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TITLE IV OTHER PROVISIONS

CHAPTER 3 European Central Bank

lexicais.

Autora: Maria do Carmo Viegas – Instituição Universidade Federal de Minas Gerais, Minas Gerais

Orientador: Marco Antônio de Oliveira

De 2001 em diante, encontramos uma grande quantidade de pesquisas sobre o sistema pretônico no dialeto mineiro, iniciadas com a retomada do tema por Maria do Carmo Viegas na sua tese de doutoramento. Dando continuidade à sua pesquisa de mestrado a autora discute o processo de alçamento, analisando um inventário de itens lexicais alçados e nãos alçados, documentados nos estudos históricos sobre o português. Tem como suporte dois modelos teóricos de mudança linguística: o modelo neogramático e o modelo difusionista. Viegas constata que alguns itens lexicais foram considerados alçados na literatura de forma inadequada, pois observa que os mesmos teriam sido incorporados ao léxico da língua portuguesa como vogal alta. Na tese ela discute a regularidade do alçamento, mostrando que os primeiros itens atingidos pelo processo foram transmitidos no meio familiar. A autora diz que em palavras que normalmente não são alçadas, ocorre a elevação da vogal de forma pejorativa ou depreciativa, como em “pirninha” (p.125), por exemplo. É possível observar, com os seus dados, que as formas pejorativas não foram as primeiras “vítimas do alçamento”, pois isso surgiu mais tarde, em determinados grupos sociais pouco prestigiados, o que pode confirmar a relação do conteúdo semântico com o alçamento, apontada na sua dissertação de mestrado. Viegas adota o conceito de léxico “conexionista” conforme proposto por Bybee (1995) e não se utiliza de análise estatística, como fez na dissertação, mas faz um trabalho descritivo sobre os itens lexicais no decorrer do tempo. O corpus do trabalho compõe-se de dois tipos de itens lexicais:

a) tomados da sua amostra de 1987, acrescidos de outros baseados em sua própria intuição de falante nativa, isto é, ela lista os itens que considera que são alçados no dialeto de Belo Horizonte. E, ainda, extrai outros de textos dos séculos XIII, XIV e XVI;

b) itens lexicais do português contemporâneo falado por 16 informantes de Belo Horizonte, divididos em dois grupos de regiões e renda mensal familiar diferentes.

Dentre os resultados de sua pesquisa, destaco a constatação de que a variação o ~ u e e ~ i pode ocorrer sem a presença da vogal alta como fator influenciador, como nos itens melhor, senhor e Geraldo, que ocorrem como milhor, sinhor, Giraldo. Em relação à média posterior, itens com ambiente de vogal alta subsequente podem ocorrer ora com [o], ora com [u], como em: comprido ~ cumprido, costume ~custume, fortuna ~furtuna. A autora afirma,

também, que se analisarmos o alçamento das vogais médias pretônicas com o olhar dos neogramáticos, procurando regularidade, podemos até encontrá-la, mas com muito esforço. No caso de /e/ tem-se um ambiente favorecedor que é a vogal alta contígua, a qual desencadeia o processo de harmonização, enquanto que no caso de /o/ a harmonização expande-se para um processo de redução motivado por consoantes adjacentes (p.209). Embora a autora tenha, inicialmente, pensado no modelo neogramático, no final acaba optando pelo modelo difusionista, justificando o fato de que alguns itens, mesmo não tendo ambiente para alçarem, alçam, ou vice-versa:

As “exceções” não são exceções no modelo difusionista, pois sendo lexical a implementação da mudança, espera-se que os itens todos não tenham exatamente o mesmo “comportamento”. O modelo difusionista descreve melhor o processo porque permite-nos fazer uma análise condizente com as realidades históricas e sociais das comunidades de fala, ou seja, de acordo com a produção e o uso do item e sua valoração social. (p. 210).

Em síntese, nesse trabalho, a autora faz uma análise histórica do fenômeno de alçamento, mostrando que a marcação social de prestígio na pronúncia de /e,o/ ~ /i,u/ é estigmatizada e está relacionada com grupos sociais e com o tipo de interação por eles estabelecida. Não há nenhuma referência à atuação de fatores linguísticos na sua descrição, mas sim sobre a atuação do fator indivíduo em fenômenos de mudança sonora, por meio do conhecimento das variações inter e intraindividuais.

4.2.1.4 Dissertação: Variação das vogais médias na posição pretônica nas regiões norte e sul de Minas Gerais: uma abordagem à luz da Teoria da Otimalidade. 2007.

Autor: Rubens Vinícius Martins Guimarães – Universidade Federal de Minas Gerais. Orientador: Prof. Dr. Seung-Hwa Lee

Rubens Guimarães (2006), aborda o assunto de forma diferente, fazendo uma intermediação entre a abordagem variacionista e a fonológica. É a primeira dissertação de mestrado sobre o dialeto mineiro que utiliza a Teoria da Otimalidade (TO) como suporte. Ele apresenta uma análise acerca do comportamento das vogais médias, em posição pretônica, a partir de dados obtidos dos dialetos das regiões Sul e Norte de Minas Gerais. As diferentes variações, os processos e ambientes fonológicos que atuam, determinando as escolhas dos falantes, foram descritos e analisados à luz da TO e o autor discute a adequação dessa teoria para os fenômenos de variação. a observação inicial é de que na região Sul de Minas, nos dados analisados, não há presença da vogal média-baixa em posição pretônica, enquanto que, nos mesmos contextos fonológicos, ela é marcante na região Norte de Minas.

Ex.: a) in[o]cente (Sul de Minas) b) in[o]cente (Norte de Minas).

Dentre os objetivos postulados, Guimarães buscou mostrar em que medida os traços linguísticos atuam no fenômeno de variação da pretônica. Na página 27 ele afirma que não se preocupou em quantificar os dados “Estes seriam dispostos apenas para ilustrar e demonstrar que a variação das vogais médias orais em posição pretônica fazia-se presente”. Entretanto, na página 28 ele apresenta os “3055 dados”, com os quais foi realizada a devida quantificação, realizada no programa GoldVarb 2001. A análise quantitativa foi importante para perceber o percentual de ocorrência das variantes nas regiões estudadas. A pesquisa foi realizada em três cidades do Norte de Minas (Bocaiúva, Montes Claros e Mirabela) e três do Sul (Bom Sucesso, Lavras e Três Corações). Foram coletados os dados por meio de gravações de leitura e testes, com doze informantes, quatro por cidade, observando-se apenas a faixa etária (29/39 e acima de 40 anos) e a escolaridade (com o ensino fundamental completo).

Observou-se que há um índice maior de ocorrência de vogais médias baixas [e,o] na região norte (13,5%) e pouquíssima ocorrência na região sul (1,5%). Segundo o autor, há dois processos fonológicos atuando nas duas regiões, em que ora se preservam as vogais médias [e,o], e ora ocorre a redução vocálica. Apenas na região norte ocorre o abaixamento da vogal média pelo processo de harmonia vocálica ou neutralização. O autor aplica os pressupostos da TO para explicar a ocorrência das três variantes nos dialetos, quando atingem um mesmo vocábulo, como o item “moeda”, por exemplo que pode ocorrer como m[o]eda ~ m[o]eda ~ m[u]eda]. Após discutir três abordagens de variação: Anttila & Cho (1998), Coetzee (2005) e Oliveira & Lee (2006), conclui que a abordagem clássica da TO não consegue explicar esse fenômeno de variação da pretônica. Mas a nova abordagem proposta por Oliveira e Lee (2006) se mostra mais produtiva na explicação. O modelo apresentado pelos autores busca explicar a variação a partir de uma gramática de percepção e de uma gramática de produção. Na gramática de percepção, os processos que determinam a variação são previstos e identificados para que o falante possa escolher o input a ser utilizado na gramática de produção:

A partir da variedade dialetal, o falante escolhe um input e ranqueia as restrições de fidelidade nas posições mais altas do tableau, mas abaixo do ponto de corte, obtendo, assim, um output igual a esse input, dado o mapeamento que se estabelece entre eles. (p.139).Com essa abordagem o falante poderia selecionar, de acordo com a sua variedade dialetal ou idioletal, qual o input que determinará a sua produção: moeda, mueda ou moéda; moderno, muderno ou móderno.

Percebi, nas pesquisas apresentadas recentemente, que a abordagem fonológica vem, timidamente, sendo incorporada à análise da variação vocálica. O modelo sociolinguístico ainda impera nas análises sobre o dialeto mineiro. Destaco a importância da dissertação de Guimarães, no sentido de mostrar a atuação de uma teoria fonológica para explicar um fenômeno de variação fonológica.

4.2.1.5 Dissertação: As vogais médias pretônicas em Pará de Minas: uma caso de variação linguística. 2008.

Autora: Vanessa Faria Viana – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Minas Gerais.

Orientador: Marco Antônio de Oliveira

Em 2008, Vanessa Faria Viana, investigou o alteamento e abaixamento das pretônicas em uma região central de Minas Gerais, o município de Pará de Minas. A sua amostra, composta de entrevistas gravadas com 33 informantes, gerou um corpus de 17.188 itens. Foram extraídas 500 ocorrências de vogais médias pretônicas nos dados de cada informante. Este foi o maior corpus encontrado até agora nas pesquisas de MG. A autora utiliza o modelo da Sociolinguística quantitativa e diz tratar-se de:

um trabalho linguístico de probabilidade com uma perspectiva difusionista pautada na investigação do comportamento do indivíduo e também na composição do item léxico (p.46).

Embora se proponha a observar o comportamento das vogais médias pretônicas no que diz respeito ao abaixamento e alteamento, ela afirma que quer compreender quais são os ambientes favorecedores e desfavorecedores que, neste dialeto, tornam tais vogais altas. Seu trabalho revelou então, que contextos fonéticos que favorecem ou não a variação, não são indícios precisos para a explicação do fenômeno. O alçamento, por exemplo, poderia ocorrer em ambientes favorecedores ou não. Constata que o padrão na comunidade linguística de Pará de Minas é a “manutenção da vogal média como fechada”, verifica que a variável (e), nos 68 itens lexicais dos seus dados, ora são alçados, ora são realizados como uma vogal fechada. Não ocorre tanto alçamento [o → u; e → i ], nem abaixamento [e→e ;o →o]. As vogais médias em posição pretônica tendem a ser realizadas mais como fechadas. E dentre esses itens muitos apresentam variação intraindividual. Ela ilustra tal fato dizendo que um dos informantes pronuncia duas vezes fut[e]bol e uma vez fut[i]bol, assim como um outro pronuncia duas vezes [e]smaltado e uma vez [i]smaltado. No caso, por exemplo, da variável (o), os 55 itens arrolados na amostra oscilam entre alçar ou não. Cita a palavra “Pedagogia” que é pronunciada cinco vezes como pedagogia e duas vezes pedagugia. Diante disso conclui, citando

Oliveira(2006c, p.19), que “a variação intraindividual existe e não pode ser ignorada.” Conclui ainda, que o processo de alteamento e abaixamento no dialeto estudado pode ser explicado pelo modelo da difusão lexical, e novamente retoma Oliveira (idem, p.1), quando ele diz que “a variação linguística pode e deve ser prevista em termos abstratos, e que sua implementação na fala é sensível ao par [indivíduo – léxico].”

Isso ficou ainda mais evidente quando mostra que, dentre os seis fatores selecionados na sua análise, apenas o fator indivíduo se mostrou estatisticamente relevante. O trabalho apresenta uma ótima descrição dos fatores que foram analisadas, bem como, posteriormente, as análises. Um dos mais claros lidos até agora no que diz respeito à metodologia.

4.2.1.6 Dissertação: A variação das vogais médias pretônicas no falar dos mineiros de