Em termos gerais, a comunidade virtual ou on-line diz respeito a um grupo de pessoas que se comunica ou interage inicialmente a partir do suporte da internet. Trata-se de uma comunidade estabelecida eletronicamente, cujos membros podem optar mais tarde pela realização de encontros presenciais ou face a face. A comunidade mediada por computador utiliza-se de programas destinados a motivar a interação humana e a regular as atividades dos participantes, conhecidos pela designação inglesa de social software, que será detalhado em capítulo posterior.
No entanto, é importante mencionar que tais programas têm colaborado para o desenvolvimento de agregações sociais no ciberespaço, entre as quais se destacam as chamadas comunidades virtuais. Pode-se dizer que o debate em torno da idéia de uma comunidade instaurada com o apoio de redes de computadores iniciou-se ainda em 1968, com Licklider e Taylor (1990), que nessa época já esboçavam algumas idéias de como seriam essas comunidades de interação on-line ou constituídas via comunicação mediada por computador:
Na maioria dos campos, elas serão compostas por membros geograficamente separados, que, às vezes, estarão reunidos em pequenos agrupamentos, enquanto outras estarão trabalhando individualmente. Serão comunidades não de localização comum, mas de interesse comum. Em cada campo, a comunidade global de interesse será grande o suficiente
para apoiar um sistema global de informações e programas orientados para o campo (LICKLIDER; TAYLOR, 1990, p. 37-38, tradução nossa)8.
Os autores visivelmente entusiasmados com a possibilidade de se comunicar on-line chegaram a indicar algumas vantagens que poderiam ser introduzidas com a adoção desse mecanismo. Por exemplo, afirmavam que um indivíduo conectado seria mais feliz porque as pessoas com as quais iria interagir de modo mais intenso seriam selecionadas mais pelo compartilhamento de interesses e metas comuns do que por uma questão de proximidade acidental. Eles também imaginavam que a comunicação se tornaria mais eficaz e produtiva, portanto, mais agradável. Assim como haveria abundância de oportunidades para todos que pudessem ter acesso ao sistema, pois existiriam programas prontos para guiá-los ou ajudá- los a explorar informações sobre diversos domínios e disciplinas.
Apesar de Licklider e de Taylor (1990) deixarem evidente um excesso de positividade ao abordarem o estado emocional de felicidade que tomaria o indivíduo pelo fato de poder se relacionar a partir da comunicação mediada por computador e em função de gostos pessoais, a proposição elaborada por eles sobre como seria uma comunidade on-line adquire relevância pela iniciativa pioneira.
As chamadas comunidades virtuais foram criadas originalmente via sistemas de redes de computadores nos Estados Unidos antes mesmo da consolidação da internet, na década de 70. É o caso do Bulletin Board System (BBS), redes de computadores comunitárias e independentes de uma grande rede telemática: “ Em 1972, a revista radical People Computer Company (PCC), do subúrbio industrial de São Francisco, cria um banco de dados eletrônico urbano acessível e útil à comuni dade. Surgem os primeiros BBSs (Buletin Board Systems).” (LEM OS, 2002b, p. 115).
No ano seguinte, em 1973, aparece outra proposta nomeada Community M emory, que utilizava uma rede de terminais dispersa também na região da baía de São Francisco, visando estabelecer um modo de democracia direta, sem controle central e onde cada participante poderia ler e introduzir mensagens. Nessa época, vários grupos passaram a se
8“ In most fields they will consist of geographically separated members, sometimes grouped in small
clusters and sometimes working individually. They will be communities not of common location, but of common interest. In each field, the overall community of interest will be large enough to support a comprehensive system of field-oriented programs and data.” (LICKLIDER; TAYLOR, 1990, p. 37-38).
mobilizar com o objetivo de criar uma tecnologia alternativa, democrática, interativa e fácil de usar, quando o projeto de comunidades virtuais começava a dar os primeiros passos a caminho da concretização.
Há quem considere a rede Usenet, sigla da expressão em inglês Unix User Network, fundada em 1979, como um modelo preliminar de comunidade virtual ao permitir a reunião de pessoas para discutir temas de interesse. Trata-se de um sistema de comunicação onde os usuários postam mensagens de texto, também chamados de artigos, em fóruns que são agrupados por assunto, os newsgroups ou grupos de notícias.
Assim, a Usenet promovia o contato e a participação em grupos organizados por tópicos específicos, sendo que os artigos postados nos newsgroups eram retransmitidos por meio de uma extensa rede de servidores interligados, que contou com a contribuição de moderadores voluntários para fortalecer a rede.
Conforme Giese (1996), os newsgroups da Usenet surgiram em paralelo à busca de soluções para os problemas técnicos da ARPAnet, mediante um esforço colaborativo entre pesquisadores que atuavam em pontos separados com o objetivo de garantir o sucesso do projeto. Um esforço colaborativo que fomentou discussões via rede, originando os grupos de discussão on-line. Esses grupos identificados por milhares de tópicos específicos t ransformaram-se em uma característica permanente da internet. Por conseguinte, a instauração do sistema Usenet provocou uma mudança no entendimento sobre a rede, antes concebida enquanto uma ferramenta, que passou a ser vista como um meio destinado a promover interação social.
Um dos autores responsáveis pela popularização do conceito de comunidades virtuais é Rheingold, que publicou em 1993 o livro The Virtual Community: homesteading on the electronic frontier, onde narra suas experiências em grupos sociais mediados por computador. Como é o caso do The WELL, uma comunidade on-line estabelecida em 1985 e que se destaca no conjunto de iniciativas pioneiras do gênero, na qual muitos usuários se engajaram de forma voluntária para a sua construção e manutenção.
Na concepção do autor: “ Comunidades virtuais são agregações sociais que emergem na internet quando uma quantidade significativa de pessoas promove discussões públicas
em um período de tempo suficiente, com emoções suficientes, para formar teias de relações pessoais no ciberespaço.” (RHEINGOLD, 1993, p. 5, tradução nossa)9
.
Uma definição sujeita a receber críticas pela falta de clareza, pois como se poderia medir o que se entende por uma quantidade de tempo ou de emoções suficientes para se compor uma comunidade virtual. Ainda com relação ao lado emotivo dos participantes, não se sabe quais tipos de sentimentos deveriam estar correlacionados. Todavia, apesar de ser uma noção vaga, percebe-se que Rheingold (1993) analisa a comunidade virtual como uma entidade real, valorizando as dinâmicas comunicativas e interativas entre os membros.
Na compreensão de Fernback (1999, p. 205), a comunidade é ao mesmo tempo um objeto de estudo (uma entidade, uma manifestação) e um processo comunicativo de negociação e produção de um compartilhamento de sentido, de estrutura e cultura. O terreno da comunidade é mapeado através de um processo de reconciliação de dinâmicas interpessoais, dinâmicas coletivas e de ideologias.
Ele explica que a palavra comunidade com todos os significados capazes de evocar, como relacionamento e convivialidade, passou a ser interpretada como um termo simbólico eficaz para assinalar as relações sociais estruturadas no ciberespaço. A essência da comunidade seria a commonality, expressando a comunhão, a partilha de algum interesse ou de uma localização física. Contudo, adverte que é difícil se observar uma comunidade empiricamente porque suas fronteiras são continuamente renegociadas.
Para que o sentimento de comunhão se dissemine, é necessário haver compartilhamento de saberes, de informações e de toda sorte de opiniões, divergentes ou não, pois todo processo de interação social cria uma tensão entre o indivíduo e o grupo ou entre indivíduos em particular. Tanto que o sociólogo Simmel teve como preocupação ressaltar o aspecto positivo e integrador de antagonismos e conflitos que estão organicamente vinculados aos próprios elementos que mantêm o grupo unido.
“ A oposição de um membro do grupo a um companheiro, por exemplo, não é um fator social puramente negativo, quando muitas vezes tal oposição pode tornar a vida ao menos possível com as pessoas realmente insuportáveis.” (MORAES, 1983, p. 127). Logo, a situação conflitante aparece como uma maneira saudável de verificar o grau de tolerância
9
“ Virtual communities are social aggregations that emerge from the Net when enough people carry
on those public discussions long enough, with sufficient human feeling, to form webs of personal relationships in cyberspace.” (RHEINGOLD, 1993, p. 5).
no grupo, havendo a oportunidade de novos pontos de vista ser elaborados a partir de debat es.
No interior das comunidades virtuais podem existir ainda elementos como solidariedade, afeto, emoção, ajuda mútua, cooperação, memória coletiva, união, identificação, convergência de interesses. Uma série de traços típicos das comunidades ditas tradicionais e que não necessariamente está presente em grupos on-line, além de que algumas habilidades e estratégias comportamentais e comunicacionais podem ser reelaboradas para que ocorra o engajamento de todos os participantes, os quais interagem dispersos no espaço e no tempo.
Algo que pode ser ilustrado com a criação da Netiqueta, um conjunto de regras de conduta adotada no ambiente virtual com o intuito de manter um convívio harmônico entre os membros, independentemente das semelhanças e diferenças. Sendo a expulsão uma das punições mais severas para os que desobedecerem aos valores do grupo.
A comunicação via redes de computadores, que não deve ser analisada apenas como uma ferramenta, mas simultaneamente como uma tecnologia, uma mídia e um instrumento promotor de relações sociais (JONES, 1998), também oferecem aos usuários vantagens e desvantagens. Na visão de Rheingold (1998, p. 122), o contato em comunidades virtuais apresentaria uma diversidade de vantagens se comparada às ultrapassadas comunidades fundamentadas em torno de um local ou de uma profissão: “ Como não podemos nos ver, somos incapazes de formar preconceitos sobre os outros antes de lermos o que têm a dizer. Raça, sexo, idade, país de origem e aparência física não são aparentes a menos que uma pessoa queira tornar públicas essas características.”
Por esta ótica, a CM C pode motivar o estabelecimento ou não de laço social a partir do discurso e da opinião expressos por cada participante, sobretudo, em listas de discussão. Trata-se de uma idéia coerente tanto que isto ocorre com freqüência em contatos firmados via ambiente virtual, porém, torna-se uma prática comum o envio de mensagens de apresentação, nas quais informações pessoais e profissionais são divulgadas espontaneamente.
Além disso, as variadas ferramentas voltadas para estimular a comunicação, como blogs, fot oblogs e a rede social orkut, disponibilizam espaço para o armazenamento de fotos e vídeos, que facilitam a identificação dos usuários com os quais se contata on-line. Quando
a aparência física e outros dados ficam visíveis, podendo interferir nos relacionamentos, seja de modo positivo ou negativo.
Outra vantagem apontada por Rheingold (1998) é que as comunidades organizadas on-line são instrumentos que conectam pessoas de acordo com os interesses mútuos compartilhados, diferentemente dos tipos tradicionais de comunidades, nos quais os laços são constituídos pela relação de parentesco ou de proximidade geográfica. Situação em que as pessoas estabelecem um contato inicial face a face, em um momento de apresentação, no qual em geral se mantém uma conversa um tanto formal, justamente por se tratar de um primeiro encontro, e somente a partir de novos contatos laços de amizade podem ou não ser criados.
Enquanto em comunidades virtuais, você conhece a pessoa, seus gostos e interesses, por meio da convivência, da troca de informações e em seguida decide se quer encontrá-la pessoalmente. “ Em uma comunidade virtual, podemos ir diretamente ao local onde nossos interesses particulares estão sendo discutidos e então travar conhecimento com aqueles que compartilham nossas paixões.” (RHEINGOLD, 1998, p. 122-123). Além de exist ir a chance de conhecer uma pessoa que, talvez, jamais se encontraria no plano físico.
Com relação às desvantagens deste modelo de contato, Rheingold (1998, p. 124) afirma que a principal é a impossibilidade de se observar as expressões faciais, a linguagem corporal e o tom de voz, que são vitais no processo de comunicação pessoal. “ A ironia, o sarcasmo, a compaixão e outras nuanças sutis mas importantes que não são transmitidas apenas por palavras são perdidas quando tudo o que você pode ver de uma pessoa é um conjunto de palavras em uma tela.”
Trata-se de um aspecto relevante, pois parte significativa da comunicação humana é assimilada por meio de expressões faciais, gestos e, inclusive, por intercalar momentos de silêncio. Todavia, para se tentar suprir a ausência de visualização na impossibilidade de se usar recursos de transmissão de imagens como a webcam foram elaboradas linguagens por meio de símbolos, os emoticons, palavra derivada da combinação dos termos em inglês emotion (emoção) e icons (ícone), visando traduzir ou demonstrar um pouco do estado de espírito e emoções do emissor da mensagem.
Os emoticons são criados a partir de uma seqüência de caracteres tipográficos, usando acentos, parênteses, dois pontos, como :) que indica alegria, e pelo emprego de ícones gráficos que representam expressões faciais, como o que sugere tristeza . A
utilização destas formas não-verbais de comunicação é surpreendente na internet, a ponto de existirem dicionários explicando as funções de cada símbolo smiley, que são compilados pelos próprios usuários (BAYM , 1998).
A comunicação também é facilitada por intermédio de outros recursos de escrita, como abreviatura de palavras, adoção de novos termos adaptados do vocabulário corrente em informática para servir de apoio, como uma espécie de glossário paralelo. De forma similar, para se descrever alguns sentimentos recorre-se à repet ição de sinais de pont uação para exprimir, por exemplo, surpresa ou indagação. Por outro lado, o uso de letras maiúsculas, salvo exceções, é considerado um ato ofensivo e transmite a idéia de indignação e raiva.
Segundo Rheingold (1998), outras desvantagens podem surgir em decorrência da natureza assíncrona e de um para muitos ou um-todos da comunicação on-line, destacando o grau de incert eza quant o ao recebimento da mensagem. Talvez essa observação tivesse fundamento há alguns anos, uma vez que os soft w ares atuais dispõem de dispositivos que permitem um acompanhamento e até certo controle sobre o envio e recebimento de post agens. O autor continua sua análise:
Outra vantagem que pode se transformar em uma desvantagem é a imprevisibilidade das respostas: é agradável e divertido encontrar todos os ângulos e digressões que as pessoas podem propor em respostas a uma pergunta ou a uma declaração em uma conferência por computador, mas é frustrante quando a resposta específica que você procura se perde no meio da discussão (RHEINGOLD, 1998, p. 124-125).
Todas essas noções partiram das experiências do autor, que ficou convencido de que a formação de uma comunidade é realmente possível através da comunicação via ambiente virtual. Quando as pessoas poderiam ter a capacidade de afetar profundamente as vidas umas das outras mesmo estando diante de uma tela de computador. Sobre a citação anterior, vale realçar que não há processos de comunicação perfeitos, ruídos comunicacionais estão presentes a todo instante, logo, não se pode ter a ilusão de que
sempre se obterá a resposta desejada e nem que as ações colaborativas serão predominantes.
Problemas de toda ordem podem existir em uma comunidade virtual, levando à sua dissolução e fragmentação, portanto, existe a necessidade de se investigar não somente como as comunidades virtuais podem funcionar, mas também a razão delas, freqüentemente, não funcionarem como se desejaria (KOLKO; REID, 1998).
Quanto ao meio digital, ainda é comum se falar que as pessoas podem modificar seus padrões comportamentais pelo fato de não estarem se relacionando frente a frente: “ A comunicação on-line parece desinibir as pessoas. Aqueles que seriam t ímidos pessoalment e podem participar da conversação. E aqueles que são educados no discurso face a face ficam tentados a serem mais rudes do que seriam com alguém de carne e osso.” (RHEINGOLD, 1998, p. 124). Isto de fato pode acontecer principalmente quando se oferece a oportunidade de se relacionar preservando a identidade, um tema que será analisado detalhadamente em capítulo posterior. O que fica evidente aqui é que a CM C, definitivamente, pode trazer vantagens e desvantagens para os seus usuários.
Fernback (1999) concorda que a interação no ambiente virtual altera o modo das pessoas se relacionarem entre si, além de assegurar que nem toda possibilidade de contato envolveria per se a formação de uma comunidade. Um pensamento que também é defendido por Lemos (2002a), ao afirmar que nem toda associação no ciberespaço pode receber o rótulo de comunitária, pois existem certos agrupamentos sociais nos quais os participantes não mantêm qualquer vínculo afetivo e/ ou temporal. Por isso evita falar em comunidades virtuais de forma generalizada, enfatizando a propriedade de aderência eletrônica conferida no ambiente virtual:
Aqui [ciberespaço], o projeto comum, entendido na modernidade como o compromisso político, com suas metas específicas de acordo com um projeto global, transforma-se na busca de interesses comuns, ancorado no presente. O sentimento de aderência exclusiva passa a permitir múltiplos pertencimentos, onde o indivíduo pode navegar de um grupo a outro (LEM OS, 2002b, p. 164).
Ele entende as agregações eletrônicas de tipo comunitárias ou as comunidades virtuais como aquelas onde predomina o sentimento expresso de uma afinidade subjetiva delimitada por um território simbólico, sendo o compartilhamento de emoções e a troca de experiências vitais para a coesão do grupo. Outro aspecto marcante é a permanência temporal, de maneira que os integrantes sintam-se parte de um agrupamento de tipo comunitário (LEM OS, 2002a), podendo criar um laço social permanente e contínuo. O que não sugere, porém, que as comunidades virtuais após iniciadas não aceitem novos membros, mas que é recomendável ter um quadro mínimo de participantes fixos para interagir e manter vínculos sociais.
Segundo Jones (1998), a CM C representa uma forma eficiente de contato social, que é um fator importante no contexto da formação comunitária em um mundo pós-moderno. A CM C permite uma customização dos nossos contatos sociais para planejar, organizar e tornar os laços sociais eficientes.
Trata-se de uma eficiência que estaria relacionada ao modo de apropriação dos diversos recursos oferecidos, na visão de Baym (1998), quando se apropriar implica em dizer que cada integrante de uma comunidade virtual faria certas escolhas diante de todo o aparato disponível, às vezes se servindo de coisas inesperadas ou deixando de lado algumas das possibilidades previstas. Em outras palavras, a organização social no ciberespaço emerge de um processo dinâmico de apropriação no qual os membros invocam estruturas para atribuir sentidos divergentes dos que foram imaginados pelos projetistas.
Assim, o estilo de uma comunidade on-line é modulado por uma variedade de estruturas preexistentes, incluindo contextos externos, estrutura temporal, sistema de infra- estrutura, finalidades de grupo e características dos participantes. O resultado é um conjunto dinâmico de significados sociais sistemáticos que habilita os participantes a se imaginarem eles próprios como uma comunidade. O que torna mais significante a emergência de um grupo específico que reúne formas de expressão, identidades, relacionamentos e convenções normativas (BAYM , 1998).
Na leitura de Castells (2003), a formação de comunidades virtuais está atrelada a um novo estilo de viver em sociedade. Para ele, à medida que proliferam em nossas sociedades projetos individuais com o objetivo de dar sentido à vida a partir do que se é e do que se quer ser, a internet possibilita tal conexão, ultrapassando os limites físicos do cotidiano, tanto no lugar de residência quanto no trabalho, gerando redes de afinidades:
A sociabilidade está se transformando através daquilo que alguns chamam de privatização da sociabilidade, que é a sociabilidade entre pessoas que constroem laços eletivos, que não são os que trabalham ou vivem em um mesmo lugar, que coincidem fisicamente, mas pessoas que se buscam [...] (CASTELLS, 2003, p. 274).
O autor valoriza a especificidade da internet, que constitui a base material e tecnológica da denominada sociedade em rede. M as ao mesmo tempo alerta que a infra- estrutura tecnológica e o meio organizativo potencializam o surgimento de modos diferenciados de se manter em contato com o outro, os quais não têm essencialmente origem social na internet. São frutos de uma cadeia de transformações históricas que, por outro lado, não poderiam desenvolver-se sem o suporte da rede.
Normalmente são utilizadas metáforas para se referir à CM C, concebe-se o ciberespaço como um lugar onde a comunidade pode desenvolver-se e sust ent ar-se, no qual relações de diversificadas natureza podem ser criadas, assim como novos horizontes