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Genibaldo Barros foi o último reitor do período ditatorial, estando à frente da UFRN de 1983 a 1987. Sua fala foi a mais pessoal de todos os reitores entrevistados, com poucas referências a seu período de reitorado e nada relativo a realizações na Universidade. Dos 58 minutos de entrevista, Genibaldo foi provocado ou assim decidiu ocupar 49 minutos falando sobre a sua infância e juventude e sobre sua vivência como estudante de Medicina fora do Estado.

Figura 4 – Genibaldo Barros

Fonte: UFRN

Entrevista com Genibaldo Barros – em 07 de agosto de 2005

Marcadores Referências verbais

História da UFRN e sua memória social 0

Ditadura militar/ influência política na Universidade 2

Construção/ desenvolvimento da UFRN 0

Quando utilizamos o marcador ditadura/militar/influência política, apenas duas menções são apontadas, que seria a sua incursão no meio militar como capitão da brigada militar de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. Os outros marcadores como história/memória, construção/desenvolvimento, dedicação/apoio (da equipe de trabalho) não apontaram resultados para a nossa pesquisa.

Jornada de Genibaldo Barros:

Partida, separação, mundo cotidiano

Chamado à aventura: O pai de Genibaldo é assassinado quando ele tinha apenas 8 anos e isto provoca uma dramática mudança em sua vida. O criminoso era um oficial do exército que foi acusado de ser “comunista” por Tristão Barros, pai de Genibaldo. Passa a se dedicar a religiosidade e vai para o seminário São Pedro aos 10 anos.

Ajuda sobrenatural: Genibaldo encontra Doutor Mariano Coelho que assume em sua vida o posto de figura paterna e se torna o seu mentor durante toda a adolescência e vida adulta.

Travessia do primeiro limiar: O mentor Mariano Coelho o orienta a sair do Rio Grande do Norte para estudar.

Ventre da baleia: Genibaldo estuda Medicina em Recife e convive com comunistas e ícones ideológicos da época. Mas diz não se envolver diretamente.

Descida, Iniciação, Penetração

Estrada de provas: Enquanto se dedica aos estudos fora do Estado, sua mãe adoece de tuberculose e morre. Passa por dificuldades financeiras. Encontro com a deusa: Em um baile de carnaval conhece Lalinha, com quem se casa.

Apoteose: O herói consegue se formar em Medicina e especializar-se no tratamento da tuberculose.

convite para dedicar-se a política.

A grande conquista: Genibaldo volta ao Estado e é convidado para exercer o cargo de secretário de saúde.

Retorno

Resgate com auxílio externo: Assume como vice-governador de Tarcísio Maia, que após sair do governo o indica para o Tribunal de Contas do Estado.

Senhor de dois mundos: Após ocupar os cargos de secretário, vice- governador e presidente do Tribunal de Contas, o médico é indicado para reitor da UFRN, durante o difícil período de transição política.

Liberdade para viver: Já na terceira idade, Genibaldo diz que quer escrever as suas memórias apesar de ser muito exigente consigo.

A jornada do herói do reitor Genibaldo Barros é marcante em sua chamada primeira fase, a chamada partida ou iniciação ou chamado à aventura pelo precipitado encontro com o mentor. Por ter o pai assassinado ainda criança, isto provoca uma dramática mudança em sua vida e isto leva o personagem a refugiar-se em um seminário em Natal. Logo em seguida, ele encontra o seu mentor, que assume a postura de uma figura paterna e o ajuda nas decisões importantes de sua adolescência e vida adulta. O mentor, aqui identificado como um amigo da família, chamado Mariano Coelho, aparece como facilitador das etapas seguintes, como a travessia do primeiro limiar, onde Genibaldo é orientado a sair do Rio Grande do Norte para estudar e ventre da baleia, pois Genibaldo estuda Medicina em Recife e convive com comunistas e ícones ideológicos da época, porém “sem se envolver diretamente”, como sustenta.

A chamada etapa da descida ou iniciação é marcada por reviravoltas. A princípio o personagem passa por dificuldades financeiras e o falecimento da mãe. É nesta fase que ele passa pelas etapas do encontro com a deusa – a esposa Lalinha – e a apoteose, quando consegue se formar em Medicina e especializar-se no tratamento da tuberculose, mesma doença que matou a sua mãe. Mesmo estabelecido como médico, Genibaldo passa pela fase da sintonia com o pai, ao largar a Medicina e abraçar a política, assim como o seu genitor. É

convidado para exercer o cargo de secretário de saúde, o que consideramos como a fase de grande conquista desta etapa.

Identificamos também como etapas de retorno da jornada do herói de Genibaldo Barros, fases que podemos chamar resgate com auxílio externo, senhor de dois mundos e liberdade para viver. Dos quatro reitores entrevistados, Genibaldo é o que menos se refere ao reitorado. Sua narrativa é intensa em referências à infância e adolescência e logo em seguida sobre sua carreira como médico e político. Antes de assumir a reitoria durante o difícil período de transição política, ele ocupou os cargos de secretário da saúde, vice- governador e presidente do Tribunal de Contas.

A entrevista deste personagem é rica em referências pessoais e fraca em citações profissionais, especialmente sobre a Universidade ou o momento político que vivenciou. O reitor silenciou sobre fatos políticos, rotina acadêmica, percalços da Universidade. E isto tanto pode ser apontado como uma falha trazida pelo caráter ‘simbólico-narrativo’ do programa, pois permite que sejam encobertos os aspectos negativos da memória social, quanto omissão por parte dos entrevistadores, que não provocaram Genibaldo com perguntas sobre estes temas ou mesmo uma decisão de calar sobre o assunto por parte de Genibaldo. Como já foi citado anteriormente por Orlandi (2007, p.31), o silêncio às vezes significa mais do que as palavras.