• No results found

Generate Product Concepts

In document BACHELOR THESIS (sider 60-65)

A observação de aulas e os diários são ferramentas típicas da pesquisa etnográfica escolar. A observação pode ser realizada por um dos participantes que fazem parte da situação observada ou por alguém de fora que grava os detalhes dessa situação (Seliger e Shohamy, 1995). Estes autores lembram que os diários têm sido utilizados intensamente na coleta de dados sobre as experiências de aprendizagem de línguas de alunos e que podem ser redigidos pelo pesquisador e/ou algum dos participantes.

As vantagens da observação de aulas podem ser resumidas da maneira seguinte: a) permitem estudar o fenômeno de perto; b) a atenção pode focar um sujeito/objeto ou um grupo deles; c) sua duração depende do objeto de estudo; d) as sessões podem ser gravadas em vídeo ou áudio; e e) têm diferentes graus de explicitude dependendo da especificidade dos dados (Seliger e Shohamy, 1995). Nessa pesquisa os focos de observação e o guia para a redação dos diários por parte do pesquisador e dos professores participantes foram estabelecidos a priori.

Por meio desses dois instrumentos se pretend ia coletar informação para identificar: a) a atitude dos participantes perante as tarefas de escrita dentro e fora da sala de aula (pergunta b); b) as ações relativas à escrita que eles desenvolviam em sala de aula (pergunta c); e c) a relação entre as crenças e estratégias verbalizadas e as ações realizadas (pergunta e). Em função desses objetivos e dentro da programação regular do curso de E/LE, foram estruturadas seqüências didáticas (Apêndice C) idênticas para serem desenvolvidas ao longo de três semanas pelos titulares das turmas (A, B e C) em que estavam matriculados os alunos participantes do estudo.

O período de observação focalizada nas atitudes e ações dos informantes pesquisados com relação à escrita parece curto em se tratando de um estudo qualitativo. Entretanto, as seqüências didáticas escolhidas e desenvolvidas durante as três semanas do curso garantiram a coleta de suficientes dados em função dos objetivos da pesquisa, como se pode constatar nas tabelas e apêndices deste estudo.

Também foi estabelecida uma “regra de procedimentos” entre os titulares das três turmas, quanto ao desenvolvimento das referidas seqüências e aos pontos específicos a serem observados e comentados sobre cada um dos alunos participantes. Para assegurar a maior uniformidade possível nestes procedimentos, foi elaborado um esquema de observação/modelo de diário (Apêndice D) com a identificação dos informantes, as datas das aulas e os aspectos a serem observados e comentados.

O pesquisador observou quatro aulas nas turmas B e C, enquanto as professoras Aparecida e Telma observaram o mesmo número de aulas na turma A. A professora Maria assistiu a todas as aulas da turma durante as já citadas seqüências didáticas. A idéia era observar o foco de atenção da investigação desde diferentes perspectivas e contrastar os dados à procura da maior objetividade possível.

As aulas da turma A foram gravadas em vídeo; mais não foi possível fazê-lo nas outras duas turmas por falta de consenso entre os alunos para autorizar a gravação (sós dez desses aprendizes participara m da pesquisa).

As gravações das observações das aulas foram de escassa utilidade por terem sido limitadas a apenas uma turma e sua duvidosa eficácia para captar as ações, atitudes e interações dos alunos na realização de tarefas de escrita.

Os efeitos dessas limitações foram reduzidos em alguma medida com a presença de dois observadores (o professor titular de cada turma e outro externo) nas salas de aula durante o desenvolvimento das seqüências didáticas concebidas para as sessões de observação e com os intercâmbios de opiniões entre ambos os observadores imediatamente depois de cada aula observada. Os dados primários coletados por meio desses instrumentos estão resumidos no Apêndice D1.

3.4.3 Entrevistas.

De acordo com Nunan (1997), as entrevistas têm sido amplamente utilizadas como instrumentos de investigação em Lingüística Aplicada, preferentemente as semi-estruturadas e abertas, para os casos de estudos interpretativistas como esse. Essa técnica oferece ao investigador um aceitável grau de controle e flexibilidade, a partir dos assuntos de seu interesse que determinam o curso da entrevista.

No sentido anterior, Seliger e Shohamy (1995) lembram que as entrevistas têm sido aplicadas nas pesquisas em L2 para coletar informações sobre assuntos encobertos como as atitudes, a motivação e as estratégias dos aprendizes. Este instrumento está considerado como uma das formas mais poderosas de entender os informantes na investigação qualitativa, pois permite o acesso às crenças, aos desejos e às intenções do indivíduo por meio de suas próprias palavras.

Duas desvantagens que devem ser levadas em consideração na hora de elaborar e/ou aplicar esta técnica têm a ver com a natureza assimétrica das relações entre os participantes; ou seja, o poder e a autoridade do investigador perante a ausência desses atributos nos entrevistados (Nunan, 1997) e a tendência desses últimos expressarem o que acham que o pesquisador quer ouvir (Ellis, 1985).

Foram realizadas entrevistas semi-estruturadas com dezoito informantes (menos C3) com o propósito de esclarecer ou corroborar informações coletadas por meio dos questionários, das observações e dos diários, particularmente as relativas às experiências de aprendizagem desses alunos a respeito da escrita em Português e em LE e à importância atribuída à escritura como meio e objeto de aprendizagem.

Todas as sessões (uma com cada um dos dezoito participantes) foram gravadas em áudio e logo transcritas antes de serem entregues aos entrevistados para verificarem a fidelidade das transcrições e confirmarem sua correção, criando assim oportunidades para esclarecimentos.

Depois desse procedimento, as informações foram analisadas e organizadas nas categorias que iam emergindo ao longo da pesquisa.

As entrevistas foram conduzidas em Português e focaram três assuntos (Apêndices E1, E2, e E3): a) o tratamento dado à escrita na aprendizagem e desenvolvimento do Português e da língua estrangeira nos cursos freqüentados pelos entrevistados; b) as atividades que mais os ajudaram a aprender uma LE; e c) as habilidades lingüísticas mais úteis em função dos objetivos dos aprendizes.

Na tabela 3 estão resumidos os instrumentos utilizados na coleta de dados, a freqüência de sua aplicação, a duração media de cada uma dessas aplicações e seus objetivos.

Tabela 3. Resumo dos instrumentos de coleta de dados. Instrumento Freqüência Duração Objetivos

Questionários 2 40 minutos 1. Caracterizar os sujeitos participantes.

2. Obter dados preliminares sobre experiências de aprendizagem em geral e acerca da escritura em L1/LE. 3. Responder às perguntas 1 e 4.

Observações 4* 75 minutos Responder às perguntas 2, 3 e 5.

Entrevistas 1** 30 minutos Esclarecer e corroborar informações colet adas por meio dos questionários e observações de aulas em função das das perguntas de pesquisa.

Redação 1*** 1. Comprovar a competência t extual dos suje itos em L1. 2. Identificar as estratégias que os informantes consideram apropriadas p ara aprender a escrever em E/LE.

* quatro em cada turma.

** uma co m cada um dos participantes, menos 1 (18 no total). *** faz parte do questionário 2.

In document BACHELOR THESIS (sider 60-65)