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Del 5: IMPLEMENTERING

1)  Generelt

No que se refere às actividades realizadas em família, entre risos e silêncios conseguimos destacar dois tipos de actividades que as crianças mais pequenas referem realizar em família: as actividades de lazer e as tarefas domésticas.

Assim, como actividades de lazer temos: - “Jogos…” (Princesa, 8 anos), “Saltar à corda...” (Princesa, 8 anos), “Jogar às escondidas, apanhada, jogar ao galo, lobo mau, aos três porquinhos.” (Kevin, 8 anos), “Fazemos desenhos. Falamos sobre coisas interessantes”. (Kevin, 8 anos), “ Lobo mau, mamá doi-me a barriga, mama benja” (criolo)….. (Barbie, 7 anos), “Desenhos, saltar a corda.” (Barbie, 7 anos), “ Boxe, luta, jogar ao galo e lavar a loiça.” (Mikey, 8 anos).

A identificação deste tipo de actividades de lazer remete-nos para actividades que as crianças realizam com os seus grupos de pares, vizinhos, irmãos e não propriamente a actividades que se realizam com a participação de todos os elementos do agregado familiar.

Por outro lado, encontramos as tarefas domésticas, entendidas por eles como actividades em família, como nos é possível perceber através dos relatos: “Limpo a

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casa, lavo a loiça, limpo o quintal eu ajudo a minha mãe a fazer a faschina”. (kevin, 8 anos), “Eu ajudo a minha avó a lavar a loiça, limpo os quartos, a cozinha, o corredor, a sala e a sala de visita e a varanda.” (Princesa, 8 anos), “Eu ajudo a minha mãe a limpar a sala, a cozinha, o quintal, o quarto, o corredor...” (Barbie, 7 anos).

Gostaríamos, neste ponto, de enfatizar que estes discursos sugerem que as crianças assumem as responsabilidades ao nível da realização de tarefas domésticas, ou pelo menos parte delas, pelo que esta prática parecer ser assumida pelas crianças como comum e rotineira com o qual já se sentem familiarizadas.

Por sua vez, os mais crescidos identificam actividades associadas apenas ao lazer, como nos é possível constatar nos seus discursos: “Festas, almoços em casa. Idas à praia, mas só as vezes” (Lili, 14 anos), “Jogámos futebol e Voleibol” (Cristiano, 11 anos), “Costumamos jogar à mata, à bola, às escondidas. Às vezes vamos passear! Vamos ao parque e à praia.” (Carla, 13 anos).

Nestes discursos já encontramos a valorização de actividades, não tão relacionadas com as “brincadeiras” mais infantis, mas a importância da existência de momentos de prazer, que propiciem o bem-estar, principalmente o bem-estar pessoal, bem característico dos adolescentes.

Importa fazer referência ao testemunho da Cláudia que nos ilustra a falta de disponibilidade, muitas vezes demonstrada pelos cuidadores: “Fazemos pouco!!!!” (Cláudia, 13 anos).

“Quando tentamos explorar ainda mais esta questão a Cláudia deixou escapar que quando se quer divertir, fá-lo com as amigas, chegando a passar noites fora de casa, sem que para isso a sua mãe a repreenda. Ao que tudo indica, parece ser normal que uma criança de 13 anos frequente discotecas até altas horas da noite, pernoitando em casa de estranhos”.

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Este excerto levanta uma questão realmente dramática nos quotidianos destas crianças, que aos nossos olhos, caracteriza as múltiplas faces que o risco pode assumir. Assim, deixar a criança entregue aos seus desígnios e à sua própria responsabilidade, poderá ser um poderoso indicador que risco. A permissividade da mãe, pode neste caso ser entendida como negligência.

2.6 - Compreensão/Incompreensão

No que se concerne à existência de atitudes de compreensão, no meio de suspiros, o Kevin deixam escapar que: “Nem todas as coisas a minha família compreende. Nem

sempre. De vez em quando me percebe!” (Kevin, 8 anos), facto que denota alguma ansiedade. O Mikey, por sua vez, concorda em parte com o kevin: “Não! A minha avó não compreende e depois acha que temos de fazer as coisas outra vez bem.”“Só as vezes, só as vezes é que eles não me compreendem” (Mikey, 8 anos).

Ambos manifestam vontade de realçar este aspecto, o que nos leva a considerar a existência de alguma inquietação, em relação a vontade extrema que manifestam em se sentirem compreendidos por aqueles que ocupam um lugar privilegiado nas suas vidas, a família. Dedicar tempo à compreensão parece ser algo alheio aos pais/cuidadores destas crianças, enfatizando a ideia da existência de relações de poder entre os adultos e as crianças, nas quais, certamente os mais desfavorecidos são as crianças.

A afirmação do poder inclui todos os comportamentos que implicam a aplicação directa de uma autoridade explícita, abarcando portanto, o dar ordens sem justificação para tal, nem qualquer tipo de negociação, impedindo desta forma a compreensão. As estratégias de afirmação do poder são as que fazem apelo à autoridade parental e à posição de poder assumida pelos pais, não retirando proveito das situações de conflito disciplinar para promover as competências de reflexão e, portanto, de internalização do controlo (Cruz, Gamelas & Salvado, 1994).

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Dentro do mesmo grupo, mas na perspectiva das meninas, a compreensão faz parte do seu dia-a-dia: “Sim …. às vezes!”(Barbie, 7 anos), “Sim!”(Princesa, 8 anos), “Acho que compreendem” (Cláudia, 13 anos).

Assim, é curioso perceber como o género diferencia a percepção da compreensão nas crianças mais pequenas. Deste modo, os meninos não se sentem compreendidos pela família mas as meninas sim. Esta ideia sugere-nos que a diferença de maturidade entre os rapazes e as raparigas deste grupo, já se faz notar. Contudo, não nos foi possível explorar mais esta questão com os participantes.

A apoiar esta ideia temos a opinião dos mais crescidos que também se sentem bastante compreendidos no seio familiar: “A mim compreendem” (Cristiano, 11 anos), também reflectido no discurso do seu desenho:

“Sim, sinto-me amado e compreendido por todos lá em casa!”

(Cristiano, 11 anos) Gostaríamos de salientar a forma fugaz com que o Cristiano acrescentou que se sente compreendido aquando da descrição do seu desenho. Assim, parece indicar que na família existe um espaço propiciador de bem-estar, estimulando desta forma o relacionamento interpessoal positivo, baseado na troca de opiniões e onde a sua voz poderá ser tida em conta e valorizada.

Mas nem todas as crianças mais crescidas têm essa opinião como é o caso da Lili: “Às vezes compreendem!!!”“Porque há umas vezes que, tentam saber o que aconteceu e deixa-se passar algum tempo para poder compreender melhor, outras vezes não compreendem. Acham que não tivemos razão ou que fizemos mal!” (Lili, 14 anos).

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Neste caso em particular, a jovem mostra a dificuldade que sente na exposição de acontecimentos, que para ela se assumem como importantes. Indica-nos também que a não-aceitação de determinados comportamentos empregues pela Lili, são percebidos pela jovem como falta de compreensão e não na tentativa de exploração de outras estratégias comportamentais. Neste sentido, parece não existir espaço para o debate de ideias, fazendo apelo as técnicas de afirmação do poder, utilizando como recurso as técnicas de afirmação de poder, as quais apelam a autoridade parental, impedindo desta forma, a reflexão e interiorização de novas condutas (Cruz, Gamelas, & Salvado, 1994).

Interessante o testemunho da Carla que quando não se sente compreendida, procura suprir essa massividade noutras figuras de referência: “Acho que a minha mãe às

vezes me compreende. Outras vezes é a minha madrinha e a minha prima” (Carla,

13 anos).

Como verificámos anteriormente, quando nos referimos ao apoio, as crianças demonstram bastante habilidade na procura incessante de encontrar figuras de referência, mesmo que seja na família alargada.