3. Results and discussion
3.4 Analysis of stable isotopes
3.4.1 General description of method
Desde os fins de 1990, um esquema explanatório para a linguagem atitudinal começou a ser desenvolvido por pesquisadores (Lemke, 1992; Hunston, 1993; Iedema at al., 1994; Eggins & Slade, 1997; Coffin, 1997; Martin, 1997, etc.) influenciados pelo trabalho de pioneiros da LSF sobre o significado interpessoal. Até então, as incursões na semântica discursiva interpessoal foram gramaticais em sua base, isto é, os sistemas interpessoais no nível da oração, tais como Modo e modalidade serviram de pontos de partida para o desenvolvimento de modelos discursivos. Martin (1997; 2000), no entanto, examina o desenvolvimento de uma perspectiva complementar, fundada no léxico avaliativo, inserindo a semântica da avaliação na LSF: como os interlocutores estão sentindo, os julgamentos que eles fazem e o valor que eles colocam sobre os vários fenômenos de sua experiência. O sistema de escolhas usado para descrever essa área de significado potencial é chamado de Appraisal.
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Segundo Martin (2000) o sistema de Appraisal constitui-se de três subsistemas: Atitude, Gradação e Compromisso. O subsistema Atitude inclui afeto, julgamento e apreciação. O subsistema principal é afeto, recurso para a expressão da emoção (felicidade, medo, etc.). Relacionados ao afeto estão dois mais especializados: a) julgamento, recurso para a expressão da avaliação moral do comportamento (honestidade, bondade, etc.) e b) apreciação, que trata da avaliação estética (sutileza, beleza, etc.). Esses subsistemas são recursos semânticos usados para negociar emoções, julgamentos e valores ajustados em graus (Gradação) que refletem o compromisso nessas avaliações. A Gradação ajusta os significados ao longo de dois possíveis parâmetros: aumentar ou diminuir a intensidade (força) ou aguçar e suavizar o foco (foco) (Martin, 2003).
Os subsistemas de Appraisal compõem o esquema explanatório da semântica interpessoal:
Funções de fala NEGOCIAÇÃO
Estrutura de troca
Semântica Afeto
Interpessoal Atitude Julgamento
APPRAISAL Apreciação
Compromisso Gradação ENVOLVIMENTO
Figura 1 Sistemas interpessoais no nível semântico-discursivo (Martin, 2000; White, 2003, apud Simon-Vandenbergen, 2004:406).
No modelo semântico do discurso interpessoal, os recursos de Appraisal são um dos três maiores sistemas, ao lado de negociação e envolvimento. A negociação está relacionada à função de fala (atos diretos e indiretos de Austin, 19622) e à estrutura
de troca (Halliday 1985; 1994). O envolvimento está relacionado a recursos de inclusão e exclusão de interlocutores, manifestados pelo uso de pronomes, termos de endereçamento, linguagem tabu, gíria e léxico especializado (Martin 2000).
2 Ver seção 4 deste capítulo.
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O sistema de Appraisal, portanto, orienta-se em direção à semântica do discurso, e suas realizações no sistema léxico-gramatical são altamente diversificadas, como aponta Thompson (1996), apoiando-se em Martin (1992):
Reporting constitutes one of the semantic diffusions or semantic motifs which Martin (1992:16) argues permeates the grammar other examples are modality and causation. Each semantic motif is made up of a group of meanings which are related semantically but which may be realized through a range of very different structural forms (1996: 502).3
Complementando a estrutura de Appraisal, Coffin (2002) afirma que diferentes textos falam com 'vozes' diferentes. Na teoria da LSF recente, voz refere-se a configurações distintas de escolhas de Appraisal: combinações diferentes de recursos de Appraisal são usadas para negociar posições heteroglóssicas da audiência.
A noção de diversidade heteroglóssica foi profundamente influenciada pelo conceito bakhtiniano do sistema mais amplo da heteroglossia social, no qual se situam os textos e suas posições de valor (Bakhtin 1981; 1986). Do mesmo modo, segundo Coffin (2002) a teoria bakhtiniana fornece a base teórica para estender a noção de voz para além da conceituação romântica que a entendia como uma expressão de um único self unificado, e com isso incluir a representação de um grupo específico de opinião ou de posição avaliativa.
A autora propõe, então, que os significados de Appraisal sejam interpretados contra um pano de fundo de enunciados concretos sobre o mesmo tema, um pano de fundo feito de opiniões, pontos de vista e julgamentos de valor contraditórios impregnados de respostas e objeções. Assim, ela desenvolve o subsistema Compromisso, apenas mencionado por Martin (1997; 2000). Para a autora, Compromisso é um conjunto de recursos por meio do qual o escritor (ou o falante) posiciona-se construindo a audiência como partilhando a mesma visão de mundo (monoglóssico) ou, por outro
3 "Informar constitui uma das "difusões semânticas" ou "motivos semânticos" os quais, Martin
(1992:16) afirma, "permeiam a gramática" - outros exemplos são a modalidade e a causa. Cada motivo semântico é construído por um grupo de significados que estão relacionados semanticamente, mas que pode ser realizado por meio de uma gama de formas estruturais muito diferentes .
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lado, adota uma posição que explicitamente mostra diversidade com implicação de conflito e luta entre as vozes (heteroglóssico).
Em termos de realização gramatical, os dois sistemas monoglóssico e heteroglóssico apóiam-se em recursos diferentes. Com referência à monoglossia, a estrutura gramatical central que serve para escorar a diversidade potencial de opiniões é a declarativa afirmativa. Assim, mesmo embora a visão de mundo do escritor e a do leitor não seja partilhada, a estrutura gramatical encoraja implicitamente ao alinhamento, em vez de abrir a proposição para negociação. Para a expressão da heteroglossia há dois recursos: a) a modalidade que, ao contrário da declarativa afirmativa, sinaliza explicitamente na proposição que o significado é contingente e sujeito à negociação; e b) a extravocalização, que atribui opiniões e julgamentos por meio de outras vozes que não são a do escritor/falante, sinalizada por citação ou por discurso indireto. A autora ressalta que, ao introduzir explicitamente a negociabilidade na proposição, a modalidade não supõe nem simula solidariedade entre o escritor/falante e o leitor/ouvinte.
A esses recursos, Coffin acrescenta os tokens de atitude. No esquema de Appraisal, a noção de tokens de atitude capta, em termos avaliativos, o modo pelo qual o significado ideacional é explorado para efeitos interpessoais. Assim, enquanto afeto, julgamento e avaliação são freqüentemente inscritos explícita e diretamente num texto (por meio de léxico como: medo, covardemente ou significativo), token de atitude é um termo que se refere à realização indireta de Appraisal. Ele possibilita a teoria a dar conta de uma palavra ou conjunto de palavras que são usados para disparar ou evocar um julgamento por parte do leitor/ ouvinte.
Além das formas de realização utilizadas pelo falante/escritor para disparar ou evocar julgamentos por parte do leitor/ouvinte, citadas por Martin (2000) e Coffin (2002), acrescentamos o uso de comentários metadiscursivos, estudado por Heisler et al. (2003), recurso que, direcionado ao ouvinte e sua resposta, é utilizado pelo falante, de forma mais ou menos explícita, para expor suas atitudes na situação de interação. (Heisler et al, 2003:1630).
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