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4. Evaluation of methods for establishing correspondence 93

4.4. Comparison of correspondence algorithms

53 2.1. A IMPORTÂNCIA DA MORADIA

Muitos são os princípios de cultura existentes em uma habitação. Sua forma, os ambientes, tudo isto pode ser chamado de “Partido Arquitetônico”, pois na casa além dos desejos, há implícitas técnicas ou o saber fazer decorrente do conhecimento próprio da comunidade, além dos recursos oferecidos pela natureza assim como os materiais trazidos de fora e também ao clima. Entretanto o que, ou melhor, como caracterizar uma casa? Pode-se fazê-lo através da classe social a que pertence o proprietário, ou por localização. Assim, também, pode-se classificá-las através de suas características ou tipologias arquitetônicas, logo, através de parâmetros, como esses citados, procurar-se conhecer e organizar os levantamentos acerca das edificações na cidade de Belém. Partindo disso, classificar as residências de Belém a partir de sua composição arquitetônica torna-se, para este trabalho, uma ferramenta de grande utilidade, pois pode-se analisar não apenas o processo de crescimento (quantitativa) que a linguagem Neocolonial (objeto de estudo) teve na cidade, mas, também, a variedade no uso dos elementos e formas das edificações.

A arquitetura Neocolonial na cidade de Belém se desenvolveu, assim como em grande parte do Brasil, através de três focos arquitetônicos: a arquitetura pública - escolas, postos de saúde, mercados, etc.; arquitetura militar - prédios administrativos e residências; e a arquitetura civil - residências unifamiliares e as multifamiliares. Para este trabalho optou-se pela arquitetura Neocolonial civil, pois em estudo anterior19 ao analisar a variedade dos elementos aplicados assim como a quantidade, dos mesmos, existente nesta cidade obteve-se como resultado o fato de que os prédios com maior riqueza de detalhes e de formas (planta baixa) consistiam nas edificações de cunho residencial, por isso, falar sobre a “moradia” é importante, aliando-se, também, ao fato de que o Neocolonial só se desenvolveu na arquitetura e não em outras artes como escultura e pintura vistas em outros estilos precedentes e posteriores a ele.

No Brasil, a linguagem Neocolonial sofreu grande influência do chamado “o estilo de Portugal” ou “o estilo da casa portuguesa” visto através de sua composição advinda das técnicas, dos materiais de construção e das tentativas de repetir modismos estilísticos. Nas

19 No início do estudo da arquitetura Neocolonial em Belém, quando o Bairro de Nazaré ainda não havia sido

selecionado como área geográfica para esta pesquisa, levantou-se, a fim de obter-se uma base, dentre os bairros desta cidade, quais apresentavam edificações Neocoloniais. E percebeu-se que estas se localizam em vários bairros da cidade e que a maioria destas edificações era residencial (arquitetura civil).

NEOCOLONIAL

54 capitais brasileiras como em Belém, Recife, Salvador e Porto Alegre, ainda hoje encontra-se casas coloniais térreas e sobrados, erguidos em lotes onde percebe-se o aperfeiçoamento das mesmas, assim como as exigências, que com o passar do tempo mudaram, para a via pública como o uso de calçamentos e outros recursos da época. Assim, a partir destas análises, atenta- se na compreensão das transformações por qual esta (moradia/casa) passou até chegar à linguagem Neocolonial, como nas mudanças do partido arquitetônico, e na própria organização/setorização dos ambientes. Em Belém pode-se encontrar residências que marcam a influência portuguesa no Brasil em meados do século XVIII, embora, hoje, não haja muitas representações deste período, sabe-se pelos estudiosos20 que em Belém houve um predomínio das casas térreas como podemos comprovar através do “gabarito” das residências do bairro da “Cidade Velha”.

O padrão arquitetônico do século passado, sob a influência portuguesa, mantinha características bem marcantes quanto a princípios construtivos e muito particularmente quanto à implantação da construção no lote. Esse padrão marcou profundamente a estrutura da cidade e só se percebem inícios de modificação na década de 30, posteriormente, inclusive a outras cidades do país, como Rio de Janeiro e São Paulo (CAL, 1989, p. 65).

Posteriormente, com o surgimento de uma nova burguesia – industrial – surge o ecletismo que em Belém será muito presente na arquitetura e na arte decorativa, buscando uma renovação e adaptação aos novos materiais trazidos pelo desenvolvimento tecnológico.

O movimento eclético na arquitetura no Brasil é produto do desaparecimento dos escravos e da consequente forte imigração estrangeira do início do século. Esses imigrantes traziam o tipo de cultura arquitetônica tradicional de seus países de origem. Em Belém, é também produto do enriquecimento da elite através da exportação da borracha, que passou a realizar inúmeras viagens ao exterior, principalmente Europa (CAL, 1989, p. 69).

Com a 1ª Guerra Mundial, em 1914, dificulta-se a importação de materiais de construção europeus que o ecletismo “consumia”, logo se recorreu à importação de produtos dos Estados Unidos. Porém através da precariedade dos materiais, começou-se a buscar mudanças para a composição das moradias em Belém, assim começaram a simplificar os telhados, passando a adotar os beirais desimpedidos que aliado aos novos modos de ocupação dos lotes, com recuos de frente e lateral, exigidos pelas prefeituras para os novos arruamentos21, acabaram por torna-se muito prático e viável. Posteriormente, no ano de 1920, tem-se um rápido período de aprofundamento da chamada “neodependência” da

20 Ver TOCANTINS, Leandro. Santa Maria de Belém do Grão Pará: Instantes e Evocações da Cidade.

Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro, 1963.

2 - BAIRRO DE NAZARÉ: CONHECENDO A ARQUITETURA RESIDENCIAL NEOCOLONIAL

55 nacionalidade e do patriotismo brasileiro, associado pela apropriação dos recursos naturais necessários à industrialização gerando riquezas como as residências para as classes dominantes e médias de Belém, sendo algumas influenciadas pela arquitetura Neocolonial.

Na década de 20 do século XX algumas casas passam a serem representadas por largos beirais ou cachorros, frontões curvos das igrejas do século XVIII, vergas de arcos abatidos, etc. Nesse momento, o movimento modernista passou a adotar como questão primordial a elaboração de uma “cultura nacional”, pois “só atingiremos o universal passando pelo nacional” (MORAES, 1978), caracterizando o ideário modernista a partir de 1924. Em Belém, esta linguagem surge a partir da cópia de catálogos (revistas) dos construtores da época e após isto, desenvolve-se com o surgimento de produtos advindos da criatividade de construtores da região implementando elementos nas fachadas, por exemplo, marcando uma forma de moradia muito comum neste momento chamada de bangalô.

Nesta cidade, quando se estuda as fachadas neocoloniais percebe-se que elas apresentam muitas influências de elementos antigos como os azulejos portugueses, os pequenos frontões curvilíneos, além das colunas chamadas de “colunas torsas” que remete a uma influência do gótico tardio22 português denominado manuelino. Há ainda a presença de

arcos, o uso das vegetações compondo bosques ou pequenos jardins localizados nos afastamentos do lote, apresentando uma visão delicada e harmoniosa o que caracteriza um elemento marcante desta linguagem arquitetônica que é a sua elegância e bucolidade. Além da aplicação de texturas na parte exterior das paredes das edificações, a presença de torres, e o emprego de beirais aparentes.

2.2. CONHECENDO O BAIRRO DE NAZARÉ

Na segunda metade do século XIX, a ocupação e integração do bairro de Nazaré ao contexto urbano de Belém passaram a se desenvolver, principalmente devido ao processo de expansão, haja vista que, anterior a este momento, a cidade de Belém ainda se restringia aos bairros da Cidade (atual bairro da Cidade Velha) e Campina (atual bairro do Comércio), como visto no mapa de Belém no ano de 1791 (mapa 3), levantado pelo Tenente Coronel de Artilharia com exercício de engenheiro Theodósio Constantino de Chermont, a mando do então Governador e Capitão General do Estado do Grão Pará e Rio Negro o Srº Drº Francisco

22 Ver SILVA, Jorge Henrique Pais da. Páginas de História da Arte: 1º Artistas e Monumentos. Editorial

NEOCOLONIAL

56 de Souza Coutinho. Contudo as origens do bairro de Nazaré remontam a épocas mais remotas, especificamente no século XVIII:

É difícil separar o mito da história apoiada em documentos. Sabe-se que a devoção à Nossa Senhora de Nazaré começou, no Brasil e no Pará, em uma localidade denominada Vigia (hoje sede de município) e de lá deve ter atingido a capital, Belém. Por volta de 1700, reza a tradição, caminhava nas matas da então tortuosa estrada do Utinga, hoje Avenida Nazaré, em Belém do Pará, um caboclo agricultor e caçador chamado Plácido José dos Santos. Levado pela sede, acabou descobrindo entre pedras cobertas de trepadeiras, às margens do igarapé Murutucu, uma espécie de nicho natural com uma pequena imagem da virgem de Nazaré (...). Para atender os desejos da santa, Plácido resolveu então construir uma pequena ermida para abrigar a imagem. (...) A cada ano aumentava o número dos que iam até a cabana do caboclo a fim de oferecerem ex-votos (...) (DOSSIÊ IPHAN I – Círio de Nazaré, 2006, p. 11-12).

Uma segunda capela em devoção a Nossa Senhora de Nazaré fora erguida, no ano de 1774, a qual, a partir de 1790, foi ganhando maior importância, principalmente pelo povo que procurava alcançá-la através de romarias, em uma estrada que atravessava a mata virgem, antiga estrada do Utinga (mapa 4), chamada hoje Avenida Nazaré.