10.2 Calendar-Time Hypothesis
10.2.1 The news’ influence on government bond volatility
As Empresas de Base Tecnológica – EBTs estão inseridas em mercados altamente competitivos, nos quais competem empresas transnacionais, com enormes ganhos de escala e escopo, como também empresas de pequeno porte que possuem alguma vantagem competitiva. As empresas de pequeno porte para manterem-se competitivas e garantirem sua sustentabilidade, necessitam de algum diferencial. Portanto, essas empresas precisam inovar constantemente para garantir sua posição frente às concorrentes. Segundo Côrtes et al (2005, p.86), as EBTs tem a inovação como foco estratégico.
Existem inúmeras definições de EBTs. Cortês et al (2005, p. 87), ao refletir sobre as várias definições considera as empresas de base tecnológica como sendo instituições que “realizam esforços tecnológicos e concentram suas operações na fabricação de novos produtos”. Para Marcovitch (1986 apud GONZALEZ et al 2009, p.4) as EBTs surgem com o intuito de utilizar de forma eficiente as tecnologias existentes nas instituições, centros de P&D, universidades, gerando com isso produtos novos no mercado.
Ferro (1988 apud GONZALEZ et al 2009, p. 4) descreve os fatores mais relevantes para formar um ambiente propício ao surgimento de empresas de base tecnológica como sendo: mão de obra altamente qualificada, economia avançada o suficiente para absorver as inovações e interesse por parte dos empresários pela área tecnológica.
De acordo com Rodrigues (2013), um dos gargalos para as EBTs esta na baixa qualidade da demanda, que não possuem conhecimento sobre os produtos e serviços de software na Paraíba e no Nordeste. Esta característica reflete a situação de que a economia local não é avançada o suficiente para absorver as inovações das EBTs. O que pode restringir o efeito das políticas de incentivo ao surgimento de um número maior de EBTs locais.
Segundo Powell (1990 apud CORTÊS et al 2005, p. 88), as organizações estão interligadas umas com às outras, seja pelo mercado ou hierarquicamente, gerando assim uma rede de interdependência entre estes agentes econômicos. No caso da rede entre EBTs, citado por Cortês et al (2005, p. 89), elas se relacionam através de redes de produção e de oportunidades resultante do nível de cooperação entre as EBTs. No Brasil as EBTs possuem ligações mais fortes com as universidades em detrimento das ligações entre duas ou mais EBTs.
De acordo com Santos e Cunha (apud GONZALEZ et al 2009, p. 4) existem barreiras financeiras, por dificuldades de gestão, comercial e barreira de produção que impactam na criação e desenvolvimento das EBTs. A barreira financeira é derivada principalmente da falta de capital de risco, impossibilitando investimentos em negócios inovadores. A barreira por dificuldade de gestão é relacionada à baixa formação na área de negócios que os sócios das EBTs possuem. Já a barreira comercial está ligada à dificuldade de colocar o produto no mercado de maneira eficiente. E por fim, a barreira de produção é a necessidade de existir uma estrutura mínima para o desenvolvimento do produto.
Segundo Pinho et al (2002), em economias periféricas como a brasileira, a falta de capital de risco é gerado devido às instituições financeiras não possuírem linhas de crédito voltadas para investimentos de capital intangível em detrimento dos investimentos em máquinas e equipamentos, ao contrário dos investimentos comuns em empresas de grande porte. Segundo o mesmo autor, outro ponto agravante é a precariedade em que se encontram os sistemas nacionais de inovação dos países periféricos refletindo na debilidade das estruturas empresariais.
Para Pinho et al (2002, p.12) os países periféricos tem como estratégia tecnológica a imitação. A maioria das EBTs brasileiras, portanto, não geram inovações radicais10, mas apenas inovações incrementais11, combinando tecnologias existentes e aplicando-as, ou utilizando tecnologias de um setor em outro setor diferente onde essa tecnologia ainda não foi empregada. Essa estratégia de imitação mantém o potencial de desenvolvimento das EBTs reduzido, pois estará sempre concorrendo a 'um passo atrás'.
As empresas de base tecnológica são grandes impulsionadoras do desenvolvimento tecnológico nacional. Segundo Oliveira Filho e Filion (2008), as EBTs absorvem o
10 Inovação radical ou disruptiva segundo Chistensen (1997) apud OECD (2005, p. 70), é aquela que causa
impacto significativo no mercado e na economia das empresas que atuam nesse mercado. A inovação radical pode mudar a estrutura de mercado, criar novos mercados, ou tornar os produtos dos concorrentes obsoletos.
11 Inovação incremental, segundo a OECD (2005), são inovações que afetam pouco a dinâmica do mercado.
Normalmente são promovidas através da busca por maior eficiência na produção, na diferenciação de produto e no marketing.
conhecimento gerado pelas instituições de pesquisa, utilizando o patrimônio científico no próprio país, criando assim uma ponte entre o conhecimento gerado nas instituições de pesquisa e as empresas nacionais. Sendo caracterizado como um mecanismo de transferência tecnológica de grande importância para a estratégia nacional de desenvolvimento econômico e social.
Ao criar um link entre empresa e instituição de pesquisa, a economia ganha com a produção de bens elaborados e de alto valor agregado que diversifica a oferta de produtos internos e amplia a pauta de produtos exportados de alto valor agregado, como definido por Saviotti (2005). Além de proporcionar a ampliação da oferta de empregos altamente qualificados e os impactos derivados nos setores de produção de bens de capital no país.
Portanto, pelo que foi demonstrado até então, a definição de políticas de inovação exige do governo mais capacidade de intervenção, do que recursos financeiros. Em que o foco das políticas deve estar no fortalecimento no SNI, deixando de lado as políticas que supõem um agente representativo, negligenciando as características individuais dos autores, e direcionadas para aperfeiçoar as interações entre atores dentro do sistema.
É imprescindível, sobretudo no Brasil, uma política integrada que tenha como foco o aumento da capacidade inovativa, baseada cada vez mais na formação de cooperação entre empresas, sociedade e governo, dada uma série de questões que implicam no atraso brasileiro, dentre eles: visão míope de curto prazo do sistema financeiro privado; da pluralidade cultural e histórica que determinam o modelo de SNI; da obsolescência do conhecimento acumulado devido a políticas de abertura comercial, que acreditavam na aquisição de tecnologias e equipamentos como substituto para o processo de aprendizado.