• No results found

1 How do P- limitation and temperature affect the life history of Daphnia magna?

4.2 Growth and survival

Este trabalho adotou como objetivo analisar um processo de mudança de significação do espaço urbano pela observação da implantação de ambientes efêmeros da Virada Cultural, evento que ganha a cada edição maior relevância para a dinâmica da cidade de São Paulo. Metodologicamente, destaca-se que foi de fundamental importância a realização do trabalho de campo e de documentação fotográfica dos três palcos emblemáticos escolhidos. Além de elementar importância para a leitura dos ambientes, também foi imprescindível para a verificação in loco de todo o processo de instalação (o antes, a montagem e o espetáculo em desenvolvimento).

Adotando-se procedimentos da leitura não-verbal e de alguns conceitos da semiótica, realizou-se a análise pela leitura dos três ambientes escolhidos por guardarem em si algumas características representativas do evento e por suas qualidades ambientais próprias, fato que permitiu considerações sobre diferentes questões da temática. A leitura dos ambientes foi construída ao desvendar suas partes componentes, atentando para a relação entre a configuração espacial existente e os objetos arquitetônicos efêmeros e ao compreender as mudanças e alternâncias de significados atribuídos a esses espaços.

Para alcançar o objetivo proposto, expusemos primeiramente o contexto em que esses ambientes efêmeros estão incluídos. Nesta etapa do percurso de trabalho, pudemos perceber que a região central de São Paulo, durante a Virada Cultural, adquire uma máscara que lhe modifica a identidade e subjuga sua rotineira característica funcional e confere extrema força simbólica; neste momento em que a função do espaço urbano é metamorfoseada, uma multidão que permanece nos espaços públicos substitui o mero fluxo de pessoas que cotidianamente passam apressadas por esses espaços. Entendemos a Virada Cultural como um princípio relevante que leva à possibilidade de “reconquista” do centro da cidade de São Paulo.

Após esta etapa, procedemos com a exposição e entendimento das ferramentas de leitura do objeto depreendidas da Semiótica, principalmente

dos eixos sintático, semântico e pragmático – aqui também entendida como Forma, Função e Uso. Entendemos que a semântica pressupõe a sintaxe, e uma perspectiva pragmática implica que o objeto seja analisado a partir dessa espécie de fusão entre estes dois eixos. Ademais, percebemos que as análises semânticas e pragmáticas permitem o melhor entendimento de significações de ambientes urbanos que possuem infinitas combinações de caráter analógico. O que reforçou o entendimento de que, para ler nosso objeto – o ambiente efêmero – foi preciso compreender: seus formantes, as possibilidades significativas e comunicacionais que o estrutura e perceber os usos efetivos e efeitos decorrentes disto para o usuário.

Além disto, para nos situar no universo estudado, se fez essencial uma inserção no campo da arquitetura efêmera, de modo a estabelecer um ponto de partida, um entendimento sobre arquitetura e ambientes efêmeros. Neste sentido vimos que a arquitetura efêmera parte de uma intenção de transformação do espaço, e que pelas intenções de usos transitórios deste, recorre a sistemas de montagem e desmontagem, para conceder novas dimensões e utilidades ao espaço, bem como retira dele contingencias para sua própria concepção e arranjo. Essa relação que estabelece com o espaço levam ao entendimento do que se trata o ambiente efêmero: o espaço dotado de novas qualidades materiais, que dispõe da arquitetura efêmera para propor novas atividades humanas no espaço permanente.

No caso da Virada Cultural, foi relevante o levantamento das questões técnicas envolvidas no sistema de montagem dos ambientes efêmeros analisados; sendo assim, vimos que a concessão de novas qualidades materiais ao espaço no intuito de propor-lhe novos usos, é realizada com um sistema construtivo com alta flexibilidade de composição e possibilidade de expansão ou contração sistêmicas, sendo, portanto, adequado para a implantação nos espaços públicos consolidados e que impõem contingências espaciais específicas e imutáveis; vimos também que o sistema possui rápida possibilidade de montagem/desmontagem, o que corresponde à demanda da breve permanência e do pleno reestabelecimento das atividades rotineiras do espaço público verificado.

Nas leituras dos ambientes escolhidos, verificamos a existência de paradigmas físicos comuns entre eles. Neles vimos as estruturas efêmeras dos palcos, os bloqueios e elementos de redefinição e impedimentos de fluxos de pessoas, os elementos de fornecimento de infraestrutura temporária e a multidão/ usuários como elementos constantes nos ambientes efêmeros lidos.

Verificou-se também que a interrupção de uso cotidiano, o “estado de latência” é o princípio de um movimento progressivo do processo de ressignificação do espaço; que o sistema construtivo efêmero (o palco) constitui uma interferência, uma adição sintática no espaço permanente, que se articulando progressivamente com este numa relação mútua de dependências estruturais em busca de um novo sentido; que a infraestrutura temporária é evidência concreta da relação “mutualista” que a estrutura efêmera mantém com o espaço permanente; que bloqueios e contenções agem para a delimitação espacial do ambiente efêmero em conjunto com a estrutura do palco, são uma materialização e incorporação no espaço permanente das novas relações e significados em desenvolvimento; que a multidão é um dos componentes do ambiente efêmero que se estabelece, ela flui no plano horizontal deste, amalgamando os diversos elementos heterogêneos do ambiente efêmero e materializa nele os novos usos e relações com o espaço público.

Na leitura do Palco Largo Santa Efigênia, pudemos verificar uma importante característica da Virada Cultural, a forte relação entre permanência e trânsito entre os palcos, entre plateia e as promenades; destaca-se a como importante característica, os percursos entre os polos do evento, que oferecem novas visualidades da cidade, principalmente à noite. E através da leitura do Palco Estação Júlio Prestes, evidenciou-se outra característica muito presente na Virada: uma relação entre arquitetura efêmera e edifícios de importante valor arquitetônico que assumem caráter de cenário para as atrações, constituindo uma "paisagem urbana cenográfica" e uma justificativa simbólica para esta celebração coletiva no espaço público.

As leituras e análises feitas para identificar os componentes dos ambientes efêmeros da Virada Cultural e sua relação com o processo de ressignificação

do espaço urbano não tem pretensão de encerrar todas as possibilidades de análise da temática. Este trabalho buscou captar um novo universo de novas significações atribuídas à cidade, e contribuir com a temática da Arquitetura Efêmera em sua relação com o espaço público. O estudo também pretende colaborar com novas pesquisas desenvolvidas sobre a Virada Cultural e aponta para a possibilidade de estudo de comparação com outros eventos similares para compreensão da "potência" comunicacional da Virada Cultural.