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Fylkesmannens undersøkelser og vurderinger

3. Forebyggende arbeid

3.2 Fylkesmannens undersøkelser og vurderinger

A poesia, em si, e a arte de dizer 0indizivel,

a

medida que as verdades se escondem nos intersticios dos sons e das imagens. Na poesia visual esta verdade se torna ainda mais subteminea, uma vez que e encoberta pelas fendas de signos diversos e variados que compreendem a palavra, 0aspecto gratico e0

simbolismo dos numeros e das figuras. Este cons6rcio de signos vai compor a estetica do presente sem, no entanto, proceder-se a passagem para urn estilo inteiramente diverso do modernismo, como poderemos constatar mediante esta pequena viagem que faremos por dentro de alguns poemas de Gilberto Mendonr;a Teles, Paulo Galvao, Cesar Leal e Orlando Antunes Batista.

Se nao podemos falar em intertextualidade, considerando a distancia signica e temporal que separa os poemas de Paulo Galvao e de Gilberto Mendonr;a Teles dos poemas de Simias e de George Herbert, de Luis Tinoco ou de Vladimir Dias-Pino, verificamos que se pede estabelecer urn dialogo entre eles. Mas, dialogo real se trava entre Etnologia, de Gilberto Mendonr;a Teles, e

Demografia aborigene, de Paulo Galvao, que toma 0 poema de Gilberto como epigrafe. Seguindo 0mesmo espirito ecol6gico em que entra ate a preservar;ao de rar;as humanas, 0primeiro poema centra sua carga semantica no nao-dito, no espar;o em branco. Assim, a conjunr;ao dos signos verbal e semi6tico se realiza mais pela ausencia do que pela presenr;a. Como resultado, opera-se uma semantica em que a fala se desprende nao tanto dos signos que perfazem 0poema, mas de sua inexistencia. A partir do titulo, no alto da pagina, titulo que chamasobre si toda uma carga de conotar;oes antropol6gicas, 0poemaEtnoiogia1 se desdobra silencioso por toda a pagina branca do livro, suscitando as mais variadas recriar;6es que, entretanto, ao atingirmos as duas unicas linhas (versos, linossignos) no final da pagina, adquirem 0sentido concreto, em

flash-back,

de que houve exterminar;ao

dos indios, conotando tambem a redur;ao do seu espar;o vital ocasionada pelas constantes invasoes e posses indevidas de suas terras, mensagem subliminar que 0

poeta deseja transmitir:

Ainda

Partindo 00 etimologia do vocabulo que intitula 0poema,

"d}voC;,

rafa,

nafiio, povo, tribo e AOYOC;,palavra,

estudo,revelariio,

raziio,

ficamos perplexos ante a verdade e a ironia que 0poema destila. Sobretudo, porque nao se trata de uma verdade oriunda de silogismos montados em barbara ou celarent, em que 0usa profiquo 00 palavra e imperioso, mas de uma verdade nascida 00 ausencia de palavras, do logos que nao pronuncia 0fiat, mas do esp~o

caotico que anuncia e materializa 0nada.

Se 0poema em si,

Ainda/ha indios,

concentra uma ferina ironia, como a dizer que, nao obstante toda a furia destruidora do branco, 0indio resiste, ao empreendermos uma leitura mais profunda, a ironia se adensa, porque, pronunciando rapidamente, parte 00 silaba chona,

ios,

fica quase inaudivel, resultando uma dupla excIam~ao:

ainda! ainda!

So por esse jogo semantico, percebemos que a si~ao e desesperadora. Entanto, quando interligamos 0

periodo com0esp~o que 0circunda - toda uma folha em branco -, essa ironia se tornaferina, percuciente, perceptivel, como que com os dedos. Temos, assim, afala do silencio que compOe urn poema puro, em que as palavras, abandonando seus significados particulares e suas referencias a urn elemento determinado, transcen- dem a propria neutralidade e instauram significados que ultrapassam a esfera do silencio e do esp~o:

Ainda/ha indios,

apesar de tudo.

Nascido desse poema e tendo-o como epigrafe,

Demografia

aborigene2,

alem de utilizar 0espayo em branco, insere os signos verbal e semiotico na dimensao dos simbolos. Mesmo intertextualizando

Etnologia,

0fato de as palavras se dispersarem pelo esp~o 00 folha produz urn efeito semiotico e semantico aparentemente ainda mais fulminante, tornando a extinyao mais percucien- te.

Quando entramos no campo dos simbolos, visualizando uma ampulheta, verificamos que as semias desprendidas dos vocabulos, nao obstante dispersos, aindaeram insuficientes paraerigir aimagemda destruiyao. A ampulheta transfere 0campo do significado para a materia, corporalizando a inexorabilidade do cicIo existencial dos silvlcolas, marcado pelo estigma 00 morte, da integral extinyao:

Pela propria conforma9ao, a ampulheta materializa 0escoa- mento ininterrupto do tempo e, no caso dos aborigenes, da propria continuidade da ra9a. Nao se trata de mera correl~ao abstrata, mas de uma inferencia concreta, porque a atr~ao, ao ser exercida para baixo, confirma 0estado de degra~ao, de rebaixamento do povo e de sua dilui9ao demogratica. A extin9ao dos silvicolas se opera com maior rapidez, pois a areia que se desprende da parte superior, ao contnmo de Etnologia que a nao possui, 0faz com que0tempo se escoe ao mesmo tempo que0povo se dizima. Alem disso, se0compararmos com outros poemas em forma de ampulheta, como os de Puttenham, de Dylan Thomas ou de Vicente Huidobro, verificamos que, enquanto aqueles sac densos de palavras, este eformado por linhas imagimirias que, em essencia, nao permitem que 0 cadinho possua paredes capazes de sustentar 0conteudo. Fica, assim, substantivada a ironia do poeta, mostrando, como que com 0dedo, a dizim~ao das r~as nativas.

o

pior e que, assemelhando-se

a

ampulheta, 0simbolismo ciclico tamoom se the adere. Deste modo, 0escoamento da areia e do tempo tende a marcar urn novo ciclo, uma passagem para urn novo estagio, ou para urn renascimento. Todavia, esta ampulheta nao reverte. 0 poeta, ao desmembrar 0

vocabulo silvicola, reifica a realidade, visivelmente devassada de seus naturais habitantes. Nao so isso, porque, a partir do momenta em que podemos ler na silaba

vi, 0preterito perfeito do verba ver, as semias referentes a silvi, ou seja, tudo que se correlaciona

a

floresta, pass am a ser coisas do passado, notadamente seus habitantes. Esta interpreta9ao se torna ainda mais consistente quando averiguamos que cola significa habitante. Assim, as palavras-silabas que enformam a parte superior da ampulheta nos mostram que a unidade silvicola, habitante da floresta, e coisa preterita. Nilo so a unidade; tamoom a multiplicidade, si lvi e cola sac coisas

vistas: vi.

Para materializar 0estado preterito e a irreversibilidade do tempo, procedendo a uma leitura descendente, temos: vi aqui/ acoza, isto e, em urn esp~ovazio que nao preve virtual ocup~ao, mas urn distanciamento cada vez mais acentuado. Nao bastasse 0distanciamento dos vocabulos aqui e acohi, 0confronto

dos fonemas flnais i e a, vogal alta e vogal baixa, conjugados ao esp~o, signa semiotico, demonstram a integral impossibilidade de retorno, de revigoramento do povo e da r~a indigena.

A despeito de Etnologia e Demografia aborigene possuirem

diferen9as signicas, mesmo 0 segundo havendo side inspirado no primeiro, a

fortiori, 0que os liga, mais que aintertextualiza9ao, e0rito do siHlncio. Mais que

isso, 0denominador comum que os faz sair urn do outro

e

0rito da mudez. Urn rito mudo em que se consbustanciam estados de povo e de ra9a em estado de nada, pois, e 0 poema a conforma9ao de urn caIice. CaIice que simboliza 0 sacrificio da extin9ao, bem demarcada pela indeterrnina9ao das linhas e pelas formas vazias,