• No results found

II. Forskningsdesign og metode

2.4 Gjennomføring av intervjuene

A Área 2 do estágio pedagógico foi um grande desafio para mim, uma vez que nem sempre foi fácil conciliar com as outras áreas. O grau de dificuldade da execução de um trabalho com estas características, no ano de estágio, provocou-me algumas dificuldades.

“Nesta área de formação deverá privilegiar-se o desenvolvimento das competências relacionadas com a participação em estudos e projetos de investigação-ação estreitamente ligados ao contexto escolar, para favorecer o desenvolvimento de competências de inovação profissional do estagiário ao longo da sua carreira” (Guia de estágio, 2014, p. 11).

A área de investigação do estágio pedagógico, é uma área que a meu ver trás um elevado grau de dificuldade, devido à falta de experiência em trabalhos desta natureza. O apoio do professor desta unidade curricular foi importante, e o orientador da escola também nos ajudou, dando algumas orientações que nos apoiaram a construir algo que nos levou ao trabalho final.

Uma vez que o nosso grupo era composto apenas por dois elementos, o trabalho nesta área exigiu mais empenho da nossa parte. A identificação do problema foi o primeiro passo a dar. No início andámos um pouco perdidos e sem ideias, mas depois de algum tempo de reflexão conseguimos identificar um problema pertinente.

No início do ano letivo entrou em funcionamento um mega agrupamento com sede na nossa escola, pelo que, achámos que era pertinente realizar um trabalho de investigação que fosse ao encontro da uniformização da avaliação. Portanto, optámos por realizar um estudo onde conseguíssemos verificar se existia fiabilidade na observação e classificação entre os diferentes professores do agrupamento.

O processo de caracterização do problema deve ser realizado recorrendo a um quadro teórico de referência válido, que suporte devidamente a pertinência do estudo. Dessa forma seguimos as orientações dos docentes da unidade curricular de Investigação Educacional e realizámos uma pesquisa exaustiva sobre o tema.

O grupo sentiu dificuldades na formulação de uma questão de partida pertinente e que remetesse objetivamente para a investigação em questão. Também a elaboração de instrumentos válidos de recolha de dados e a falta de domínio das várias técnicas de recolha de dados constituíram uma preocupação.

27 O nosso trabalho de investigação enquadra-se num plano de investigação-ação, ou seja, o estudo de investigação procura resolver um problema identificado, necessitando de uma clarificação da problemática envolvente ao estudo. Visou investigar um dado comportamento, e com os resultados desse mesmo comportamento tentar aplicar uma solução, ou soluções que resolvessem o problema identificado. Segundo Mesquita (2010), a investigação-ação permite contribuir para o desenvolvimento do professor, na medida em que o envolve na produção do conhecimento através da sua participação em contexto real.

De acordo com Mendes et al (2012), observadores distintos, em função da mesma realidade, podem ter opiniões distintas, causadas pela influência de diversos fatores, tais como:

 Experiência do observador à realidade observada  Atenção seletiva

 Acoplamento com o objetivo  Ambiente em que se observa

Assim, de acordo com estes autores, sabemos que se a observação for guiada e estruturada para todos de igual forma, os resultados podem ser mais semelhantes no final, não havendo grandes discrepâncias entre si. Caso haja grandes discrepâncias nas classificações obtidas surge a necessidade de procurar respostas para tais resultados, recorrendo a outros instrumentos.

A amostra deste estudo foi composta por 10 Professores de Educação Física do 3.º ciclo do ensino básico e secundário da Escola Secundária Sebastião da Gama. Os instrumentos utilizados para esta investigação foram duas filmagens, onde são apresentadas duas situações de jogo de duas matérias de jogos desportivos coletivos (basquetebol e futebol), praticados por alunos que frequentam a escola. A primeira filmagem foi composta por uma situação de 5x5 de futebol, sendo a equipa única e exclusivamente composta por rapazes. Na segunda filmagem, uma situação de 3x3 de Basquetebol, onde as equipas eram também constituídas só por elementos do género masculino.

Foram utilizadas grelhas de observação, grelhas essas que foram apresentadas de duas maneiras distintas. A primeira grelha de observação apenas indicava o aluno a observar, aí os professores tiveram que diagnosticar o nível do aluno. A segunda grelha

28 já era composta por diversos critérios de êxito, onde os professores tiveram de dizer se o aluno em questão cumpria ou não os critérios, e depois sim, diagnosticar o nível em que se apresentava cada um dos alunos observados.

Foi também aplicado um questionário onde se pretendia obter dados acerca dos professores que participaram no estudo e os seus conhecimentos sobre os PNEF.

Os PNEF visam o desenvolvimento motor, cognitivo e socio-afetivo dos alunos, relacionando-os nas diferentes atividades, estabelecendo assim objetivos, de acordo com o desenvolvimento do aluno. Visto que este programa deve servir como guia a todos os professores de Educação Física é necessário que estes o conheçam corretamente e o sigam (fazendo as adaptações que achem necessárias, dependendo dos alunos), de maneira a que se consigam alcançar os objetivos estipulados, não fazendo diferenciação dos alunos, de estabelecimento de ensino ou por região de habitação.

Pelo que conseguimos retirar das conversas/reuniões que tivemos com os professores do agrupamento com o intuito de encontrar uma problemática, a maioria dos professores utilizava estratégias e instrumentos de avaliação diferentes e alguns dos mesmos não demonstraram grande preocupação em seguir os programas à risca.

“O programa constitui, portanto, um guia para a ação do professor que, sendo motivado pelo desenvolvimento dos seus alunos, encontra aqui os indicadores para orientar a sua prática, em coordenação com os professores de Educação Física da Escola (e das «escolas em curso») e também com os seus colegas das outras disciplinas.” (Jacinto et. al., 2001, p. 8).

Assim, o questionário ganhou bastante relevância, na medida em que todos deveriam de utilizar os PNEF como guia. Com esta ferramenta pretendemos apurar se os professores se guiam pelos PNEF, quais as suas matérias de eleição, se têm conhecimento integral dos PNEF e, se não se guiam pelos PNEF quais os motivos que os levam a proceder dessa forma.

Após a observação feita, realizou-se o tratamento dos dados que foram, mais tarde, apresentados aos professores, conseguindo assim criar um debate a fim de encontrar soluções para que houvesse uma uniformização da observação dos professores.

Para a análise dos resultados utilizámos como referência os níveis atribuídos aos alunos pelo nosso orientador, o professor Pedro Reis, professor que assumimos como especialista de referência pelo facto de conhecer todos os alunos que foram observados e conhecer o nível em que eles se encontravam nas matérias em questão.

29 De acordo com a fórmula utilizada por Bellack (1966, como referido por Van Der Mars, 1989), apurou-se a fiabilidade com base na relação percentual entre o número de acordos e desacordos registados, sendo que, as observações são consideradas fiáveis se a percentagem de acordos for superior a 80%.

De referir que em nenhum dos momentos existiu uma percentagem de acordos que fosse superior ao valor de referência (80%). Ou seja, por exemplo, no futebol, num primeiro momento, onde não apresentámos critérios de êxito aos professores, verificou- se que 40% dos professores não avaliou de acordo com o nosso professor de referência. De referir ainda, que num dos alunos observados esta percentagem foi de 70%. No segundo momento, onde já fornecemos aos professores critérios de êxito, registou-se, no primeiro aluno, que 50% dos professores avaliaram de acordo com o professor de referência, no aluno II e III apenas 25% concordaram com a avaliação de referência. Salienta-se ainda, que ao aluno III foram atribuídas quatro avaliações diferentes ao seu desempenho apresentado em vídeo, por professores da mesma escola.

Após a análise dos resultados concluímos que não houve melhoria da fiabilidade interobservadora do primeiro para o segundo momento. No segundo momento, apesar do auxílio de critérios de êxito, a fiabilidade interobservadora não melhorou, pelo contrário, acabou por piorar, o que pode significar que os professores não têm o hábito de avaliar com o auxílio de grelhas com critérios de êxito.

Quanto ao questionário aplicado aos professores que participaram no estudo, concluímos que 50% dos professores não refere os PNEF como base para a avaliação dos alunos. Nenhum dos professores que responderam ao questionário sabe exatamente o número de matérias que os alunos podem escolher no ensino secundário (11.º e 12.º: duas de Jogos Desportivos Coletivos, uma da Ginástica ou uma do Atletismo, Dança e duas das restantes) e 30% dos professores confundiram a certificação por nível de desempenho com a classificação numérica (Ex: em vez de nível I coloca 12 valores).

Este nosso trabalho de investigação apresentou algumas limitações, tais como, a amostra reduzida (10 professores), apenas duas matérias a observar, o posicionamento da câmara não era o melhor, pouco tempo de filmagem, as cores da identificação dos alunos provocaram alguma confusão na identificação dos alunos e o 1.º e o 2.º momentos foram muito próximos, o que fez com que os professores se lembrassem do nível que atribuíram no 1.º momento.

Como apontamento final, e após a análise dos resultados e revisão bibliográfica, procurámos encontrar propostas de soluções para apresentar ao grupo de Educação Física

30 da escola. As propostas que encontrámos foram as seguintes: observação e discussão conjunta de situações de avaliação em diferentes matérias; criação e uniformização de grelhas de avaliação para as diversas matérias; formação contínua; trabalhos a pares nos momentos de avaliação, alternando os pares, de modo a que todos os professores tenham a possibilidade de trabalhar juntos, discutindo e trocando ideias acerca da avaliação.

A área de investigação e inovação pedagógica foi muito importante na minha formação, na medida que, contribuiu para o desenvolvimento da minha capacidade de estudar situações que permitam melhorar o estado do desempenho do ensino da Educação Física.