A LGORITMOS DE G ENERACIÓN P ROCEDIMENTAL I MPLEMENTADOS
5.4 Generación de Rompecabezas
No Pará, este grupo de escritores e críticos buscavam assimilar a poesia moderna, enquanto Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto já estavam amadurecendo os arranjos da poesia moderna. Em Belém, Mário Faustino, Max Martins, Paulo Plínio de Abreu e Ruy Guilherme Paranatinga Barata publicam seus poemas no Suplemento Arte-Literatura.
Benedito Nunes, no prefácio (2001), ressaltou que aquele grupo de poetas paraenses, mesmo com o rompimento com a poesia parnasiana, em 1946, não haviam aderido à atitude racional e formalista da chamada Geração de 45, representada por João Cabral de Melo Neto. Dessa maneira, podemos afirmar que a poesia paraense da geração de Max se isentou de seguir tais propostas geracionais de 45.
A musicalidade de Cecília Meireles e o toque rilkeano dos temas impregnaram os primeiros versos de Mário Faustino (Poemas da Rosa e Poemas do Anjo), composições breves e cantantes, que dão forma precisa ao vago e ao imponderável. Rui Guilherme Paranatinga Barata, um
descendente de Augusto Frederico Schmidt e de Vinícius de Morais, usaria em seu primeiro livro, Anjo dos Abismos (1943), um tom grandiloquente unido a metáforas visionárias. (...) Tradutor das Elegias de Duíno, de Rilke, Paulo Plínio Abreu, [...], afinou com a linha espiritualista do modernismo; suas metáforas são símbolos do invisível, da transcendência e da morte. [...] a poesia de Max Martins ingressou nessa orquestração de contrastes com a publicação de O Estranho um ano depois de Claro Enigma, de Carlos Drummond de Andrade, para todos nós um marco decisivo, que superava as tentativas dos próceres da “geração de 45” na direção de uma poesia universal ligando a experiência do cotidiano aos temas permanentes da condição humana (NUNES, 2001, p. 22-23).
Nesse breve comentário, realizado cinquenta anos depois da extinção do Suplemento, Nunes lança para o passado seu olhar de crítico e destaca as vozes dos poetas que ultrapassaram as fronteiras geográficas e o antigo isolamento, para então, serem vinculados à produção da poesia moderna universal.
Arthur Bogéa, em “ABC do magro poeta Max Martins”, transcreve o depoimento dado por Max sobre seus companheiros de “travessia e residência”, e verificamos aqui nesse trecho a união do grupo, que ao falar de si, simultaneamente apresenta os outros, com as suas afinidades e peculiaridades, mas ao mesmo tempo consonantes com a sua geração:
Paulo Plínio – “com o passar dos anos vou gostando cada vez mais da sua poesia”; Mário Faustino – “Os maravilhosos poemas. O eterno sorriso. As belas gargalhadas. A juventude esplendorosamente latina. O rigor dos seus estudos e na expressão poética. A Inteligência. A melhor poesia até agora feita nestas paragens. Um dos melhores poetas do Brasil”; Ruy Barata – “Minha grande admiração pela poesia que ele fez. Poeta que sempre respeitei”. Ainda expressa admiração por Alonso Rocha – “Meu primo. Temos a mesma idade. Começamos a poetar juntos ainda na adolescência e essa aventura ainda prossegue com a mesma paixão. Poeta tarimbado, sabe todos os segredos do verso. Artista do soneto”; Jurandyr Bezerra – “Amigo também dos mais antigos. Outro artista do verso. Deve a todos nós que admiramos sua poesia o livro que a sua demasiada modéstia mantém inédito. Antenas sensibilíssimas para captação das palavras em sua poesia”; Robert Stock – “Admirável poeta americano. Viveu em Belém na década de 50. Foi ele com a sua visão exemplar do que é a arte e a vivência da poesia, que mais me influenciou na descoberta daquilo que em mim poderia servir ao poema: fidelidade e paixão, paciência e trabalho, humildade e solidão”; a admiração de Max Martins se estende a críticos e romancistas: Francisco Paulo Mendes – “Nosso mestre. Sua paixão pela literatura e pela poesia. O juízo crítico. Dediquei a ele o livro com a reunião dos meus poemas como reconhecimento do que ele é e em homenagem ao amigo”; Haroldo
Maranhão – “Amigo dos mais antigos. A ele dediquei o livro dos meus
poemas reunidos. Um romancista de primeira linha”; Benedito Nunes – “A melhor cabeça. O que mais me ensinou. Um nome para o mundo. Feito e acabado para a filosofia e a literatura. O crítico rigoroso/amoroso na
apreciação das obras de arte. A paixão pela poesia. O humanista. O naturalista” [...] (BOGÉA, 1991, 2-3).
Constatamos, contudo, que, ao tentarmos estabelecer o contexto norteador da primeira publicação de Max Martins, o que temos até agora é a reunião de vozes, que sempre estiveram lado a lado. Ao destacar a poesia de Max, não há como separá-lo de seu contexto histórico, geográfico, social, e da geração de intelectuais, no qual estava inserido. Eles ansiavam pelas mesmas questões, empenharam-se numa mesma razão e emoção: poesia, poetas, críticos, periódicos, imprensa, ideais, sonhos e realizações. Conforme vemos, sempre de mãos dadas em prol da validação do empenho coletivo. Dessa forma, mais uma vez repetiremos que o destaque dado a um, traz o outro simultaneamente. Não há como dissociá- los, e esse seria o grande exemplo registrado na construção de uma geração, um não descartaria o outro, ao contrário, a amizade iluminaria para sempre os rastros de cada um.
Assim, a vida de Benedito Nunes, amigo e crítico de Max, ficaria atrelada a história que se conta do poeta, chamado por ele de mestre na medida em que também era um aprendiz autodidata.
O caminho de Benedito Nunes na direção da crítica inicia-se junto com os primeiros passos de Max Martins na poesia. Antes de abordarmos as críticas feitas por Benedito Nunes a
O Estranho, cujo estudo é o objeto principal de nossa atenção nesta dissertação, comentaremos, em breves palavras, a sua trajetória nas páginas da crítica literária.