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Generación del Contenido de la Mazmorra

A LGORITMOS DE G ENERACIÓN P ROCEDIMENTAL I MPLEMENTADOS

5.2 Generación del Contenido de la Mazmorra

A revista Terra Imatura27 foi fundadae dirigida pelos irmãos Cléo Bernardo e Sylvio Braga. Cléo Bernardo era jornalista, cronista, poeta e parlamentar do partido socialista brasileiro (PSB), e, por isso, a revista estava ligada à literatura, à arte, à ciência, com ideias de uma crítica mais sociopolítica. O que também refletia a eclosão da Segunda Guerra Mundial e as consequentes transformações na vida social da capital paraense em decorrência ao governo ditatorial do Estado Novo (1937-1945).

Terra Imatura – esse nome homenageava a obra homônima de Alfredo

Ladislau, um estudo de eloquência derramada sobre a região amazônica – saiu e prosperou em plena vigência do Estado Novo, coincidente com a fase aguda da Segunda Guerra Mundial. São raros, nessas revistas, os sinais de inquietação e de rebeldia política. A retórica getuliana abafava a primeira e o temor da censura evitava a segunda. Mas o DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), como órgão censor, tinha as malhas largas e elásticas, por onde passara, em 1938, um artigo de Solermo Moreira Filho, contra os “áulicos fascistas – guilhotinando as liberdades e rebaixando a condição humana” (NUNES, 2001, 17).

A consciência crítica do grupo intensificou-se em 1942, quando o Brasil passou a integrar o bloco dos Aliados contra as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão). O

27 A revista tinha como colaboradores: Clovis Ferro Costa, Dulcinéa Paraense, Stélio Maroja, Machado Coelho,

Cecil Meira, Arthur Porto, Adalcinda Camarão, Bruno de Menezes, Dalcídio Jurandir, Francisco Paulo Mendes, Ruy Guilherme Paranatinga Barata, entre outros escritores.

engajamento político de Cléo Bernardo, diretor da revista, decidiu participar como voluntário da Força Expedicionária Brasileira (FEB) e partiu rumo à Itália.

A revista destacava-se também pelo elaborado projeto gráfico e visual, que trazia trabalhos de Garibaldi Brasil, Barandier da Cunha e Guiães de Barros, nomes respeitados entre os ilustradores. A poesia que circulava no periódico trazia a renovação de teor modernista, o poema-piada da primeira geração modernista brasileira é substituído pela seriedade e preocupação com questões filosóficas, políticas, sociais e religiosas. Na Terra

Imatura, poetas paraenses como Dulcinéa Paraense (1918), Paulo Plínio Abreu (1921-1959) e Ruy Guilherme Barata (1920-1990) publicam seus primeiros poemas. A crítica literária da revista tinha como colunista Carlos Eduardo Rocha, Marques Rabelo e Romangueira de Oliveira, que faziam comentários sobre os livros publicados por autores nacionais e estrangeiros.

Entre as preocupações dessa geração estavam: a necessidade da organização estudantil por melhorias no sistema educacional, o combate as injustiças sociais e a preocupação com a guerra e o avanço das tropas alemãs pela Europa. Conforme a publicação citada na revista Terra Imatura, em outubro de 1938,

O orgulho, o cego e tradicional orgulho alemão sempre plantado no seio da humanidade a semente da angústia, da grande angústia, (...) Bismarck passou. Guilherme II passará como Hitler e outros endocrinopatas imperialistas (BRAGA apud COELHO, 2005, p. 98).

Francisco Paulo do Nascimento Mendes era o redator-chefe da revista e nesse mesmo período se tornaria orientador do Teatro do Estudante do Pará. Foi professor, amigo, ensaísta, crítico da arte, “fazedor de poetas”. Segundo ressaltou Nunes, o Chico Mendes (assim chamado por eles afetuosamente) foi de uma importância única para os integrantes de sua geração e da seguinte, pois Mendes integrou a história de duas gerações: a de Cléo Bernardo e a de Max Martins.

Na revista Terra Imatura, Mendes publicou apenas um único artigo, “Correspondência de Van Gogh”, em 1939. Sobre a postura econômica da escrita de Mendes, Nunes, destacou que o “regime de escassez da escrita” era algo que o caracterizava, e acrescentou ainda, que certa vez, em nome de um amigo em comum, Mendes recebeu um convite da imprensa carioca, para assumir o lugar do crítico Álvaro Lins, então falecido. E eis que Mendes respondeu a Nunes (2001, p. 18) “que gostava de falar e não de escrever. Gostava

de falar e de agir”. A forma de atuar do F. Paulo Mendes, enquanto crítico, foi a oralidade, atividade praticada pela sua própria postura de professor.

[Então], só podemos chamar o crítico de fazedor de poetas, para quem, no entanto, a literatura não bastava. Ele viveu a poesia moderna numa estreita associação com a pintura, arte que o avô João Affonso praticara, e que o neto nos ensinara a olhar nas suas conferências, como a que fez sobre o impressionismo [...] Não pensava numa arte em estado de simpósio, síntese de poesia e de pintura, mas a pintura e a poesia de nossa época (ele sempre acentuava esse vínculo histórico) tinham em comum a depuração das formas, que podia ser interpretada de duas maneiras, quer como libertação das convenções, dos artificialismos de expressão, quer como refinado depuramento dos meios expressionais até o abstracionismo (NUNES, 2001, p. 21).

Mendes escreveu dois longos artigos sobre a teoria poética, e como ele era um exímio mestre, seus textos soavam como verdadeiros tratados para estudos teóricos da poesia moderna, assim como o fez em: O poeta e a rosa: primeira notícia sobre a poesia de Mário

Faustino28 e Notas para uma conferência sobre a poesia contemporânea29, ambos publicados no Suplemento Literário da Folha do Norte. Do primeiro texto sobre a poesia de Mário Faustino é interessante destacar a consciência de Mendes em relação aos acontecimentos que ocorreram em torno dos conceitos de Moderno e de Modernidade:

Agora, para um outro homem e para uma outra poesia impunha-se, legitimamente, a criação de uma outra linguagem poética. Esta foi, em síntese, a luta que os modernos tiveram que travar contra os antigos. [...] Para os modernos, porém, vencidas a velha ordem e tradição, morto, para sempre, o mundo poético do passado, consequentemente a paz e o equilíbrio voltariam a reinar novamente. Foi sempre assim (MENDES, 2001, p. 194). Mas ainda advertiu Mendes (2001, p. 195), em tom professoral, sobre os perigos que rondam os poetas que assumem para sua poética o excesso de “convencionalismo” ao adotarem para si o único caminho de determinados movimentos e acabarem enclausurados pelo regime dos mesmos, e “não venha cair no virtuosismo, que ele seja fiel à matéria poética com que trabalha, isto é, que tenha como seu único princípio a procura incansável da forma adequada à matéria da sua poesia, à essência dela, como diriam os idólatras da poesia pura”.

Meses depois desta publicação, Mendes lançou a sua proposta para o que ele considerava a poesia contemporânea,

28 Suplemento Arte-Literatura da Folha do Norte, em 25 abr. 1948. 29 Suplemento Arte-Literatura da Folha do Norte, em 1 jun. 1948.

O que se pede a ela é que desvende os mistérios, que nos introduza ao seio do desconhecido e que nos faculte penetrar em tudo aquilo que a razão, incapaz, não pode apreender, e que os nossos pobres sentidos estão impossibilitados de receber. A poesia é, assim, antes de tudo, um esforço e uma tentativa para transpor os dados imediatos da consciência. Ela tornou- se, com a fé, um processo superior de conhecimento ou, como como diz bem Marcel Raymond, “um moi irregulier de connaisance métaphysique” (MENDES, 2001, p. 189).

Figura 5 - Página expediente da revista Terra Imatura.

Fonte: NUNES. B. (Org.). O amigo Chico, fazedor de poetas. Belém: Secult, 2001, p. 19. F. Paulo Mendes já era professor quando a geração de Benedito Nunes e Max Martins o conheceu. Entre seus ensaios, destacam-se os textos: Raízes do Romantismo, uma

tese escrita em 1944, para concorrer à vaga na cadeira de Literatura da Escola Normal, hoje Instituto de Educação do Pará. A extensa tese só se transformou em livro muito tempo depois:

Com o pré-romantismo, ali eram tratados tantos outros assuntos, como a poesia lírica, o romance e o próprio romantismo, que se confunde com o espírito moderno, no sentido de apuramento da subjetividade, sempre grato ao nosso amigo, e do qual, repetidas vezes, se ocupou. Ensinava-nos o Raízes, por fim, que, sob, o espírito moderno, a literatura moderna e o romantismo haviam firmado duradoura aliança (NUNES, 2001, p. 15).

Sua participação em revistas de crítica literária e de arte, não parou na Terra Imatura, ele também trabalhou na revista Novidade, foi diretor do Teatro do Estudante do Pará. Mas sua colaboração no Suplemento Literário da Folha do Norte, dirigido por seu amigo de longas conversas do Café Central, Haroldo Maranhão, foi essencial para o fortalecimento da inteligência dessa geração.