• No results found

Alternative materials

In document 13-00372 (sider 56-60)

5 Sum frequency generation

5.3 Alternative materials

Após os encontros reflexivos coletivos que se constituíram enquanto processo de formação de educandos representantes, realizou-se a entrevista reflexiva coletiva com os participantes deste processo.

A entrevista reflexiva mostrou-se adequada, como procedimento de coleta de dados, uma vez que, de acordo com Szymanski (2002), “esse instrumento tem sido empregado em pesquisas qualitativas como uma solução para o estudo de significados subjetivos (...)”. (SZYMANSKI, 2002, p. 10).

Tal emprego possibilitou e pressupôs uma postura ativa, tanto do entrevistador quanto do entrevistado, desde a origem do problema de pesquisa e condução da entrevista, até a abertura do outro – entrevistado, ao contribuir com a mesma a partir de seu conhecimento e compreensão a respeito do objeto de estudo. Essa postura rompe com a ideia de que o entrevistador seja aquele que detém o conhecimento, ao colocar o entrevistado em uma condição ativa e atuante, como aponta Szymanski (2002):

Partimos da constatação de que a entrevista face a face é fundamentalmente uma situação de interação humana, em que estão em jogo as percepções do outro e de si, expectativas, sentimentos, preconceitos e interpretações para os protagonistas: entrevistador e entrevistado. (SZYMANSKI, 2002, p. 12)

Outro aspecto importante na entrevista reflexiva é a presença da reflexividade, a qual permite a compreensão do outro num contínuo pensar e repensar, num curvar-se para essa escuta numa atitude de consideração da perspectiva em que os fenômenos se abrem para cada um, sob uma “condição da horizontalidade” (SZYMANSKI, 2002, p.15).

Reflexividade tem aqui também o sentido de refletir a fala de quem foi entrevistado, expressando a compreensão da mesma pelo entrevistador e submeter tal compreensão ao próprio entrevistado, que é uma forma de aprimorar a fidedignidade, (...) (SZYMANSKI, 2002, p. 15).

Szymanski (2002) aponta as etapas da entrevista reflexiva que são o contato inicial, a condução da entrevista com uma atividade ou conversa de aquecimento, a questão desencadeadora, a expressão da compreensão e a síntese. Percorridos estes passos, caso algum aspecto no discurso não esteja claro, pode-se lançar mão de questões de esclarecimento e, posteriormente, agenda-se um novo momento para a realização devolutiva da entrevista, que é o momento onde o entrevistador faz a exposição de sua compreensão sobre a experiência e pontos de vista relatados pelos entrevistados.

A autora supracitada ressalta a importância do planejamento da entrevista reflexiva, bem como a necessidade de se ter clareza quanto aos objetivos a serem

alcançados com a mesma, para que, de fato, possa ser proveitosa para ambos os envolvidos. Destaca o valor da elaboração das perguntas, sobretudo da questão desencadeadora, de esclarecimento, da focalizadora e de aprofundamento, que, sendo de base fenomenológica, precisam trazer em seu constructo a palavra “como” enquanto um modo de compreensão, saindo da perspectiva usual das entrevistas comuns que fazem uso em geral das palavras “para quê”.

Numa entrevista reflexiva, o contato inicial é o momento em que o pesquisador se apresenta, fornecendo dados sobre sua própria pessoa, instituição de origem e retoma o pedido de permissão para gravação e registros, relembra todos a respeito do Termo de Compromisso Livre e Esclarecido; neste momento é importante ressaltar os aspectos éticos e seguros da mesma e que nenhum dado será utilizado de maneira arbitrária. Tratando-se de menores de idade, tal documento precisa ser assinado por seus pais os representantes legais.

Na condução da entrevista, pode-se lançar assuntos acerca do projeto amplo da pesquisa a fim de que se propicie um ambiente favorável, um clima de descontração que favoreça o diálogo, “A preparação da entrevista é um processo cuidadoso, e esses períodos iniciais não devem ser considerados como “perda de tempo”, pois eles propiciam informações importantes ao pesquisador.” (SZYMANSKI, 2002, p. 27).

A questão desencadeadora tem como ponto de partida os objetivos a serem alcançados com a pesquisa e a partir deles ela será cuidadosamente formulada.

Ela deverá ser o ponto de partida para o inicio da fala do participante, focalizando o ponto que se quer estudar e, ao mesmo tempo, ampla o suficiente para que ele escolha por onde quer começar. (...) A questão tem por objetivo trazer à tona a primeira elaboração, ou um primeiro arranjo narrativo que o participante pode oferecer sobre o tema que é introduzido. (SZYMANSKI, 2002, p. 28).

A elaboração da questão desencadeadora é uma tarefa complexa com alguns critérios a serem levados em conta, como a consideração dos objetivos da pesquisa, a amplitude da questão para o desvelamento de informações, o cuidado na não indução de respostas, escolha dos termos da pergunta e o cuidado na escolha do termo interrogativo.

Quanto à compreensão, é o modo como o entrevistador vai, ao longo da entrevista, “apresentando a sua compreensão do discurso do entrevistado, sem

perder de vista os objetivos de seu estudo.” (SZYMANSKI, 2002, p. 35). É importante salientar a diferença entre compreender e interpretar, já que em uma entrevista reflexiva, o procedimento que se adota é o da compreensão, que “(...) tem uma caráter descritivo e de síntese da informação recebida (...)” e além de demonstrar sua compreensão, o entrevistador pode atuar de forma a “elaborar sínteses, formulando questões de esclarecimento, questões focalizadoras, questões de aprofundamento.” (SZYMANSKI, 2002, p. 35 e 41).

A síntese tem por finalidade apresentar o delineamento daquilo que foi se apresentando, trazer a entrevista para o foco que se tem por objetivo estudar e/ou aprofundá-lo; neste instante é importante fazer uso das mesmas palavras utilizadas pelos próprios entrevistados. Ou seja, após as falas dos entrevistados, não compete ao pesquisador, através de hipóteses ou teorias pré-estabelecidas, interpretar o que está sendo apontado pelo entrevistado, mas sim, fazer uma síntese daquilo que foi compreendido, das impressões apreendidas através da sua fala, dando-lhe a oportunidade de concordar ou não, de rever suas colocações. Muitas vezes o pesquisador ajuda “os próprios participantes a sistematizarem suas concepções sobre o tema” (SZYMANSKI, 2002, p. 56).

Na devolutiva se concentra a última etapa da entrevista reflexiva, na qual “podem ser apresentadas a transcrição da entrevista e a pré-análise para consideração do entrevistado.” (SZYMANSKI, 2002, p. 52).

Na presente pesquisa, as entrevistas reflexivas aconteceram em grupo, “(...), pois a produção do conhecimento e a tomada de consciência dão-se de forma mais dinâmica, por estarem em jogo as influências mútuas entre todos os participantes.” (SZYMANSKI, 2002, p. 57), favorecendo a constituição de um espaço dialógico onde a escuta, a palavra e a reflexão, teceram a experiência da representatividade.

Para a presente pesquisa, a entrevista reflexiva coletiva revelou-se enquanto troca de saberes, onde foram incluídas tanto a singularidade quanto a articulação entre experiências variadas e pontos de vista diferentes, numa dinâmica de escuta atenta, que fomentou a participação e a coparticipação.

In document 13-00372 (sider 56-60)