, descobrir o outro, comunicar-se.

 Da inabilidade e passividade para a competência e iniciativa, ousar fazer.

 Da indefinição para a definição pessoal, descobrir a verdade da ação, escolher.

 Do relacionamento superficial para a intimidade, descobrir a essência concreta e particular das pessoas e dos acontecimentos, mergulhar nessa intimidade.

 De um relacionamento que termina ali para um relacionamento fecundo, descobrir o novo, nascer, criar e cuidar.

 Do tédio da onipotência para a alegria da liberdade, redescobrir um sentido pessoal, ser livre.

 Das perdas e apegos ao desprendimento radical, encontrar o além de sí, entregar-se (op. cit., 2001, p. 34).

Neste sentido, todas as fases são vitais para o desenvolvimento do indivíduo como um todo, inclusive a da adolescência, em que os valores são vistos como fatores essenciais das experiências e vivências do dia a dia que resultam na formação da personalidade. “O eu se diferencia da própria verdade (quem sou eu?), e pode conquista-la na opção de ação” (2001a, p. 36). A não superação destes desafios básicos é compreendida como posições negativas, que se relacionam com posições anteriores especificamente.

Neste aspecto, Amatuzzi (2001a, p. 39) faz uma breve apresentação das etapas do desenvolvimento religioso, para uma melhor compreensão global de cada uma delas.

A primeira etapa corresponde à idade de um bêbe, de seu nascimento até 01 ano. Sendo que o desafio central é qdo o bebê passa do sonho para a realidade, sua descoberta e aceitação são de um mundo indepente.

A experiência básica está relacionada intimamente a confiar e a não superação plena do desafio poderá surgir um fechamento, e assim desencadear uma postura básica de desconfiança. É importante ressaltar sobre a “consequência religiosa posterior dessa deficiência”, a impossibilidade de uma “forma religiosa” que afirme o objeto religioso autenticamente, considerando neste aspecto a reconstrução da experiência básica (AMATUZZI, 2001, p.39).

Para Amatuzzi (2001a), no primeiro ano de vida não faz muito sentido falar de religião pessoal com a criança, a não ser que ela perceba dentro do contexto familiar

por meio de gestos e valores morais importantes que lhe são repassados, no momento em que recebe a educação por parte dos mesmos. Para a “reconstrução de uma forma mais verdadeira de religião teria que passar pela restauração daquela primeira experiência básica de confiança” (op. cit., 2001a, p.39). O autor descreve sobre a segunda etapa da criança de 01 a 07 anos aproximadamente, destacando que está intimamente ligada embrionariamente à experiência da confiança básica, de símbolos e se constituindo gradativamente para a experiência da linguagem. Caso a confiança básica do bebê esteja bem estabelecida simbolicamente e, juntamente com um diálogo verdadeiro em relação às pessoas e ao mundo, assim a descreve Amatuzzi:

Se houver alguma religião de família que esteja sendo passada para a criança, ela será recebida nesse momento pela força desses símbolos sintéticos que contêm amalgamados todos os seus significados em estado implícito e, são intuitivamente percebidos e apropriados. Mais tarde, se como adulto vier a ter uma experiência religiosa transformadora, compreenderá a importância dos “símbolos da fé”, palavras, imagens, gestos que contenham sinteticamente todo o seu significado (AMATUZZI, 2001a, p.40).

Neste contexto descrito pelo autor, o desafio principal é passar de uma relação de ciúmes para uma maior aceitação, descobrir o outro, comunicar-se. O eu se concebe como não único: existem outros eus, como eu. Pode ocorrer um fechamento de forma que dificultará a comunicação verdadeira e a formas de relacionar para além do ciúme. A experiência básica está voltada para o reconhecimento ou não do outro e trazendo como consequência religiosa posterior, essa deficiência na dificuldade do sujeito para uma verdadeira “tomada de posição religiosa” e incluir experiências que envolvam a “alteridade” (AMATUZZI, 2001a, p.39).

É nessa junção de caráter fenomenológico do desenvolvimento religioso que destacamos a importância da fé. Lembrando que a fé religiosa e a forma religiosa estão voltadas para a relação da criança com as outras pessoas, com maior ou menor significado para ela. Até este momento de vida os valores são repassados para a criança por meio de seus cuidadores gradativamente.

Por conseguinte, a terceira etapa é a que corresponde de 06 a 07 e entre 11 a 12 anos aproximadamente. O desafio central é sentir ou não capaz e algumas carasterísticas ou habilidades a serem transpostas, de inabilidade para a

passividade, da competência, iniciativa, mas ousar corresponde a um dos aspectos essenciais. O eu se diferencia da própria capacidade ou habilidade, para poder conquistá-la, pode-se então, trazer maior ou menor confiança para o indivíduo: “a forma religiosa continua sendo um assumir implícito da posição religiosa das pessoas significativas, mas que pode haver desvinculação de práticas não associadas a desafios pessoais” (AMATUZZI, 2001a, p.39).

A etapa do adolescente, da qual aprofundamos como foco deste estudo, corresponde à faixa etária entre 11 a 19 anos aproximadamente. Amatuzzi (2001a) aponta fundamentalmente que o desafio central nesta etapa é a de aprender fazer escolhas, assim para uma tomada de decisões: o adolescente passa da indefinição para a definição pessoal. A não superação plena neste aspecto poderá desencadear uma permanência em carasterísticas tais como indecisão, insegurança e falta de confiança. Por outro lado, ele desperta para a verdade da ação “por sentir o apelo a uma nova identidade a ser buscada pelas ações e escolhas” (AMATUZZI, 2001a, p. 43). Assim, este adolescente poderá viver tão somente em função e a partir da família a que pertencia. O fato de escolher um grupo específico de convivência passa a ter um papel preponderante nesta fase, do qual a presença dos valores sociais passa a ser mais claro e definido.

Portanto, ele pode escolher abandonar a prática religiosa dos pais e filiar-se a um grupo jovem. E enquanto adolescente vivenciará “a necessidade de explorar o mundo fora do contexto familiar” (op. cit., 2001a, p. 43). Entretando, neste processo poderá ocorrer uma dualidade, na qual o adolescente vivencia a experiência de fazer suas próprias escolhas, com a da experiência religiosa. Assim ele tenderá a adotar um novo referencial, parecer mais autêntico, tanto na forma de agir, quanto de pensar e a perceber melhor este novo referencial, a partir de uma síntese advinda da família, fazendo com que a confiança básica adquira um papel mais fortemente estruturado, pelos modelos dos seus familiares e dos amigos. A indefinição algumas vezes passa para a definição pessoal, a importância da verdade. O eu se diferencia da própria verdade: “quem sou eu?”. Busca-se um grupo de referência como uma “tribo” ou

gangue, em que ele vai exercitar uma identidade alternativa (AMATUZZI, 2001a, p.

43).

Um pouco mais tarde, quando o adolescente desenvolve uma melhor estrutura, passa a perceber o mundo sob uma perspectiva de reconstrução, de significados, que a partir daí poderá surgir a experiência religiosa, como uma nova relação com este mundo.

Portanto, caso ele venha realmente a ter contato com a religião, poderá compreender o valor que o cerca, como a comunidade da qual está inserido, as pessoas das quais dela fazem parte, seus “irmãos” na fé, como se fosse uma segunda família, estabelecendo um sentimento de coletividade, algo mais relevante que a si mesmo e, do seu corpo, “relativizando de certa forma seus próprios conceitos” (AMATUZZI, 2001a, p. 43).

Este mundo vivenciado pelo adolescente passa a ser explorado, então, fora da comunidade famíliar, mesmo que esta seja a base de sua segurança, sendo assim, poderá haver um abandono da prática religiosa estabelecida pelos pais, a qual justamente quer abandonar, como sua própria filosofia de vida ou por que tais padrões já não mais correspondem aos mesmos adotados por ele e consequentemente idealizados pelo grupo que o adolescente passou a “escolher para sí” (op. cit., 2001, p. 43). A partir de agora a sua própria escolha é a que prevalece, dentre elas, a verdadeira parte integrante da escolha religiosa, nascendo uma nova filosofia de vida.

Tal abandono da prática religiosa dos pais poderá ser definitivo ou provisório, dependendo da relação estabelecida enquanto relacionamento com os filhos, do apoio recebido, o respeito, enfim os valores deste contexto familiar. Portanto os valores fazem parte de um conjunto de fatores decisivos que poderá definir quem somos na realidade e dos quais terão um impacto na tomada de decisões do adolescente. Assim, ao descobrir quais são os valores mais significativos permitem desenvolve-los.

Quando os adolescentes experimentam as diferentes situações da vida, acabam por fortalecer as suas crenças, que por fim se transformarão em valores. Assim as correlações entre os valores dos pais, dos filhos e de grupos sociais são muito pertinentes, porém variam sensivelmente em amplidão, ao mesmo tempo, podem ser semelhantes e diferentes. Os adolescentes de hoje tem que tomar um maior número de decisões, sendo, muitos os fatores que concorrem para aumentar a importância da presença de um sistema de valores “um grupo assim poderá ser usado também como escudo protetor de necessária exploração do mundo” (op. cit., 2001, p. 43).

Em continuidade, a quinta etapa é a do/a jovem de 18 a 19 e dos 24 aos 25 anos, descrita por Amatuzzi (2001a), em que se destaca como desafio central, quando o indivíduo volta-se para os seus próprios interesses e, dos relacionamentos, que passam a ter um valor que varia do superficial ao mais

profundo considerando aspectos relacionados à intimidade, e também descobrir a essência individual concreta e valorativa das pessoas, como dos acontecimentos, vivenciar tal intimidade. O eu se experienciam profundamente unido ao outro e ao mundo (quase como parte). Pode-se recuar e cair num certo isolamento quando a intimidade chama, não ocorrendo, portanto, a superação plena do desafio. Aqui a postura religiosa é baseada em uma relação “experencialmente” profunda e fundamentada diante dos reais valores da vida (op. cit., 2001, p. 47). Contudo, a natureza religiosa faça mais sentido e paralelamente parece combinar com a linha de desenvolvimento pessoal.

De acordo com Amatuzzi (2001a), a sexta etapa é a do adulto de 24 a 25 e de 35 a 40 anos aproximadamente. Nesta faixa etária o desafio central é de gerar filhos e cuidar, também consiste em passar de um relacionamento superficial, para algo mais fecundo, descobrir então novos valores em relação a si próprio e abandonar comportamentos imaturos, voltados para o campo religioso. Por outro lado à fé religiosa assume uma vivência a partir da experiência pessoal expressa em uma expansão de fé sobre os acontecimentos, assim é relevante uma espécie de “diálogo com a vida” (op. cit., 2001, p. 47).

Para este autor, a etapa acima é vista como a posição religiosa individualista e menos participativa quanto ao aspecto coletivo, se for tomada como positiva, se expande para um envolvimento de cuidados com as outras pessoas. Contudo, o sistema religioso globalizante vai se desenvolvendo em ações, valores e aplicações para a vida, sendo a pessoa mais religiosa ou não e, um caráter expansivo da fé na visão do mundo e dos acontecimentos. Porém, caso a pessoa recue, ela pode permanecer improdutiva e nesse sentido isolada do movimento coletivo. Portanto a produtividade pode referir-se a criatividade, o zelo, o cuidado de si ou de saber cuidar dos filhos.

De tal modo, o autor citado aponta que, em torno de 50 a 60 anos, alguns idosos questionam tudo e assim ocorre um recomeço em novas bases, em que o desafio central tem como foco superar as rotinas e encontrar um valor pessoal na vida como uma maior liberdade. Esse novo apelo pode levar a uma fé mais pessoal, ou seja, uma vivência religiosa mais profunda, deixando de lado antigas formas e um olhar para novas experiências e valores do ponto de vista religioso.

Na sequência, Amatuzzi (2001a) refere que a sétima etapa é direcionada para o adulto maduro/a de 35 a 40 e de 60 a 65 anos. Assim “o desafio consiste em

passar de situações entediantes a rotinas voltadas à liberdade e à alegria pessoais” (op. cit., p. 47), redescobrindo um sentido pessoal, ser livre. O eu se conhece como fonte do sentido. Porém a não experiência de encontrar um real valor pessoal na vida, pode levar ao convencionalismo da falta de convicção. Para este autor, o principal desafio da sétima etapa envolve a experiência básica, à forma aprisionada dos padrões e papéis, que são baseadas mais no dever do que na alegria. Tanto a fé humana, quanto a religiosa são fundamentadas no momento presente, num sentido mais pessoalmente vivido, resignificada na maturidade e uma purificação do objeto transcendente dos valores de uma fé.

A oitava e, última etapa descrita por Amatuzzi (2001a, p.49) é a do/a idoso/a de 60/65 em diante. “O desafio central é passar das perdas e apegos ao desprendimento radical ou libertação plena” (2001a, p. 49), encontrar o além de si, entregar-se para a liberdade consciente. Quanto aos aspectos religiosos a não fé seria imaturidade ou desespero, pois a forma religiosa é a própria fé, que chega a seu ponto máximo, humilde, alegre ao mistério, traduzindo em atitudes relacionadas aos valores pessoais que convergem para a solidariedade.

É importante ressaltar, agora recapitulando, que a concepção que Amattuzzi (2001a) descreve especificamente sobre os conceitos referentes à religiosidade para o adolescente como sendo:

 O desafio central: passar da situação de indefinição para a definição de uma identidade mais independente da família.

 Descoberta-aceitação: de si mesmo e se tornar mais independente e autodeterminado.

 A experiencia básica que é fazer escolhas.

 Deficiência na experiência básica: a de passar de definição passiva para uma maior noção da própria identidade.

 Consequência religiosa posterior dessa deficiência: tentativas de adquirir ou não manutenção quanto às posições religiosas convencionais.

 Fé humana: confiança básica, mostrando-se na relação consigo próprio, enquanto um eu que se define. Ou desconfiança na possibilidade de se definir de forma mais autônoma.

 Fé religiosa: assumir implícito da fé das pessoas significativas, convivendo com dúvidas e buscas.

 Forma religiosa: continua sendo o assumir implícito da posição religiosa das pessoas significativas, só que agora, as pessoas fazem parte do grupo de sua escolha (daí apossível vivência de conflitos religiosos); pode haver ensaios de novas posições provisórias.

 Sistema religioso: religião da família sendo questionada e mantida ou não, provisioramente.

 Re-significação da fé desta etapa, no adulto, após experiência religiosa pessoal: identificação religiosa pela inserção em uma comunidade religiosa de escolha. (op. cit., 2001, p. 44).

O referido autor (2001a) conclui este raciocínio dentro do contexto da religiosidade, apontando que a vivência religiosa não é algo como um elemento estranho e desintegrado que se acrescenta ao humano, mas sim como algo de valor natural, que desponta na linha do “desenvolvimento pessoal” (op. cit., p.45). Sob o prisma da Psicologia, a presença do religioso sofre efeitos pessoais contraditórios,