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Generelle merknader frå Sosialistisk Venstreparti

4. Rammeområde 18 – Rammeoverføringer til kommunesektoren mv

4.2 Generelle merknader

4.2.7 Generelle merknader frå Sosialistisk Venstreparti

Todavia, se parte destes jovens entrevistados sentiu o processo de escolaridade como uma imposição, como uma violência até, a que se resistiu e que se abandonou, para os restantes, a escola foi considerada como fundamental na construção do seu percurso de vida, assim como do seu projeto identitário (Abrantes, 2003:93). É o caso dos entrevistados Filipe, Marta, Rute e Bárbara para quem a escola foi entendida como

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um local de aprendizagem, de formação, de trabalho, de partilha de saberes e competências.

«(…) eu gostava muito da escola, sempre gostei, sempre fui muito curioso, era um dos melhores da turma, para mim foi muito bom. (…) acho que gostei mais do secundário porque comecei …vi que eram matérias mais direcionadas para aquilo que eu gostava e já outro grau de exigência, acho que o básico poderia ser um bocado mais exigente, que não é, infelizmente, e… foi aí o tempo mais produtivo em termos de crescimento pessoal e tudo (…) a escola foi

muito importante para mim» (25 anos, Doutoramento Ciências e Tecnologias do Ambiente).

Ao contrário de Júlio e de Vera, o percurso escolar de Filipe foi bem sucedido, por isso, nunca colocou outra hipótese que não fosse ingressar no ensino superior

«porque lá está, uma pessoa quando é bom aluno… acho que é o caminho óbvio, lógico, nem

sequer se pensa noutra coisa». Porém, Filipe não entrou na área que tanto ambicionava

Anatomia Patológica Citológica e Tanatológica mas sim na «segunda escolha, Biologia, mas mesmo assim não fiquei nada arrependido porque até era uma área que achava bonita e… e depois confirmei que de facto era um curso bonito, com muita gente e gostei».

Satisfeito com o curso, Filipe opta mesmo por continuar no sistema de ensino depois de ter concluído a sua licenciatura, porque face à turbulência vivida atualmente no mercado de trabalho e às dificuldades que os jovens sentem em «arranjar um bom trabalho, um trabalho na área pelo menos, fui fazendo um percurso que muita gente faz, optei

pelo mestrado e pelo doutoramento». Atualmente, aluno no terceiro ano de doutoramento

em Ciências e Tecnologias do Ambiente, Filipe, vinte e cinco anos, vai revelando durante a entrevista que não sabe como é que vai ser quando acabar a sua formação, todavia, parece-lhe «bastante lógico e bastante razoável continuar os estudos e ir para o pós

doutoramento» caso lhe seja concedida uma bolsa, ou quem sabe fazer alguma formação

académica no estrangeiro, pois tem o desejo de conhecer, aprender, contactar com outras culturas porque na sua «área faz muito sentido …bem ou mal continua a ser muito valorizado passar por uma experiência no estrangeiro (…) mas ainda tenho dois anos para acabar o doutoramento, o que me vai permitir pensar melhor naquilo que vou fazer».

Marta adorou a escola primária. Excelente aluna, desde cedo confessa que

«entrou para a primeira classe e pouco tempo depois passou para a terceira», por isso, tal como Filipe nunca equacionou outro desfecho que não fosse a entrada no ensino superior. Desde pequena que sempre soube que a área que pretendia seguir era saúde. Assim, no secundário, os pais feirantes de profissão decidiram coloca-la numa escola privada passando a andar sempre em turmas «dos potenciais futuros senhores doutores»

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situação que detestava porque os colegas eram «uns verdadeiros betinhos, todos muito

altivos» e ela era muito simples. Por isso, Marta não gostou muito de andar no

secundário, surgindo mesmo algumas indecisões no décimo segundo ano «tanto que eu depois resolvi fazer um décimo terceiro ano porque eu não sabia muito bem para aquilo que eu queria ir, andava ali indecisa quanto a veterinária ou medicina e…também não sabia bem como

estavam as minhas notas e então fiz um décimo terceiro ano». No entanto, no ano em que

concorreu à universidade, Marta não entrou na sua primeira opção: fisioterapia. «(…) foi por pouco mas como era a mesma faculdade entrei para lá com a ideia de depois intrinsecamente mudar, mas… depois acabei por gostar do curso de cardiopneumologista e fui

ficando e agora até agradeço por isso». Área que adora e em que trabalha atualmente.

Rute também protagonizou um percurso bastante linear na escolaridade prévia até ao ensino superior. Aluna brilhante e bastante empenhada desde a primária até ao secundário perseguiu desde cedo com determinação o seu objetivo de «ser professora de matemática e… concorri para Escola Superior de Educação para o curso de matemática e… não consegui por uma décima, lembro-me que foi assim uma coisa… por causa da geometria descritiva que era assim aquela disciplina, pronto, concorri mas não entrei e estive um ano a fazer melhoria de notas, às específicas, e voltei a concorrer no ano seguinte e voltei a não conseguir entrar, no entanto, decidi concorrer a outros cursos da Escola Superior de Educação, nomeadamente, ao de Gestão de Património. Na altura, a minha ideia era entrar e depois na segunda época pedir a transferência para professora de matemática, mas gostei tanto do curso que acabei por não mudar e podia ter mudado porque depois até tinha média para entrar na

segunda época» (31 anos, Mestrado em Museologia). Rute inicia assim o seu percurso

académico no curso de Gestão de Património, seguindo mais tarde para o Mestrado em Museologia área que adora e trabalha.

Considerada pela família como Maria rapaz durante a infância, Bárbara gostou sempre muito da escola, tanto que o seu sonho, tal como Rute, era ser professora. Com um sorriso no rosto vai referindo durante a entrevista que se lembra «inclusive do dia da

matrícula em que eu já queria ficar (risos). A maior parte dos miúdos ficam a chorar porque não querem ficar logo no primeiro dia que era a matrícula, para aí uma semana antes, ou que é que foi, já queria ficar lá. Adorei a escola primária. O secundário também (…) e a minha vocação era ser professora primária, sempre quis ser, ensino básico, primeiro ciclo… pensei também em direito porque era uma área que eu me adequava e na altura cheguei a pôr isso em causa, mas não… era professora, não havia hipótese porque era para professora que eu queria

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ir». No entanto, na entrada para a universidade Bárbara não entra na área que tanto

desejava, mas sim, em Gestão do Património que constitui «segunda opção porque achei interessante a parte cultural. Era também um ramo que me cativava e …. entrei nessa segunda opção e depois resolvi “ah eu vou mudar” porque era na mesma faculdade, mas a meio do curso comecei a gostar cada vez mais, depois também tinha a vertente dos serviços educativos que me fazia de certa forma estar a trabalhar com crianças, no fundo era a função de um

professor não é, e acabei por ficar». Apesar de gostar muito do curso, de ter sido uma boa

aluna durante a licenciatura que tirou, Bárbara nunca trabalhou na sua área. Refere com alguma mágoa que «contínuo achar que foi sempre uma mais valia apesar de não estar a trabalhar na minha área neste momento. É sempre uma aprendizagem e aprendesse tudo, às vezes muito mais que os conteúdos do curso, o convívio com determinadas pessoas e com alguns professores por vezes acabam por nos transmitir algumas experiências de vida e alguns conhecimentos que de outra forma não os íamos adquirir» (30 anos, Licenciada em Gestão do

Património). Bárbara encontra-se neste momento abrir o seu próprio negócio.