• No results found

2. Om tilsynet med Nordkapp videregående skole i

2.3 Gjennomføringen av tilsynet

E

a argumentayao a que se pode chamar de polemica: trata- se de urn "duelo verbal", em que se daacolhida

it

perspectiva do Outro, reco-lhendo- lhe certa autenticidade ou legitimidade, mas acrescentando-se imediatamente

argumentos pr6prios que iraQ "desequilibrar os pratos da balanl;a", fazendo a pender para 0lado desejado.

Tamoom neste caso, os argumentos contnlrios ou a perspec- tiva do Outro podem ser introduzidos explicitamente (por exemplo, por meio do discurso citado) ou, enta~, polifonicamente.

Vamos tratar aqui dos recursos de linguagem que permitem introduzir polifonicamente a perspectiva do Outro.

Como afirma DUCROT, 0 mas constitui 0 operador

argumentativo por excelencia. Os enunciados que contem mase seus similares, bem comoaqueles que contem operadores do paradigma do embora, permitem introduzir, num de seus membros, a perspectivaque nao e- ou nao e apenas- a do locutor, para, em seguida, contrapor-lhe a perspectiva deste, para a qual 0enunciado tende. Observem-se os exemplos:

em que se introduzpolifonicamente aafirm~ao de que"0candidato e brilhante", para contradita-lo em seguida.

6) Devemos ser tolerantes, mas ha pessoas que eu nao suporto! (mas-P A, segundo DUCROT)

Note-se aqui que0primeiro membro do enunciado funciona como urn atenuador ("disclaimer"), por meio do qual 0 locutor tenta preservar a propria face, procurando mostrar-se conforme ao modo de pensar

e/ou

agir ideal de sua comunidade - ao menDs em se tratando do discurso publico; somente no segundo membro do enunciado e que ele vai manifestar sua verdadeiraopiniao. Esse tipo de enunci~ao e extremamente comum no discurso preconceituoso em geral: lembrem-se, a titulo de exemplo, os enunciados do tipo: "eu nao sou racista, mas ... " (cf. VAN DIJK, 1992, entre outros).

7) Nao se trata de urn politico democrata; ao contrario, ele

e

extremamente au- toriwio.

Tamoom neste caso a asserl;ao "ele e autoritario" op(5e-se, nao ao primeiro membro "ele nao e urn politico democrata", mas aquela, polifonicamente introduzida, "ele e urn politico democrata".

Os enunciados comparativos, como afirma VOGT (1977, 1980), tern carater argumentative por excelencia, e, segundo a estrutura argumentativa, analisam-se sempre em tema e comentario, que sac permutiveis do ponto de vista sintitico, mas nao do ponto de vista argumentativo. No caso do comparativo de igualdade, se 0primeiro membro da compar~ao for 0tema, a argumen~ao ser-Ihe-a favoravel; se0tema for 0segundo membro da compara- l;aO,0movimento argumentativo sera desfavonivel ao primeiro. Em ''Pedro e ta~ alto como Joao", por exemplo, se Pedro for0tema, 0enunciado serve para assimi- lar a sua "grandeza", constituindo-se em urn argumento favoravel a ele; por ou- tro lado, se 0 tema for Joao, 0 enunciado se disp3e de modo a assinalar sua "pequenez", ou seja, 0movimento argumentativo sera desfavoravel a Joao (cf., tambem, KOCH, 1987). Nesse caso, a par:ifrase adequada seria; "Pedro- e nao Joao - deve ser considerado suficientemente alto para fazer x ". Ora, 0ponto de vista segundo Joao seria a pessoa indicada para fazer x

e

introduzido polifonicamen- te no enunciado e0locutor argumenta em sentido contrano a ele. Observa-se 0

exemplo seguinte:

8) ''Tao importante quanto 0sucesso concreto do plano - ou seja, a in:fl~ao baixar de verdade - e a perCeP9aO do sucesso. Explicando melhor; e a confianl;a de que os prel;os esrno mesmo sob controle." - Urn Tiro contra Lula - Gilberto Dimenstein, Folha de Sao Paulo, 08/06/94.

Em (8), a perspectiva de que0mais importante

e

a percep9{fo do sucesso op3e- se aquela - polifonicamete introduzida - de que 0importante

e

0sucesso concreto do plano, sendo-Ihe argumentativamente superior.

d) "aspas de distanciamento" (cf. AUTHIER, 198), como ocorre em "distribui9ao de renda", "trabalhador burro" e "burrice", no texto acima mencionado.

Os casos citados neste item, a par de varios outros, configu- ram a "intertextualidade das diferen9as" (SANTANA, 1985), que corresponde ao que GRESILLON & MANGUENEAU (1984) denominam "subversao". Neste caso, a perspectiva do Outro

e

introduzida no discurso para ser posta em ques- ta~, contradita, ironizada, ridicularizada - ou, simplesmente, para se fazer humor. Assim, sac tambem exemplos de subversao 0"detournement", a parodia, a iro- nia, etc.

o

"detournement" resulta, freqiientemente, de alter~Oes na forma de urn proverbio, slogan ou frase feita com 0intuito de produzir alter~Oes de sentido- em geral, para veicular 0sentido oposto ilquele do enunciado original. E urn recurso extremamente freqiiente no discurso publicitano, bem como no humoristico. Vejam-se os exemplos:

9) Nem risonhanemfranca- Titulo de urn editorial daFolhade Sao Paulo (08/06/ 94) sobre 0reajuste das anuidades escolares. Costumava-se dizer que, antiga- mente, a escola era risonha e franca, alusao a urn programa infantil radiofOnico assim denominado ("Escolinha risonha e franca", da Radio Record de Sao Paulo).

10) "Deurn anel xxxxxx de presente. Lernbre-se: Milos so tern duas." (publicidade de uma

joalheria por ocasiao do Dia das Maes, publicada na Revista VEJA).

Vejam-se, tambem, os seguintes "detoumements" do prover- bio "Quem ve cara, nao ve cora9ao", extraidos do discurso publicitano e cita- dos em FRASSON (1991):

Tambem a ironia e a par6dia subvertem a perspectiva do Outro, polifonicamente presente no texto. Para que surtam 0efeito desejado, faz- se necessario que 0 interlocutor tenha conhecimento do discurso ironizado ou parodiado. Quanto

a

"Can9ao do Exilio", seriam casos de subversao, por exemplo, a "Can9ao do Exilio" de Murilo Mendes, 0"Canto de Regresso

a

Patria", de Oswald de Andrade, bem como a mais recente "Can9ao do Exilio" de que te- nho conhecimento, que e a de Jo Soares, escrita no final do govemo Collor e publicada na Revista Veja.

Por tudo 0que foi aqui discutido, confirma-se que, do ponto de vista da constru9ao dos senti dos, todo texto e perpassado por vozes de diferentes enunciadores, ora concordantes, ora dissonantes, 0que faz com que se caracterize o fenomeno da linguagem humana - e, portanto, 0 da argumen1a9ao - como essencialmente polif6nico.

AUTHIER, 1. 1981, Paroles tenues

a

distance. In: Materialites discursives. Presses Universitaires de Lille.

FRASSON, RM.D. 1991. A intertextualidade como recurso de argument~ao. Disse~ao de mestrado, Universidade Federal de Santa Maria.

GRESILLON, A & MAINGUENEAU, D. 1984. "Polyphonie, proverbe et detournement". Langages 73. Paris: Larousse, 112-125.

GUIMARAEs, E. R J. 1986. Polifonia e tipologia textual. Cadernos PUC 22: LingiHstica Textual- Texto e Leitura. Sao Paulo: EDUC, 75-87

KOCH, I. G. V. 1991. "Intertextualidade e polifonia: urn s6 fenomeno?". D.E.L.T.A., vol. 7, n.2. Sao Paulo, Educ, 529-542 .

. 1987. Dificuldades na leitural producao de textos: os conectores interfniticos. In: M. Kirst & E. Clemente, Lingiiistica Aplicada ao Ensino do Portugues. Porto Alegre: Mercado Aberto.

VAN DIJK, T.A. 1992. Social cognition and discourse. In: D. Crowley

&

D. Mitchell, Communication Theory. Oxford: Blackwell.