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4. Hvor mange barn?

4.2. Gjennomsnittlig barnetall

Neste capƒtulo foram analisados alguns elementos de tr„s diferentes obras de Freud: “Totem e Tabu” (FREUD, 1913/1996), “Psicologia de Grupo e Análise do Ego” (FREUD, 1921/1996) e “Mal-Estar na Civilização” (FREUD, 1930/1996). Optou-se pelas tr„s por serem representativas do pensamento sociol•gico do autor e por trazerem aprofundamentos no que tange a rela‚€o entre indivƒduo e sociedade.

N€o houve a pretens€o de se fazer uma anˆlise pormenorizada de todos os elementos expostos nas tr„s obras, mas sim trazer em destaque quest‡es pertinentes aos objetivos da pesquisa, os quais s€o: 1. Identificar como as categorias indivƒduo e sociedade se relacionam e s€o teorizadas em Freud; 2. Refletir sobre tais elementos a partir da Teoria Crƒtica proposta pela primeira gera‚€o da Escola de Frankfurt. Para tanto, foram destacados dois elementos que perpassam as tr„s obras e s€o trabalhados sob diversas perspectivas pelo autor: a crƒtica Š cultura e a ambival„ncia emocional. Todavia antes da apresenta‚€o de como tais concep‚‡es s€o teorizadas na psicanˆlise, faz-se necessˆrio uma digress€o para se apresentar algumas reflex‡es dos frankfurtianos acerca da rela‚€o entre indivƒduo e sociedade, assim como sua interpreta‚€o da psicanˆlise.

Adorno (1955/1991) se coloca veementemente contra as tentativas de uni€o entre os conceitos da Sociologia e da Psicologia, pois as contradi‚‡es entre os objetos (indivƒduo e sociedade) n€o seriam fruto da falta de desenvolvimento te•rico, mas da pr•pria realidade concreta. Explica‚‡es psicol•gicas do social seriam inadequadas por n€o trazerem nenhum conflito real entre o particular e o geral, entre o processo vital (social) e o individual, tal organiza‚€o te•rica resolve harmonicamente, no campo conceitual, contradi‚‡es sociais. Dessa maneira, n€o se pode superar a falsa consci„ncia por decreto metodol•gico, pois a contradi‚€o fundante ‰ da realidade concreta e material. Sociedade e seres humanos est€o alienados entre si e a respeito da totalidade, n€o conseguindo reconhecer-se um no outro. As rela‚‡es sociais coisificadas apresentam os seres humanos como algo em si mesmos. Portanto, para o autor a verdade n€o estˆ na unilateralidade e nem na sƒntese pluralista, portanto uma psicologia, como a psicanˆlise freudiana, que se preocupa exclusivamente com o indivƒduo e suas heran‚as arcaicas, n€o querendo saber da sociedade pode trazer elementos importantes a respeito da fatalidade social.

Freud restringe sua teoria ao Œmbito da vida privada, dos conflitos familiares, da esfera do consumo usando termos econ•micos, teorizando a respeito da forma como o campo de for‚as propriamente psicol•gicas se insere nas sociedades administradas: no setor privado, n€o tendo ascend„ncia sobre a produ‚€o material. O indivƒduo ao existir como algo separado da dinŒmica da sociedade, devido Š aliena‚€o entre ambos, se desenvolve a partir de si mesmo, mas reproduzindo a patog„nese (“doen‚a” da sociedade) da totalidade social.

Em “La Revison del Psicanalisis” (ADORNO, 1942/1971) Adorno destaca que Freud tinha raz€o exatamente onde pensava que n€o a tinha. A for‚a da psicanˆlise se alimenta de sua cegueira frente Š cis€o entre psicologia e sociologia, que ‰ resultado da aliena‚€o dos homens frente a processos sociais. Ela expressa adequadamente, com sua concep‚€o atomƒstica1 de subjetividade, uma realidade social em que os homens de fato foram atomizados e divididos uns dos outros por um abismo (a ideologia liberal que preconizava que cada indivƒduo deveria cuidar de seus pr•prios interesses, a partir dos quais haveria o “progresso” da sociedade).

Para o autor o m‰todo freudiano penetra nas profundezas arcaicas do indivƒduo tornado-as absolutas, de maneira que s• est€o vinculadas Š totalidade social pela paix€o e necessidades vitais. Freud aceitou com facilidade a estrutura monadol•gica da sociedade, ou a ideologia liberal de busca de interesses individuais. Assim ‰ possƒvel destacar um elemento metodol•gico utilizado por Freud e que ‰ passƒvel de crƒtica, mas ao mesmo tempo como destaca Adorno (1942/1971) e Marcuse (1955/1999) possibilitou ao autor encontrar os mecanismos de controle social nos mais rec•nditos de cada indivƒduo e que s€o percebidos como individuais n€o sociais. O m‰todo de anˆlise de fen•menos sociais, em Freud, ‰ marcado pelo uso do metro do liberalismo para interpretar a hist•ria e a sociedade. Ele toma categorias liberais e burguesas como indivƒduo e famƒlia para interpretar toda a hist•ria da humanidade. Ressalta-se que o indivƒduo como pensado no liberalismo e tomado como m•nada psƒquica passa a existir socialmente e ser valorizado a partir das revolu‚‡es burguesas2. Jˆ a famƒlia ‰ uma institui‚€o pr‰-liberal e pr‰-burguesa, mas que foi transformada pela ideologia e pela ascens€o de tal classe social. Portanto, ao apresentar as anˆlises das obras hˆ a possibilidade de demonstrar como tal m‰todo ao mesmo tempo em que contribui com a ideologia, pode conter elementos de crƒtica a ela. Ao colocar o indivƒduo como eixo ou

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O homem freudiano ‰ relativamente fechado em si mesmo, ao mesmo tempo em que a exist„ncia individual de cada paciente ‰ levada em conta no processo de teoriza‚€o da psicanˆlise. Assim, cada indivƒduo ‰ considerado particularmente ou atomisticamente e separado do todo.

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Em “Dialética do Esclarecimento” (HORKEHEIMER e ADORNO, 1944/1985), Adorno e Horkheimer prop‡em que o prot•tipo do indivƒduo burgu„s jˆ pode ser encontrado na Gr‰cia, especialmente na Odiss‰ia de Homero.

centro da hist•ria Freud transforma-o em elemento de crƒtica ao processo social e civilizat•rio, todavia tal crƒtica torna-se romŒntica, por negar a pr•pria hist•ria, ou a realidade hist•rica da insignificŒncia do indivƒduo no capitalismo tardio. Dessa maneira, Adorno (1942/1971) destaca que na constitui‚€o da exist„ncia, as rela‚‡es entre os homens n€o s€o produzidas pelo livre-arbƒtrio, nem pelos instintos, mas pelas leis sociais e econ•micas, que os homens percebem individualmente como pr•prias. Se a psicologia se humaniza perante a crueldade de tal processo (impossibilidade da liberdade individual frente a processos sociais e econ•micos), torna-se id•nea para com a sociedade. Adorno, no mesmo texto, ressalta que Freud se enquadra entre os sombrios pensadores que insistem na maldade e incurabilidade da natureza humana, proclamando a necessidade da autoridade, entre eles estariam tamb‰m: Hobbes, Mandeville e Sade. Estes foram acusados de serem reacionˆrios e n€o s€o bem recebidos por sua classe social, todavia, trouxeram o lado oculto ou negativo da rela‚€o entre indivƒduo e sociedade, expondo a ideologia.

Al‰m do mais, para Adorno (1942/1971) os revisionistas de Freud lhe acusam de falta de amor, por‰m nenhum pensador ou artista progressista escaparia a tal reprova‚€o por tomar amargamente a s‰rio a utopia e sua realiza‚€o. Freud n€o ‰ um ut•pico, mas ao olhar a realidade, tal como aparece na crueldade das rela‚‡es de troca de equivalentes do sistema capitalista, n€o se deixou enganar por ela. Querendo libertar do cativeiro os elementos do melhor que est€o nela encerrados, chegou Š dureza das p‰treas rela‚‡es para romp„-las. A frieza de Freud com os pacientes faz crƒtica ao amor, enquanto instrumento psicot‰cnico, deixando exposto que este s• pode existir enquanto resist„ncia ao existente. Adorno conclui que o amor que transcende o cƒrculo das rela‚‡es de troca cont‰m certa dose de desesperan‚a, talvez a hostilidade freudiana em rela‚€o ao homem fosse express€o do amor desesperan‚ado deste e a •nica express€o de esperan‚a que ainda reste Š humanidade.

Totem e Tabu” (FREUD, 1913/1996), “Psicologia de Grupo e Análise do Ego” (FREUD, 1921/1996) e “Mal-Estar na Civilização” (FREUD, 1930/1996) s€o express€o do desencantamento ou amor desesperan‚ado de Freud; hˆ nessas obras um percurso te•rico de Freud de crƒtica Š sociedade. Nelas aspectos interessantes da rela‚€o indivƒduo e sociedade s€o tratados em diferentes perspectivas. Na primeira o autor cria um “mito cientifico” sobre a g„nese da cultura, procurando associˆ-la ao conceito fundamental e a pedra angular da psicanˆlise freudiana, o Complexo de •dipo, por meio da busca das raƒzes antropol•gicas e sociais de tal teoriza‚€o. O autor a partir da anˆlise de tribos ditas primitivas encontra nas institui‚‡es do totem e do tabu elemento para a constru‚€o de seu “mito cientƒfico” a respeito da origem da cultura. Na segunda obra, o autor encontra a forma como altera‚‡es do modelo

capitalista afetaram a forma‚€o do indivƒduo, criando mecanismos para aplacar o que foi denominado de ambival„ncia emocional: a identifica‚€o dos indivƒduos entre si e com os lƒderes nas massas. Jˆ a terceira obra discute os efeitos das contradi‚‡es sociais em cada indivƒduo e a forma como a cultura maneja tal realidade na forma‚€o dos indivƒduos.

As anˆlises foram divididas em duas partes, a primeira privilegia a crƒtica de Freud a cultura e aos aspectos repressivos e de domina‚€o desta, jˆ a segunda analisa como as contradi‚‡es da cultura tornam-se subjetividade, privilegiando a anˆlise da ambival„ncia emocional.

2. 1. – Indivˆduo e Sociedade em Freud: A Media„‡o da Cultura.

Como jˆ exposto nos capƒtulos anteriores, altera‚‡es nas esferas econ•micas da sociedade (da produ‚€o material e nova organiza‚€o do capital) geraram profundas altera‚‡es na cultura nos s‰culos XIX e XX. As mudan‚as no capitalismo refletiram-se tamb‰m na cultura e demonstram o aspecto violento, repressivo, totalitˆrio e antiprogressista desta. O lado negativo da cultura foi exposto no s‰culo XX com a barbˆrie dos movimentos totalitˆrios. Tais aspectos podem ser encontrados na obra de Freud, que demonstram um processo de desencantamento e crƒtica aos rumos do desenvolvimento. Horkheimer e Adorno (1944/1985) ao analisarem a “Odisséia” de Ulisses afirmam que tais aspectos da cultura jˆ estavam presentes desde o princƒpio dela, portanto pode-se pensar na intensifica‚€o de tal processo no s‰culo XX.

A cultura em Freud (1930/1996) apresenta um duplo carˆter, tendo a finalidade de proteger os homens da natureza (unindo-os em organiza‚‡es sociais cada vez mais complexas) e regula‚€o das rela‚‡es entre os homens. Ao tentar alcan‚ar tais metas, ela torna- se totalitˆria, no sentido da n€o possibilidade do particular, ou seja, transforma o universal em total abrindo m€o da particularidade. A singularidade perde importŒncia perante processos culturais, Crochik (1998) destaca que a subjetividade possui diversas dimens‡es, entre elas o sujeito do saber e o sujeito psƒquico, que estariam em processo de fus€o e “invas€o” em sociedades totalitˆrias. Assim, de maneira bastante intuitiva hˆ na psicanˆlise freudiana a den•ncia da invas€o de esferas particulares da exist„ncia pela cultura (ADORNO, 1942/1971, 1955/1991 e MARCUSE, 1955/1999, 1956/1998).

Para ilustrar tal quest€o, nesta se‚€o quatro elementos da crƒtica de Freud Š cultura foram destacados, os quais s€o: a viol„ncia desta, seu carˆter repressivo, o carˆter totalitˆrio acentuado nas transforma‚‡es do capitalismo e a n€o fus€o dos ideais de cultura com progresso.

Esses elementos servir€o de base ao estudo da ambival„ncia emocional, um aspecto subjetivo da vida do homem em sociedade, que nessa pesquisa ‰ remetida Šs pr•prias contradi‚‡es da cultura, que aparece como mediadora da rela‚€o entre indivƒduo e sociedade e acaba por inverter sua fun‚€o hist•rica quando abandona a finalidade de uma vida digna para todos os homens, revelando seu aspecto negativo. Ela acaba sendo usada como instrumento de domina‚€o e justifica‚€o da ideologia, inicialmente por uma classe social, mas na atual configura‚€o polƒtica e econ•mica, tornando-se independente dos pr•prios homens.

A viol„ncia da cultura aparece em “Totem e Tabu” (FREUD, 1913/1996). Na obra Freud funde os prim•rdios da cultura ao da sociedade, moralidade e religi€o. Ele parte da hip•tese de Charles Darwin de que originalmente os homens viveriam, assim como os sƒmios superiores, em pequenos grupos ou hordas, nas quais o ci•me do macho mais velho e forte impediria a promiscuidade sexual. O lƒder da horda teria quantas f„meas pudesse cuidar. Quando os machos do grupo cresciam, haveria uma disputa pelas f„meas, nas quais, geralmente, o macho mais forte matava ou expulsava os mais novos da comunidade. Os machos mais novos, expulsos vagueavam at‰ encontrar uma f„mea, quando o conseguiam proibiam a endogamia no grupo pelas mesmas prˆticas.

Certa feita os irm€os expulsos retornaram, mataram o pai e comeram a sua carne. Unidos eles fizeram o que fora impossƒvel realizar individualmente. O violento e temido pai primevo fora o modelo de cada um dos irm€os. O ato de devorˆ-lo implicaria na tentativa de identifica‚€o e assumir as mesmas caracterƒsticas dele:

O violento pai primevo fora sem d•vida o temido e invejado modelo de cada um do grupo de irm€os: e, pelo ato de devorˆ-lo, realizavam a identifica‚€o com ele, cada um deles adquirindo uma parte de sua for‚a. A refei‚€o tot„mica, que ‰ talvez o mais antigo festival da humanidade, seria assim uma repeti‚€o, e uma comemora‚€o desse ato memorˆvel e criminoso, que foi o come‚o de tantas coisas: da organiza‚€o social, das restri‚‡es morais e da religi€o.(FREUD, 1913/1996, p. 146).

A viol„ncia dos irm€os em rela‚€o ao lƒder desp•tico da horda teria dado inƒcio Š organiza‚€o dos homens em sociedade, ao mesmo tempo em que teria criado a cultura. Tais concep‚‡es s€o passƒveis de questionamento: primeiramente na impossibilidade da verifica‚€o hist•rica de tais acontecimentos, Adorno (1955/1991) afirma que nesse mito o intramental facilmente ‰ transformado em faticidade hist•rica. Outro aspecto a ser

questionado refere-se Š concep‚€o do autor de que tal ato tenha dado inƒcio Š sociedade e Š cultura, pois os homens jˆ se organizavam em hordas e havia um lƒder desp•tico, ou seja, jˆ se percebia em tais configura‚‡es elementos de uma organiza‚€o social, cultural e moral.

Seria mais coerente afirmar em uma perspectiva psicanalƒtica que tais eventos marcam uma transforma‚€o na organiza‚€o social, polƒtica e cultural na hist•ria da humanidade, independente da verdade hist•rica de tal concep‚€o. Pode-se dizer, a partir de uma perspectiva sociol•gica, polƒtica e at‰ mesmo hist•rica, que alegoricamente as transforma‚‡es na forma‚€o do indivƒduo na passagem para o capitalismo tardio s€o apresentadas por Freud. N€o se deve supor que o autor percebia tais altera‚‡es, pois n€o se dedicava em seus estudos a assuntos da economia polƒtica, mas deve-se levar em considera‚€o a grande sensibilidade de Freud Šs mudan‚as hist•ricas. Adorno (1951/2006) prop‡e que ele teria conseguido perceber a partir de categorias psicol•gicas, sem se interessar por acontecimentos polƒticos, fen•menos sociais importantes. Portanto, alegoricamente o mito de “Totem e Tabu” pode ser representativo na passagem da organiza‚€o social da ideologia liberal clˆssica, a sociedade formada por indivƒduos, sendo o pai da horda o prot•tipo destes, para sociedades administradas. Nessas, os indivƒduos passam a pertencer Šs massas, de maneira que a organiza‚€o dos irm€os para o assassinato do pai, formando uma horda fraterna, na qual o todo dominaria sobre cada um, representaria a nova ordem social. Com isso o todo se torna totalitˆrio, n€o abrindo espa‚o para o particular.

Ao mesmo tempo, um elemento importante da crƒtica de Freud Š viol„ncia da cultura pode ser encontrado na obra. Independente do momento hist•rico em que cultura e sociedade s€o fundadas, as institui‚‡es fariam viol„ncia ao indivƒduo. Freud remete os prim•rdios delas a um assassinato, a partir do qual os homens teriam se organizado para realizar um objetivo comum, mesmo que egoisticamente, do qual todos foram privados. Assim, o autor remete Š viol„ncia os prim•rdios da sociedade, n€o apenas em rela‚€o ao pai da horda, mas a todos os membros do cl€ nos seus desejos.

A cultura aparece na obra com a finalidade de evitar desejos incestuosos e agressivos do homem, portanto faz viol„ncia a cada indivƒduo. A viol„ncia da sociedade, mediada pela cultura, aos indivƒduos ‰ destacada por Freud, por‰m justifica-se de tal processo ao defender o carˆter violento da cultura perante impulsos moralmente condenˆveis. Hˆ de se pensar, se as metas pulsionais s€o meramente incestuosas e agressivas ou denunciam como afirma Marcuse (1955/1999), a nega‚€o e domina‚€o do princƒpio de prazer subjugado ao princƒpio de realidade nas sociedades industriais. O autor sugere que sem coer‚€o as metas pulsionais poderiam ser totalmente distintas, ou seja, sem a viol„ncia da cultura sobre as puls‡es (que

guardam em si um amˆlgama entre natureza e cultura), estas poderiam ter outras metas. Adorno em “Educa‚„o – Para QuŠ?” (ADRONO, 1971/2003) destaca a importŒncia da adapta‚€o para a vida em sociedade, mas faz crƒtica a redu‚€o da exist„ncia a tal aspecto e Š autoconserva‚€o.

Em “Psicologia dos Grupos e Anƒlise do Ego” (FREUD, 1921/1996) a viol„ncia da cultura aparece com o manejo do que ‰ denominado de ambival„ncia emocional (ou seja, da psicologia individual) para transformar indivƒduos em massas e grupos. A cultura por sua viol„ncia n€o possibilita a exist„ncia individual dos homens e torna processos psicol•gicos individuais em elementos de ades€o Šs massas.

O autor destaca que o grupo, por meio de mecanismos de intensifica‚€o de emo‚‡es geradas pela regress€o dos indivƒduos, impressiona pela despropor‚€o de poder. Cada integrante sente o perigo de se colocar em oposi‚€o a tal institui‚€o ao mesmo tempo em que tem a possibilidade de “descarregar” a agressividade (sentida pelas inibi‚‡es impostas pela cultura e direcionada aos exogrupos). Assim, cada participante de grupos pode se arrojar da consci„ncia e entregar-se Š atra‚€o do prazer obtido com o afastamento das inibi‚‡es. Segundo Adorno (1951/2006) e Marcuse (1956/1998) tais mecanismos s€o utilizados no fascismo com a finalidade de manipula‚€o e domina‚€o dos homens nas novas configura‚‡es do capitalismo. Al‰m do mais, denunciam a regress€o da forma‚€o dos indivƒduos no capitalismo tardio.

Pode-se destacar tamb‰m da obra que a rela‚€o indivƒduo e sociedade ‰ sempre regressiva ao primeiro, pois este tem que viver toda a vida sob a ‰gide de desejos infantis de amor e reconhecimento que n€o s€o passƒveis de realiza‚€o em sociedade. Ainda mais, com as transforma‚‡es do capitalismo que geram a regress€o e o empobrecimento da consci„ncia dos indivƒduos.

Jˆ em “Mal-Estar na Civiliza‚„o”3 (FREUD, 1930/1996), Freud faz uma crƒtica mais aguda Š viol„ncia da cultura ao afirmar que a felicidade n€o faz parte dos planos da civiliza‚€o, ao ponto de que se n€o houvesse a preocupa‚€o com tal meta o processo civilizat•rio “avan‚aria”. Entretanto, o mal-estar sentido pelos homens na cultura denuncia a transforma‚€o desta de elemento de frui‚€o de necessidades para instrumento de domina‚€o.

Os homens desejam a frui‚€o na vida e tal meta poderia ser alcan‚ada tanto pela tentativa de intensos sentimentos de prazer como pela fuga do sofrimento ou do desprazer (a

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A palavra alem€ Kultur apresenta a ambival„ncia de se referir tanto Š civiliza‚€o como Š cultura, todavia as anˆlises feitas por Freud nessa obra sugerem que o termo mais indicado na tradu‚€o seria cultura. Portanto, na disserta‚€o foi feita Š op‚€o pelo uso do termo cultura e n€o civiliza‚€o.

felicidade estˆ associada Šs estas duas metas). Ao se desenvolver e entrar em contato com a cultura as crian‚as aprendem a subjugar, mediante as conting„ncias da realidade, o princƒpio de prazer impondo-se o princƒpio de realidade.

A infelicidade para Freud ‰ proveniente de tr„s fontes: do corpo em constante dissolu‚€o, do mundo externo e dos relacionamentos com outros homens. • interessante notar que o autor n€o faz derivar nenhum desses motivos de fontes meramente psicol•gicas, e os dois •ltimos fatores est€o intimamente associados Š cultura, sendo o primeiro decorrente do envelhecimento, tamb‰m mediado pela cultura na sua rela‚€o com a morte. Na obra fica claro o aspecto de causa de sofrimento, como tamb‰m viol„ncia que a cultura exerce sobre os indivƒduos.

Dentre as possibilidades de sofrimento o autor destaca tr„s, as quais s€o: o poder superior da natureza, a fragilidade dos corpos e a inadequa‚€o das regras que procuram ajustar as rela‚‡es dos seres humanos na famƒlia, sociedade e Estado (ou seja, a cultura). As duas primeiras s€o passƒveis de controle pela cultura devido ao desenvolvimento da t‰cnica, mas a terceira gera perplexidade em Freud que n€o consegue identificar o motivo dos regulamentos humanos n€o trazerem prote‚€o e benefƒcio aos indivƒduos, mas ao contrˆrio serem violentos com estes.

Ao n€o conseguir identificar os motivos da viol„ncia da cultura contra os indivƒduos e na preven‚€o do sofrimento, Freud encontra uma solu‚€o que naturaliza os conflitos da