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4. Evaluation of methods for establishing correspondence 93

5.2. Global shape energy

marcação da antiga Estrada do Utinga (em vermelho).

Fonte: REIS FILHO, Nestor Goulart. 2000.

Após este primeiro momento foram sendo construídas pequenas barracas na então chamada aldeia de Nazaré – antiga Praça Justo Chermont, hoje conhecida como Centro Arquitetônico de Nazaré (CAN) –, arrabalde ocupado pelas moradias da população pobre da cidade. Posteriormente estas foram substituídas pelas rocinhas23, como a destacada por Bates24, em 1848:

(...) era – “um edifício quadrado, com quatro salas do mesmo tamanho. O quintal, que parecia recentemente roubado à floresta, era plantado de árvores frutíferas e de pequenos trechos de roça de café e mandioca. Entrava-se por um portão de ferro, que dava para uma praça gramada, entorno do qual estavam às poucas casas e mucambos cobertos de palha, que então formavam a aldeia”. (...). O edifício mais importante era a capela de Nossa Senhora de Nazaré, que se erguia defronte de nossa casa (CRUZ, 1971, p. 37).

Este trecho já mostra indícios do posterior processo de expulsão da população pobre para áreas mais distantes ou menos privilegiadas, caracterizando a ocupação do antigo Arraial

de Nazaré por parte da elite local, atraída por esta região também pelo fato desta encontrar-se

em um espaço geográfico privilegiado, pois corresponde a um sítio alto e seco em relação ao topo do terreno onde se situa Belém, que é em grande parte baixo e alagadiço. Assim, no segundo quartel da primeira metade do século XIX, a área geográfica que corresponde ao atual bairro de Nazaré já apresenta feições (organização urbana) aperfeiçoadas através do

23 “(...) a Rocinha era o todo que formava a pequena propriedade rural: campo, floresta, pomar e casa. Mas, na

linguagem usual significa a vivenda cercada de árvores silvestres, de frutíferas, de jardins rústicos, na paz dos subúrbios”. Trecho do livro TOCANTINS, Leandro. Santa Maria de Belém do Grão Pará: Instantes e Evocações da Cidade. Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro, 1963. P. 106.

24 Ver CRUZ, Ernesto. As Edificações de Belém 1783-1911. Coleção História do Pará, Série Arthur Vianna.

NEOCOLONIAL

58 arruamento que sofreu intervenções por ordem do então Presidente da Província Conselheiro Jerônimo Francisco Coelho25, principalmente no atual bairro do Umarizal, dando uma configuração distinta dos bairros mais antigos.

Estas intervenções foram caracterizadas pela construção de avenidas, ruas e travessas largas, por grandes quarteirões e pela presença de sombreamento através de árvores de copas altas, o que contrastava com as ruas e vielas estreitas que marcavam os bairros desta cidade. No ano de 1859, segunda metade do século XIX, Robert Avé-Lallemant26 já afirmava que

As viçosas bananeiras ensombram lindas casas de campo... E mais mangueiras, laranjeiras, cafeeiros e tudo o mais que a viçosa vegetação tropical pode apresentar: tudo isso se aglomera em redor das bonitas casas de campo, nas quais o paraense procura escapar a canícula tropical. (...). As casas de campo (rocinhas) e a vegetação alcançam toda a sua beleza, sobre tudo nas proximidades da Igreja de Nazaré. Uma pequena igreja, com uma praça relvada, celebra todos os anos a grande festa comemorativa do milagroso salvamento dum naufrágio e das angústias da morte, realizado pela Mãe de Deus. (...). Aí vi casa de campo de melhor gosto (rocinhas) e reintegrei-me na mais perfeita cultura nórdica. E logo ali perto a cottage de Mr. Henderson. Mr. Henderson é um comerciante inglês, que disse adeus à caprichosa fortuna e a Mercúrio, para homenagear o mundo das Hamadríades (CRUZ, 1971, p. 50).

O marco urbano visto com Francisco Coelho não era somente importante para o bairro de Nazaré devido ao melhoramento de seu planejamento urbanístico, como destacado pelo casal Luiz e Elizabeth Agassiz, em 1865, ao afirmarem que “a estrada de Nazaré estava plantada numa extensão de duas ou três milhas de – belas árvores em que predominam as mangueiras” (CRUZ, 1971, p. 72), caracterizando a via na qual se localizava a rocinha de Sr. Pimenta Bueno a qual residiram por certo tempo, mas pela integração deste (bairro de Nazaré) a cidade como um espaço urbanizado que passava a interagir com a mesma devido a fatores como o próprio crescimento do comércio da cidade, fato que iria se agravar com o estabelecimento do ciclo econômico da borracha, na Região Amazônica, a partir da segunda metade do século XIX, perdurando até a primeira década do século XX.

O mapa da cidade de Belém no ano de 1889 (mapa 5) já mostra a integração do bairro de Nazaré assim como a evolução do planejamento urbano, presente no mapa através da integração desta região com a estação São Braz, em relação as demais áreas da cidade. Neste, também, constam outros elementos que compunham o bairro de Nazaré, a exemplo “do terreno onde funcionou, por longos anos, a Companhia Urbana de Estrada de Ferro Paraense,

25 Conselheiro Jerônimo Francisco Coelho: Presidente da Província do Grão-Pará (1848-1850). Através do site

http://www.lagunainfoco.com.br/index.php/laguna/Jerônimo-francisco-coelho, no dia 6 de Novembro de 2014, às 11: 03.

26 Ver CRUZ, Ernesto. As Edificações de Belém 1783-1911. Coleção História do Pará, Série Arthur Vianna.

2 - BAIRRO DE NAZARÉ: CONHECENDO A ARQUITETURA RESIDENCIAL NEOCOLONIAL

59 entre as Avenidas de Nazaré e São Jerônimo” (CRUZ, 1970, p. 128) da antiga estação de bondes (mapa 6) – na época do bonde puxado a burro, existam duas estações de troca na cidade de Belém: uma ficava na atual Praça Batista Campos e outra no bairro de Nazaré – cuja resolução nº 246, de 10 de Janeiro de 1912, determinou a abertura para servir como caminho público, denominado Passagem Joaquim Nabuco27 segundo a resolução nº 270, de 10 de Junho de 1917 na época da Intendência Municipal do Dr. Virgílio de Mendonça.