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The government’s priorities direct the focus of Amnesty International Norway

5. The Ministry of Foreign Affairs in power

5.3 The government’s priorities direct the focus of Amnesty International Norway

As actuais reflexões sobre a cidade remetem para um espaço de fluxos, onde os sujeitos e objectos em confluência estão interligados por uma grande rede global. Vale ressaltar que a cidade global é entendida como um processo de conexão entre produtores e consumidores, envolvidos numa rede global de interesse pelas facilidades que a tecnologia pode trazer em toda a sua amplitude: social, científica e mercadológica, principalmente no âmbito da inovação. A cidade é também um espaço de fluxos. Nos termos de Castells,

O espaço de fluxos é a organização material das práticas sociais de tempo compartilhado que funcionam por meio de fluxos. Por fluxos, entendo as sequências intencionais, repetitivas e programáveis de intercâmbio e interacção entre posições fisicamente desarticuladas, mantidas por actores sociais nas estruturas económica, política e simbólica da sociedade (1999, p. 442).

O novo espaço industrial é composto por mudanças advindas das inovações tecnológicas. Há uma nova percepção do que seria o produto oferecido e do consumidor, por exemplo, essa nova perspectiva do mercado incentivou o crescimento do sector dos serviços, bem como dos serviços de atendimento ao consumidor. Tais factos aumentam o fluxo de informação, de capital e tecnologia, com os quais estabelecemos íntimas alianças, resultando assim, no facto de que os espaços de fluxos são compostos por nós e alianças, conforme podemos observar na obra de Castells. Numa recente actualização de seu livro “End of Millennium”, fala-nos do espaço de fluxo como espaço de poder:

Distinction between the space of flows as the space of power in contrast with the space of places as the space of experience while this appears to be the prevailing spatial logic, the dichotomy is too simplistic. On the one hand, the

also part of the space of flows. On the other hand, experience is not confirmed to the space of places, because human experience now has a fundamental dimension in the virtual space, as online communities and social networks have become a massive social practice that transforms the conditions under which we constructs our culture and our sociability (2010, p. XXIV).

Portanto, se admitimos a cidade contemporânea como espaço de fluxo, estaremos a observá-la em seu todo, pois os espaços de experiência e os espaços de poder confluem para um espaço comum. Principalmente, quando estamos a falar sobre os espaços ocupados pela tecnologia da informação, onde também encontramos uma sociedade que não deveria ser identificada apenas como virtual.

Diante dos espaços de fluxo, de tamanho emaranhado que a sociedade da informação tece nas cidades, Certeau (2005) diz que devemos experimentar o voo de Ícaro: sobrevoar a cidade, fitando-a, espreitando-a e em seguida, caindo sob aquilo que de baixo não se conseguia definir da óptica geral. O distanciamento pode mostrar saídas, o voo seria a nossa possibilidade de conhecer o que a cidade mantém oculto e assim entender melhor o que ela deixa aparente. Pois o aparente será a janela para engendrarmos um caminho pelos itinerários que subjazem no desejo de cidade que temos.

A ideia de Certeau também seria válida para pensarmos as polifonias urbanas. Assim como propõem Canevacci, sendo estrangeiro, podemos diferenciar os mais diversos sons que a cidade emite. O olhar de estranhamento, que talvez muitos cidadãos tenham quando atravessam a sua cidade e dirigem-se para uma outra localidade, pouco comum ao seu quotidiano. Como vimos nas observações de Seixas, há uma tendência a escondermo-nos em nossos castelos, o que caracterizaria um cidadão-turista. Nessa perspectiva, Canclini (2006) chama atenção para o „isolamento em espaços próprios‟ e a formulação de ideologias urbanas de afastamento e introspecção nas práticas quotidianas. Tal evento vem a ser curioso num espaço de fluxos, onde flui a informação e comunicação, contudo, esse fluxo parece estar concentrando-se pelas vias que de alguma forma resguardam o indivíduo de um convívio com presença física.

O movimento de „encastelamento‟ remete a Bachelard (1978), quando nos convida a observar o espaço que ocupamos a partir das vivências do imaginário. Cada ser buscará recriar o seu espaço de abrigo, o espaço de sonho e memória. Os sonhos emergem quando falamos das casas habitadas, sentidas, onde cada canto terá um sentido

diferente, que poderá mudar conforme estivermos mais próximos do íntimo ou do exterior do nosso espaço. Assim, temos o poder de ampliar ou reduzir o espaço que ocupamos, conforme sejam os nossos sonhos.

A cidade, no sentido que Bachelard imprime ao espaço, seriaum campo de resignificação do sentido de abrigo, construída pelas mãos de seus praticantes e ganha sentidos proporcionalmente a cada um deles. Ela vai mostrando-se fragmentada a primeira vista, mas depois podemos identificá-la com as musas da mitologia grega, que nunca viajam sozinhas, sempre tocando juntas seus instrumentos, apesar de serem distintas entre si. Todavia, em todos os aspectos da cidade estaria reflectido o desejo de cada um de seus habitantes quanto à mesma. A exemplo disso, Santos (1998), afirma que a arquitectura da cidade reflecte e determina a complexidade das relações sociais, económicas e políticas que nela tenham lugar. Olhando para a estrutura física da cidade, podemos reconhecer as condições de vida de seus habitantes, que variam de uma rua a outra. As ruas seriam as veias da cidade, por onde flui a sua vitalidade, que pode ser facilitada ou não pelas formas de organização sócio-espacial e político-económica. Logo, se compreendemos a cidade como um espaço de fluxo, delimitar o espaço ao seu aspecto físico é traçar uma linha falsa (Bachelard, 1978), negar o que se vivencia, fechar as possibilidades e oprimir os sentidos que construímos, as memórias. Junto aos objectos, às práticas e à construção da cidade estão as nossas percepções do espaço, do outro, dos tantos mundos que criamos, onde cada um de nós dá vida a diferentes cidades.

E todo esse contexto que permeia nossas vidas é parte constituinte de um momento de grande transformação da experiência urbana. “Podemos, assim, estar na presença da segunda maior revolução antropológica de todos os tempos depois do sedentarismo planetário de há 10.000 anos atrás: a do urbanismo planetário” (Seixas, 2006, p. 3). Uma revolução que impossibilita compreender quaisquer questões relativas ao homem contemporâneo sem que conheçamos as nuances da sua cidade. Mesmo diante dos muitos oceanos de diferença que o urbano impõe-nos.

Portanto, estamos diante de uma reconfiguração do sentido de cidade e cidadão, de pertencimento ao lugar, de consolidação das referências espaciais e da compreensão dos limites ou fronteiras dos papéis de cada sujeito no tecer dos fios deste “planeta urbano”,

um tecido cada vez mais elaborado a partir de “espaços interticiais” que pedem novas formas de abordagem para que seja possível percebê-lo (Seixas, 2006). O modo de pisar no território urbano pede-nos a mesma flexibilidade com que ele se locomove, pede que o pesquisador deixe-se levar também pelo terreno fluido, sem que as delimitações do seu tema fechem as possibilidades de percepção do urbano. Olhando para as linhas tênues dos contrastes apresentados pelo espaço urbano, já que eles não se separam (Como poderia haver ordem sem desrodem, vice-versa?)37, podemos pensar numa “macroAntropologia” – tomando emprestado o termo de Hannerz – para estudar uma “macrocidade”, não extactmente no sentido de metrópole ou megalópole, mas no sentido de complexa e fluida.

Contudo, é preciso estarmos atento aos usos do termo “fluxo”. O próprio Hannerz chama-nos atenção para não utilizarmos o termo para justificar qualquer circunstância da cultura, ou mesmo “não é preciso acreditar que ela seja uma substância que se possa colocar dentro de garrafas” (1997, p. 15). Bem como a cidade, por reconhecermo-la como espaço de fluxo não significa que irá adaptar-se a quaisquer esquemas ou concepções. É importante compreendermos que há uma influência simultânea da tecnologia junto aos indivíduos e colectivos e a cidade. Nas palavras de Lévy,

Com efeito, a contínua transformação das técnicas, dos mercados e do meio económico leva os colectivos a abandonar seus modos de organização rígidos e hierarquizados, a desenvolver a capacidade de iniciativa e de cooperação activa de seus membros (1993, p.42)

Talvez por isso, Hannerz afirme que a característica de fluxo esteja relacionada aos híbridos. Quanto maior o fluxo de informações, tecnologias, capital, maiores são os encontros, os nós, em que os híbridos emanam. Assim, é possível reconhecer porque “hibridez parece ser atualmente o termo genérico preferido, talvez por derivar sua força, como “fluxo”, de uma fácil mobilidade entre disciplinas (mas muitos dos outros termos também têm a mesma flexibilidade), tais como “colagem, mélange, miscelânea, montagem, sinergia, bricolagem, criolização, mestiçagem, miscigenação, sincretismo, transculturação, terceiras culturas” (1997, p. 26). Entretanto, assim como o termo fluxo, a ideia de híbrido também pode se adaptar a distintos interesses. Como esta ideia é

37 Assim como sugerem Bauman (2005) e Balandier (1997), não podemos pensar numa ordem sem antes

fulcral para a discussão que pretendemos sobre a cidade, será aborda em sessão específica em que é relacionada ao espaço urbano.

Portanto, foi possível situarmos o estudo do espaço urbano, dentro de uma concepção antropológica e relacionado com a tecnologia. Para ingressarmos nos itinerários urbanos da tecnologia precisamos lançar mão de conceitos que compreendam a cidade como um espaço flexível, onde as mudanças, as inovações são multiplicadas pela condição fluida.

CAPÍTULO IV – O PROBLEMA DA PROLIFERAÇÃO DOS HÍBRIDOS E