• No results found

A qualidade da habitação foi avaliada a partir dos indicadores: domicílios particulares permanentes e banheiros. Entende-se que o padrão de construção do domicílio é de extrema importância na avaliação da qualidade de vida da população. 4.2.2.1 Domicílios Particulares Permanentes

A análise do indicador domicílios particulares permanentes é importante, pois esses domicílios são caracterizados pelo padrão de construção para fins de moradia, ou seja, são construções destinadas a abrigar moradores. Isso os diferencia dos domicílios improvisados, que são construções impróprias à moradia. Esses domicílios são caracterizados por construções não voltadas a habitação ou por de barracos de lona, entre outros.

O mapa 14 apresenta a proporção, relação e distribuição dos domicílios particulares permanentes em Uberlândia, com base nos dados do censo demográfico de 2010.

A proporção foi analisada a partir da quantidade de domicílios particulares permanentes de cada setor em relação a todos os presentes da cidade. O resultado da proporção aponta que a maioria dos setores de Uberlândia corresponderam a normatização 0,001 – 400, que significa que esses possuem entre 2 e 235 domicílios particulares permanentes, conforme aponta a tabela 23.

Tabela 23 – Uberlândia/MG: Proporção dos Domicílios Particulares Permanentes em 2010

Proporção de Domicílios Particulares Permanentes

Normatização Número de Dom. Part. Permanentes

0,000 0

0,001 a 0,400 2 a 335

0,401 a 0,700 336 a 586

0,701 a 0,999 592 a 800

1,000 838

Mapa 14 –Uberlândia/MG: Proporção, Relação e Distribuição Domicílio Particular Permanente. Fonte: IBGE, 2010. Autor e Elab.: SOUZA, 2015.

O setor censitário que apresentou o maior número de domicílios particulares permanentes se encontra localizado no bairro São Jorge. Trata-se do com maior número de domicílios e de habitantes, conforme verificado na análise da distribuição domiciliar e de habitantes.

A relação foi verificada a partir do número de domicílios particulares permanentes pelo total de domicílios presentes no setor. Essa relação equivale a densidade de domicílios particulares permanentes.

No ano de 2010 a maior parte dos setores de Uberlândia apresentou densidade igual a 1,000 (tabela 24), que corresponde a setores compostos completamente por domicílios particulares permanentes. Também parte significativa dos setores censitários apresentou densidade alta, acima de 0,700, o que demonstra que de maneira geral, Uberlândia é formada por domicílios construídos para fins de habitação.

Tabela 24 – Uberlândia/MG: Relação Domicílios Particulares Permanentes em2010

Relação de Domicílios Particulares Permanentes Normatização Densidade Domicílios Particulares Permanentes

0,000 0,000

0,001 a 0,400 0,200 a 0,216

0,401 a 0,700 -

0,701 a 0,999 0,769 a 0,997

1,000 1,000

Fonte: IBGE, 2010. Org.: SOUZA, 2015.

A distribuição dos domicílios particulares permanentes em Uberlândia foi realizada através da média aritmética entre proporção e relação. Os resultados apresentaram em sua maior parte altos níveis (superior a 0,700) e bem distribuídos em toda a área urbana de Uberlândia.

O quadro 10 apresenta o resultado da distribuição dos domicílios particulares permanentes por bairro. Esses foram classificados em: nível alto de distribuição da habitação, nível médio de distribuição da habitação e nível baixo de distribuição da habitação. Cabe ressaltar que a análise não entra no mérito da

qualidade da construção do domicílio (padrão de construção), mas sim na estrutura da construção (destinação a moradia).

Quadro 10 – Uberlândia/MG: Nível de distribuição da habitação por bairro em 2010

Bairro Nível Bairro Nível

Alto Umuarama Nível alto de distribuição da habitação Industrial Nível de distribuição da habitação Carajás J. Brasília

Cidade Jardim J. Europa

J. Canaã J. Patrícia

J. das Palmeiras Jaraguá

J. Holanda Laranjeiras

J. Inconfidência Lídice

J. Ipanema Mansões Aeroporto

J. Karaíba Mansour

J. Paradiso Maravilha

Lagoinha Marta Helena

Luizote de Freitas Martins

Minas Gerais Morada do Sol

Morada da Colina Morada dos Pássaros

Morumbi Morada Nova

Pampulha N. S. Aparecida

Patrimônio N. S. das Graças

Residencial Gramado Nova Uberlândia

Segismundo Pereira Osvaldo Resende

Shopping Park Pacaembu

St. Mônica Panorama

Vigilato Pereira Planalto

Alvorada

Nível médio de distribuição da

habitação

Rooselvelt

Bom Jesus S. Jorge

Brasil S. José

Cazeca Saraiva

Centro St. Luzia

Chácaras Tubalina St. Rosa

Custódio Pereira Tabajaras

Daniel Fonseca Taiaman

Dom Almir Tibery

Dona Zulmira Tocantins

Fundinho Tubalina

Granada Umuarama

Dos 69 bairros existentes em 2010, nenhum foi classificado com nível baixo de habitação. Isso porque a maior parte da área urbana de Uberlândia é formada por domicílios particulares permanentes. As exceções ficaram com o bairro Dom Almir, que apresentou setor censitário com ausência de Domicílio Particular Permanente; e bairro Alvorada. Entretanto, ambos os setores são compostos por poucos domicílios e habitantes, conforme apontado na análise da distribuição domiciliar e distribuição de habitantes.

Cabe ressaltar que o censo demográfico do IBGE de 2010 não levou em consideração áreas de ocupação ilegal, ou seja, foram desconsideradas as invasões existentes em Uberlândia, que em sua maioria são construídas em forma de domicílios improvisados, como é o caso da ocupação da área do Campus Glória (figuras 60 e 61), pertencente à Universidade Federal de Uberlândia, com cerca de três mil famílias (CORREIO DE UBERLÂNDIA, 2015).

Figuras 60 e 61 – Uberlândia/MG: ocupação do Campus Glória

Fonte: Correio de Uberlândia, 2012. 70

Em Uberlândia no ano de 2015 foram contabilizadas 25 ocupações formadas por cerca de 15 mil famílias (CORREIO DE UBERLÂNDIA, 2015). Tais problemas urbanos fazem de Uberlândia palco de conflitos sociais, nos quais se faz necessário buscar soluções de melhoria da qualidade de vida de parte significativa da população. Programas como Minha Casa, Minha Vida e outros são importantes na diminuição do déficit habitacional.

Cabe elencar também, as disparidades existentes nos padrões de construção. As figuras 62, 63, 64 e 65 mostram exemplos de residências localizadas nos bairros Morada da Colina, Jardim Karaíba, Santa Mônica e São Jorge, respectivamente. Fica evidente que mesmo se tratando domicílios particulares permanentes, a qualidade de vida dos moradores desses bairros não é a mesma.

Figuras 62, 63, 64 e 65 – Uberlândia/MG: Exemplo padrão residências nos bairros Morada da Colina, Jardim Karaíba, Santa Mônica e São Jorge, respectivamente

A partir do cenário dos problemas urbanos relacionados a habitação, sobretudo advindos da especulação imobiliária, tem-se como papel importante os gestores públicos na busca por soluções para essas áreas ocupadas de forma a buscar formas de superar os conflitos pela terra, visando propiciar a população melhores condições de vida.

4.2.2.2 Banheiros

O indicador número de banheiros foi escolhido visando a análise do acesso a esse equipamento de conforto sanitário. A quantidade de banheiros nos domicílios e o número desses por habitante dizem respeito ao padrão da qualidade da habitação, visto que, quanto maior o nível de renda, maior é a possibilidade de existência de mais banheiros em um mesmo domicílio.

O mapa 15 apresenta a proporção, relação e distribuição dos banheiros em Uberlândia, conforme dados de 2010.

A proporção de banheiros foi obtida através do número de banheiros do setor censitário em relação ao número total de banheiros existentes em Uberlândia. Objetivou-se verificar áreas da cidade com maior presença de banheiros.

O resultado da proporção aponta que a maioria dos setores em 2010, possuíam entre 10 e 334 banheiros (normatização 0,001 a 0,400), conforme tabela 25. O setor censitário que apresentou maior número de banheiros se encontra localizado no Bairro São Jorge e corresponde ao com maior número de domicílios e de habitantes, de acordo com a análise da distribuição domiciliar e de habitantes.

Tabela 25 – Uberlândia/MG: Proporção dos Banheiros em 2010

Proporção de Banheiros

Normatização Número de Banheiros

0,000 0

0,001 a 0,400 10 a 334

0,401 a 0,700 335 a 577

0,701 a 0,999 586 a 800

1,000 835

Mapa 15 –Uberlândia/MG: Proporção, Relação e Distribuição de Banheiros. Fonte: IBGE, 2010. Autor e Elab.: SOUZA, 2015.

A relação foi obtida a partir do número de banheiros do setor censitário pelo número de habitantes de cada setor. Essa relação equivale a densidade de banheiros e teve como objetivo identificar áreas da cidade com presença de mais banheiros por habitante.

No ano de 2010 a maioria dos setores censitários de Uberlândia apresentou relação de banheiros com densidade entre 0,150 a 0,152 (normatização 0,001 – 0,400), conforme tabela 26. Os setores que apresentaram maiores níveis de densidade se concentram principalmente na área central. Esse resultado se deu pelo nível de verticalização existente, composto por apartamentos construídos com maior número de banheiros.

Tabela 26 – Uberlândia/MG: Relação de Banheiros em 2010

Relação de Banheiros

Normatização Densidade de Banheiros

0,000 0,000

0,001 a 0,400 0,150 a 0,152 0,401 a 0,700 0,243 a 0,371 0,701 a 0,999 0,372a 0,465

1,000 0,530

Fonte: IBGE, 2010. Org.: SOUZA, 2015.

A distribuição de banheiros foi analisada através da média aritmética dos resultados da proporção e relação. Grande parte dos setores censitários de Uberlândia apresentou normatização entre 0,401 e 0,700 que significa distribuição relativamente parecida de banheiros pela cidade.

O quadro 11 aponta a distribuição de banheiros levando em consideração o limite dos bairros, que foram classificados em nível alto, médio e baixo de distribuição de banheiros.

Quadro 11 – Uberlândia/MG: Nível de distribuição dos Banheiros por bairro em 2010

Bairro Nível Bairro Nível

Alto Umuarama Nível alto Distribuição de banheiros Lídice Nível médio de distribuição de banheiros

Centro Luizote de Freitas

Fundinho Mansões Aeroporto

J. Holanda Mansour

J. Karaíba Maravilha

J. Paradiso Marta Helena

Minas Gerais Martins

Morada da Colina Morada do Sol

Patrimônio Morada dos Pássaros

Shopping Park Morada Nova

St. Mônica Morumbi Alvorada Nível médio distribuição de banheiros N. S. Aparecida

Bom Jesus N. S. das Graças

Brasil Nova Uberlândia

Carajás Osvaldo Resende

Cazeca Pacaembu

Chácaras Tubalina Pampulha

Cidade Jardim Panorama

Custódio Pereira Planalto

Daniel Fonseca Residencial Gramado

Dom Almir Rooselvelt

Dona Zulmira S. Jorge

Granada S. José

Guarani Saraiva

Industrial Segismundo Pereira

J. Brasília St. Luzia

J. Canaã St. Rosa

J. das Palmeiras Tabajaras

J. Europa Taiaman

J. Inconfidência Tibery

J. Ipanema Tocantins

J. Patrícia Tubalina

Jaraguá Umuarama

Lagoinha Vigilato Pereira

Laranjeiras

Org.: SOUZA, 2015.

Dos 69 bairros de Uberlândia nenhum foi classificado com nível baixo de distribuição de banheiros. Os bairros que apresentaram maior nível foram: Alto Umuarama, Centro, Fundinho, Jardim Holanda, Jardim Karaíba, Jardim Paradiso,

Minas Gerais, Morada da Colina, Patrimônio, Shopping Park e Santa Mônica. São bairros formados por população com nível de renda médio e alto, fato que contribui para a construção de casas com existência de suítes e mais de dois banheiros.

Dois setores censitários apresentaram ausência de banheiros, ambos localizados nos bairros Dom Almir e Alvorada. Esses setores apresentam poucos domicílios e habitantes, conforme analise da distribuição domiciliar e de habitantes. Tratam-se de bairros que apresentaram nível baixo de renda.

A análise dos banheiros permitiu a aquisição de informações importantes sobre a qualidade sanitária dos domicílios e também pela relação que tem com o nível de renda da população. Cabe ressaltar que não foi avaliado o padrão de construção dos banheiros, pelo fato desse item variar muito. Entretanto, a existência de banheiros em quantidade tem relação direta com as condições de saúde da população, fator importante na busca por cidades saudáveis.

4.3 Educação

A Educação está relacionada aos fatores que interferem nas condições de vida da população através do acesso ao mercado de trabalho e condições de renda a partir do nível de formação. Entende-se que o nível de instrução, escolaridade e acesso ao ensino influem diretamente no nível econômico da população, visto que, na maioria das vezes no mercado de trabalho as melhores remunerações são destinadas aos maiores níveis de instrução.