O hábito de ingestão de bebidas alcoólicas vem acontecendo cada vez mais cedo e, concomitante a esse acontecimento, eclode um aumento considerável no consumo, fato que provoca um impacto nas políticas públicas, na educação e na família (Carlini et al., 2002; Pinsky & Bessa, 2004; Martins, Manzato, & Cruz, 2005; Martins, 2006; Pinsky, Sanches, Zaleski, Laranjeira & Caetano, 2010),ainda que o Estatuto da Criança e do Adolescente proíba o consumo de bebidas alcoólicas entre menores de 18 anos (Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990).
Nardi (2006) assevera que o álcool é a droga psicoativa mais utilizada em todo o mundo e sua prevalência associa-se notadamente a fatores sociais e culturais, variando no seu padrão de uso de acordo com a classe social, cultural, país de pertença etc.
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Abramovay (2005) realizou uma pesquisa em 14 capitais brasileiras com uma amostra de escolares entre 13 e 24 anos, grupo etário significativo de 13 a 15 anos, com o objetivo de conhecer a visão de mundo dos alunos, do corpo técnico-pedagógico das escolas e dos pais, sobre o consumo de drogas e temas correlatos. No que se refere à temática do uso do álcool, verificou que há uma ampla extensão do hábito de beber entre alunos no Brasil, especialmente em festas e eventos sociais, sendo tal hábito declarado por 45,9% dos estudantes. Outro aspecto de relevância foi a variação do nível de consumo entre os jovens alunos, o que pode sugerir a existência de graus diferenciados de percepção sobre o que é beber regularmente (10% dos alunos entrevistados). Entretanto, 42,2% informaram nunca beber. Os jovens do sexo masculino se sobressaem entre os que indicam beber regularmente. Dentre as jovens do sexo feminino, o grupo das que declaram que nunca bebem concentra, em média, 47,4%.
A referida autora também observou que, com a idade, há um aumento da frequência do uso de bebidas alcoólicas, sem contar o fato de muitos adolescentes mais jovens terem declarado nunca beber – sete em cada dez entrevistados. Contudo, as autoras concluíram que a prevalência do uso de bebidas alcoólicas entre alunos, considerando suas auto-representações, não indica um surto de consumo. Acerca da percepção do álcool, a grande maioria dos pais e corpo técnico-pedagógico considera o álcool como uma droga, enquanto que os alunos apresentam uma percepção significativamente menor do álcool como droga.
Um grupo de pesquisadores realizou um levantamento com o objetivo de investigar o padrão do uso do álcool pelo brasileiro, o que ele pensa sobre as políticas das bebidas alcoólicas, quais os problemas relacionados ao uso do álcool no Brasil, e quantos brasileiros abusam ou são dependentes do álcool, além de outras questões
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relacionadas ao consumo de tabaco, envolvimento patológico com jogos de azar, consumo de outras substâncias psicotrópicas, níveis de transtorno de déficit de atenção e depressão. Para tanto, entrevistaram, por meio de questionário, 3.007 pessoas, sendo 2.346 adultos maiores de 18 anos e 661 adolescentes entre 14 e 17 anos. Estas pessoas foram escolhidas por meio de um método probabilístico em multiestágios, o que garante que as informações colhidas refletem a população brasileira como um todo. A amostra foi desenhada para ser representativa da população brasileira de 14 anos de idade ou mais, de ambos os sexos, e sem exclusão de qualquer parte do território nacional, inclusive áreas rurais. Os resultados que se referem ao panorama nacional sobre o padrão de consumo de bebidas alcoólicas entre adolescentes no Brasil indicaram que 34% dos adolescentes brasileiros bebem, começam por volta de14 anos, têm preferência por cerveja ou chope, e que há entre os meninos, o maior consumo em binge drinking, assemelhando-se aos padrões dos adultos. Assim, cerca de dois terços dos adolescentes não bebem no Brasil, mas os que bebem tendem a beber de forma a aumentar o risco de desenvolver problemas de álcool, abuso ou dependência. Os padrões de consumo dos adolescentes apresentam variações em relação a região, estrato social, rendimentos próprios e idade. Os autores veem esses achados como importantes para o estabelecimento de políticas nacionais (Pinsky, Sanches, Zaleski, Laranjeira & Caetano, 2010).
Em 2006, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogras - SENAD, juntamente com a Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (UNIAD) – Universidade Federal de São Paulo estudou Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira. Dentre os 143 municípios investigados, 53% dos brasileiros acima de 18 anos fizeram uso de bebida alcoólica pelo menos uma vez ao ano. Entre os homens adultos, 11% afirmaram beber todos os dias e 28% de uma a quatro vezes por semana.
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Entretanto, sobre os Padrões de Conduta de Consumo do Álcool em 2007, o CEBRID verificou que a proporção de estudantes de Ensino Fundamental e Médio que já experimentou bebidas não vem se alterando de forma significativa nos últimos anos, mantendo-se de 60 a 80%. Porém, o uso pesado de álcool, comparado aos índices de 1987 a 1997 subiu consideravelmente.
Nesse sentido, é notório o alto consumo de bebidas alcoólicas, visto que de acordo com a OMS, a cada ano, dois bilhões de pessoas, equivalente a 40% (2 em cada 5) da população mundial, acima de 15 anos faz uso do álcool. A estimativa de mortes decorrentes do uso de álcool é de 2 a 2,5 milhões de pessoas acometidas por problemas dos mais variados, dentre eles, intoxicações agudas, cirrose hepática induzida pelo álcool, violência e colisões de automóveis (Laranjeira et al, 2007; Anthony, 2009).
Na Europa, A Health Research Board (HRB, 2012) realizou uma pesquisa para medir o conhecimento público, as atitudes e o comportamento em relação à compra e ao consumo de álcool; à comercialização e venda de álcool e respostas atuais e possíveis para a saúde relacionadas com o álcool e com os danos sociais com 1020 entrevistados em 100 pontos de amostragem ao longo de todos os condados na República da Irlanda; mais de quatro em cada cinco pessoas (85%) acreditam que os níveis atuais de consumo de álcool na Irlanda são muito altos e também que o governo tem a responsabilidade de implementar medidas de saúde pública para solucionar esse alto consumo de álcool.
Recentemente, o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, 2012) publicou um relatório mundial sobre drogas apontando que em todo o mundo, o consumo e a produção de drogas ilícitas tradicionais tem se mantido estável, apesar de mudanças nos fluxos e mercados de consumo dessas substâncias, com tendência a aumentar nos países emergentes e em desenvolvimento. O destaque foi para o uso do álcool cuja incidência anual é de 42 por cento, equivalente a oito vezes maior que a
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incidência anual do consumo de drogas ilícitas (5,0 por cento). O beber semanalmente em excesso é oito vezes maior que o consumo de drogas ilícitas (UNODC, 2012).
O fato do uso do álcool apresentar prevalência oito vezes maior do que a prevalência anual do uso de drogas ilícitas, como apresenta a citação acima, é um dado mais que justificador da necessidade de se realizar incansáveis pesquisas nesta área, nomeadamente as que tangem ao cotidiano juvenil, considerando que o início de experimentação do álcool tem permeado o início da adolescência, dado verificado em pesquisas dos últimos oito anos (Galduróz et al.,2004; Neiva-Silva, 2008; Neiva-Silva & Koller, 2011; Souza et al., 2005; Strauch et al, 2009).
No Brasil, o consumo do álcool continua crescendo como deflagrou o CEBRID em quatro estudos longitudinais sobre o uso dessa droga com estudantes de 1º e de 2º graus, empregando-se o mesmo método. Quanto aos resultados, observou-se um significativo aumento, nos últimos anos da juventude, quanto ao uso pesado de álcool na maioria das cidades estudadas (Galduróz & Caetano, 2004).
No V Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas Psicotrópicas
realizado com estudantes de Ensino Fundamental e Médio, nas 27 capitais do Brasil, verificou-se que o primeiro uso acontece por volta de 12 anos e ocorre em ambiente familiar e que o uso regular de álcool pouco ocorria antes da adolescência. (Galduróz et al. 2004).
Na publicação do I Levantamento Nacional sobre os Padrões de Consumo de Álcool na População Brasileira constatou-se que 48% são abstinentes; 24% bebem frequentemente e pesado; e 29% são bebedores pouco frequentes e não fazem uso pesado. Estes dados constatam que, diferentemente da visão popular que acredita que “todo mundo bebe um pouco”, metade da população não bebe (Laranjeira et al., 2007). Entretanto, isso não afasta a necessidade de mais estudos sobre o tema.
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Já no II Levantamento Domiciliar sobre Uso de Drogas Psicotrópicas no Brasil, realizado por Carlini, Galduróz, Noto, Fonseca, Carlini, Oliveira, et al. (2007) foi constatado que o álcool é a substância lícita mais utilizada nas 108 maiores cidades do país, contabilizando 74,6% dos indivíduos entrevistados, sendo 12,3% dos entrevistados diagnosticados como dependentes.
Dentre as pesquisas aqui referendadas, metade dos bebedores consome álcool com alto risco para sua saúde. Com destaque para o maior consumo e maior risco entre os jovens. Os adolescentes pertencem a um grupo que apresenta maiores riscos em relação ao padrão de beber e que muda o padrão de consumo em curtos espaços de tempo.