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Dentre as políticas e práticas de GP descritas neste trabalho, a que mais se destaca e influencia a maioria dos jovens Y (61%) a permanecerem na empresa Alfa é o planejamento de carreira, conforme o Gráfico 9.

Do ponto de vista dos Milênios pesquisados, há estímulo para a construção de carreira na empresa, que, de certa forma, os atrai e faz com que eles queiram permanecer na empresa. De acordo com Endo e Sant’Anna Neto (2014, p. 235): “As pessoas sentem-se bastante motivadas ao perceber que a empresa possibilita a construção de carreiras bem-sucedidas.” A busca por permanecer na empresa pode ocorrer quando a visão do funcionário está alinhada com a visão da empresa, em que, de acordo com Araújo e Garcia (2009), o

planejamento de carreira surgirá de uma motivação e identificação do indivíduo com a missão e os valores da organização, embora Dutra (2002b, p. 101) destaque: “Há por parte das pessoas, uma natural resistência ao planejamento de sua vida profissional tanto pela falta de encararem a trilha profissional como algo dado quanto pelo fato de não terem tido nenhum estímulo ao longo da vida.”

Gráfico 9 – O que mais influencia os jovens Y na empresa Alfa

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Trazendo para a realidade do jovem da Geração Digital, o Y busca um emprego que “preencha” ao mesmo tempo suas paixões, ou seja, que eles realizem nas suas atividades diárias o que de fato gostam de fazer, e claro, que sejam utilizados ao máximo seus pontos fortes (ELMORE, 2010).

De acordo com Calliari e Motta (2012), o grande comprometimento que o jovem Y tem em obter sucesso pode relacionar-se com os esforços empreendidos por seus pais para que ele tivesse tudo do bom e do melhor. Os autores ainda destacam que, de certa maneira, os Milênios se sentem com um pouco de “obrigação” em buscar posição social melhor como seus pais tiveram.

Já Oliveira (2009), considera que as metas e os objetivos desses jovens são altos graças à grande exposição que eles recebem da mídia, o que eleva o consumo muitas vezes para um patamar muito além do que eles sonham e possam concretizar de fato. Ainda segundo o autor, alguns jovens podem tomar algumas decisões consideradas “incompreensíveis” para simplesmente poder realizar “seus sonhos”.

A concepção de carreira vem aos poucos sendo mudada pelos Milênios nas empresas, em que o desejo e o intuito em permanecer ou até construir carreira em apenas uma empresa vêm sendo alterados por essa nova geração.

Por ora, o primeiro movimento em que se pode notar isso condiz com a entrada no ambiente de trabalho, em que na empresa Alfa pesquisada, a maioria dos Ys (90%), conforme o Gráfico 10, não está no primeiro emprego, descartando uma ideia que se tinha em gerações anteriores como os Tradicionalistas e Baby de um só emprego para “toda a vida”, conforme abordado por Alsop (2008) e Oliveira (2009, 2011).

Gráfico 10 – Jovem Y x primeiro emprego

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Segundo Alsop (2008), isso mostra que as experiências anteriores e atuais de trabalho podem ser consideradas de forma geral para esses jovens como experiências passageiras, e os Milênios, de fato, não demonstram interesse em construir carreira em uma só empresa.

Com o objetivo de compreender em especial esses 90% que não estavam em seu primeiro emprego, perguntou-se quanto tempo havia durado no emprego anterior; também a todos os jovens qual seu tempo no atual emprego, ou seja, na empresa Alfa, conforme se vê na Tabela 5.

Tabela 5 – Duração do emprego anterior x emprego atual Trabalho anterior Trabalho atual (empresa Alfa) Tempo no

trabalho Número de jovens % Número de jovens %

Até 3 meses 7 6 18 16 De 3 a 6 meses 11 9 15 13 De 6 meses a 1 ano 22 19 20 17 De 1 a 3 anos 43 37 44 38 Mais de 3 anos 20 17 19 16 Não se aplica 13 11 0 0 Total 116 100 116 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

De acordo com Dorsey (2010), existe um tempo, que ele considera médio, em que os jovens são “leais” a uma mesma companhia, podendo ser de até treze meses. Já Alsop (2008) afirma que dois terços dos jovens Y permanecem menos de dois anos na organização. O autor ainda completa que cerca de metade desses jovens já teve 5 empregos nos seus primeiros cinco anos de trabalho.

Já na realidade dos jovens Y da empresa Alfa, o tempo médio dos Milênios tanto no emprego anterior como no emprego atual (43% e 44% respectivamente) encontra-se entre o abordado pelos dois autores, Dorsey e Alsop, de um a três anos.

A busca dos Milênios em procurar outro emprego, segundo Alsop (2008), pode relacionar- se com a mentalidade que alguns jovens têm em considerar o trabalho “chato” e sem “preenchimento”. Esse comportamento, ainda destacado pelo autor, causa angústia a muitos empregadores, que lamentam a falta de lealdade desses jovens que resulta em índices baixos de retenção.

Essa falta de “preenchimento” dos jovens que pode levar a mudança de emprego, do ponto de vista de Lancaster e Stillman (2011, p. 90), ocorre porque eles “querem um emprego bom

num ambiente de trabalho estimulado. Querem um salário bom e também, chefes bons. Mas, além disso, eles querem ver sentido no que fazem”.

Quanto a planejar uma carreira, notou-se na empresa pesquisada, como pode ser visualizado no Gráfico 11, que boa parte dos jovens Y (54%) tem um planejamento e já está na área desejada (automobilística), e 40% (estão em dúvida 31% e 9% não se preocupam com isso agora), ainda não tem planejamento de carreira.

O fato de alguns jovens (40%) não terem um planejamento certo para sua carreira pode ser em parte justificado por Oliveira (2011, p. 39), que afirma que em muitos casos “o jovem não planeja seu futuro por não saber o que quer e por não ter foco suficiente para completar a trajetória que deseja”.

Segundo Tapscott (2010), essa falta de planejamento pode estar atrelada ao constante uso dos jogos eletrônicos pelo jovem que acaba gerando a busca de um “emprego perfeito”. O autor discute que a Geração Internet busca cada vez mais entretenimento e diversão no ambiente de trabalho, o que indiretamente leva a uma busca maior por uma qualidade de vida em que não há divisão entre trabalho e lazer.

Gráfico 11 – Planejamento de carreira

Como reflexo dos jovens que são influenciados a permanecer na empresa pela oportunidade de construção de carreira, a maioria dos Milênios (75%) se imagina construindo uma carreira na empresa Alfa, conforme o Gráfico 12.

Gráfico 12 – Construção de carreira

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Porém, não se pode deixar de lado a importância das empresas em manter o interesse do jovem em continuar trabalhando com eles, pois segundo Sheahan (2010), mesmo com um emprego, eles continuam olhando sites por melhores oportunidades.

Dentre os fatores que podem influenciar no planejamento de carreira desses jovens, estão os recorrerão à internet para encontrar oportunidades de emprego. De fato, nos dias de hoje, é possível distribuir seu currículo para várias empresas, disponíveis em sites como <www.vagas.com.br> e <www.catho.com.br>, em que a busca de empregos vai de acordo com seu perfil.

Com o intuito de tentar entender quem está envolvido no planejamento de carreira dos Milênios, perguntou-se aos jovens Y da empresa Alfa se havia alguma influência, ajuda ou participação dos pais e da empresa. Notou-se que há uma forte participação e influência tanto dos pais quanto da empresa, conforme demonstra a Tabela 6.

Embora raro no Brasil, o termo “pais-helicópteros” não é diretamente utilizado, mas há um “disfarce” na literatura que demonstra quanto os pais estão “pairando” e se preocupando com os filhos, principalmente em prepará-los para o futuro.

Tabela 6 – Influência, ajuda ou participação dos pais e da empresa no planejamento de carreira

Pais Empresa N.º % N.º % Não 34 29 0 0 Sempre 0 0 44 38 Outros 0 0 2 2 Sim 82 71 70 60 TOTAL 116 100 116 100

Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

Oliveira (2009) afirma que a ausência da figura paterna já era presente em gerações anteriores, destacando a figura materna a ser a mais presente dentro de casa, porém, com algumas mudanças na sociedade, a mulher passou também a trabalhar, criando uma situação “ambígua”. Desse modo:

as mães procuravam compensar sua ausência oferecendo instrumentos educacionais que levassem seus filhos a se tornarem mais competitivos no futuro, e apesar de ter essa figura materna menos presente, nenhuma geração anteriormente recebeu tantos cuidados, tantos estímulos e tantas informações que pudessem levar os jovens a uma qualificação mais elevada. (OLIVEIRA, 2009, p. 69).

A participação das empresas no planejamento de carreira dos jovens Y ocorre primeiramente em fazer com que o jovem se identifique com o propósito, os princípios e valores da empresa, e queira trabalhar e se desenvolver em uma organização. O resultado disso segue no “aproveitamento” dos conhecimentos tecnológicos e do domínio que essa geração tem nas redes sociais e formas de comunicação, que só trarão benefícios para a empresa.

Em outras palavras, de acordo com Tapscott (2010, p. 190) “as empresas precisam da Geração Internet – sob vários aspectos”. O autor porém não descarta que essa geração vai gerar desafios, mas mesmo assim, ela poderá mostrar para muitas empresas formas inteligentes de colaboração, competências tecnológicas que só esses jovens têm.

Ao passo que o que mais influencia os jovens da Geração Y da empresa Alfa é a questão de fazer carreira na empresa (61%) e 90% deles não estão em seu primeiro emprego. Boa parte dos jovens (54%) demonstrou ter um planejamento de carreira já na área desejada (automobilística), e 75% pretende construir uma carreira na empresa Alfa. Além de que esses jovens recebem não só ajuda como participação dos pais (71%) e da empresa (60%) no seu planejamento da carreira.

Como último assunto a ser analisado do primeiro objetivo, será vista, na seção seguinte, qual a percepção e satisfação dos Ys sobre avaliação de desempenho (feedback).