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Governmental strategy related to event tourism in Norway

4. Research findings

4.4 National policy for hosting major sports events in Norway

4.4.2 Governmental strategy related to event tourism in Norway

Relativamente aos materiais construtivos naturais, estes são de elevada importância para uma área como a Arquitectura, não só pela sua qualidade enquanto matéria-prima, mas como produto final que pode ser originário desse bem. Tanto em Portugal como no Algarve, os materiais naturais, utilizados na construção tem um grande valor, não só natural ou emocional como também tradicional, uma vez que a sua utilização se generalizou englobando os mais diversos tipos construtivos, fazendo com que determinados adereços ou utensílios realizados a partir destas matérias se tornassem ícones desta região e ainda permaneçam de pé nos dias de hoje.

Podemos dizer que a casa do Sul é resultado de um processo generalizado e repetitivo, pois apesar das diferentes formas que pudesse tomar, era construída segundo métodos construtivos semelhantes e igualmente com acabamentos parecidos, o que lhe conferia uma determinada figura fácil de identificar.

Era sempre rebocada e seguidamente caiada56, resultando numa das características

mais icónicas da casa Algarvia que é a sua prezada cor branca, muito branca, derivada da caiação e proveniente de razões climatéricas, pois o branco reflecte o sol e o calor que existe em grande abundância neste extremo de Portugal, fazendo com que a habitação se mantivesse mais fresca, ao mesmo tempo que a embelezava, e lhe dava um aspecto limpo e cuidado. Esta era uma tarefa de labor doméstico, realizada maioritariamente e regularmente por mulheres, tanto no interior como no exterior da casa.57 Fernando Galhano e Ernesto Oliveira referem que

“(…) ela acentua o pitoresco da construção, aveludando superfícies, arredondando ângulos, boleando arestas, disfarçando falhas, com a espessura das suas camadas sucessivas, e dá-lhes um aspecto asseado e fresco que contrasta flagrantemente com o que apresenta geralmente a casa do Norte.”58

O uso da cal generalizou-se, tanto no interior como no exterior, criando um manto branco no território e espaços agradáveis no interior das habitações. A cal, não só era utilizada directamente nas paredes, sobre a taipa o tijolo ou o reboco ou directamente sobre a pedra que lhes dava forma, fosse ela calcário ou xisto, como muitas vezes era aplicada também sobre as guarnições dos vãos.59

Menos frequente, mas também existente, era a utilização de outras cores, e diz-se que antes de Salazar, era comum a existência de casas com variadíssimas cores, realizadas a partir de pigmentos naturais, muito empregados os ocres, os azuis, os castanhos e os vermelhos cor de barro, (figura 12). Com a imposição de uma nova lei de igualdade, as casas passariam a ter todas a cor branca, desta forma não haveria espaço para distinções. Não se sabe qual a

56GALHANO, Fernando e VIEIRA DE OLIVEIRA, Ernesto; Arquitectura tradicional portuguesa, Editor Dom

Quixote, 2006; p.151.

57 GALHANO, Fernando e VIEIRA DE OLIVEIRA, Ernesto; OP. Cit.; pp.151-152. 58 Idem; p.152.

veracidade desta informação, mas verifica-se que as habitações mais antigas possuem de facto, mais frequentemente cores vivas, onde hoje se encontra o famoso branco.

O Sul do país tem em abundância dois materiais distintos. O primeiro, muito versátil e muito utilizado na construção da região Algarvia. Esse motivo deu razões para que o autor Orlando Ribeiro a caracterizasse como a «civilização do barro»60, pela sua riqueza em Argila,

este material abundante, por sua vez deu origem a dois métodos construtivos muito comuns nesta região, a Taipa e o Adobe, que no geral são sempre “associados à casa térrea típica do Sul.”61

Sobre a Taipa sabe-se que foi o sistema construtivo dominante em todo o Algarve 62, e

que foi a técnica construtiva mais usada para a realização das paredes das casas e dos muros de separação ou delimitativos. Era também o processo construtivo característico das regiões secas. O autor Orlando Ribeiro transmite-nos não só o conhecimento do que era a Taipa, bem como nos explica o processo construtivo até à fase final: “O Processo consiste em bater a malho, dentro de uma espécie de caixa de madeira, sem fundo (taipal), uma mistura de barro com pedriça, apanhada muita vez ao lado dos muros que se estão levantando (est. XVI). Deslocando lateralmente o taipal, obtém-se uma faixa a todo o comprimento do muro que se deseja; levantada ela, deixa-se endurecer a ponto de servir de apoio ao taipal e vai-se assim erguendo sucessivamente o muro, desencontrando as juntas verticais, para obter travação. Às vezes usam-se alicerces de pedra, no geral salientes, e fiadas de pedra ou de tijolo entre as diferentes faixas de taipa. As paredes são cuidadosamente rebocadas e caiadas, de modo que nem sempre é possível saber de que material a casa é feita (est. XVII A); mas a ausência de molduras nas portas e janelas indica, no geral, construção de taipa ou de tijolo; com o tempo, as costuras da taipa acabam por se conhecer, ou porque aí se infiltrou humidade ou porque o

60 RIBEIRO, Orlando; Geografia e Civilização -Temas Portugueses; Livros Horizonte, Lda; Lisboa, 1992;

p.32.

61 RIBEIRO, Orlando; Op. Cit; p.33.

62 FERNANDES, José Manuel e JANEIRO, Ana; Arquitectura no Algarve, dos primórdios à actualidade, uma

leitura de síntese; Edições Afrontamento, Edição CCDR Algarve, Algarve, Dezembro 2005; p.71. Figura 12 – Cal com diferentes pigmentações.

revestimento estalou pela contracção desigual dos diferentes blocos. O processo é simples, rápido e barato. Conhecido de todos os pedreiros, está ao alcance da maior parte dos curiosos. Uma casa de rés-do-chão pode erguer-se em 15 dias, apenas com o trabalho de 4 homens. A mestria na arte da taipa vai ao ponto de se fazerem com ela os muros redondos de um moinho (est. XVII B).” 63

O Adobe é muito semelhante à Taipa, a diferença é que este consiste em “barro amassado juntamente com areia ou palha cortada, moldado em forma de tijolo e seco ao sol.”64

E que posteriormente é “sobreposto em fiadas com as juntas verticais desencontradas.” 65 Este,

usa-se igualmente na construção de paredes e muros.66

O período de vida das paredes realizadas por qualquer um destes métodos é influenciado por alguns factores. A existência de humidade é um deles, pois para que sejam duradouras não deveram estar expostas a ambientes húmidos, esse foi mais um motivo para que este método construtivo se tenha enquadrado tão bem na região Sul. No entanto, como solução para os períodos em que há ocorrência de precipitação e que haja o risco destas se danificarem, tornou-se comum a realização de um beiral que acompanha o telhado, esta solução pode servir como protecção das paredes nos períodos em que há ocorrência de precipitação assim como na protecção do sol directo.67

Outra razão deve-se á fragilidade e menor resistência ao peso e aos impactos, quando comparado com muros de pedra ou de tijolo. A longo prazo, verifica-se um ligeiro abaular, devido ao peso exercido pelo telhado sobre estas paredes.68

Materiais como a Argila e o Calcário, existem em abundância e eram utilizados de variadíssimas formas nas construções desta região que ficou marcada por construções vernaculares, “utiliza, na sua construção, materiais dóceis, calcários moles e friáveis e mármores (…) o tijolo e sobretudo a taipa, que se encontra já na Estremadura, mas que na planura alentejana e no Algarve constitui o material característico e mais corrente na edificação local.”69

O uso da taipa nas alvenarias generalizou-se, mesmo nas regiões onde existem outros materiais como o Calcário e o Xisto. Para o Calcário reserva-se um uso mais “nobre” e de nível estético, pois era utilizado para o guarnecimento dos vãos de portas e janelas, mas também na pavimentação de caminhos e estradas.70 “O emprego de elementos cerâmicos no Algarve, está

generalizado nos mais diversos tipos de construção, utilizando-se sob várias formas, desde os pavimentos interiores ou exteriores das habitações, às paredes e coberturas, quer sejam estas

63 RIBEIRO, Orlando; Geografia e Civilização -Temas Portugueses; Livros Horizonte, Lda; Lisboa, 1992;

pp.32-33.

64RIBEIRO, Orlando; Op. Cit.; p.33. 65 Idem; p.33

66 Ibidem; p.33 67Ibidem; p.33 68Ibidem; p.33

69 GALHANO, Fernando e VIEIRA DE OLIVEIRA, Ernesto; Arquitectura tradicional portuguesa, Editor Dom

Quixote, 2006; p.153.

em telhado, abóbadas ou «dormentes» - tipo de cobertura plana sobre estrutura de madeira. O seu fabrico encontra-se disseminado por toda a faixa litoral, com algumas penetrações ao longo de vales, a mais importantes das quais acompanha a estrada para Monchique.” 71

O chão exterior destas casas, eram habitualmente revestidas por lajedo, cubos de granito, ou ladrilhos, sendo estes últimos os mais frequentes. Realizados com barro natural que posteriormente é cozido. Produzidos nesta região, mais propriamente em Santa Catarina da Fonte do Bispo, do qual preservam o respectivo nome – Ladrilhos de Santa Catarina. Existindo diferentes padrões, por terem uma simples forma rectangular ou quadrada, dão liberdade para a sua colocação e conjugação em diferentes formas, criando formas geométricas agradáveis que percorrem os pátios, que abraçam a casa ou o chão da açoteia, como se pode ver na Figura 13.

Os pisos térreos são revestidos em pavimento de ladrilhos de barro no exterior, e revestido de madeira – sobrado72 no interior,ou nos casos em que as possibilidades económicas

fossem inferiores, seria em terra batida.

Por fim, as coberturas variam consoante a sub-região e são mais um elemento construtivo que muito bem traduz a adaptação do homem ao clima, utilizando-a de forma inteligente e como proteção das mais variadas condições climatéricas.

71AAVV; Arquitectura Popular em Portugal; Volume III: Zona 6 – Algarve; AAP; Lisboa, 1988; p.168. 72AAVV; OP. Cit.; p.311.