• No results found

GEHØRTRENING (GH05A, GH06A) Innledning

Gehørtrening / hørelære som fag i musikkutdannelsen ved Norges musikkhøgskole

GEHØRTRENING (GH05A, GH06A) Innledning

Como já citado anteriormente, esta segunda parte da reunião foi gravada após o término do que achávamos ter sido toda a reunião do dia. A câmera acabou

92 sendo ligada de repente, pois os professores, após um pequeno intervalo de tempo, recomeçaram a discutir a respeito da aplicação da sequência. Nesta discussão foram resgatadas algumas observações sobre as atividades anteriores como a da caixa preta2 e do efeito fotoelétrico, além de trazer uma importante preocupação de Rafael, um dos professores, relacionada às interpretações da física quântica. Abaixo iniciamos a análise da transcrição da reunião.

Turno Transcrição Categorias de Análise

1

Júlio – [...] e ele falou que não conseguiu fazer a conta. Eu falei, vamos pensar no que você está fazendo, o fóton não está chegando? Tem dez de energia, não vou falar nem de unidade, a quantidade de energia dele é dez, digamos que o metal precise de dois, pra onde vai o restante? ‘Ah, professor, vai pro elétron se movimentar.’ E porque você não conseguiu entender isso quando fez a conta? Na conta o que tá dizendo é isso, da maneira como você coloca aqui se isso aqui vale dez e ele gasta dois pra onde é que vai o resto? ‘Vai pra fazer o elétron se movimentar.’ Eu falei: E você não conseguiu enxergar isso na equação?

Depois que eu já tinha corrigido a equação, né?

Atenção à construção do conhecimento pelo aluno (I.4)

2

Rafael - Esse negócio também é outra coisa sistemática que a gente vê acontecendo, por que acontece isso? É aquele caso clássico de que a gente fala que muda a letra do “x e y” na matemática por “b e t” e o cara enrola, ele não dá o passo. Como é uma coisa sistemática e eu acho que é isso que também aconteceu no “E = h.f” é que ele sabe fazer dentro daquele contexto da matemática, aí quando ele vai pra física ele não... Por que acontece isso? Eu acho que é um problema para ser trabalhado na discussão, na aula, o professor de matemática também devia fazer isso, tanto professor de física, quanto de matemática, buscar inter-relações entra as áreas.

Relatos ou observações a partir da experiência

docente (I.6)

Nesta passagem o professor Júlio relata uma breve discussão que teve com seu aluno, na aula de sistematização da atividade do efeito fotoelétrico, a respeito da distribuição de energia durante o fenômeno. É possível perceber o desenvolvimento da linha de raciocínio do aluno conforme o professor coloca as perguntas a ele, esta linha nos mostra a interação promovendo a construção do conhecimento científico, pois faz com que o aluno tome consciência, conforme Carvalho et al.(1998), do

2

A atividade da caixa preta ocorreu na primeira aula da SEI, assim a discussão com os professores sobre esta atividade ocorreu logo no início. Como acabamos selecionando para a análise as reuniões a partir do dia 25/09/2012, a primeira discussão sobre a caixa preta ficou de fora.

93 processo de conservação da energia, presente em todos os fenômenos físicos. Isto faz com que a fala do professor se enquadre em uma de nossas categorias (I.4 Atenção à construção de conhecimento pelo aluno), na qual o aluno constrói conhecimento através da interação com o professor.

O trecho seguinte, a partir do turno 10, traz uma preocupação do professor Rafael referente à visão da ciência construída pelos alunos e suas experiências prévias ao aplicar a sequência didática sobre dualidade da luz. Contudo, vale lembrar que a sequência de ensino mencionada neste trecho pelo professor Rafael não é a mesma que foi aplicada durante esta pesquisa. Apesar de terem os mesmos objetivos, as atividades da sequência de ensino por nós utilizada nesta pesquisa foram modificadas para assumir um caráter metodológico seguindo os referenciais do ensino investigativo.

Turno Transcrição Categorias de Análise

10

Rafael - Eu acho que tem um ponto crítico nesse negócio da interpretação, Paulo, eu também já trabalhei com esse material do Guilherme e nas duas vezes que eu trabalhei eu notei que acontece um problema assim: Quando fala em interpretação dá impressão de um relativismo, então é diferente da clássica “F = m.a” e acabou e tal... Eu creio que esse é o problema, não é diferente, a quântica tem uma estrutura interna lógica, ela não é passível de interpretação o que nós estamos falando de interpretação é outra coisa, entendeu? Não é que depende de opinião... Ah, o Bohr tem uma opinião o outro cara tem outra. Quanto ao formalismo lógico da quântica todos os cientistas falam a mesma coisa, é objetivo, o que eles têm é visão diferente de como interpretar aquele problema de lógica. Para o cara do ensino médio isso é um problema sério, nas duas vezes que trabalhei com eles não consegui mostrar dessa maneira, a impressão que eu fiquei é que ficaram muito confusos e acharam então que a coisa era como se dependesse de opinião. Entendeu? Eu tenho opinião de que é ondulatória, você tem opinião que é corpuscular... E não é isso.

Antecipação de problemas e/ou questionamentos

durante a aplicação da atividade (I. 1) e Relatos ou observações a partir da experiência docente (I.6)

11

Júlio - E leva a outra coisa porque quando eles perguntam: Afinal é uma coisa ou outra? Aí você fala assim: É algo que ainda não tá fechado, você tem interpretações. Ele fala assim: Ah, vale qualquer coisa então. Antecipação de problemas e/ou questionamentos durante a aplicação da atividade (I.1) / Sugestões ou observações sobre as interações entre professor, alunos e material. (I. 2)

94

12 Paulo - Não, não vale!

13

Júlio - Aí eu falei: Não vale! No contexto que a gente está discutindo você tem essas maneiras de analisar isso, então dentro desse contexto tem essas quatro visões, mas não vale qualquer coisa.

Sugestões ou

observações sobre as interações entre professor, alunos e material. (I. 2)

14 Paulo - em todo esse formalismo, [...]Se pegar uma 5ª ou uma 6ª ela tem que tá pautada

No quadro acima percebemos que o professor, ao refletir sobre sua prática docente (Relatos ou observações a partir da experiência docente (I.6)) a partir de uma atividade parecida que já havia realizado anteriormente, prevê um problema (Antecipação de problemas e/ou questionamentos durante a aplicação da atividade (I. 1)) ligado à epistemologia da ciência e à visão da ciência que se pretende construir com os alunos. De acordo com Praia, Gil-Pérez e Vilches (2007) é essencial que o aluno entenda que a ciência progride a partir de um paradigma vigente bem estabelecido e aceito dentro das comunidades científicas e que, apesar de chamarmos as visões da mecânica quântica (MQ) de “interpretações”, elas estão pautadas em um formalismo essencial à sua aceitação dentro desta comunidade. Algo que fica claro durante esta passagem é que, com os nossos alunos, devemos deixar claro a importância deste formalismo para evitar que eles pensem que qualquer explicação dada seja válida. Esta ressalva aparece durante o diálogo entre os professores e seu formador e as enquadramos dentro de nossa subcategoria Sugestões ou observações sobre as interações entre professor, alunos e material. (I. 2), pois consideramos que a epistemologia das ciências faz parte do conteúdo a ser ensinado.

No quadro seguinte podemos observar uma discussão e algumas sugestões sobre como minimizar este problema apontado anteriormente, relacionado ao desenvolvimento de explicações nas ciências.

Turno Transcrição Categorias de Análise

15 Rafael - caixa preta, por exemplo? Na caixa preta têm vários Não dá pra fazer uma ligação como fiz com a

modelinhos, eu tinha um modelo que tinha duas varinhas

Sugestões ou

observações sobre as interações entre

95 de um lado e duas do outro, então se eu puxasse essa

varinha as outras duas (gestual conferido no vídeo: paralelas à esquerda) se eu empurrasse aí uma delas só que, acho que era a da direita ou a da esquerda, então não era coisa de interpretação, era um fato que estava acontecendo ali e a maneira como eu manipulava uma das varinhas, ditava como as outras iam se comportar. Eu entendo que interpretação é quando eu vou fazer uma hipótese sobre um mecanismo que tá por trás desse comportamento. Tinha uma brincadeira que o próprio Guilherme fazia: Uma interpretação válida é que o moleque pode falar que tem um anãozinho lá dentro, um duende, que você mexe a varinha e ele vai mexer.

professor, alunos e material. (I. 2) e Sugestões ou observações sobre as atividades (I. 5)/ Relatos ou observações a partir da experiência docente (I.6)

16 Paulo aplicou...- Mas não foi uma brincadeira, foi uma vez que ele

Relatos ou observações a partir da experiência docente (I.6)

17 Júlio - quer dizer que se eu disser que tem um gnomo aí, tá Foi na escola da Cris que o menino falou: Então certo?

18 Paulo – É uma interpretação.

19 Júlio - funciona...Se você conseguir explicar com ele como

20

Rafael - Tanto pra você, pra mim, pra ele, a caixinha a gente vai entender como ela funciona, a gente vai fazer uma relação entre o comportamento que a gente faz em uma das hastes e como que a gente se comporta, disso nós não vamos discordar, isso é uma coisa bem objetiva o que nós vamos fazer... Aí eu acho que entra o lance da interpretação. Talvez dar aquela aula da caixinha.

Sugestões ou observações sobre as interações entre professor, alunos e material. (I. 2) / Sugestões ou observações sobre as atividades (I. 5)/

21 Paulo - aula, mostrar que, por exemplo, no mundo clássico Mas a caixa preta teve essa função na primeira interpreta o universo...

Atenção aos objetivos da atividade (I. 1)

22 Rafael - Cada grupo teve várias interpretações da caixa preta.

23

Paulo - Sim, mas qual era a ideia? Pensar classicamente que você pode explicar a realidade de duas maneiras, ou é onda ou partícula, são antagônicas e complementares, não é isso? Então o mote da caixa preta é esse, você pode retomar agora: Olha, agora já não tenho mais esse dualismo, não pode ser só duas coisas, eu tenho mais de uma, mas todas elas estão pautadas no quê?

Atenção aos objetivos da atividade (I. 1) / Sugestões ou observações sobre as interações entre professor, alunos e material. (I. 2)

Para superar o problema anteriormente identificado, o professor Rafael sugere o resgate de uma das atividades anteriores da SEI, a atividade da “caixa preta”, e através dela discutir com os alunos sobre os diferentes modelos encontrados na ciência e assim tentar fazer a conexão entre o que foi visto e o problema das “interpretações”. Observamos aqui a subcategoria Sugestões ou

96 observações sobre as interações entre professor, alunos e material. (I. 2), pois o professor, para prosseguir com a atividade atual (Mach-Zehnder e as Interpretações da MQ), busca elementos que já foram vistos anteriormente (Caixa Preta), chamando a atenção dos alunos ao que já foi discutido e que pode ser utilizado na presente atividade. Ao fazer isto, entendemos também que acaba nos dando uma sugestão sobre a atividade (Sugestões ou observações sobre as atividades (I. 5)), pois a retomada desta atividade da “caixa preta” e sua relação com a discussão das “interpretações” da MQ, não havia sido discutida durante as reuniões. Vemos nesta sugestão uma forma de ajudar o professor a alcançar o objetivo da atividade das interpretações e também que ajude os estudantes a perceberem como são construídos os modelos na ciência.