4 Generation of high energy at 650 nm and 1650 nm
4.1 General considerations
A presente pesquisa teve por objetivo compreender a concepção que educandos das séries finais do ensino fundamental II possuem a respeito do que é ser representante de classe, após vivenciarem um processo de formação promovido por uma pesquisadora participante do Grupo ECOFAM.
O contexto desta pesquisa ofereceu uma condição que se considerou de grande riqueza para o procedimento do presente estudo; como se não bastassem as singularidades que a própria atmosfera escolar expõe, ainda houve o fator de que os próprios gestores abriram-se para investir sua energia de modo que o Projeto de Formação de Representantes críticos fosse desenvolvido.
O modo como o fenômeno se apresentou, assemelhou-se ao que Freire trouxe nesta colocação ao falar a respeito de pesquisa intervenção e do quanto ela possibilita aguçar o olhar a dados relevantes: “nos dará uma espécie de repertório dos anseios, dos sonhos, dos desejos da população da área em que a pesquisa se fará.” (FREIRE, 2001, p. 32).
Szymanski e Cury (2004) balizam o caráter intervenção em uma pesquisa deste tipo da maneira que será explicitada a seguir, a qual se assemelha bastante com o vivenciado no processo de formação de representantes:
O ato de pesquisar os fenômenos em seus contextos naturais, respeitados o rigor dos procedimentos de pesquisa, o compromisso de construção do conhecimento científico, a ética da prática profissional e a responsabilidade social, exigem um processo de criação e adequação de uma metodologia de pesquisa apropriada. No caso da investigação psicológica realizada em contextos de prestação de serviços, como clínicas-escolas de universidades, há que se considerar o caráter de intervenção assumido por esse modo de pesquisar. (SZYMANSKI e CURY, 2004, p. 355).
Metodologicamente, este trabalho se se caracterizou enquanto pesquisa intervenção participante dada a natureza dos fenômenos intersubjetivos que se desvelaram no percurso de aproximação do objeto de investigação, uma vez que se buscou “ênfase na compreensão da natureza das relações que se estabelecem entre pesquisadores e pesquisados.” (SZYMANSKI e CURY, 2004, p. 355).
A pesquisa intervenção participante, como aponta SZYMANSKI, (2004), traz uma longa caminhada que nasce desde a preparação das atividades, seu percurso e a devolutiva aos participantes, numa continua troca constituída pelo diálogo.
Aquela que ocorre desde o planejamento das atividades, percorre os procedimentos, a análise e está presente na devolução dos resultados para os participantes. Supõe uma troca contínua e desde a proposição de uma mudança, definida em consenso, até a implementação das propostas segundo uma prática reflexiva. Propõe-se criar um espaço de interlocução, de escuta atenta, de reflexão, decisão compartilhada, ação, avaliação. E desenvolvimento de consciência. (SZYMANSKI, 2004, p. 2)
O caráter de intervenção da presente pesquisa se apresenta diante de dois objetivos ou vantagens, como a elas referiu-se Freire (2001), “Uma das vantagens de um trabalho assim está em que a própria metodologia da pesquisa a faz pedagógica e conscientizante. Talvez tão importante ou até mais do que este caráter oferecido na pesquisa é o esforço, é a decisão política” (p. 32).
Neste caso, além da abertura da escola, ter sua direção, coordenação, professores e educandos trabalhando juntos e em conjunto com a Universidade.
O projeto de formação de educandos representantes críticos, assemelhou-se no que literatura indica enquanto contexto de pesquisas que acompanha a implementação de práticas educativas de caráter interventivo, na qual desencadeiam um processo de criação ou de adequação de uma metodologia de pesquisa adaptada aos fenômenos observados em seus contextos naturais. Vale ressaltar que, como apontam Szymanski e Cury (2004), “(...) toda a investigação psicológica implica sempre uma intervenção, na qual tanto participante como pesquisador são afetados pela situação de pesquisa.” (SZYMANSKI; CURY, 2004, p. 355).
Brandão e Borges (2007) apontam que utilização da metodologia de pesquisa intervenção participante traz ganhos teóricos e ideológicos, principalmente quando se encontra um contexto diversificado.
(...) repertório múltiplo e diferenciado de experiências de criação coletiva e de conhecimentos destinados a superar a oposição sujeito/objeto no interior de processos que geram saberes e na sequência de ações que aspiram gerar transformações (...) (BRANDÃO E STECK 2006, p. 12).
A origem desse tipo de procedimento de pesquisa deu-se por volta dos anos 60 e perdura até hoje, uma vez que o mesmo tem se revelado como uma ferramenta
potente de transformação social que acontece por força da própria movimentação do grupo ao qual ela é aplicada.
Dos anos 60 e 70 até os dias de hoje, as suas diversas alternativas pretendiam re-criar os termos da crítica científica e política às relações tradicionais entre o conhecimento produzido através de pesquisas científicas e as ações sociais associadas a elas ou delas derivadas. Elas aspiravam e seguem aspirando a diferentes dimensões de transformações de ações sociais de vocação comunitária e popular, a partir de uma elaboração sistemática de conhecimentos, de saberes e de valores construídos solidariamente, gerados através de pesquisas sociais colocadas a serviço de experiências co-participadas de criação coletiva de saberes, a partir do enlace entre profissionais e/ou militantes agenciados e as pessoas, grupos e comunidades populares. Esse é também o duplo sentido da ideia de totalidade nas propostas originais das pesquisas participantes. (BRANDÃO; BORGES, 2007, p. 55, 56).
A pesquisa intervenção participante tem se revelado uma abordagem “de pesquisa de vocação participativa, por aspirar participar de processos mais amplos e contínuos de construção progressiva de um saber mais partilhado, mais abrangente e mais sensível às origens populares do conhecimento popular.” (BRANDÃO e BORGES, 2007, p. 57), servindo à criação e à interação dos saberes e compreensões daqueles que estão envolvidos em seus processos, bem como daqueles que dele, de algum modo, tomam parte ou conhecimento.
O presente estudo também se revelou enquanto modalidade de pesquisa qualitativa. Para Minayo (2010), a pesquisa qualitativa lança o olhar sobre o acontecimento social, a interpretação sobre a experiência vivida por parte de um grupo e seus relatos. Ludke e André, (1986) especificam cinco características para as pesquisas deste tipo: 1) coleta de dados feita em ambiente natural; 2) os dados são em sua maioria descritivos; 3) o mais importante é o processo e não o produto; 4) buscam-se os dados às coisas e situações; 5) a análise segue o processo indutivo.