Para atender o objetivo de levantar e analisar as atitudes dos professores sobre a dotação, foi utilizado como instrumento de coleta de dados a Escala Likert de Atitudes em Relação à Identificação e ao Desenvolvimento de Talentos (ELAIDT), desenvolvida por Barbosa et al. (2008) (ANEXO B).
A escala foi aplicada às professoras com o propósito de levantar as atitudes dessas participantes em relação à dotação e talento antes e depois da capacitação sobre o tema. Segundo Barbosa et al (2008), é imprescindível discutir as atitudes dos professores em relação a esse alunado, já que há grande influência da percepção dos professores na indicação de alunos para programas de desenvolvimento.
As informações coletadas por esse instrumento fazem referência ao conceito, identificação, formas de atendimento e papel do professor em relação à dotação e talento. O instrumento é composto por 28 itens, 15 de atitudes positivas e 13 de atitudes negativas, sobre sentimentos, tendências de ação, conhecimentos e crenças em relação à dotação e o talento. Esses itens representam 9 fatores de análise representados no Quadro 09: (1) Ensino Regular x Educação Especial; (2) Professores, pais, identificação de estudantes dotados e talentosos; (3) Comportamento e rotulação; (4) Origem da Dotação e do Talento; (5) Desenvolvimento de Dotação e Talento; (6) Gênero, Desenvolvimento global e Parentalidade; (7) Atendimento do indivíduo com dotação e talento e motivação; (8) Diversidade da dotação e do talento; e (9) Características do Indivíduo com Dotação e Talento.
Quadro 09 – Fatores e itens correspondentes da ELAIDT
FATORES ITENS
Ensino Regular x
Educação Especial
(10) É possível, em sala de aula comum, realizar um programa de desenvolvimento para alunos superdotados
(11) A inclusão escolar do estudante superdotado melhora o ensino para todos os alunos
(13) Identificar alunos com altas habilidades não traz nenhum benefício para a escola
Professores, pais, identificação de estudantes
dotados e talentosos
(4) A participação dos professores no processo de identificação de alunos superdotados é fundamental
(20) O professor não é capaz de identificar alunos superdotados (23) Os pais têm direito de saber que o filho é superdotado
(25) Ter um aluno superdotado fará com que o professor se aprimore
Comportamento e rotulação
(2) A identificação de alunos superdotados promove a rotulação (15) O aluno superdotado apresenta mais problemas de
comportamento
(16) O aluno que sabe que é superdotado fica arrogante, achando que é melhor do que os outros
Origem da Dotação e do Talento
(3) A maioria dos alunos superdotados provém de classes sócio- econômicas privilegiadas
(22) É possível identificar alunos superdotados sem o uso de teste de inteligência
(27) Todos podem desenvolver altas habilidades
Desenvolvimento de Dotação e Talento
(1) O aluno superdotado precisa participar de programas educacionais para se desenvolver
(8) As pessoas já nascem superdotadas
(17) O aluno superdotado se desenvolve sozinho
(28) Um programa para crianças com altas habilidades só desenvolverá seu lado intelectual
Gênero, Desenvolvimento global e Parentalidade
(12) Existem mais homens que mulheres superdotados
(19) O professor ficaria sobrecarregado em ter que identificar alunos com altas habilidades
(21) Um programa para o superdotado deve desenvolver o indivíduo globalmente
Atendimento do indivíduo com dotação e talento e motivação
(5) Alunos superdotados devem ir para as escolas especiais (18) O método de ensino tradicional não é eficaz para o aluno superdotado
(24) Pessoas superdotadas apresentam elevado envolvimento com tarefas de seu interesse
Diversidade da dotação e do talento
(6) A superdotação pode ocorrer em várias áreas do conhecimento humano: intelectual, social, artístico, etc.
(9) As pessoas superdotadas percebem que são diferentes
Características do Indivíduo com Dotação
e Talento
(7) Os estudantes superdotados são criativos
(14) Não existe um padrão de personalidade para pessoas superdotadas
(26) Todo superdotado é um gênio Fonte: Elaboração própria
Originalmente, a escala apresenta quatro pontos: (1) concordo totalmente, (2) concordo parcialmente, (3) discordo parcialmente, (4) discordo totalmente (BARBOSA et al., 2008, BRANDÃO, 2010)
Para calcular o computo geral da ELAIDT, as afirmações positivas são invertidas e a soma de todos os itens calculada. Considerou-se, arbitrariamente, que escores médios entre 28 e 56 representam atitudes desfavoráveis ou negativas e pontuações entre 84 e 112 indicam atitudes favoráveis ou positivas em relação à identificação e ao desenvolvimento de talentos (BARBOSA et al., 2008, p. 52).
Entretanto, diferentemente do modo como Barbosa et al. (2008) e Brandão (2010) realizaram a análise dos dados em seus trabalhos, neste estudo, os dados levantados pela aplicação do questionário receberam tratamento qualitativo.
Após a aplicação da ELAIDT no Estudo Piloto, foi realizada a substituição das possibilidades de resposta do instrumento de “concordo totalmente” e “concordo parcialmente” para “sim” e “discordo parcialmente” e “discordo totalmente” para “não”. Essa adaptação visou à redução de respostas ambivalentes e o foco na análise qualitativa dos resultados em detrimento da análise estatística. Não houve alteração no conteúdo da escala, com o objetivo de manter a concordância com a proposta do autor.
Para análise dos resultados, considerou-se os apontamentos de Barbosa et al. (2008) e Brandão (2010) quanto aos itens que os autores determinam como favoráveis ou desfavoráveis, conforme está representado no Quadro 10.
Quadro 10 – Itens favoráveis e desfavoráveis à identificação e ao desenvolvimento de alunos dotados e talentosos de acordo com a ELAIDT
ITENS FAVORÁVEIS ITENS DESFAVORÁVEIS
(1) O aluno superdotado precisa participar de programas educacionais para se desenvolver
(2) A identificação de alunos superdotados promove a rotulação
(4) A participação dos professores no processo de identificação de alunos superdotados é
fundamental
(3) A maioria dos alunos superdotados provém de classes sócio-econômicas privilegiadas (6) A superdotação pode ocorrer em várias áreas
do conhecimento humano: intelectual, social, artístico, etc.
(5) Alunos superdotados devem ir para as escolas especiais
(7) Os estudantes superdotados são criativos (8) As pessoas já nascem superdotadas (9) As pessoas superdotadas percebem que são
diferentes
(12) Existem mais homens que mulheres superdotados
(10) É possível, em sala de aula comum, realizar um programa de desenvolvimento para alunos
superdotados
(13) Identificar alunos com altas habilidades não traz nenhum benefício para a escola (11) A inclusão escolar do estudante
superdotado melhora o ensino para todos os alunos
(15) O aluno superdotado apresenta mais problemas de comportamento (14) Não existe um padrão de personalidade para
pessoas superdotadas
(16) O aluno que sabe que é superdotado fica arrogante, achando que é melhor do que os
outros (18) O método de ensino tradicional não é eficaz
para o aluno superdotado (17) O aluno superdotado se desenvolve sozinho (21) Um programa para o superdotado deve
desenvolver o indivíduo globalmente
(19) O professor ficaria sobrecarregado em ter que identificar alunos com altas habilidades (22) É possível identificar alunos superdotados
sem o uso de teste de inteligência
(20) O professor não é capaz de identificar alunos superdotados
(23) Os pais têm direito de saber que o filho é
superdotado (26) Todo superdotado é um gênio (24) Pessoas superdotadas apresentam elevado
envolvimento com tarefas de seu interesse
(28) Um programa para crianças com altas habilidades só desenvolverá seu lado intelectual (25) Ter um aluno superdotado fará com que o
professor se aprimore
(27) Todos podem desenvolver altas habilidades Fonte: Adaptado de Barbosa et al. (2008)
Os itens da escala foram elaborados por seus autores a partir de afirmações existentes na literatura sobre mitos e crenças sobre o tema. As atribuições desses itens como favoráveis ou desfavoráveis também foi determinada pela análise dos autores, embora alguns deles sejam discutíveis, como será apontado no capítulo seguinte.