5. Drøfting
5.2 God kompetanse kan være en utfordring
Segundo Martinez, Andeane e Rodríguez (2002) os pacientes hospitalizados encontram-se em um ambiente estranho, vivenciam a despersonalização, assim como a
falta de controle sobre si mesmos e o ambiente. Desta forma seu estado emocional encontra-se alterado. Determinadas variáveis ambientais podem prolongar a enfermidade e ameaçar a evolução do paciente. Em seu estudo os autores avaliam as variáveis que afetam o conforto físico tais como a iluminação, decoração, umidade, temperatura, ruído e cheiro. Corroboram que estas variáveis são potenciais fontes geradoras de estresse, quando inadequadas, incômodas ou desagradáveis.
Com isto, pode-se propor que se a pessoa tiver a percepção do hospital como um ambiente estranho, ou hostil, e vier a vivenciar a despersonalização, isto implica em uma importante alteração de sua percepção sobre a privacidade, identidade, e conseqüentemente na delimitação de seu espaço pessoal. O cuidado sobre as necessidades do paciente pode minimizar o sofrimento inerente à hospitalização, entre suas necessidades encontram-se o respeito à privacidade e ao espaço pessoal. As crianças parecem enxergar tais necessidades a partir de suas particularidades.
Günther e Cunha (2004) referem sobre estudos da Altman e Wohlwill nos anos 70 que aludem ao maior imediatismo das respostas das crianças às condições ambientais, estando elas mais sujeitas aos impactos negativos do ambiente. Günther e Cunha (2004) realizam estudos sobre o manual Environmental Psychology onde frisam os efeitos negativos dos estímulos ambientais (como ruídos) no desenvolvimento infantil, e sugerem que as crianças mais ansiosas são as mais afetadas.
Pode-se considerar o hospital como um espaço rico em estímulos, inclusive geradores de estresse, como os excessos de ruídos. As crianças são muito sensíveis ao ambiente, assim como se encontram mais ansiosas no ambiente de hospitalização. Os profissionais de saúde que lidam com a criança nestas condições devem estar atentos a estes aspectos, de forma a propor soluções que minimizem seu sofrimento, e
considerem os estímulos ambientais como parte do tratamento; os estímulos podem ser, por exemplo, matéria prima do brincar como já aludido no primeiro capítulo.
White (1978) desenvolveu estudos acerca das necessidades das crianças que vivem em apartamentos. Observou a falta de espaço para que as crianças pudessem brincar não só dentro do próprio apartamento, como também em áreas comuns de lazer estruturadas especificamente ao brincar. Propõe o desenvolvimento de projetos que levem em conta suas necessidades, para uma melhor qualidade de vida.
Pode-se pensar que o hospital, seja por dias, semanas ou meses, torna-se a casa da criança. Ela continua a ter necessidades de brincar e de espaço, que podem ou não ser expressas, conforme as características da interação criança-ambiente. É importante que este aspecto seja valorizado na estruturação do espaço físico do hospital.
Estudos acerca do processo de hospitalização e possibilidades de minimizar o sofrimento gerado têm sido feitos por pesquisadores da área da Psicologia Ambiental, objetivando soluções dos problemas da esfera humano-ambiental.
Corrêa (2006), em sua dissertação de Mestrado, pesquisou a qualidade de vida e o bem estar da criança ao lidar com os ambientes naturais em hospitalização, perfazendo também um estudo teórico-prático acerca da hospitalização e Psicologia Ambiental. Demonstrou que as crianças apresentavam comportamentos que sugeriam bem-estar quando em contato com o jardim do hospital, assim como apresentavam necessidade de interação com outras crianças.
Alves (2005) desenvolveu a pesquisa teórico-prática em espaço hospitalar baseando-se na Psicologia Ambiental. Buscou, com sua dissertação de Mestrado, uma compreensão acerca das formas de apropriação de espaço vivenciadas pelos pacientes
hospitalizados, de forma a estabelecer parâmetros de reflexão aos profissionais de saúde que lidam diretamente com os pacientes, assim como aos profissionais que lidam com o planejamento dos hospitais.
Souder et al (1978) propõe que o ambiente hospitalar deve ser um espaço agradável, cômodo, que satisfaça as necessidades pessoais dos que trabalham e permanecem no ambiente, oferecendo segurança, proteção, facilidade de movimento e proporcionando a privacidade e descanso.
São pesquisas que colocam o paciente internado como foco de seu estudo, e que refletem acerca de mudanças ambientais que possam ser úteis à promoção de saúde em ambiente hospitalar.
Segundo Wiesenfeld (2003), é importante que se atue sobre a educação, e a conscientização, entre outros fatores, para se atingir os objetivos da Psicologia Ambiental de contribuir na compreensão e solução de problemas nas esferas humana e ambiental. Também deve ser considerada a participação dos atores sociais para a articulação de suas necessidades.
A presente pesquisa irá estudar possibilidades de relação do profissional de saúde com a criança hospitalizada, de forma a considerar a criança como sujeito ativo de sua própria história, facilitando para que alcance a consciência de seu próprio corpo e do espaço onde se encontra. Assim, é uma proposta de estudo que aprofunda acerca da privacidade e espaço pessoal da criança hospitalizada de forma a auxiliar na comunicação com a criança, e colocá-la como sujeito no processo de hospitalização.
Muitos estudos ainda devem ser feitos abordando as contribuições da Psicologia Ambiental à promoção da saúde no processo de amadurecimento infantil. Conforme abordado no capítulo anterior, o ambiente é fundamental como estrutura ao processo
de amadurecimento e nele e com ele é possível estabelecer relações de confiança que sustentem o amadurecimento tranqüilo. Este estudo se propõe a auxiliar o desenvolvimento de pesquisas na área, e é uma proposta que compreende que o ambiente só poderá oferecer segurança e confiança à criança quando respeitar sua identidade, proporcionar autonomia e respeitar seu espaço e desejo para a interação.
Capítulo 4: MÉTODO