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6.3 G EORGIA 2008

6.3.1.4 Georgia’s ‘Left Hook’

Como instituição social responsável pela difusão do conhecimento e formação de sujeitos para viver e conviver em sociedade, a escola incorpora tal situação. Estamos imersos num campo de informação, difundida pelos meios de comunicação, cuja certeza é a incerteza do saber, uma vez que a verdade é questionada a cada nova conquista. A escola assume a posição de agente desse processo. Enfim, o momento histórico atual é marcado por transformações no campo da filosofia, economia, sociedade e cultura, que repercutem na educação. Daí a necessidade de pensar as mudanças na educação.

Pensar as mudanças em educação é uma tarefa urgente em face do surgimento de temáticas concernentes a essa sociedade, o que implica não só o perfil do profissional necessário para viver e atuar nela, como também a concepção de conhecimento a ser

trabalhado nas escolas. Urge discutir esses assuntos para construir a educação pautada nos princípios da democracia em que

o exercício de pensar o tempo, de pensar a técnica, de pensar o conhecimento enquanto se conhece, de pensar o quê das coisas, o para quê, o como, o em favor de quê, de quem, o contra quê, o contra quem são exigências fundamentais de uma educação democrática à altura dos desafios do nosso tempo (FREIRE, 2000, p.102).

Atribuem-se à escola todos os papéis e todas as responsabilidades, entre os quais a transmissão de conhecimentos e certificação de saberes. Afinal, qual será o papel da escola nesta sociedade?

A escola é o espaço para os processos de ensino e de aprendizagem reconhecidos pela sociedade e que ocorrem a partir do conhecimento culturalmente sistematizado, da troca de experiências, numa relação dialógica. É ponto de encontro de crianças, jovens e adultos. Nesta sociedade, o poder está centrado nas mãos de quem tem a posse e a capacidade de fazer uso do conhecimento. A escola tem o desafio de procurar respostas flexíveis e adequadas às demandas oriundas do mundo contemporâneo, na tentativa de amenizar as desigualdades sociais geradas pelo acesso desigual ao conhecimento. Ela convive com o conflito e procura relativizar essa situação. O mecanismo pelo qual a sociedade do conhecimento exerce influência junto às escolas ocorre através do discurso oficial e do discurso pedagógico (BERNSTEIN, 1996). Essa engrenagem ganha status e se legitima porque apresenta fortes indícios de instabilidade, fruto de “políticas frágeis”, produto de acordos que podem ou não funcionar. Além do que, “sendo uma instituição de um campo político, torna-se um espaço fértil para a manutenção do poder” (APPLE, 2006, p.7).

O caminho é o investimento num trabalho pautado nos valores democráticos, na autonomia e cidadania, utilizando diversificadas fontes de acesso ao saber. Para isso faz-se necessário revisão do projeto educacional que considere as consequências oriundas desse modelo de sociedade. Escola e comunidade podem elaborar, em conjunto, um projeto de trabalho para recriar ambientes de aprendizagem ricos em recursos, com acesso às inovações existentes no contexto da sociedade, entre as quais se incluem as tecnologias da comunicação e informação, caracterizadas pela interatividade, com currículos que ofereçam uma visão holística do conhecimento humano e do universo, com a finalidade de amenizar as desigualdades sociais, ou seja, um projeto em que as TIC podem fazer a diferença.

Educar numa sociedade do conhecimento vai além da exposição de conhecimentos sistematizados: requer uma proposta articulada com as questões econômicas, políticas, culturais e sociais. Cabe à sociedade munir as escolas com os recursos indispensáveis ao cumprimento de seu papel, sendo essencial repensar os modelos curriculares para atender às novas exigências que surgirem. É imprescindível ao currículo priorizar a vida, ligar-se ao cotidiano, ter e fazer sentido e ser contextualizado. Constitui-se num processo rumo à construção contínua da autonomia do aluno.

Para responder ao conjunto de questionamentos impostos à educação pela sociedade do conhecimento, a escola deve organizar seu projeto pedagógico considerando quatro pilares:

aprender a conhecer, isto é, adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as

atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes (DELORS et al., 1998, p. 90, grifos dos autores). Esses pilares indicam uma mudança no papel do professor e do aluno, uma revisão quanto ao conceito de sala de aula, ao uso de distintos recursos tecnológicos e à maneira de explorar as ferramentas disponíveis. Dessa forma, a aprendizagem é um processo permanente para toda a vida. Envolve o conhecimento culturalmente sistematizado e as experiências de vida. Envolve estudo das áreas, disciplinas ou matérias e a organização de propostas de trabalho, considerando os conflitos, a diversidade cultural, a alteridade e a formação da autonomia.

A escola como instituição responsável pela transmissão do conhecimento culturalmente sistematizado, pela criação de condições para a construção de novos conhecimentos e pela formação de sujeitos autônomos, criativos e críticos2 precisa incorporar ao seu projeto pedagógico o uso adequado dos recursos tecnológicos. Nesse sentido, os estudos desencadeados pelos profissionais da educação no que diz respeito ao uso do computador na escola pública são importantes. Essa presença se resumia inicialmente ao uso administrativo, em seguida, aos laboratórios de informática para uso pedagógico. No entanto, não atendia de modo adequado ao aluno, pois as máquinas eram poucas e o trabalho se restringia a dois ou três alunos por computador.

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Compreensão de mundo e de seu papel nele, reflexão sobre a intencionalidade de seus atos, ou seja, reflexão sobre suas ações.

Nossa experiência como docente permite-nos revelar que estudantes das escolas públicas convivem com pessoas que têm celular, computador, acessam a internet e sabem operar esses instrumentos com facilidade. Elas auxiliam os parentes no manuseio dos celulares. Em relação ao uso do computador a situação não é diferente. Mesmo os que moram distante da escola, em locais de difícil acesso, encontram um espaço para fazer uso do computador e da internet (viabilizado pela própria comunidade) por meio de associações comunitárias e LAN house. Esta pode ser vista desde os shoppings dos grandes centros até as regiões periféricas das cidades de menor porte. Entre as tecnologias de informação e comunicação, temos a TV digital, máquina fotográfica, celular, notebook, netbook, tablet. Entre esses, o que mais se destaca pelo uso frequente é o celular. Atualmente, temos aparatos tecnológicos que convergem para mobilidade e multifuncionalidade (muitas funções), o que permite realizar diferentes atividades com um mesmo aparelho.

Passou a ser mais fácil transmitir informações, e “a informação resume-se numa pura mediação, num instrumento a serviço das intenções dos homens e das classes sociais” (VIEIRA PINTO, 2005b, p. 446-447). Nessa perspectiva o autor chama a atenção e critica posicionamentos que divinizam a velocidade com que a informação é tratada atualmente. Mostra que o diferencial que temos hoje é o fato de a informação chegar a um número maior de pessoas. Ele destaca o crescimento das massas abrangendo praticamente a humanidade inteira.

Todas as demandas e descobertas têm razão e fundamento para o aprimoramento e aperfeiçoamento da vida dos seres humanos. Portanto, de acordo com Cappelletti (2009), o comprometimento ético com a informação é o elemento central. Ética é vida, direito à vida, qualidade de vida, a favor da vida. A questão principal da ética é o bem-estar social (informação verbal).3 Toda e qualquer tecnologia que possibilita o acesso à informação ganha status quando o “significado essencial é o conteúdo da mensagem” (VIEIRA PINTO, 2005b, p.449).

Os dados transmitidos por meio das tecnologias são relevantes para a construção do conhecimento desde que apoiados nos princípios democráticos de uso para o bem-estar

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Memória de aula na disciplina Currículo e Avaliação Educacional: Fundamentos e Modelos de Avaliação, doutorado no Programa de Pós-Graduação em Educação: Currículo, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em São Paulo, 22 set. 2009.

coletivo. A “informação não iguala os homens porque, ainda na hipótese de chegar a todos ao mesmo tempo, a simples uniformidade externa não assegura a uniformidade interna das consciências individuais, de que nascem infalivelmente as ações” (VIEIRA PINTO, 2005b, p.450). As escolas públicas estão preparadas para assumir e trabalhar as questões oriundas da sociedade do conhecimento que exigem uma concepção e prática curricular diferente da que está em vigência? O currículo escolar requer considerar as indagações da sociedade do conhecimento.