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Esses estudos podem ser subdivididos em duas abordagens distintas. A primeira por meio de modelos nos quais os autores pressupõem os valores a ser implementados na empresas. A segunda contempla os famosos códigos de ética.

A primeira das abordagens não possui nenhum rigor científico e os valores surgem de uma maneira absolutamente inexplicável, mas “funcionam”, ou seja, somos levados a concluir que sua validade deriva da credibilidade e acessibilidade dos autores junto ao leitor. Consideramos como exemplo extremado desse tipo os livros

de Blanchard e Peale100 e de Hodgson101 e Henderson102, entre outros.

O ponto comum a todos é a utilização da mesma metodologia. Essas metodologia consiste na apresentação de alguns valores morais, que são pressupostos pelo autor, e na narração de pequenas histórias ou casos. Algumas perguntas são formuladas para o leitor e a seguir a resposta correta é indicada e justificada. Ao final do livro, o leitor e sua organização estarão aptos a seguir um rígido padrão ético. Nos referimos especialmente ao caso de Blanchard e Peale por estarem mais próximos da tipologia ideal. A Ética é definida simplesmente como “estar de bem com a

100 BLANCHARD, Kenneth & PEALE, Norman Vincent. “O Poder da Administração Ética” - Rio de Janeiro: Record, 1988.

101 HODGSON, Kent. “A Rock and a Hard Place - how to make ethical business when the choices are though”, New York: American Management Association, 1992. Outros exemplos podem ser encontrados em: WALTON, Clarence C. – “The Moral Manager”, New York:Harper & Row, 1988; e GELLERMANN, William et alii., “Values and Ethics in Organization and Human Systems Development - Responding to Dilemmas in Professional Life”. S. Francisco: Josey-Boss Pub., 1990.

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consciência” e “dormir em paz”. A partir dessa definição, por meio de exemplos hipotéticos, o leitor é conduzido a responder a determinadas perguntas. O resultado final consiste em um processo mnemônico caracterizado como os cinco pês: propósito, pundonor (“é a sensação que obtemos com nossas realizações e com as realizações das pessoas que nos são caras, como nossa família ou nossos

auxiliares”)103, paciência, persistência e perspectiva.

O caso de Blanchard e Peale é o que se mostra mais próximo do modelo ideal do “como fazer”, pois não tem nenhuma pretensão acadêmica ou intelectual. Os conceitos e a linguagem são extremamente simples e direta e, além disso,eles se utilizam do recurso de construir situações hipotéticas a fim de conduzir o leitor para a argumentação e as respostas esperadas. Hodgson faz uso do mesmo método, mas acrescenta ao final de cada capítulo uma seção de auto-conhecimento intitulada “Finding Out About Yourself”.

Os demais autores se utilizam de variantes dessa estratégia, mas diferem quanto a uma necessidade maior de fornecer uma justificativa teórica e conceitual para desenvolver seus modelos. Por exemplo, Henderson desenvolve um questionário composto de dez situações com as respectivas perguntas e a escala de pontos que consiste no que ele chama de “Ethical QI Test” e sugere como se deve proceder para

aumentar o “QI” ético104.

A segunda abordagem é aquela que propõe a solução dos problemas éticos empresariais por meio da elaboração e implementação de um Código de Ética.Esses

podem ser para empresas, categorias profissionais105 e associações de produtores de

produtos e serviços entre outros. A crença existente entre os defensores dos códigos

103 BLANCHARD, Kenneth & PEALE, Vincent. Op. cit., p.49.

104 Um exemplo de uma situação com a respectiva pergunta: "A friend at work asks whether you´d like a take-home copy of an expensive computer software program. You know it is protected by copyright. Q. Would you let your

friend make a copy for you?

NO DEPENDS YES". HENDERSON, Verne. Op. cit., p.38-9 e p.69-70.

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é a de que eles constituem regras escritas e de conhecimento de todos, podendo, portanto, ser um instrumento adequado para controle e aferição do clima ético da organização, além de contribuir para o fortalecimento e a disseminação da cultura e dos valores da empresa.

O exemplo mais próximo do ideal é o livro escrito por Manley II106. A discussão se

inicia mostrando as vantagens da adoção de um código e com a definição do responsável pela sua aprovação (naturalmente a alta administração, apesar de depender de revisões periódicas e da aprovação dos gerentes, empregados, departamento jurídico e consultores externos) e a origem dos valores que podem surgir das mais diversas fontes como: cópia ou estudo de cópias de outras empresas; legislação, opinião pública, entre outros. Todo esse trabalho ocupa um espaço de vinte e uma páginas de um total de duzentas e sessenta e seis que compõem o livro. No momento seguinte são descritas as etapas necessárias para a elaboração do código, o que abrange desde a carta do presidente até os mais diversos tópicos como: honestidade, justiça, concorrência, presentes, assédio sexual, práticas de marketing e de outras funções empresariais. A vida empresarial interna e externa estão presentes no seu livro. Nada é deixado ao acaso. A maioria dos capítulos apresenta unicamente alguns casos de sucesso de grandes empresas que têm relacionamento direto e circunscrito ao tópico abordado.

Hall107 é também partidário de um código de ética, mas, por não se tratar de um

manual, faz várias considerações sobre a importância da ética para os negócios até o momento em que se pergunta: a ética pode ou não ser ensinada? A resposta é afirmativa e a solução proposta é criar um ambiente propício para a discussão de

106 MANLEY II, Walter W. – “Executives Handbookof Model Business Conduct Codes”. New Jersey: Prentice- Hall, 1991. Apesar de considerarmos esse livro aquele que se aproxima mais da tipologia, para um equivalente bastante próximo de Blanchard e Peale, conferir DUNCKEL, Jacqueline. “Good Ethics, Good Business - your Plan to Sucess”. Canadá: Self-Council Press, 1989. O livro de Dunckell tem como público os proprietários de pequena empresa e de certa forma segue uma estrutura semelhante ao de MANLEY II, mas com uma linguagem mais despojada e de conteúdo bastante limitado. Sua obra apresenta questionários que deverão ser preenchidos pelos proprietários e empregados e os valores são dados pela autora: orgulho, lealdade, integridade e honestidade. 107 HALL, William D. – “Making the Right Decision - ethics for managers” - New York: John Wiley & Sons, 1993.

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valores, tradição e cultura da empresa. A seguir, o código de ética é redigido e tem início um programa de treinamento entre todos os membros da organização. É sugerido um acompanhamento constante e a adoção de um sistema “hot-line” para o caso de desvios de conduta, dúvidas ou possíveis conflitos éticos. O livro é escrito na forma de um caso fictício e, segundo o autor, baseado no curso de ética em

negócios ministrado pela Arthur Andersen Consulting.