A habilidade para se comunicar e se relacionar nos formatos todos-todos, um-todos e um-um6 por meio do ambiente virtual é uma novidade da paisagem cultural do século XX.
Apesar de ser algo relativamente recente, já se discute que partes das suposições inicialmente levantadas a respeito da negociação e constituição de relacionamentos sociais no ciberespaço não parecem ser as mais indicadas para se aplicar no terreno da cibercultura, como o isolamento do indivíduo e a redução de encontros presenciais ou face a face.
A Comunicação M ediada por Computador (CM C), por meio de trilhas eletrônicas que cimentam rotas onde antes se era incapaz de fazer, parece nos conectar mais que nos atomizar, colocando-nos no controle de um tipo de veículo e não nos deslocando do resto do mundo (JONES, 1998, p. 3, tradução nossa)7.
Além disso, a interação humana no ambiente virtual se processa de maneira dialética, ela se transforma com freqüência e pode englobar variados tipos de comportamentos. São atitudes cujas motivações podem partir de um nível mais individualizado como na adesão a redes de relacionamento em busca de amizade, romance,
6A possibilidade de se comunicar nestes três formatos é um dos traços marcantes da comunicação
mediada por redes de computadores, distinguindo-se dos meios de comunicação tradicionais – imprensa, rádio e televisão, no qual um único emissor se dirige a um vasto público.
7
“ Computer-mediated communication (CM C), it seems, will do by way of electronic pathways what
cement roads were unable to do, namely, connect us rather than atomize us, put us at the controls of a ‘vehicle’ and yet not detach us from the rest of the world.” (JONES, 1998, p. 3).
parceria profissional, interesse ilícito, até uma participação de caráter público, mediante o engajamento em uma ação política ou a favor de uma causa social.
Neste cenário, manifestam-se diversas formas de ajuntamento social no ciberespaço, entre as quais se destacam as agregações denominadas genericamente de comunidades virtuais. Uma terminologia que está fundamentada no conceito de comunidade empregado nas civilizações ocidentais e abordado por autores clássicos da sociologia, tornando-se necessário recuperá-lo para se compreender a sua reutilização na cibercultura contemporânea.
Tönnies (1947) publicou pela primeira vez em 1887 a obra Gemeinschaft und Gesellschaft, fazendo a distinção entre dois tipos de agrupamentos sociais: o termo Gemeinschaft recebe a tradução de comunidade e se refere às relações concebidas como vida real e orgânica, aos grupos baseados nos laços de família, na vizinhança, que são acompanhados de sentimentos como de unidade e harmonia. Sua formação está associada a uma unidade perfeita da vontade humana considerada em estado primitivo ou natural (Wesenwille), quando os nexos sociais são intensos, têm valor intrínseco e não dependem de nenhum propósito externo a eles para existirem.
Já Gesellschaft significa sociedade e faz alusão à formação ideal e mecânica, a agrupamentos constituídos em torno de metas e objetivos. As relações sociais se integram e a ação social é guiada pelo aspecto racional, trata-se de uma questão instrumental influenciada por fatores externos. Segundo o autor, a comunidade, que precede a sociedade, começa a dar sinais de enfraquecimento com a urbanização, a organização dos sistemas políticos, a emergência da classe média e com a expansão do sistema econômico capitalista.
As comunidades podem ser exemplificadas pela família ou a vizinhança em uma sociedade pré-moderna, na qual o grupo é visto como uma entidade natural. Assim, torna-se relevante enfatizar que a comunidade de sangue ou de parentesco vista como unidade essencial desenvolve-se e especializa-se em uma comunidade de lugar, imediatamente expressa na convivência local. Comunidade é a vida em comum durável e autêntica, portanto, toda vivência firmada em ações de reciprocidade, de auxílio mútuo, de estilo íntimo, interior e exclusivo, deve ser apreendida como vida em comunidade.
Enquanto que viver em sociedade denota apenas a idéia de ter uma vida em comum passageira e aparente. Sociedade é o público, o mundo, ela engloba um círculo de homens convivendo pacificamente, tal como na comunidade; porém, a diferença é que estes não
estão basicamente unidos, mas essencialmente separados, apesar de todas as uniões. É a descrição da chamada sociedade civil, concebida a partir do agrupamento de múltiplos indivíduos, cujas vontades e esferas formam numerosas uniões, mas permanecem independentes entre si e sem imiscuir-se mutuamente em seu interior. O grupo é percebido como entidade artificial.
Gradualmente a industrialização, o urbanismo, a racionalidade e o interesse calculado de ordem pessoal e político iriam deslocar os laços familiares, religiosos e de amizade, assim como o poder social passaria a se concentrar nas mãos de empresários e industriais. Contudo, Tönnies (1947) admite que na vida em sociedade encontram-se características de ambos os tipos - comunidade e sociedade - e nega que, empiricamente, possa existir uma sociedade com particularidades exclusivas de um ou de outro agrupamento.
Na concepção de Tönnies (1947), as noções de lugar e de comunidade são trabalhadas de modo articulado, tanto que ele costuma usar a expressão comunidade de lugar, sendo que as mudanças sociais vividas desde o século XIX refletiriam na transformação de valores compartilhados coletivamente por meio de experiências. As comunidades tornaram-se aos poucos mais urbanas, ocorrendo em paralelo uma fragmentação da cultura oral, de valores como a moral tradicional e os laços familiares.
Georg Simmel é outro autor alemão que colabora com o debate ao propor uma distinção entre grupos sociais de acordo com a quantidade de membros, percorrendo escalas que variam da aldeia, da comunidade até alcançar o nível de sociedade, sendo todas consideradas de um ponto de vista relacional. O autor identifica as diversas nuances de dominação e subordinação de uma em relação à outra, assim como as que ocorrem no interior de cada uma delas. Nesse sentido, destaca-se uma das suas principais contribuições: a inclusão da noção de conflito como uma das mais vívidas formas de interações, a qual não pode ser exercida por um único indivíduo. Ele argumenta:
Assim como o universo precisa se “ amor e ódio” , isto é, de forças de atração e de forças de repulsão, para que tenha uma forma qualquer, assim também a sociedade, para alcançar uma determinada configuração, precisa de quantidades proporcionais de harmo nia e desarmonia, de associação e competição, de tendências favoráveis e desfavoráveis. M as essas
discordâncias não são absolutamente meras deficiências sociológicas ou exemplos negativos (MORAES, 1983, p. 124).
As sociedades definidas como verdadeiras não são vistas como resultantes apenas das forças sociais positivas, ao contrário, ambas as categorias de interação – positivas e negativas – são necessárias e benéficas para a interação, marcando a interdependência das ações sociais. Os grupos se distingui riam em seu caráter sociológico conforme a extensão e o tipo de competição que admitem, isto é, há uma relação entre a estrutura de cada grupo social e a medida de hostilidade que é permitida entre os membros.
Por este viés, mesmo em grupos pequenos de caráter comunitário, baseados em uma solidariedade estreita e ingênua das condições sociais primitivas e detentores de um sentimento de comunhão, predomina um número ilimitado de relações vitais entre seus membros. Nesse caso, haveria uma determinada quantidade de discordância interna e de controvérsia externa que estaria organicamente vinculada aos próprios elementos que, em última instância, seriam os responsáveis pela manutenção do grupo.
Ainda sobre a questão do conflito, o autor afirma que o desaparecimento de energias de repulsão não iria resultar sempre em uma vida social mais rica e plena. Ao contrário, est ar-se-ia diante de um fenômeno tão diferente e irrealizável como se um grupo fosse privado das forças de cooperação, afeição, ajuda mútua e convergência de interesses. Sem a presença de competição e de oposição entre os indivíduos não se poderia imaginar como a vida urbana moderna estaria estruturada, à medida que coloca cada pessoa em contato com diversas outras todos os dias. Segundo Simmel, toda a organização interna da interação urbana se funda em uma hierarquia bem complexa que envolve simpatias, indiferenças e aversões, do encontro mais efêmero ao mais demorado.
No seu entendimento, a sociedade se constituiria graças a teias de relações criadas por meio de processos de interação mantidos entre vários indivíduos:
Esta ação recíproca se produz sempre por determinados instintos (Trieben) ou para determinados fins. Instintos eróticos, religiosos ou simplesmente sociais; fins de defesa ou de ataque, de jogo ou de ganho, de ajuda ou de instrução, estes e infinitos outros fazem com que o homem se encontre num estado de convivência com outros homens, com ações a favor deles,
em conjunto com eles, contra eles, em correlação de circunstâncias com eles. Num a palavra, que exerça sobre eles e por sua vez as receba deles. Essas interações significam que os indivíduos, nos quais se encontram aqueles instintos e fins, foram por eles levados a unir-se, convertendo-se em uma unidade, numa ‘sociedade’. Pois unidade em sentido empírico nada mais é do que interação de elementos (MORAES, 1983, p. 59-60).
No trabalho de Simmel, há uma valorização do indivíduo desde que esteja em interação com o outro, isto é, mediante a promoção de trocas recíprocas colocadas em ação por sujeitos que estariam se relacionando constantemente. Neste sentido, as interações são concebidas como modalidades de convivência estabelecidas entre os indivíduos, sendo que a ação recíproca entre eles estaria organizada de acordo com a imagem que cada indivíduo forma do outro.
O autor adota o conceito de interação como sinônimo de unidade entre os indivíduos, uma vez que a existência da sociedade depende dessa união que varia quanto ao tempo de duração do contato, podendo ser permanente ou passageiro e efêmero. Em geral, a forma empírica da unidade é conhecida por sociedade, já na concepção simmeliana (M ORAES, 1983, p. 60) é nomeada de sociação:
A sociação só começa a existir quando a coexistência isolada dos indivíduos adota formas determinadas de cooperação e de colaboração, que caem sob o conceito geral da interação. A sociação é, assim, a forma, realizada de diversas maneiras, na qual os indivíduos constituem uma unidade dentro da qual se realizam seus interesses. E é na base desses interesses - tangíveis ou ideais, momentâneos ou duradouros, conscientes ou inconscientes, impulsionados casualmente ou induzidos teleologicamente - que os indivíduos constituem tais unidades.
Simmel defende a tese de que o homem é produto da sociedade, ou seja, seu modo de agir está diretamente relacionado ao seu lugar de origem, ao seu ambiente e à sua própria interação com os outros indivíduos. O homem é formado de acordo com o seu meio e com as possibilidades, inclusive, as técnicas, disponíveis. Somente assim a sociedade é possível.
Em decorrência da preocupação do autor com as formas básicas que o processo de interação social assume, sua sociologia passou a receber o adjetivo formal. Ao analisar a obra simmeliana, Cohn (1979) lembra que apesar de ser possível identificar algumas afinidades ent re os conceit os forma e sist ema; é importante frisar que para Simmel, a sociedade não é um todo estático, sistemático ou coerente, ela está sempre em formação, em um processo sucessivo de fazer-se e refazer-se (M ORAES, 1983).
Na obra póstuma de Weber (1969) Economia e Sociedade lançada originalmente em 1922, o autor menciona o tipo ideal de comunidades afetivas ou emocionais, cuja orientação da ação social baseia-se em um sentido de solidariedade, compreendida enquanto resultado de ligações emocionais ou tradicionais entre os participantes.
A comunidade origina-se de um processo de integração consolidado no sentimento de pertencimento a um determinado grupo que é experimentado pelos membros, cuja motivação apóia-se sobre t oda sorte de fundamentos: afetivos, emotivos ou tradicionais. Um tipo de formação social que é convenientemente ilustrado pela relação familiar, podendo ser representado por uma irmandade espiritual, uma relação erótica, uma relação de lealdade pessoal ou uma herança nacional.
Por outro lado, ele define sociedade como uma relação social em que a atitude em uma ação social inspira-se na compensação de interesses por motivos racionais (de fins ou de valores) ou em uma união de interesses com igual motivação. Weber (1969) declara que a maioria das relações sociais participa, simultaneamente, de uma comunidade e de uma sociedade.
“ Toda relação social que vai além da busca de fins comuns imediatamente atingíveis envolve um grau relativo de permanência entre as mesmas pessoas e tais relações não podem ser limitadas a atividades de uma natureza puramente técnica.” (WEBER, 2002, p. 78). De modo semelhante, toda relação social, inclusive aquela estritamente originada na obtenção racional de algum fim, pode dar lugar a valores afetivos que transcendam o simples fim almejado. Isto implica dizer que o significado subjetivo de uma relação social pode ser alterado.
A relação social tanto em comunidade quanto em sociedade pode ser aberta ou fechada, dependendo da tradição, de atitudes afetivas, de condicionamentos racionais atrelados a valores ou fins. Restrições dentro do grupo podem assumir diversos feitios, seja no contato entre os membros ou em suas relações recíprocas. A forma de admissão ou de
exclusão dos indivíduos também pode variar, uma vez que alguns requisitos específicos podem ser propostos para manter ou não um membro no grupo (WEBER, 2002).
Vale esclarecer que o sentido de uma relação social pode ser marcado pelo consentimento mútuo, no instante em que os participantes fazem promessas referent es à sua conduta futura. Um comprometimento que pode ser de caráter transitório ou apresentar graus variáveis de permanência. Todavia, as comunidades emocionais, em geral, constituem reagrupamentos que estão além dos enrijecimentos inst it ucionais e se distinguem pelo aspecto efêmero da relação, pela composição cambiante, inscrição local, ausência de uma organização e pela estrutura cotidiana.
Nem toda participação comum sugere necessariamente a formação de uma comunidade, explica o autor. A comunidade só existe propriamente quando um sentimento de pertencimento leva à orientação mútua de sua ação reciprocamente referida, e na medida em que esta referência traduz o sentimento de formar um todo. A situação de “ solidariedade” exist e tipicamente nas comunidades familiares e de vida reguladas pela tradição, tipo casa e clã (WEBER, 1969, p. 38).
Outro nome clássico de referência sobre o tema é o de Durkheim (1995), que apresenta duas formas de solidariedade social: a solidariedade mecânica, típica das sociedades pré-capitalistas (comunidades); e a solidariedade orgânica, atributo das sociedades capitalistas. Na solidariedade mecânica, o indivíduo liga-se à sociedade sem intermediários, ele se identifica por meio da família, da religião, dos costumes e tradições. Uma sociedade cuja coesão resulta exclusivamente de semelhanças, é algo natural, pois os indivíduos reconhecem e compartilham os mesmos valores, sentimentos, objetos sagrados, pertencem a uma coletividade, predominando um conjunto mais ou menos organizado de crenças e sentimentos comuns a todos.
Conforme o autor, a solidariedade orgânica é efeito da divisão do trabalho em sociedades mais desenvolvidas. Uma característica que gera um tipo de solidariedade fundado na complementação de partes diversificadas e não mais na semelhança entre os componentes, que estava em vigor na solidariedade mecânica.
M ediante o encontro de interesses complementares cria-se um laço social novo, outro tipo de solidariedade com moral própria, dando origem a uma organização social que tem como princípio a diversidade de papéis sociais. A solidariedade orgânica implica em uma maior autonomia, com uma consciência individual mais livre, quando se busca a companhia
daqueles que pensam e sentem como nós: “ É por isso que procuramos nos nossos amigos as qualidades que nos faltam, porque unindo-nos a eles participamos de algum modo na sua natureza e sentimo-nos então menos incompletos.” (DURKHEIM , 1995, p. 70-71).
Com a divisão do trabalho social, os indivíduos tornam-se interdependentes e garantem a união social a partir de ações complementares, e o equilíbrio é mantido graças à especialização das tarefas. É interessante notar que os indivíduos se aproximam não pela existência de semelhanças, mas pelo fato de serem diferentes, logo, necessários, como os órgãos de um ser vivo.
Nas sociedades dominadas pela solidariedade mecânica, a consciência coletiva - um conjunto de crenças e de sentimentos comuns entre os membros de uma mesma sociedade, formando um sistema determinado com vida própria - abrange a maior parcela de membros. Já nas sociedades dominadas pela solidariedade orgânica, há uma redução desta consciência coletiva porque os indivíduos são reconhecidamente diferentes, neste caso, prevalece uma interpretação individual dos imperativos sociais (DURKHEIM , 1995, 2001).
Nas abordagens até então apresentadas, é trabalhado um ponto de vista dualista entre comunidade e sociedade, ressaltando, normalmente, uma perspectiva um tanto utópica e nostálgica do modo de vida comunitário. Entretanto, outra definição de comunidade é dada por Anderson (1989), que na obra dedicada à questão nacional formula um conceito de nação como uma comunidade política imaginada.
Ele argumenta que toda comunidade é imaginada, isto é, ganha vida e contorno graças à força do pensamento de seus membros; pois mesmo que todas as pessoas jamais se conheçam ou nem sequer ouçam falar uma das outras, na mente de cada um permanece viva a imagem de sua comunhão: “ De fato, todas as comunidades maiores do que as primitivas aldeias de contato face a face (e, talvez, até mesmos estas) são imaginadas. As comunidades não devem ser distinguidas por sua falsidade/ autenticidade, mas pelo estilo em que são imaginadas.” (ANDERSON, 1989, p. 15).
Em outras palavras, uma comunidade apenas exist e porque seus int egrant es a determinam como tal e lhe conferem um sentido que, por sua vez, representa a marca de diferenciação das demais. O motor que impulsiona a formação de uma comunidade está no imaginário e na memória coletiva, quando as pessoas se aproximariam por intermédio do compartilhamento de crenças em mitos, em constituições, bandeiras e diversos símbolos nacionais no caso de Estados-nação.
O resgate conceitual da palavra comunidade fornece subsídios para se entender o mecanismo de formação das nomeadas comunidades virtuais na cibercultura contemporânea. Outra concepção que apresenta diversas versões, em grande parte derivadas da linha sociológica clássica, como a proposta pelos autores Wellman, Boase e Chen (2002). Para eles, embora a internet venha sendo amplamente utilizada desde o início dos anos 1990, o debate sobre o seu impacto na comunidade seria a continuidade de uma preocupação originada durante a Revolução Industrial: o impacto do desenvolvimento tecnológico na vida em comunidade.
Isto porque nas sociedades ocidentais o termo comunidade, tradicionalmente, esteve ancorado no local, na interação com a família e com a vizinhança, além de se referir, em geral, a pessoas social e cognitivamente envoltas pela noção de homogeneidade que acolhe o grupo. Com a Revolução Industrial, houve uma transformação da sensibilidade espaço- temporal relacionada a avanços nos sistemas de transporte e de comunicação, sendo operada em conjunto a uma escala ampla de mudanças sociais.
Assim, com o advento do capitalismo, da burocratização, industrialização e da urbanização, foi alterada a natureza da comunidade até então estruturada na interação porta a porta da aldeia para a formação de comunidades dispersas espacialmente em redes sociais de comunidade. De acordo com Wellman e Leighton (1979), na prática muitos laços comunitários já não tinham origem local mesmo antes do aparecimento da rede mundial de computadores.
Dessa forma, Wellman, Boase e Chen (2002) preferem analisar a comunidade como uma rede social, que poderia ser localmente limitada conforme o modelo tradicional ou de extensão global como acontece em algumas comunidades baseadas no ciberespaço. Quando a internet configura-se como um meio de comunicação e de socialização eficiente, passando a desempenhar uma função no cotidiano das pessoas que se comunicam umas com as outras tanto on-line quanto off-line.
Neste contexto, a comunidade é definida como redes de laços interpessoais que provêm sociabilidade, apoio emocional, informação, sentimento de pertencimento e de identidade social. Esta rede compreendida como comunidade não apenas faria sentido nos tempos modernos, mas contribuiria para se entender o papel da internet no cenário atual.
Contudo, Wellman (2004) admite que a forma de apropriação e de incorporação da internet tem um diferencial, à medida que se mescla continuamente a padrões regulares da
vida social, além de fomentar uma transformação essencial na índole da comunidade, consistindo agora em redes sociais estruturadas via CM C. Antes de 1990, telefones, carros,