Kapittel 6: Analyse av det empiriske materialet
6.2 De teoretiske operasjonaliseringene
6.2.2 Gjenstridige problemer
1.3. As dimensões da Cultura
1.3.1. O modelo de Hofstede
1.3.2. A cultura portuguesa de acordo com as dimensões de Hofstede 1.3.3. Aplicação do modelo de Hofstede
C
APÍTULO .1
1. M
ULTICULTURALIDADE ED
IVERSIDADEC
ULTURALMinha aldeia é todo o mundo. Todo o mundo me pertence. Aqui me encontro e confundo com gente de todo o mundo que a todo o mundo pertence.
António Gedeão (1958)
1.1. Multiculturalismo
A diversidade de culturas no mundo é hoje uma realidade incontestável. Numa mesma cidade podemos cruzar-‐nos com pessoas de várias nacionalidades, de diferentes religiões ou diferentes ideologias, que falam outras línguas e que transportam consigo esquemas culturais distintos, diferentes maneiras de vestir, hábitos, regras, etc. A mobilidade demográfica e os fluxos migratórios sempre existiram, mas nunca com a intensidade em que ocorrem hoje. Atualmente há cerca de 214 milhões de imigrantes internacionais, 15,4 milhões de pessoas que procuram asilo, sendo que 1 em cada 33 pessoas vive fora do seu país de origem (Leong & Liu, 2013), como expatriados, imigrantes, gestores globais, líderes globais (Bücker et al., 2014), refugiados, estudantes internacionais (Rohmann, Florack, Samochowiec, &
Simonett, 2014) ou como investigadores e professores. Estamos perante o multiculturalismo, ou, segundo o título do livro de Glazer (1997) “somos todos multiculturalistas”.
O multiculturalismo tem sido abordado e estudado por especialistas de várias áreas disciplinares, incluindo a sociologia (e.g., Hall, 2000; Modood, 2005), a filosofia política (e.g., Kymlicka, 1995; Taylor, 1992), a antropologia (e.g., Vertovec, 2007) e a psicologia (e.g., Berry, 2011; Fowers & Richardson, 1996). Assim, também a sua definição pode variar dependendo do contexto (Leong & Liu, 2013). De acordo com Berry, Kalin e Taylor (1977), o multiculturalismo pode ser caracterizado de acordo com três níveis: demográfico, ideológico e político.
A um nível demográfico, uma sociedade multicultural é representada por diferentes grupos étnico-‐culturais que vivem juntos num mesmo espaço geográfico. Ou seja, o multiculturalismo refere-‐se a características demográficas, mais especificamente a uma composição poli-‐étnica da sociedade (Van de Vijver, Breugelmans, & Schalk-‐Soekar, 2008).
Ao nível ideológico, o multiculturalismo é concetualizado entre a ética política e religiosa, o que pode incluir obrigações no que respeita ao grau de tolerância e respeito mútuo, assim como permitir aos grupos étnico-‐culturais manterem a sua herança cultural. É uma ideologia referente à aceitação de diferentes culturas numa sociedade, assim como ao suporte ativo dessas diferenças culturais pelos membros dos grupos maioritários e minoritários (Schalk-‐Soekar, Van de Vijver, & Hoogsteder, 2004).
Ao nível político, a legislação e a execução governamental são um exemplo de como a diversidade é gerida politicamente, e dos tipos de intranquilidades que estas geram entre grupos. A garantia de equidade no acesso aos recursos, a redução da discriminação e a remoção de barreiras para um livre acesso à totalidade das atividades socioeconómicas constituem a "marca" da política inclusiva (Berry et al.,
1977). Ou seja, o multiculturalismo descreve uma política que valoriza e acolhe uma sociedade culturalmente plural (Tip et al., 2012).
O multiculturalismo pode também ser assumido como um conceito psicológico, i.e., uma atitude relacionada com a ideologia política que se refere à aceitação e suporte para uma composição culturalmente heterogénea da população de uma sociedade (Van de Vijver et al., 2008). Na sua forma mais básica, o termo refere-‐se à presença de diversas culturas dentro de uma instituição, organização ou Estado-‐Nação (Howarth & Andreouli, n.d.). No entanto, estas definições de multiculturalismo devem ter em consideração como a diversidade é assimilada, quer por indivíduos, quer por organizações. As políticas a nível nacional oferecem uma perspetiva sobre o multiculturalismo, mas os fatores psicológicos individuais e grupais, incluindo atitudes em relação à diversidade e a vontade em manter um contacto intercultural são igualmente importantes (Leong & Liu, 2013). De um modo genérico, o multiculturalismo pode ser visto como uma condição demográfica, como resultado do aumento da mobilidade humana e do contacto intercultural (Howarth & Andreouli, n.d.).
O multiculturalismo não é, nem um constructo monolítico, nem uma função linear das ideologias individuais -‐ a influência do contacto intercultural numa sociedade plural raramente é independente do seu ambiente sociopolítico embora algumas conjunturas sejam similares em vários continentes (Leong & Liu, 2013). A noção de multiculturalismo depende, muitas vezes, do contexto social, bem como do tipo de grupos étnico-‐culturais em estudo (e.g., nativos versus imigrantes). As normas sociais bem como os valores que regulam o compromisso intercultural, estão nalgumas sociedades, em constante evolução, noutras vai-‐se procedendo à gestão da diversidade cultural (Arnett, 2002).
Enquanto a globalização se vai disseminando (Ritzer, 2011), a habilidade dos países para suprimir ou apagar as diferenças culturais continua comprometida (Arnett, 2002). Veja-‐se como exemplo – as guerras na Síria, em Israel e Faixa de Gaza, Rússia e Ucrânia, o terrorismo Jhiadista, a crise financeira global, a situação vivida na
Alemanha, relacionada com o movimento “Pegidas”1, ou os atentados ao semanário
francês Charlie Hebdo2 – estas situações têm influenciado negativamente as atitudes
multiculturais. Aliás, desde os atentados terroristas do 11 de setembro em Nova Iorque, que a problemática da multiculturalidade se intensificou quer na América do Norte quer na Europa. De acordo com dados do PEW (2002, Global Attitudes Project), as respostas obtidas à pergunta “Considerando a atual situação do seu país, a influência dos imigrantes é boa ou má?”, cerca de 43% dos inquiridos Americanos responderam “má/negativa” e 49% responderam “positiva/boa”. Contudo, a maioria dos inquiridos Europeus (ainda antes dos atentados em Londres e Madrid) sente que a influência dos imigrantes é negativa3.
Em última análise, o multiculturalismo é alcançado em pleno, quando fatores demográficos, sociopolíticos e psicológicos convergem para a manutenção da herança cultural entre vários grupos étnicos e religiosos, incentivada pela promoção do contacto positivo entre grupos e uma participação justa e equitativa na sociedade em geral (Berry, 2006).
Na última década, estudos sobre o multiculturalismo, realizados em vários países, mostraram existir alguma variabilidade decorrente do maior ou menor apoio dado às políticas favoráveis ao multiculturalismo.
1 Movimento “Pegidas” (Europeus Patrióticos contra a Islamização do Ocidente). Este movimento reuniu
na Alemanha, mais de 18 mil pessoas que participaram num protesto contra os níveis elevados de imigração e a crescente influência do Islão no país. Em resposta, a chanceler alemã, Angela Merkel declarou "A extrema-‐direita, a hostilidade em relação aos imigrantes e o antissemitismo não devem ser permitidos na nossa sociedade", e o ministro das finanças, Wolfgang Schäuble, afirmou que "a Alemanha precisa de imigrantes e deve ter coração para acolher os refugiados em situação de necessidade" (“Alemanha. As luzes fazem contramanifestação”, 2015).
2 A 7 de janeiro de 2015 em Paris, o jornal satírico Charlie Hebdo foi alvo de um atentado terrorista do
qual resultaram doze mortos e cinco feridos graves. Este atentado foi realizado como forma de protesto contra a edição Charlie Hebdo, que causou polémica no mundo islâmico e foi recebida como um insulto aos muçulmanos.
3 (França: positiva – 46%, negativa -‐ 50%; Grã-‐Bretanha: positiva – 37%, negativa – 50%; Alemanha:
positiva – 35%, negativa – 60%; Itália: positiva -‐ 25%, negativa – 67%; Polónia: positiva – 24%, negativa – 45%).
Por exemplo, atitudes neutras ou de indiferença foram encontradas na Alemanha (Zick, Wagner, Van Dick, & Petzel, 2001), nos Estados Unidos (Citrin, Sears, Muste, & Wong, 2001), na Austrália (Ho, 1990) e na Holanda (e.g., Breugelmans & Van de Vijver, 2004; Schalk-‐Soekar, 2007; Van de Vijver et al., 2008). Enquanto que no Canadá se encontrou uma atitude ligeiramente positiva relativamente a políticas favoráveis ao multiculturalismo (Berry & Kalin, 1995), em Espanha (Medrano, 2005) e no Reino Unido (Heath & Tilley, 2005), a atitude é menos favorável.
Nos últimos anos cruzaram-‐se e compararam-‐se pela primeira vez os resultados dos estudos sobre multiculturalismo realizados em vários países. Leong e Ward (2006) usaram dados do Eurobarómetro 2000 para analisar as relações ao nível dos países entre multiculturalismo e indicadores socioeconómicos (como nível de desenvolvimento económico e densidade populacional) e as orientações de valores culturais de Schwartz e Hofstede. Amostras ao acaso da população adulta foram recolhidas em quinze países (e.g., Áustria, Bélgica, Portugal, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Grécia, Itália, etc.). Os resultados indicaram que as dimensões masculinidade, distância ao poder, evitamento da incerteza e coletivismo estavam diretamente ligadas a um apoio mais fraco das políticas favoráveis ao multiculturalismo. A masculinidade e as atitudes de superioridade e domínio surgiram também associadas a um maior pessimismo face ao multiculturalismo. Segundo os autores, os valores culturais e as dimensões de Hofstede em particular, são um melhor preditor das atitudes face aos imigrantes do que os fatores socioeconómicos. De um modo geral, os estudos indicam que nos países com uma história de pluralidade cultural (e.g., Canadá, Nova Zelândia), o multiculturalismo funciona, embora com algumas limitações. O desafio está na necessidade de desenvolver novas soluções para uma mudança na gestão da diversidade cultural (Leong & Liu, 2013).