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J A N JOURNAL OF ADVANCED NURSING

GENERAL DISCUSSION

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) depressão, suicídio e psicoses são patologias que podem surgir no período da adolescência, considerando também possíveis ocorrências de transtornos de ansiedade, transtornos de conduta, abuso de substâncias, transtornos alimentares e as condições médicas associadas, como diabetes e epilepsias (WHO, 2003/2005). Neste estudo focaliza-se especificamente o abuso de álcool e a depressão, sem questionar o grau de implicações na vida das demais patologias.

3.2.1 Conceito

O conceito de depressão tem sido estudado por vários autores e sua classificação no decorrer do tempo vem sendo apresentada de distintas formas. Allen-Meares, Colarossi, Oyserman e DeRoos (2003), caracterizam o comportamento de uma pessoa com depressão por gestos lentos, fala diminuída, dificuldade na realização de suas atividades laborais e nas quais prevalece o sentimento de insatisfação; e enfatizam que outros autores reconhecem também a perda de motivação, diminuição na concentração para realização de atividades, ganho ou perda de peso, insônia ou hipersonia, agitação ou retardamento.

Coutinho (2001) ao desenvolver um estudo transcultural sobre os distúrbios psicoafetivos na infância e adolescência, discute a depressão como a associação a um sofrimento psíquico e/ou dor moral desencadeado por uma situação ou um

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acontecimento desagradável que interfere significativamente na diminuição da qualidade de vida, na produtividade e capacitação social do indivíduo.

Coutinho e Ramos (2008, pg. 6) certificam que “em diferentes culturas a depressão constitui um distúrbio de humor que merece devida importância”. O estudo destas pesquisadoras consistiu em identificar as representações sociais de crianças escolares brasileiras e portuguesas acerca da depressão, por meio de uma abordagem transcultural. As investigações e publicações dedicadas ao estudo da depressão na criança e no adolescente têm conhecido um desenvolvimento considerável e provêm das mais diferentes correntes teóricas e metodológicas.

Diagnosticar e tratar a depressão na adolescência ou ainda na infância se faz necessário uma vez que o quadro pode predizer futuros episódios de depressão maior na fase adulta. Desta forma, o Relatório da Organização Mundial de Saúde intitulado

Mental Health Promotion in Young People – na Investment for the Future (WHO,

2010) considera a definição dos primeiros anos da infância e da adolescência como base para uma boa saúde mental.

Ballone e Moura (2005) ressaltam a complexidade da conceituação do termo depressão por ser um sintoma que compõe inúmeros distúrbios emocionais, sem ser específico de nenhum deles; é uma síndrome traduzida por variados sintomas somáticos e ainda uma doença caracterizada por acentuadas alterações afetivas.

3.2.2 Sintomatologia

O quadro sintomatológico da depressão consiste em distúrbio do humor que compromete muitas esferas da capacidade humana, entre algumas as de pensar e executar tarefas, levando à apatia e ao desânimo. No caso da depressão em adolescentes, os comprometimentos são na esfera familiar, social e principalmente nas atividades escolares (Coutinho & Ramos, 2008).

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Coutinho e Saldanha (2005, p.18) enfatizam que “algumas pessoas apresentam mais sintomas associados ao afeto (tristeza, falta de esperança, desânimo); outras apresentam a manifestação por meio de elementos físicos (astenia, alterações do sono, queixas gastrointestinais, cefaleias)...”. As autoras evidenciam a grande dimensão que a depressão está tomando no universo, danificando a qualidade de vida, refletindo na produtividade e incapacitação social do indivíduo, interferindo negativamente no funcionamento individual, familiar e social.

Já Nardi (2006) aponta que os principais sintomas da depressão consistem no humor triste e perda do interesse e de prazer (anedonia), considerando-os em número e intensidade variáveis, além de diversos sintomas físicos e psicológicos como perda de energia (cansaço), alterações do apetite, distúrbios do sono, dores, sensação de desconforto, alterações nos movimentos, baixa autoestima e sentimentos de culpa, dificuldade de concentração, retraimento social, uso e abuso de drogas, problemas no trabalho, irritabilidade, distorção da realidade, ideação suicida e diminuição da libido. Nardi adverte que estes sintomas são similares aos de outras doenças, tais como os distúrbios da tireoide e a anemia, sendo por sua vez, necessária uma avaliação médica diagnóstica que diferencie o quadro.

Na esfera acadêmica, os estudantes tendem a queixar-se das manifestações somáticas ou biológicas da depressão como símbolos da doença, como alterações do apetite e do sono (Crivelatti, Durman & Hofstatter, 2006; Eller, Aluoja, Vasar & Veldi, 2006; Chandavarkar, Azzam, & Mathews, 2007).

Avanci, Assis e Oliveira (2008) realizaram um estudo transversal com 1.923 alunos das 7ª e 8ª séries do Ensino Fundamental e 1º e 2º anos do Ensino Médio de escolas públicas e privadas de um município do Rio de Janeiro que buscou identificar fatores sociodemográficos, familiares e individuais potencialmente de risco ao

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desenvolvimento de sintomas depressivos nessa fase da vida. Os resultados revelam que 10% dos adolescentes apresentam sintomatologia depressiva. Meninas têm mais que o dobro de chance de apresentar esses sintomas do que os meninos; vítimas de violência severa cometida pela mãe têm 6,49 mais; adolescentes que vivenciaram separação dos pais têm 73% mais chances; adolescentes com baixa autoestima têm 6,43 mais chances e aqueles que estão insatisfeitos com a vida têm 3,19 mais chances de apresentar sintomas de depressão.

Gouveia R. (2009) ao estudar a relação do engajamento escolar com a depressão em duas capitais nordestinas encontrou ambiguidade na variável idade como um correlato da depressão, uma vez que a idade não se correlacionou com a depressão. No que tange à variável sexo, na depressão não se observou o efeito principal em Aracaju, mas em Maceió as mulheres obtiveram maior pontuação. Quanto à integração social, esta correlacionou-se diretamente com a depressão nas duas capitais nordestinas. A autora concorda com a possibilidade de a família ser considerada parte do contexto socializador de suporte afiançador de bem-estar subjetivo dos jovens, incluindo baixa ou nenhuma depressão.

Confirmando as pesquisas já citadas ressaltam-se como características próprias dessa fase: os prejuízos no desempenho escolar, o isolamento social, as alterações no relacionamento familiar, a baixa autoestima e o aumento de ideias e tentativas de suicídio (Ribeiro, Coutinho & Nascimento, 2010). Uma relação insatisfatória com os pais, irmãos e colegas; irritabilidade e incapacidade de ficar alegre são outros sintomas comuns na depressão de adolescentes (Nardi, 2006).

Nesta tela, verificam-se registros nos quais as manifestações dos sintomas em adolescentes, apesar da semelhança com os da fase adulta, apresentam características próprias do transtorno na adolescência, ou seja, nem sempre estão tristes, irritáveis e

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instáveis (Organização Mundial de Saúde – OMS, 1993). Entretanto, são visíveis a perda de energia, apatia e desinteresse, retardo psicomotor, sentimentos de desprezo e culpa, alterações do sono e do apetite, isolamento e dificuldade de concentração. Em meninas, são mais frequentes as queixas de tristeza, vazio, tédio, raiva e ansiedade, maior insatisfação com a aparência e baixa auto-estima. Já nos meninos são relatados sentimentos de desprezo, desafio e desdém, associados, muitas vezes, a problemas de conduta, tais como: falta às aulas, fuga de casa, violência física, roubo e abuso de substâncias.

Além disso, os transtornos depressivos têm outros sintomas quando ocorrentes na adolescência: ansiedade ou angústia, irritabilidade, exacerbação sintomatológica obsessiva ou fóbica, consumo abusivo de álcool, entre outros (Souza, 2010).

Assim, a sintomatologia da depressão tem características biológicas e implica em déficit funcional da serotonina e da noradrenalina, neurotransmissores importantes na alteração de humor nomeada ‘disforia’ que, por ser súbita e passageira, não chega a ser suficiente para caracterizar um transtorno depressivo (Ballone & Moura, 2005; Nardi, 2006). Já o episódio depressivo propriamente dito significa a alteração no estado de humor, de modo episódico e recorrente, levando o indivíduo a uma falta de interesse e prazer, acarretando em aumento da fadiga e diminuição no ritmo das atividades diárias.