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Glyph-Based Visualization of Rigid Body Dynamics

6.2 Interactive 3D Visual Analysis of Rigid Body Dynamics

6.2.2 Glyph-Based Visualization of Rigid Body Dynamics

Cotijuba foi espaço estratégico para fins políticos e militares, pois no início do século XIX, sua localização geográfica permitia proteger Belém de invasores. Assim a ilha participa historicamente de momentos de conflitos armados, quando abrigou tropas militares do governo que combatiam os “rebeldes” cabanos. Serviu juntamente com a cidade de Vigia de Nazaré, como alojamento de base militar da Brigada Pernambucana e ainda abrigou um hospital a serviço do batalhão desta brigada, que era sediado na cidade acima citada.

Sua localização geográfica facilitava o combate aos cabanos que em alguns momentos se escondiam nas ilhas próximas, como Tatuoca (esta ilha abrigou partidários da Corte portuguesa

durante a Revolta dos Cabanos), localizada em frente à Cotijuba e de Caratateua (Outeiro), ilhas que eram ocupadas pelas forças oficiais.

Não se pode afirmar a localização exata do hospital da Brigada Pernambucana, porém há indícios e boatos entre os moradores da comunidade do Poção de que as ruínas do engenho da Fazendinha faziam parte das construções da brigada. Essas são informações que não puderam ser confirmadas, no entanto esta associação entre as ruínas encontradas no local e ocupação militar estão diretamente ligadas ao fato de que as mesmas lembram a engenharia holandesa. Recife foi colonizado pelos holandeses e a brigada militar, segundo a história da ilha era de Pernambuco.

Até 1930 Cotijuba era utilizada para a sinalização náutica, pois na sua porção sul apresenta um farol antigo que servia os navegantes que iam de Belém até o arquipélago do Marajó. No entanto em 1932 o poder governamental se fez mais presente na Ilha por meio do governador Joaquim de Magalhães Cardoso Barata (1930-1935), coronel do exército e interventor de Getúlio Vargas no Pará no âmbito da Revolução de 1930.

Segundo estudos de Amaral (1992) sobre a história de Cotijuba, a ilha foi comprada pelo desembargador Raimundo Nogueira de Faria de uma viúva conhecida apenas pelo nome de Joana pela quantia de 37.650$000 (trinta e sete contos, seiscentos e cinquenta mil réis), a compra foi com o objetivo de implantar na ilha um educandário, uma colônia reformatória para menores infratores e abandonados da cidade. Sua meta era preparar os meninos com uma educação técnica profissional.

Segundo as análises de Silva (2003, p. 30):

A ilha de Cotijuba passou a vivenciar numa outra fase transformações espaciais mais intensas. No início do século XX, destacou-se como o período de maior desenvolvimento econômico e social, quando passou a abrigar a Colônia Reformatória de Cotijuba (CRC); foi comprada pelo Desembargador Raimundo Nogueira de Faria, do juizado de direito da 4ª Vara do Supremo Tribunal de Justiça do Pará, que objetivava a construção de um educandário, uma colônia correcional, para abrigar menores abandonados e delinqüentes e reintegrá-los à sociedade. O objetivo da construção do educandário seria justificado pela multiplicação da criminalidade infanto-juvenil em Belém, a partir de 1930, ocasionada pela estagnação econômica após o declínio da borracha.

A ilha de Cotijuba foi escolhida para tal finalidade devido a sua distância em relação à metrópole, a ausência de transporte contínuo e consequentemente pelo seu isolamento. Outro fator que contribuiu para que em Cotijuba fosse implantado o reformatório, foi a negação por parte do proprietário da ilha de Arapiranga (Sr Frederico), sobre a venda da mesma para os idealizadores do projeto, visto que a mesma também fazia parte dos planos governamentais para construção da colônia.

Segundo Amaral (1992), considerando as análises do Barão do Marajó14, as duas referidas ilhas eram mais estratégicas para a construção do reformatório devido sua distância e também das correntes da baía que em sua direção são bem mais violentas que das ilhas mais próximas a Belém, pois as duas ficam próximas à baia do Marajó.

Além disso, de acordo com Amaral (1992, p. 12):

A Ilha do Arapiranga era considerada a mais elevada do arquipélago, ocupando uma boa posição e fazendo frente para a Baia de Marajó sendo encoberta pela Ilha das Onças, o que a “esconde” em parte, de quem a observasse da capital. Tudo indicava que aquela ilha era, além de segura, bastante estratégica para a construção de uma instituição correcional. A ilha de Cotijuba também poderia despertar interesse na medida em que ela é abundante em pedreiras, possui um lago em seu centro capaz de propiciar uma boa relação homem e meio ambiente, tendo um solo útil para o cultivo de qualquer cultura. Grifos do autor

A construção da Colônia Reformatória de Cotijuba (CRC) estava relacionada com os acontecimentos políticos e sociais que ocorriam no Brasil, os quais afetavam o estado do Pará. A CRC foi criada com o objetivo de abrigar, corrigir e recuperar os menores abandonados que viviam na delinquência pelas ruas de Belém, na primeira gestão do interventor de Getúlio Vargas no Pará, o major e posteriormente coronel Magalhães Barata.

Para Magalhães Barata a CRC iria servir de refúgio aos menores abandonados que eram vítimas da inconsequência e maldades de seus pais. Serviria também aos órfãos ou àqueles que não tinham amor nem orientações maternas, os quais eram maltratados quando eram recolhidos pela polícia até os postos policiais.

Foi por volta de 1932 que a construção da CRC começou e sua inauguração foi idealizada pelo interventor e pelo desembargador no ano seguinte. A consagração e divulgação do acontecimento ficaram por conta do jornal O Imparcial, através de notícias sobre a ilha de Cotijuba e sobre a construção da CRC.

Neste contexto, a situação dos menores abandonados e delinquentes na época tenderia a ser amenizada ou escamoteada, visto que a raiz do problema social não seria resolvida pelo governo. Antes da inauguração da CRC, várias viagens foram realizadas por pessoas ilustres da sociedade, imprensa e curiosos que chegaram à ilha para conhecê-la. Assim o objetivo governamental de tornar Cotijuba um foco de atenção naquele momento deu certo.

14 José Coelho da Gama e Abreu (o Barão do Marajó) nasceu em Belém, em abril de 1832, às vésperas da Cabanagem.

Filho de um comerciante português, se formou em Filosofia e Matemática pela Universidade de Coimbra. Em 1855 exerceu o cargo de professor do Liceu Paraense, de deputado provincial e de deputado ao Parlamento Nacional. Em 1881 o imperador do Brasil o intitula Barão do Marajó pelos serviços prestados à região.

O Dr. Pedro Leite, em nome do desembargador Nogueira de Faria, vem convidar o IMPARCIAL para tomar parte no passeio à ilha de Cotijuba, que está sendo adaptada a Colônia Correcional dos Menores Abandonados e Delinquentes, e assistir o lançamento da primeira pedra do edifício vae funcionar a escola e o baptismo da canoa “Soldado Epiphanio”...

...O major Magalhães Barata, interventor federal a cuja protecção está entregue esse grande empreendimento de assistência social, irá em pessoa presidir as cerimônias, pretendendo o desembargador Nogueira de Faria vir a esta capital fazer o convite a s. exc. (Jornal O Imparcial, 1933).

As matérias do jornal O Imparcial relacionadas às visitas de pessoas importantes à CRC foram muitas, todas com o intuito de aumentar a popularidade da ilha e dos idealizadores do projeto reformatório, o qual vinha ao encontro das necessidades dos menores abandonados e delinquentes da cidade.

No dia 06 de janeiro de 1933 foi feito, como divulgado pelo jornal, o lançamento da pedra inaugural e o batismo da canoa soldado Epiphanio. Nesta ocasião estavam presentes na ilha o interventor, autoridades militares do estado, do município e da união e representantes da imprensa diária, a exemplo do jornal O Imparcial e outros jornais convidados.

Os moradores da ilha, juntamente com o superintendente responsável pelas obras (o senhor Clarin de Pinheiro), receberam a bordo de um rebocador as autoridades e a imprensa. Após a chegada, os visitantes se deslocaram ao local das obras do edifício da administração da CRC, posteriormente deslocaram-se ao local onde seria construída, paralelamente a colônia, uma escola para os filhos dos moradores da ilha de Cotijuba e ilhas adjacentes (Paquetá, Jutuba e Urubuoca), indicando que com o novo projeto do governo os moradores das ilhas sairiam ganhando também.

Logo após ter assumido a Secretaria Geral do Educandário, o desembargador Nogueira de Faria convidou um grupo de 600 estudantes das escolas públicas a visitarem Cotijuba. A visita dos estudantes aconteceu no dia 05 de agosto de 1933, dois meses antes da inauguração oficial da CRC. Esta visita fez parte da estratégia do governo em popularizar a Ilha em todos os segmentos sociais, com o objetivo de justificar a necessidade de se implantar o empreendimento reformador.

Após sequenciais visitas, as obras foram sendo tocadas e o primeiro pavilhão foi levantado e nomeado de Soldado Pantoja em homenagem a um miliciano que morreu no levante do 26º Batalhão de Comando durante a revolução outubrista. Logo em seguida foi construído outro pavilhão, formando um conjunto de dois pavilhões separados por uma área central frontal, onde o primeiro pavilhão abrigava um dormitório, almoxarifado e o alojamento dos inspetores.

O segundo pavilhão serviria de refeitório e copa/cozinha, já a parte central do prédio que era composta de dois pavimentos, onde o primeiro era destinado à portaria e secretaria e o segundo serviria de abrigo aos diretores da CRC. Observe a fotografia 7 da década de 1960 do educandário.

Fotografia 7: Prédio do Educandário Nogueira de Faria pronto para inauguração na década de 1930, com destaque para boa infraestrutura e pouca ocupação humana

Fonte: A Província do Pará (1973)

Havia ainda alguns anexos ao prédio principal, estes por sua vez serviam de casa de banho e sanitários, dentro do prédio se encontrava um eficiente sistema de abastecimento de água composto por duas caixas d’água que eram abastecidas por um poço de água limpa e potável. Além disso, o prédio contava com sistema de esgoto sanitário e caixas de gordura. A CRC tinha neste momento de sua construção a capacidade para abrigar 400 menores infratores.

Para Leite (1996, p. 13):

As instalações eram modernas, equipadas e higiênicas. Em uma ala com instalações simples, mais confortáveis, moravam o Diretor e sua família. Havia ainda um bom refeitório, os dormitórios eram amplos e limpos, com camas de ferro e arrumadores para rede. A manutenção do Reformatório fazia parte dos processos educativos adotados, daí ser praticada em forma de rodízio, pelos educandos, divididos em.

A partir de 1934, eram recolhidos e presos pela polícia todo e qualquer menor de idade que estivesse perambulando pelas ruas da cidade a ponto de cometerem algum ato delinquente, (hoje se diria em situação de risco). Assim que eram recolhidos e presos pela polícia civil eram encaminhados para a central de polícia ou diretamente para a CRC para que lá pudessem aprender

algum ofício que lhes ocupasse a mente em coisas edificantes, ou seja, eram levados á CRC para receberem educação para evitar que se tornassem criminosos já na primeira fase de suas vidas.

Algumas manchetes dos jornais da época mostram tal situação:

“Vae para Cotijuba.

Vindo de Val de Cães com officio do comissário de Polícia Local, foi recolhido preso, hoje (09.06.1934), à Central de Polícia o menor Aurelino Alves de Lima, paraense, branco, de 13 anos, que naquella localidade perambulava sem ocupação. Aurelino vae para a Escola Reformatória de Cotijuba, onde receberá educação, afim de não ingressar tão novo na escola do crime” (O Imparcial 1934).

“Rumo a Colônia Agrícola de Cotijuba.

Para a C.A.C. deve seguir, hoje (15.07.1936), os seguintes menores, que andam pelas nossas ruas sem destino certo: Antonio Mauelly Raymundo da Silva, Arino Manoel Sales, Manoel Demetro, Raymundo Pereira da Cruz, Waldemar Lemos e Raymundo Ferreira Marques” (O Imparcial 1934).

Percebe-se que durante o período de funcionamento da CRC muitos menores foram autoritariamente recolhidos e presos pela polícia e posteriormente enviados à ilha de Cotijuba. Tais menores, segundo os relatos dos jornais, eram levados à CRC simplesmente pelo fato de estarem ociosos nas ruas da cidade. Esta medida autoritária não era questionada pela sociedade visto que a mesma vinha dos escalões governamentais.