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Kapittel 7: Drøftinger, empiriske og teoretiske implikasjoner

7.6 Konklusjon

Nas últimas décadas, o Brasil passou por importantes transformações. Experimentou ciclos de crescimento inicialmente motivados por um esforço de substituição das importações. Momentos de crescimento rápido foram alternados com estagnação e crises. Atualmente, transformou-se em uma importante economia, mas ainda pouco competitiva e pouco aberta ao exterior.

Segundo Blumenschein (2004), os países com industrialização tardia acabaram por desenvolver um padrão de dependência tecnológica em relação aos países mais desenvolvidos. Freeman (apud BLUMENSCHEIN, 2004) caracteriza esse processo como Inovação incremental, um sistema com deficiências identificadas por Viotti (1997a) como a industrialização tardia, mudança tecnológica limitada ao aprendizado; estrutura industrial incompleta e mudança tecnológica dependente de crescimento.

No Brasil, esse fato marca uma trajetória tecnológica focada no aprendizado contínuo e não uma trajetória que privilegia a inovação, dificultando a inserção de novas tecnologias - principalmente atreladas a qualquer estigma - como é o caso das construções com terra.

No que se refere à ciência e tecnologia, o Brasil tem apresentado crescimento importante na produção de artigos científicos, em números absolutos. Segundo o Ministério da Ciência e Tecnologia, o país já participa com 1,9% da produção mundial. Contudo, os tem aproveitado pouco para criar e introduzir inovações ou à apropriação social.

Embora a questão da inovação tenha sido introduzida no país no início da década de 1990, ela somente mostrou-se acentuada quando associada às atividades de pesquisa, antes percebidas sem conexões claras com os processos de desenvolvimento (ALBUQUERQUE et al., 2005). O posicionamento favorável da ABIPTI (Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica), defendido ao longo de sua história, foi retomado pelo PADCT III (Programa de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico),

em sua terceira fase, iniciada em 1996. Neste momento, o cenário nacional passa a alavancar discussões mais abrangentes acerca da inovação.

Em 2004, foi aprovada a Lei de Inovação, a Lei nº. 10.937, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo. O marco regulatório, descrito pelo Ministério de Ciência e Tecnologia, está estruturado em três vertentes, a saber: constituição de ambiente propício às parcerias estratégicas entre as universidades, institutos tecnológicos e empresas (I); estímulo à participação de instituições de ciência e tecnologia no processo de inovação (II); incentivo à inovação na empresa (III).

Nesse contexto, Albuquerque et al. (2005) afirmam haver ainda um equívoco comum que pode ser identificado nas políticas governamentais, que tem sido a falta de entendimento sistêmico da tecnologia, valorizando unicamente a dimensão do conhecimento técnico-científico, sem integrá-la com as demais dimensões: política, econômica, sociocultural e relações externas de interdependência, por exemplo.

No intuito de elucidar a diversidade de agentes e variáveis que podem ter influência no processo de introdução de inovações e nas suas possibilidades de difusão, os autores mencionam os seguintes:

 estabilidade econômica, pois as possibilidades de ganhos comerciais são neutralizadas e os riscos envolvidos na introdução de inovações são aumentados em ambientes instáveis ou altamente inflacionários;  regime de concorrência, que regula a competição entre empresas e

as pressiona na busca de vantagens sobre seus competidores, pela introdução pioneira de novos produtos ou processos;

 identificação das demandas do mercado de bens e serviços, cuja capacidade de aproveitamento pode depender da introdução de inovações ou da adoção de tecnologias já disponíveis;

 educação dos consumidores e suas exigências, tanto no que se refere às condições de preço e qualidade, quanto às de procura e capacidade de compra de produtos e serviços especiais;

 capacidade e estratégias de regulação do Estado, como a política econômica, que pode intensificar ou diminuir a concorrência, estimulando ou reduzindo a necessidade de incorporação do progresso técnico como diferencial de competição;

 direitos de propriedade intelectual ou de exploração comercial para introduzir instrumentos de proteção aos agentes inovadores;

 qualificação dos trabalhadores, necessária à aprendizagem e à incorporação de novas tecnologias;

 atitude e capacidade de resposta da base técnico-científica instalada, que podem limitar ou favorecer a cooperação e a transferência de conhecimentos;

 capacidade de antecipação do progresso técnico-científico (prospectiva) na busca das vantagens do pioneirismo;

 aspectos socioculturais, que determinam os valores reais ou percebidos por uma comunidade (segmentação de mercado), que influenciam suas reações e atitudes em relação a determinados bens e serviços;

 capacidade de poupança e investimentos de uma sociedade, isto é, existência de investidores em busca de oportunidades, com disposição para realizar aplicações de risco;

 infra-estrutura de serviços técnico-científicos (metrologia, normatização, certificação de conformidade e de qualidade, informação), que pode limitar ou facilitar a aprendizagem tecnológica e a introdução de inovações;

 existência de lideranças e capacidade de gestão;

 estratégias de competição das empresas, que podem ser agressivas quanto à introdução de inovações ou mais conservadoras (imitativas, defensivas ou retardatárias no processo de incorporação de novas tecnologias.

No tema em questão, a disponibilidade de conhecimento e a existência de competências geram potencial (tendência) para as possibilidades de inovação. Outrossim, mesmo com a disponibilidade de recursos materiais e financeiros, interferências gerenciais negativas podem vir a limitar essas possibilidades. E, finalmente, mesmo que a atitude se revele positiva e os recursos suficientes, a introdução de novas tecnologias poderão ser travadas pelas emoções das pessoas envolvidas, pelas competências disponíveis e pelo estoque de conhecimentos existentes.

A interação entre os agentes pode ser equiparado com o Modelo Evolutivo2, que envolve um circuito formado por três processos, genericamente denominados como político, estratégico e operacional e considera a relação, duas a duas, entre seis categorias: objetivos x possibilidades, requisitos x meios e resultados obtidos x respostas desejadas.

Figura 2. Representação do Modelo Evolutivo. Fonte: ALBUQUERQUE et al., 2005.

Schumpeter (apud ROCHA, 2003), em sua Teoria do Desenvolvimento Econômico, propõe que o desenvolvimento da economia de um modelo estacionário só é possível com o rompimento da situação de equilíbrio, em cujo papel do empresário inovador é fundamental. Para ele, empresário inovador é o

2

A forma sistêmica adotada tem origem no Modelo Evolutivo citado por Albuquerque et al. (2005), onde consideram que “os potenciais geradores de tendências ou de movimentos estabelecem a direção de evolução dos processos, mas também seus limites”.

agente que, por meio das mais eficientes combinações, introduz no mercado novos produtos e induz os consumidores a desejá-los. Entretanto, isoladamente, as atitudes dos empresários não são suficientes para criar as condições de desenvolvimento econômico. O ambiente adequado precisa ser competitivo e dispor de vários outros condicionantes, incluindo a interferência do poder de regulação do Estado. Ademais, o processo depende da formação de parcerias entre os segmentos público e privado.

As inovações tecnológicas compreendem processos complexos e dinâmicos e que, geralmente, não podem ser descritos por modelos lineares e diretos, baseados em relações simples de causa e efeito. A compreensão do maior número de implicações entre todos os atores pertinentes e a identificação de possíveis convergências de interesses é fundamental para que se possa fazer uma análise de condições locais com relação às possibilidades de introdução tecnológica.

De forma sintética, Albuquerque et al. (2005) descrevem os papéis dos agentes que atuam em diferentes setores do processo de inovação, os quais podem ser classificados de acordo com as seguintes categorias:

 Político/ normativo: mercado de consumo de bens e serviços (consumidores em geral); sistema de produção, usuários de bens e serviços intermediários; regimes de concorrência; e Estado, com seu poder de regulação para promover inovações e que extrapola as regras do mercado.

 Estratégico: sistema educacional; infra-estrutura de pesquisa e desenvolvimento (base técnica e científica), representada pela população de pessoal qualificado, pela infra-estrutura e recursos disponíveis; agências de fomento; sistema financeiro; infra-estrutura tecnológica compreendendo os serviços tecnológicos.

 Operacional: organizações que apropriam e empregam os conhecimentos gerados

Figura 3. Representação do Sistema de Inovação. Fonte: ALBUQUERQUE et al., 2005.

Na presente pesquisa, quando tratada a área de estudo, foram abordados, inicialmente, os agentes político/normativos e os agentes estratégicos do processo de Inovação. No âmbito operacional, como ainda não existe uma empresa específica, que responda ao mercado ou objetive a criação de um nicho, serão tratados requisitos de viabilidade técnica para a criação da mesma, dentro das condições locais de inovação.