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3 Materiale og metode

4.3 Omorganisering av den statlige legemiddelforvaltningen

4.4.2 Generisk substitusjon

Primeiramente há que se considerar que, de acordo com o IBGE (2016), o Pará é o segundo maior estado do Brasil, menor somente que o Amazonas, e é subdividido em 144 municípios; ocupando uma área de 1.247.954.32km² do território nacional, o que representa aproximadamente 15% do mesmo.

O Censo de 2010 traçou a estimativa que a população do referido estado em 2015 seria de 8.175.113 habitantes e que, desse total, sua capital Belém abrigaria o montante de 1.439.561, em uma área de 1.059.561km². O Pará apresenta uma densidade demográfica média de 6,07hab/km², enquanto Belém, 1.315,26hab/km² (IBGE, 2016). Dados que demonstram uma grande concentração habitacional no município.

Partindo-se das informações referentes à extensão territorial e considerando-se a posição geográfica do estado, pode-se afirmar que o mesmo comporta diferentes hábitos alimentares, de acordo com o nível de interiorização, da proximidade de determinado município ou da microrregião que integra com relação aos rios e mares que banham sua área

42 de influência, e também pela fauna e flora presentes, além da predominância da atividade agropecuária ou do extrativismo na localidade.

Sobretudo, o termo “culinária paraense”, por vezes representando exatamente o que os teóricos dissertam como sendo culinária amazônica – e mesmo que ressaltando determinadas peculiaridades do Pará, não se opõem a ele – será abordado para referenciar a cozinha típica que se pratica em Belém, no dia a dia, nas festas, em eventos gastronômicos, seja ofertada como comida de rua, no âmbito domiciliar ou nos restaurantes frequentados por turistas.

Em razão da restrita bibliografia específica, optou-se por coletar informações que dizem respeito às influências históricas alegadas à região amazônica ou ao Norte do país, traçando uma relação com o que é usual na contemporaneidade, identificado como alusivo à culinária típica paraense.

Voltando-se ao tripé formado por indígenas, africanos e europeus, mais especificamente os portugueses, de forma geral, diz-se que a culinária amazônica guardaria uma maior autenticidade relacionada à natividade brasileira quando comparada às cozinhas das demais regiões, em razão da manutenção de hábitos alimentares que representam ou fazem alusão aos índios que habitavam abundantemente esse território, antes do início da colonização e até mesmo ao longo de décadas durante esse período em curso.

Para Alves Filho e Di Giovanni (2000, p. 28),

o relativo isolamento da Amazônia do resto do país possibilitou que a cozinha local permanecesse extraordinariamente próxima das tradições originais. E isso se dá até mesmo na maneira de o homem comer naquela região: lançando a farinha à boca com as mãos, as populações do norte traduzem uma influência tipicamente indígena.

Sobre a farinha, Cascudo (2011) registrou que “quem viveu na Amazônia, seringueiros, regatões, viajantes, lavradores, os padres das missões, todos atestam a indispensabilidade da farinha”, ao passo em que “para o brasileiro do povo „comer sem farinha não é comer‟” (2011, p. 101), mas afirma que o alimento certamente teve mais serventia nos Rios13 Amazonas e Pará.

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43 Cascudo (2011) intitulou a mandioca como “A Rainha do Brasil”, citando sua utilização para a preparação de beijus14 e farinhas, assim como para extração da goma de tapioca15 e do tucupi16, e até o uso da maniva17, cujo primeiro registro data do século XVI. O referido autor também registra que o sumo da mandioca, ou seja, o tucupi, servia de caldo para peixes e carnes, e raramente adicionavam camarões secos, sendo temperado apenas com pimenta e sal; estima-se que nessa composição tenha-se originado o Tacacá.

A respeito do tacacá, Castanho e Bianchi (2013, p. 56) destacam que:

Muitos ainda discutem se o tacacá é uma comida ou uma bebida. Essa é uma especialidade que virou símbolo de comida de rua no Pará e em outras cidades amazônicas. Beber o tacacá na cuia18, nas barracas das

“tacacazeiras”, tornou-se um ritual adotado por muita gente em nossa região. Parece uma contradição beber essa iguaria tão quente em uma região tropical. Porém, a sensação de amortecimento19 na boca e de troca de calor

nos alivia e é sinônimo de conforto.

Vale ressaltar que é impensável ou tido como uma afronta cultural a degustação, específica do tacacá, em qualquer outro tipo de recipiente ou com auxílio de talheres. Há relatos de que originalmente, antes de existirem os palitos de madeira, o desafio era degustar a especiaria “pescando” as folhas e os camarões com a boca. Os ingredientes que compõem o tacacá são: goma (mingau da goma de tapioca), tucupi, jambu e camarão salgado.

A respeito da Maniçoba, Alves Filho e Di Giovanni (2000, p. 74) sintetizam que “poucos pratos talvez encarnem a história do país desde o início de sua colonização” como ela, que nos primórdios seria preparada com peixes, tartarugas e pacas; eles enfatizam que a maniçoba é comida para ser preparada em grandes caldeirões para grandes mesas, sendo atrelada à festas. Observa-se que os autores não referenciaram tempo de cozimento na composição da receita.

14 “Especialidade sem glúten que pode ser preparada como tapiocas, biscoitos e pães de frigideira. O ingrediente principal é a farinha de tapioca ou a goma de mandioca” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 246). Em algumas localidades o beiju é preparado com farinha d‟agua.

15 Ou goma de mandioca “fécula decantada do suco da mandioca usada na preparação de vários pratos [...]. Pode ser deixada fermentando antes da secagem, quando recebe o nome de polvilho azedo, ou simplesmente seca, para fazer o polvilho doce” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 248).

16 “Tempero e conservante de uso amplo na Amazônia, é elaborado a partir do cozimento da água extraída da mandioca espremida para a feitura da farinha” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 250).

17“Folhas da mandioca. Depois de moídas e cozidas por um longo tempo são utilizadas para fazer um prato chamado Maniçoba” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 248).

18 Fruto da cuieira. Recipiente ovoide no qual convencionalmente é servido e degustado o tacacá.

19 Sensação provocada pelo Jambu, uma erva típica da Amazônia, que “tem a propriedade de amortecer temporariamente a percepção táctil da boca quando mastigada. Tanto as folhas quanto as flores são usadas como tempero em vários pratos da culinária tradicional do Pará” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 248).

44 Na mesma obra, ao apresentarem a receita do Pato no tucupi, Alves Filho e Di Giovanni (2000) comentam que há indícios de que os índios já comessem e criassem patos, e ressaltam o fato do referido prato ser associado à comida de festa. No cotidiano, existem versões mais acessíveis, em que: frango, galinha, peru ou chester são usados em substituição ao pato, seguindo-se as mesmas orientações para o preparo.

Ainda sobre os hábitos alimentares indígenas, “adoram os alimentos líquidos. Raízes e frutas fornecem bebidas que os antigos cronistas dos séculos XVI e XVII afirmavam fortificantes e deliciosas, apesar da repugnância instintiva por saber algumas sofrer mastigação prévia para ativar a fermentação” (CASCUDO, 2011, p. 129). Estima-se que a maniva era uma das folhas mascadas antes de ser utilizada como conservante de carnes.

Cascudo (2011, p. 135) expressa que:

Seriam alimentos líquidos característicos os mingaus, farinha, tapioca, carimã20, fervidos e absorvidos quentes. [...] Ainda hoje, nas peixadas do Norte, depois do prato de peixe cozido ou assado (frito), o primeiro com pirão (escaldado ou fervido) e o segundo com pirão ou arroz, é sempre oferecido o caldo de peixe final, que muitos fregueses espessam com farinha fina.

O autor referenciado comenta que a cuia era utilizada como recipiente para servir e degustar esses alimentos.

Em outro momento, Cascudo (2011, p. 478) afirma que “o condimento incomparável para o brasileiro é a pimenta”, embora considere a existência de inúmeras espécies espalhadas pelo mundo. Há relatos de que o tempero da comida para o índio era a pimenta, visto que desconheciam o sal. O sal, de acordo com o referido autor é uma herança portuguesa.

Sobre a pimenta, destaca-se a Pimenta-de-cheiro que é a “designação comum a inúmeras variedades de pimenta (Capsicum odoriferum) que apresentam cores e formatos diferentes, todas caracterizadas por uma baixa picância e forte aroma, amplamente utilizadas na culinária do Norte do país” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 249); entre essas, a preferida para o preparo ou consumo com comidas típicas é a de formato ovalado e cor amarelo-clara, conhecida como Cumari-do-Pará (Capsicum chinense Jacquin). É bastante comum a produção e venda de molhos artesanais de pimenta-de-cheiro conservadas no tucupi.

20 “Também chamada de mandioca mole, é a polpa da raiz da mandioca deixada de molho na água para fermentar. Com ela são feitos vários preparos, incluindo a farinha de carimã, que é alva, fina e delicada. Muitas vezes os colonizadores substituíam a farinha de trigo europeia por essa farinha” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 248).

45 Curiosamente, a ingestão de carne e peixe(s) salgado(s) integra o hábito alimentar da região, destacando-se nessas modalidades o Charque21 e o Pirarucu respectivamente. Castanho e Bianchi (2013) designam o charque como o mesmo que carne-seca, como é chamado no Sudeste do país, embora haja controvérsias com relação a isso no Nordeste, onde a carne-seca tem outra definição; os autores também observam a existência de outras denominações, como exemplo Jabá.

Com relação ao pirarucu, “é o maior peixe de escamas do mundo, podendo atingir 200kg. Foi utilizado pelos portugueses como substituto do bacalhau, sendo salgados em grandes pedaços, que podiam ser conservados por longo período” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 249). Por causa da pesca predatória desse peixe, essa atividade chegou a ser severamente fiscalizada no passado, pelo risco de extinção da espécie; não se sabe ao certo se há regulamentação própria para controle da captura do pirarucu, mas sua venda é liberada nas feiras, mercados e supermercados de Belém.

Cascudo (2011) expressa que, mesmo na ausência do sal, os índios não tinham dificuldade para conservar o pescado, pois desenvolviam a técnica do moquém, ou moqueio. A técnica consiste em deixar assar ou secar o peixe, para consumo ou conservação, por um método de defumação em que a carne passa horas em descanso a certa distância da brasa; desse processo originou-se o peixe moqueado, há registro da aplicação desse método também em carnes de caça.

Quando trata da influência de alemães e italianos na formação da culinária brasileira, Cascudo (2011) admite que as regiões Norte e Nordeste não lhes representavam uma zona de conforto por conta do clima, mas ressalta que foram os alemães que reforçaram o hábito do consumo de carnes salgadas e fumadas22 e de cerveja, bebida que se tornou bastante popular em todo território nacional.

Na culinária paraense, o uso da carne de porco, fresca e/ou salgada, e dos embutidos defumados, é imprescindível na composição da maniçoba tradicional23. Há prenúncio de que os índios alimentavam-se com uma espécie de porco-do-mato, todavia, de acordo com

21“Derivado de ch’arqui, do quéchua, língua dos nativos do Peru, onde tradicionalmente se utilizava esse méto- do para conservar carne” (CASTANHO; BIANCHI, 2013, p. 246).

22 Termo fiel à fonte/autor referenciado.

23 Na atualidade já se produz a comida com carnes de gado e, mais recentemente, na versão vegetariana/vegana para os comensais com restrições alimentares relativas ao porco.

46 Cascudo (2011), o hábito de consumo do porco trata-se de uma herança portuguesa, firmada pelos alemães.

Voltando-se aos portugueses, Cascudo (2011) afirma que foram eles que introduziram as técnicas de doçaria na colônia, que depois foram repassadas aos africanos, que as aprimoraram. Os portugueses revolucionaram os mingaus e beijus dos indígenas, inovaram em seus doces e bolos; o bolo de mandioca (macaxeira) seria um exemplo, e passaram a usar óleo de castanha-do-pará e a própria castanha como confeito.

Com relação aos africanos, além de terem colaborado na introdução do arroz na colônia, também foram responsáveis pela difusão do leite de coco, do azeite de dendê e do cuscuz24. A relação dessa intervenção na culinária paraense dá-se de maneira indireta pelo uso dos ingredientes, pois não se sabe precisar quando, mas ao longo da história, o Vatapá e o Caruru, reconhecidos nacionalmente como comidas típicas baianas, ganharam suas versões particulares na cozinha do Pará.

Faz-se necessário revelar que dos pratos mais emblemáticos citados como representantes da culinária típica tradicional difundida em Belém, listam-se: a maniçoba, o pato no tucupi, o vatapá e o caruru paraenses; todos têm como acompanhamento o arroz branco e, como opcionais, a farinha e a pimenta. O único a parte dessa lista é o tacacá.

Há testemunho de que a técnica de cocção do cuscuz já era conhecida pelos portugueses e africanos, que a desenvolviam com arroz ou farinha de trigo, antes de aportarem na colônia, entretanto Cascudo (2011) estima que o uso do milho com o leite de coco na receita tenha sido uma solução à brasileira, e afirma que a exceção para tal estaria nos estados do Pará e do Amazonas, onde usavam o leite de castanha-do-pará.

Em Belém, no dia a dia, é mais comum encontrar o cuscuz em estabelecimentos que servem café da manhã25, onde geralmente também são ofertados os beijus de tapioca, que são as populares Tapiocas ou Tapioquinhas. Não é mais tão usual umedecer o cuscuz com leite extraído da castanha, o que se nota é o uso do leite de coco não industrializado.

Ainda tratando acerca das influências, Cascudo (2011, p. 617) expõe que “a participação espanhola e a portuguesa até certo ponto se confunde na semelhança cozinheira.

24 Massa de milho pilada cozida no vapor d‟agua.

25 Geralmente barracas de rua improvisadas que funcionam somente no período da manhã, mas também em algumas tapiocarias.

47 Ambos tiveram o árabe e com ele a devoção do azeite de oliva, cebola, alho, as frutas cítricas, o arroz, as papas de cereais”.

Em relação aos franceses, embora em uma fase mais recente da história Paris tenha servido como modelo de urbanização para Belém e Manaus, capital do Amazonas, ao longo do período áureo da borracha na região, também conhecido como Belle Époque, no final do século XIX e início do século XX, não foram detectados registros de influências marcantes deixadas por eles nos hábitos alimentares locais.

No início da década de 1960, o folclorista paraense Bruno de Menezes (MENEZES, 2008) realizou um aprofundado levantamento sobre os alimentos consumidos na região amazônica, com sua pesquisa voltada aos estados do Pará e do Amazonas; o capítulo, publicado no livro de Câmara Cascudo (2008), apesar de ser um trabalho realizado há mais de 50 anos, compila inúmeros ingredientes que compõem os hábitos culinários da região, o que propicia traçar uma relação com a cultura alimentar belenense na atualidade.

A abordagem do autor referenciado inicia com a indicação dos animais consumidos, oriundos de caça e pesca; o relato expõe os nomes científicos, os processos de abate, os modos de preparo resumidos dos pratos e os temperos. Na sequência apresenta-se uma amostra dos alimentos, que segundo Menezes (2008), integram a cozinha do Norte brasileiro.

Pratos [sic] de carnes (caça e pesca): Arapema (espécie de cágado amazônico); Jabuti (espécie de quelônio); Muçuã (pequeno quelônio); Tartaruga (nome genérico de quelônios aquáticos); Tracajá (pequena tartaruga); Peixe-boi (mamífero); Pirarucu (peixe de água doce); e Jacaré (designação genérica de diversas espécies de crocodilianos).

Como temperos e ingredientes para composição desses pratos, no geral, o autor apontou: alho, cebola, tomate, cheiro-verde (coentro), cominho, pimenta de cheiro, limão, manteiga, leite de coco e de castanha-do-pará; citando sempre a farinha como acompanhamento e também registrou o consumo dos ovos e das vísceras dos quelônios.

Sobre o muçuã, Menezes (2008) indica como sendo uma comida tradicionalmente típica do Pará o “casquinho de muçuã”, que é a carne refogada do quelônio servida no próprio casco higienizado, servido com farofa. Atualmente, o consumo de quelônios é uma realidade mais reservada aos municípios interioranos (pela dificuldade de fiscalização) e ao ambiente familiar, em razão das leis específicas de proteção dessas espécies que proíbem sua pesca e caça.

48 O estudioso, nessa referência, expõe que a maneira típica de comer o pirarucu (após dessalgado e frito) seria acompanhada por açaí (com ou sem farinha e/ou açúcar), bebida amazônica, tradicional no Pará. Conforme já referenciado, o pirarucu é um peixe icônico da região, amplamente apreciado e consumido tanto em Belém quanto em Manaus.

Em Belém, normalmente o pirarucu é vendido salgado/seco (como bacalhau) nos mercados e supermercados, mas é possível comprá-lo fresco em grandes feiras, embora não seja um hábito comum. Com relação ao jacaré, é possível encontrá-lo, também salgado ou fresco, à venda em feiras de interiores do estado como, por exemplo, na cidade de Abaetetuba, aproximadamente 120 km da capital.

Menezes (2008) faz menção aos “pratos de carnes de animais da selva e de caça”26, e sobre esses registrou que as carnes moqueadas de algumas espécies, por conterem gordura com “bom sabor”, serviam para substituir o charque em outros preparos, principalmente do feijão; ademais, eram degustadas ensopadas, guisadas ou assadas na brasa, e também podiam ser salgadas quando houvesse necessidade de conservação da carne.

Vale ressaltar que a apresentação sobre o consumo dessas carnes de caças selvagens expõe uma realidade contextualizada, mas um pouco distante do que se compreende como hábito alimentar de uma metrópole como Belém na atualidade, embora esse registro alimentar não seja de total estranhamento para a população local, visto que em municípios do interior ainda é praticado por alguns grupos.

Na mesma linha, o referido autor também apresentou como alimento seis aves, sendo três aquáticas27 e três de selva28, mas devido à ausência de referência atual sobre o consumo das mesmas e por entender que esteja fora da realidade investigada, optou-se por não abordá- las de maneira mais ampla.

Menezes (2008) registrou os Peixes de água salgada (afluência oceânica29): Cação (tido como pequeno tubarão, couro liso); Camurim (conhecido como Robalo, escamoso); Corvina (conhecido como Pescada, seu nome designa escamosos diversos); Enchova (proveniente do mar, escamoso); Filhote (proveniente de rio, couro liso); Gurijuba

26 Anta (mamífero); Caititu (mamífero, chamado de porco-do-mato); Capivara (roedor); Cutia (roedor); Paca (mamífero roedor); Preguiça (mamífero); Tatu (mamífero); Veado (mamífero ruminante); Macacos (mamíferos). 27 Marreca, Pato-do-Mato ou Bravo, e Passarão.

28 Inhambu, Jacamim e Mutum.

29 Os peixes citados sem observação de proveniência no texto, geralmente são encontrados nos rios que recebem água do mar, logo, são adaptados ao ambiente de água salobra, cuja salinização varia de acordo com a estação do ano, atrelada ao período de chuvas.

49 (proveniente de rio, couro liso); Mero (médio porte, escamoso); Piraíba (grande porte, couro liso); Piramutaba (couro liso); Serra (sem escamas); Tainha (designação comum há várias espécies); e Xaréu.

Especificamente com relação ao Filhote, o autor expôs que o peixe pode atingir tamanho e peso consideráveis, mas afirma ser ele pouco estimado na mesa regional; observa- se que na atualidade se trata de uma das espécies mais apreciadas por chefs30, todavia não se encontrou referência que justifique essa contradição.

E como Peixes de água doce (fluviais): Acará; Aracu; Bacu; Bagre; Jaraqui; Mapará; Matrinchão; Pacu; Tambaqui; Tucunaré. Peixes do mato (lago, igarapé, brejos, alagadiços): Acari; Apaiari; Cachorrinho; Jacundá; Mandubi ou Mandubé; e Tamuatá ou Camboatá (MENEZES, 2008). Estima-se que na Amazônia haja mais de duas mil espécies de peixe, sendo os citados representam uma amostra do que é comercializado nos mercados e feiras das principais cidades, obviamente que em razão da localização de cada uma o consumo varia.

Os modos de preparo mais comuns desses peixes são: frito, assado na brasa ou no forno, ensopado (Caldeirada) e cozido. Sendo, no geral, os temperos mais usuais: alho, cebola, tomate, cheiro-verde, cominho, pimenta, limão, leite de coco, leite de castanha-do- pará, sal, azeite, pimentão, tucupi, jambu, chicória e alfavaca; em alguns preparos, o autor revelou os legumes: jerimum (abóbora), maxixe, quiabo e batata.

Menezes (2008) apontou como Mariscos e moluscos (do Norte e da Amazônia): Aviú (minúscula espécie de camarão de água doce); Caranguejo (crustáceo); Mexilhão (molusco); Siri (crustáceo); e Turu31 (molusco). A respeito desses, o aviú é usado para engrossar caldos de peixe, também para fazer tortas, bolinhos e croquetes.

Do caranguejo, prepara-se a unha de caranguejo (uma versão da popular coxinha de frango, feita com a carne do crustáceo), e o “casquinho-de-caranguejo”, que é a carne do crustáceo refogada e servida no casco, lavado e limpo, com acompanhamento de farofa; a mesma forma de preparo e de servir vale para a “casquinha de siri”.

30 Cozinheiros ou gastrônomos que cozinham profissionalmente; normalmente são responsáveis pela organização ou supervisão total da cozinha de um restaurante.

31 Encontrado em troncos de árvores em áreas de mangue, assemelha-se a uma minhoca, e é degustado cru pela população ribeirinha. Trata-se de um alimento rico em nutrientes, aproveitado no preparo de sopas.

50 E enquanto Pratos tradicionais do Norte e da Amazônia: Cabidela; Escabeche32; Maniçoba; Pato no Tucupi; Molho Pardo; Sarapatel; e Sarrabulho. Cabidela e Molho Pardo são preparados de aves, galinha ou pato que, normalmente utilizam o sangue das mesmas no cozimento, com a diferença que o segundo, ao invés da carne da ave usa as vísceras dela. Sarapatel e sarrabulho33 são especialidades feitas com vísceras, mas de porco ou de carneiro, que também utilizam sangue (MENEZES, 2008).

A Maniçoba e o Pato no Tucupi serão tratados mais detalhadamente no próximo item desta dissertação junto aos demais pratos que compõem o cardápio da culinária típica paraense; assim como o Tacacá que foi simplesmente definido como “um alimento tradicional” pelo referenciado estudioso.

O pesquisador também abordou as Bebidas tradicionais do Norte e da Amazônia: Açaí; Afurá; Bacaba; Guariba; Tarubá; Tiborna. Afurá é uma bebida fermentada de arroz,