3. Methods
3.3 Geochemical methods
C 2.140 -1.882 6.597 (1.379) (-1.312) (1.227) RA 1.129 * 1.292 * -0.106 (21.169) (44.971) (-0.273) EX_AT 0.083 * 0.050 * -0.233 * (2.130) (2.119) (-2.308) LC 0.242 * 0.214 * 0.438 * (3.635) (3.231) (2.918) N 43 37 54 R2 0.885 0.933 0.154 R2 AJUSTADO 0.876 0.927 0.103 (1) As estatísticas t apresentadas nos parênteses estão corrigidas por heterocedasticidade. CARie (L1, L2), RA, EXT_AT e LC referem-se, respectivamente, ao retorno anormal acumulado
da ação i no evento “e”, rentabilidade por ativo e liquidez corrente. * Indica que a estatística t é significante ao nível de 5 %.
Fonte: Resultados fornecidos pelo programa Eviews 3.1.
Considerando o modelo de mercado IBOVESPA, observa-se que para o nível de 5 % de significância todos os indicadores financeiros das empresas da carteira de estudo IBX-50 T registraram resultados estatisticamente significantes. Nota-se ainda que os indicadores de rentabilidade, endividamento e de liquidez influenciaram diretamente os retornos anormais acumulados. Com estes resultados, pode-se deduzir que quando a taxa de juros se reduz os investidores reavaliam suas aplicações em busca de ativos mais rentáveis. Neste caso, as empresas beneficiadas com as reduções dos juros foram aquelas mais liquidas e rentáveis e também com grande participação de capitais de terceiros no trimestre anterior daqueles eventos74.
Com relação ao modelo de mercado IBX-50, nota-se que para o nível de significância de 5% todos os indicadores financeiros das empresas da carteira IBX-50 T registraram resultados estatisticamente
influenciaram positivamente seus retornos anormais acumulados. Desta forma, as empresas beneficiadas com as reduções da taxa básica de juros foram àquelas mais rentáveis, pela potencial capacidade de gerar lucro futuro, mais líquidas, pela boa capacidade de gerar recursos para capital de giro, e com uma grande participação de terceiros nos recursos da empresa no trimestre anterior daqueles eventos.
Com relação ao modelo RAM, observa-se que os indicadores de endividamento e de liquidez das firmas da carteira de estudo IBX-50 T obtiveram resultados estatisticamente significantes para o nível de 5% de significância. O indicador de endividamento influenciou negativamente os seus retornos acionários anormais acumulados, ao passo que liquidez corrente foi influenciada positivamente pelos excessos de retornos. Em outras palavras, as empresas que foram beneficiadas com as reduções dos juros foram aquelas que apresentaram alta liquidez e baixa participação de capitais de terceiros no trimestre anterior daqueles eventos.
Portanto, quando são considerados os anúncios das reduções da taxa de juros, pode-se concluir que nos modelos de mercado IBOVESPA e IBX-50 os indicadores de rentabilidade, endividamento e de liquidez das empresas da carteira IBX-50 T influenciaram positivamente os seus excessos de retornos. Observe que no modelo RAM os resultados são os mesmos, exceto em relação ao índice de endividamento, o qual influenciou negativamente os excessos de retornos, e também com respeito ao indicador de rentabilidade, por não influenciar os retornos anormais acumulados.
De uma forma geral, nos modelos de mercado IBOVESPA e IBX-50 os indicadores de endividamento e de liquidez corrente das empresas da carteira IBX-50 T influenciaram negativamente os seus retornos anormais quando houve elevações dos juros. Uma explicação para estes resultados é que a partir do momento que o COPOM (BACEN) eleva a taxa de juros, os investidores reavaliam suas aplicações no mercado acionário, buscando ativos mais rentáveis e seguros. As empresas que foram prejudicadas com os aumentos dos juros foram as que mais liquidas e com grande participação de capitais de 74
Nota-se que com maiores disponibilidades de recursos de terceiros na firma, incentiva uma maior geração de lucros futuros, beneficiando os acionistas dessas empresas, pois há uma relação direta entre dividendos e lucro líquido.
aplicações acionárias daquelas empresas por ativos mais rentáveis, motivados pelo aumento da taxa básica de juros. Por outro lado, quando houve reduções da taxa de juros, os indicadores de rentabilidade, endividamento e de liquidez influenciaram positivamente os excessos de retornos. Os investidores, portanto, buscaram aplicar seus recursos nas ações das empresas que possuíam um grande potencial para gerar lucros (alta rentabilidade por ativo), altos índices de endividamento, motivada pela redução dos juros e por haver mais capitais de terceiros disponíveis para investimentos, e que possuía liquidez, favorecendo também a disponibilidade de recursos para os acionistas.
Conclusão
Este trabalho investigou o mecanismo de transmissão de política monetária via taxa de juros sobre os preços das ações mais líquidas do mercado acionário brasileiro entre os anos de 2000 a 2002. O estudo foi analisado em duas etapas: a primeira correspondeu a análise do choque dos juros sobre as ações na janela do evento de curto prazo; a segunda correspondeu a análise do choque dos juros sobre as ações na janela do evento de longo prazo. Para esta análise, foi utilizado o estudo de eventos, o qual é um instrumento de medir o impacto de algum evento econômico no valor da firma no curto prazo, ou seja, focaliza em como os preços respondem ao anúncio público de informação. Dessa forma, os eventos foram considerados como todas as alterações da taxa básica de juros na economia brasileira durante o período de 2000 a 2002. Como critério de escolha da amostra foram consideradas para este estudo às ações mais líquidas das carteiras teóricas IBX-50 do ano de 2003, das quais trinta delas foram selecionadas, formando-se a carteira de estudo IBX-50 T para a avaliação dos resultados. Definiu-se excesso de retorno ou retorno anormal o desvio dos retornos das ações ex ante não condicionados aos anúncios das alterações dos juros nas janelas do evento. Utilizaram-se três tipos de modelos de retornos normais para o cálculo dos retornos anormais durante aqueles períodos: modelos de mercado IBOVESPA e IBX-50, e modelo de retornos ajustados à média (RAM). Além disso, definiram-se duas categorias de anúncios das empresas: empresas da categoria “boa notícia”, as quais apresentaram excessos de retornos positivos no dia do evento; e empresas da categoria “má notícia”, as quais apresentaram excessos de retornos negativos no dia do evento. Através de testes estatísticos verificou-se se os excessos de retornos acumulados nas janelas dos eventos foram significativos. Por intermédio dos modelos econométricos de dados em painel examinou-se se os indicadores financeiros das empresas de rentabilidade, endividamento e de liquidez influenciaram aqueles excessos de retornos estatisticamente significantes.
Em relação aos resultados encontrados na análise de curto prazo pode-se concluir que com as elevações dos juros os retornos acionários anormais das empresas da categoria "boa notícia" se valorizaram um dia antes do evento, ao passo que os excessos de retornos das empresas da categoria "má notícia" se desvalorizaram. Contudo, logo após os anúncios das elevações dos juros tanto os retornos anormais das empresas da categoria “boa notícia” quanto das empresas da categoria “má notícia” se desvalorizaram, sinalizando que os investidores substituíram suas aplicações de renda variável por renda fixa, como títulos atrelados a taxa básica de juros. Além disso, nota-se que, pela análise financeira no trimestre anterior dos eventos, as empresas mais prejudicadas com os aumentos dos juros foram aquelas em que possuíam grandes disponibilidades de recursos. Por outro lado, quando houve reduções da taxa de juros, observa-se que as empresas da categoria "boa notícia" registraram valorizações dos excessos de retornos na janela do evento de curto prazo, ao passo que as empresas da categoria "má notícia" registraram desvalorizações. Este fato se comprova no dia seguinte do evento, onde se nota uma separação daquelas categorias de empresas em termos
as empresas beneficiadas com as reduções dos juros foram aquelas mais rentáveis e mais endividadas. Então, pode-se dizer que com as reduções dos juros os investidores procuraram investir nas ações das empresas que possuíam grande potencial para gerar lucros e uma grande participação de recursos de terceiros. Este fato pode ser explicado pela seguinte argumentação: empresas com maiores disponibilidades de recursos de terceiros incentivam uma maior geração de lucros futuros, beneficiando assim os acionistas, pois existe uma relação direta entre dividendos e lucro líquido. Os resultados dos testes estatísticos de significância da análise de curto prazo comprovam que aproximadamente 20% do total das ações da carteira de estudo IBX-50 T foram afetadas com os anúncios das alterações da taxa de juros. Os resultados do modelo econométrico indicam que rentabilidade por ativo influenciou negativamente os excessos de retornos das ações da carteira de estudo IBX-50 T, quando são consideradas todas as alterações dos juros. Além disso, observa-se que os indicadores de rentabilidade e de endividamento influenciaram negativamente os excessos de retornos, enquanto que liquidez corrente influenciou diretamente, quando são consideradas somente as elevações dos juros. Com relação às reduções dos juros, verifica-se que o indicador de rentabilidade por ativo influenciou negativamente os excessos de retornos acionários, enquanto que o indicador de liquidez influenciou positivamente aqueles retornos anormais. Com base nestes resultados econométricos pode-se concluir que as empresas prejudicadas com as elevações da taxa de juros foram àquelas mais líquidas e com maior participação de capitais de terceiros e que as empresas beneficiadascom as reduções dos juros foram àquelas mais líquidas e menos rentáveis.
Dos resultados da análise de longo prazo pode-se concluir que em geral o comportamento dos excessos acionários das empresas da carteira IBX-50 T não apresentou mudanças significativas após as elevações dos juros. Entretanto, observa-se que para o modelo IBX-50 uma desvalorização dos excessos de retornos tanto para as empresas da categoria “boa notícia” quanto para as empresas da categoria “má notícia” durante a janela do evento. Comportamento inverso acontece quando é considerado o modelo RAM, onde ocorre uma valorização dos excessos de retornos acionários durante aquela mesma janela do evento. Isto pode ser explicado que apesar das empresas apresentarem rentabilidade acima da média dos trinta dias anteriores aos eventos, elas tenderam a perder liquidez com as elevações dos juros. Considerando todos os modelos de retornos normais, a análise dos indicadores financeiros no trimestre anterior as elevações dos juros comprova que as empresas prejudicadas foram àquelas mais líquidas. Por outro lado, quando houve anúncios de reduções da taxa de juros, um grupo de empresas foi beneficiado e outro grupo prejudicado com aqueles eventos. As empresas da categoria “boa notícia” tiveram seus retornos acionários anormais valorizados, enquanto que as empresas da categoria “má
juros. Esta constatação verificou-se para todos os modelos de retornos normais adotados. A análise dos indicadores financeiros no trimestre anterior das reduções dos juros indica que as empresas beneficiadas foram àquelas mais rentáveis e endividadas. Os resultados dos testes estatísticos de significância da análise de longo prazo comprovam que aproximadamente 20% do total das ações da carteira de estudo IBX-50 T foram afetadas com os anúncios das alterações da taxa de juros. Os resultados do modelo econométrico demonstram que o indicador de rentabilidade por ativo, nos modelos mercado IBX-50 e IBOVESPA, influenciou positivamente os excessos de retornos na janela de longo prazo, quando são consideradas todas as alterações dos juros. Mas, quando são consideradas somente as variações positivas da taxa de juros, verifica-se que os indicadores de endividamento e de liquidez influenciaram negativamente aqueles excessos de retornos somente nos modelos de mercado. Além disso, quando são consideradas as variações negativas, os indicadores de rentabilidade, endividamento e de liquidez influenciaram positivamente aqueles excessos de retornos. Com base nos resultados econométricos pode- se dizer que as empresas prejudicadas com as elevações dos juros foram àquelas mais endividadas e mais líquidas, enquanto que as empresas beneficiadas com as reduções dos juros foram àquelas mais rentáveis. De uma forma geral, o que diferencia os resultados da análise de curto prazo do longo prazo é o indicador de rentabilidade por ativo das firmas da carteira de estudo IBX-50 T. Este fato se comprova quando há elevações dos juros, onde aquele indicador de rentabilidade não explica os excessos de retornos acionários na janela de curto prazo, ao passo que na janela de longo prazo ele influencia inversamente aqueles retornos anormais. No cenário de longo prazo, os investidores criam expectativas acima da rentabilidade dos ativos da firma; em outras palavras, eles vêem o potencial de geração de lucros na empresa e com este dado tomam a decisão de investir ou não nas suas correspondentes ações.
Portanto, para a análise do mecanismo de transmissão da política monetária sobre os preços das ações da carteira de estudo IBX-50 T, conclui-se que os resultados são consistentes com a literatura de estudo de eventos sobre a informação contendo anúncios de alterações da taxa básica de juros. Existe uma forte evidência que suporta a hipótese que aqueles anúncios de fato levam a informação utilizada para a avaliação
anos de 2000 a 2002.
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