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- Gjennomsiktige vegger rundt det hellige

15.04.2007, Ana Rute Silva

Os heróis servem para combater os maus. Por isso, há crianças que ainda elegem o Super-Homem

ou o Batman como personagens favoritos

Quando a Bruna, três anos, admite que o seu herói preferido é o Noddy, Pedro, da mesma idade, não se contém. "Noddyyyy!", berra exaltado, saltando da cama onde, até há poucos minutos, esteve a dormir a sesta da tarde. Junta-se ao grupo sentado numa mesa redonda no infantário Pinheirinho Verde, em Corroios, que responde sem hesitações às perguntas sobre os heróis favoritos. "Gosto do Turbulento e da roupa do Noddy", explica, já mais sossegado.

André, que também acabou de acordar, assistiu com os pais ao espectáculo ao vivo e traz vestida uma camisola estampada com o personagem criado pela escritora britânica Enid Blyton. "Gosto dele", assume, sem mais explicações, como se fosse lógico, como se qualquer pessoa com o mínimo de inteligência só pudesse gostar do boneco de chapéu pontiagudo. O David, quatro anos, até nem elege o Noddy como favorito mas também foi com os pais ver o musical. Do tempo que passou sentado na cadeira só se lembra "das coisinhas com luzes". "Eu gosto mais dos Pokémons porque têm ataques de poder", atira. A eleição dos melhores heróis não é consensual. Tomás, um ano mais velho, diz

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mesmo que não gosta nem do Noddy, nem do Ruca "porque não têm poderes". É que os heróis precisam de características mágicas para salvar os inocentes dos maus.

Noutra sala, um grupo de crianças com cinco anos põe em questão a popularidade intocável dos simpáticos personagens. "Não gosto nada do Ruca. Ele não tem cabelo mas já é grande...", questiona Miguel com ar intrigado. Os Action Men, musculados e de ar rígido, enchem-lhe as medidas. "Enfrentam os maus. O Noddy e o Ruca não!", explica. Diogo enumera uma lista quase interminável de favoritos: Super-Homem, Batman, Homem-Aranha, Sonic (a mascote do jogo de computador da Sega), Power Rangers. O grupo de crianças que o rodeiam imita as suas preferências. "O Batman salva as pessoas e mata os bandidos", diz o Miguel. Gonçalo reforça que os heróis "salvam as pessoas todas dos maus" e garante que ele, graças ao fato de Carnaval do Batman que a mãe lhe comprou, também é capaz de fazer o mesmo. "Tenho uma coisa na roupa para ter força", explica, sem desmanchar a pose séria, como se naquele preciso instante estivesse vestido com o fato negro e asas de morcego. A Beatriz, faladora e irrequieta, elege o Sonic porque corre rapidamente, mas acrescenta a Minie e a Barbie à lista. E o Ruca e o Noddy? "Sim! Esses também gosto", exclama, rasgando um sorriso. Gonçalo insiste em falar, espeta o dedo no ar e conta que na escola há jogos com eles. "O Noddy ajuda os amigos e dá-lhes presentes", salienta. As meninas da sala concordam. "Faz coisas bem feitas", garante Beatriz. Já a Inês é fã da Floribella, daquelas que se vestiam de igual quando a telenovela da SIC estava no ar. Nessa altura, era impossível fugir ao fenómeno no infantário. "Traziam a roupa vestida, houve uma onda de Floribellas. O cartaz que está na sala foram eles que insistiram em colocar", conta Helena Balseiro, educadora de infância. A escola organiza saídas ao teatro, mas nunca aos musicais dos heróis televisivos. "Quase todos os pais levaram os filhos ao espectáculo do Ruca e do Noddy. Nós vamos onde as crianças não costumam ir: o campo, por exemplo", continua. De repente, o Pedro, de três anos, lembra-se do Bob, o Construtor. E, para garantir que ninguém se esquece dele, canta bem alto o genérico: "Eu sou o Bob, construtor; eu sou o Bob, trabalhador!"

Bonecos ou personagens de carne e osso

15.04.2007

Quem são, como são e onde aparecem os ídolos dos mais novos

Noddy

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madeira Noddy saltou dos livros e ganhou nova vida em desenho animado. O Noddy, inicialmente transmitido na RTP2 e agora no Canal Panda, vive na Cidade dos Brinquedos e guia um táxi amarelo. É um boneco bom, honesto mas demasiado inocente. Está constantemente a cometer erros, a meter- se em aventuras e a ser enganado pelos dois gnomos da cidade. Os seus amigos brinquedos ajudam- no a resolver as situações e todos os episódios realçam virtudes como a paciência, o respeito pelo outro e a importância da responsabilidade. O público – alvo são as crianças entre os dois e os cinco anos.

Ruca

O Ruca é outra das personagens preferidas dos mais novos. Os livros de histórias nasceram em 1987 e os desenhos animados surgiram dez anos depois. O Ruca tem a vida de muitas crianças de quatro anos. Vive com o pai, a mãe e a irmã Rosita de dois anos. Cada pequeno episódio relata as simples actividades do dia-a-dia do Ruca e a sua relação com a família, outras crianças e o mundo que o rodeia. Ruca faz birras e fala como uma criança da sua idade. É muito curioso, impaciente. É protector da irmã mais nova, mas acha que ela por ser mais nova acaba por conseguir fazer as coisas que lhe

são proibidas. Fica muitas vezes contrariado, mas os adultos acabam por o ajudar a perceber que muitas situações das quais desconfia podem ser divertidas.

Bob o construtor

Como o nome indica, Bob é um construtor. Vive numa cidade rural onde faz um pouco de tudo: repara canteiros e cercas, também arranja galinheiros, pinta paredes, constrói casas e pavimenta ruas. É bem-disposto, voluntarioso e tem uma grande

preocupação com a segurança. Mas é igualmente confuso e distraído - por exemplo esquece-se constantemente de ligar o telemóvel. Graças à amiga Wendy, sempre organizada e sensata, e às suas máquinas - o Escavão, o Alturas, a Beta, o Rolão e o Lagartas - Bob consegue sempre concluir as tarefas. O segredo está em acreditar que é possível, no trabalho de equipa onde cada uma das personagens ultrapassa os seus problemas e vence dificuldades.

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Floribella

É a protagonista de uma telenovela da SIC que já terminou mas que terá uma segunda versão já a partir da próxima semana. Apesar de ter 19 anos, Flor, como também é conhecida, acredita na existência de fadas e na possibilidade de alterar o destino através da magia. Começou a trabalhar cedo porque perdeu a mãe, mas é muito alegre, dinâmica, inocente e infantil para a idade. Canta e dança ao longo da telenovela, e o CD Floribella - O Melhor Natal chegou em 24 horas a disco de platina e vendeu até Março passado mais de

200 mil cópias. A sua forma de vestir característica, ténis e saias rodadas cheias de flores, criou uma nova moda infantil. O público – alvo datelenovela vai dos quatro aos 80 anos.

Leopoldina

A mascote dos hipermercados Continente surgiu numa missão de solidariedade, a Missão Sorriso, lançada no Natal de 1992. A ave amarela remete as crianças para um Mundo Encantado de Brinquedos e cumpre ainda a função de valorizar e tornar viva a marca, mantendo ao mesmo tempo uma função social, já que parte das vendas revertem para hospitais pediátricos. O lançamento de um CD com as músicas da Lepoldina foi fundamental para a nova vida da mascote enquanto personagem, proporcionando-lhe uma carga afectiva e de fantasia junto de pais e crianças. J.F.C.