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TITLE IV OTHER PROVISIONS

CHAPTER 1 General provisions

Autora: Elzimar Cesar de Castro - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro.

Orientadora: Yonne de Freitas Leite

Já na década de 90, Elzimar Castro retoma o estudo sobre o tema e realiza pesquisa sobre a alternância das vogais médias fechadas, altas e médias abertas, no dialeto de Juiz de Fora. A autora investigou, na fala de universitários juizdeforanos, os contextos propiciadores ou inibidores do alteamento, ou do abaixamento, das pretônicas em posição inicial absoluta, em posição interna ou em juntura vocabular.

Além dos fatores já arrolados nas pesquisas anteriores, Castro introduz o fator “juntura vocabular” e seus tipos: ligação, elisão, crase, ditongação ou hiato. Ao comparar com outros contextos linguísticos, tais como o segmento precedente à pretônica (consoante, vogal átona, vogal tônica ou semivogal), infere que não há diferença no comportamento das pretônicas, isto é, pode ocorrer abaixamento ou alteamento em juntura vocabular ou não. A pretônica anterior nasal, como mostrado no exemplo a seguir, alteia no início de vocábulo e também em juntura vocabular, mas isso não ocorre sempre.

A autora também verificou que o fator faixa etária provocou variação no comportamento das pretônicas. Para os grupos etários apresentados na pesquisa (jovens F1, adultos F2 e velhos F3), a realização da pretônica se mostrou diferente. Os jovens abriram a pretônica enquanto os velhos a elevaram:

Apresentando uma análise de acordo com os pressupostos labovianos, Castro aponta para indícios de mudança em progresso na variação da pretônica em Juiz de Fora, entretanto não há, na dissertação, explanação sobre os métodos utilizados para análise dos dados. Há tabelas de frequência, mas sem explicação de como as mesmas surgiram. Igualmente não há explicitação, no corpo da dissertação, sobre os números de dados, pois apenas nos anexos IV e V (p.304) o número total de dados é registrado. A autora selecionou 12 informantes (6 homens e 6 mulheres), universitários de três faixas etárias (cf. Projeto Nurc29). Analisou 5.718 dados (Vogal posterior: 2448; Vogal anterior: 3270), coletados através de entrevistas gravadas com 60 minutos de gravação por informante. Também não esclarece como os dados foram analisados.

Os fatores linguísticos selecionados para análise são: qualidade da vogal da sílaba subsequente, padrão silábico, juntura vocabular, pretônicas em posição inicial, ponto de articulação da consoante precedente e seguinte (labial, velar, alveolar, palatal), modo de articulação (obstruinte, lateral, vibrante), atonicidade (átona permanente e casual). Os não linguísticos são: gênero, idade, único grupo social.

Os principais resultados da autora podem ser assim resumidos: as vogais médias pretônicas, no dialeto mineiro de Juiz de Fora, tendem a ser preservadas, conforme caracterização dos dialetos do sul-sudeste (Bisol e Viegas). Em um mesmo item lexical há alternância entre médias fechadas e abertas na mesma proporção. Em relação ao contexto vocálico de vogal alta contígua, esse não parece ser, preferencialmente, o mais propiciador de alçamento, como apontado em pesquisas anteriores. A vogal alta homorgânica contígua (i)

29 O Projeto de Estudo da Norma Linguística Urbana Culta no Brasil (Projeto NURC) teve início em 1969 e contempla cinco cidades brasileiras: Recife, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Tem como objetivo descrever os padrões reais de uso na comunicação oral adotados pelo estrato social constituído de falantes com escolaridade de nível superior. Disponível em: http://twiki.ufba.br/twiki/bin/view/Alib/AlibNurc

Acesso em: 25 jan. 2013.

assimila mais a pretônica anterior do que a vogal (u) assimila a posterior. Demais contextos vocálicos tendem a preservar ou mesmo a inibir o alteamento. As pretônicas têm maior possibilidade de se tornarem médias abertas contíguas, no contexto de vogal baixa e vogal com traço [-alt + nas].

Em relação ao contexto consonantal, o alteamento da posterior ocorre mais se há uma consoante velar precedente, labial e nasal subsequente. O alteamento da vogal anterior ocorre, também, em contexto de nasal subsequente. A pretônica anterior tem maior possibilidade de se tornar baixa no contexto de vibrante forte precedente, diante de vogal [+ bx] imediata, do que nos demais contextos consonantais precedentes.

A pretônica posterior tem maior possibilidade de se tornar baixa no contexto de nasal precedente, diante de vogal [+ bx ] na mesma sílaba e a lateral (líquida) subsequente, contracenando de preferência com uma vogal [+ bx] imediata. A lateral tende a propiciar mais o abaixamento de ambas as pretônicas do que os demais contextos consonantais subsequentes.

A variação [o] ~ [ó] ~ [u] só ocorre nos contextos de velar ou labial/nasal precedentes e nos contextos de alveolar/lateral ou alveolar/obstruinte subsequentes. Isso se confirma nos itens culega, culégio e muderno, mostrando o papel favorecedor atribuído à velar precedente sobre o alteamento da pretônica posterior e o papel favorecedor atribuído à nasal precedente e lateral (líquida) subsequente sobre o seu abaixamento.

Em relação à atonicidade, a átona permanente favorece o alteamento da posterior e a átona casual o inibe. Neste dialeto, a atonicidade não interfere no alteamento da anterior. Em relação à juntura vocabular, há pouca tendência de abaixamento. Os casos de alçamento ocorrem, quase todos, da mesma maneira que se estivessem em posição absoluta na palavra. Castro identificou, para os fatores não linguísticos, na variedade em estudo, indícios de um processo estável de regressão, visto que os falantes mais velhos (do sexo feminino) tendem a altear um pouco mais do que adultos e jovens (do sexo feminino ou masculino). Entretanto, quando se considera o comportamento de ambas as pretônicas, cruzando sexo e faixa etária, evidencia-se, na amostra em estudo, uma possível perda da produtividade da regra de alteamento. Neste caso, as mulheres mais velhas, tendem a produzir as vogais altas em ambas as pretônicas, se comparadas às mulheres das outras faixas etárias e aos homens em qualquer idade. A dissertação de Castro propõe uma boa discussão sobre a realização das vogais médias pretônicas, mostrando que em Juiz de fora a tendência é pela manutenção da vogal como média fechada. Mais adiante veremos outros estudos sobre o dialeto mineiro.