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Gazprom in the supply chain of the Shtokman project

5. Supply chain of the Shtokman project

5.2 The role of Gazprom in the Shtokman project development

5.2.2. Gazprom in the supply chain of the Shtokman project

Melhado e Agopyan (1995, p. 6) exploram os conceitos de projeto como produto e como serviço, os propósitos dos empreendimentos e os clientes internos e externos (com objetivos diferentes) nele envolvidos. Citam a importância da fase de projetos e sua influência no custo final de um empreendimento, ao longo das suas fases e da pouca relevância que a ele é dada.

Para que se possa mudar o enfoque corrente, deve-se alterar as relações do projeto com as demais atividades que compõem o ciclo da qualidade. O que significa: estreitar as relações do projeto e do planejamento [...], relacionar as decisões de projeto a informações advindas do uso, operação e manutenção [...] (retroalimentação) [...], integrar projeto e execução, tratar o projetista como um participante efetivo do ciclo da qualidade, estabelecendo procedimentos [...], compatibilizar as atividades de projeto e suprimentos para permitir o desenvolvimento de inovações, estabelecendo parcerias tecnológicas que se traduzem em especificações e detalhamentos adotados no projeto.

Salientam a necessidade de uma mudança estratégica no papel do projeto e a estruturação de um banco de informações. Apontam ainda que a atividade de projeto deve ser encarada nas seguintes dimensões: projeto como processo estratégico e projeto como processo operacional.

A atividade de projeto não cessa quando da entrega do projeto à obra; na medida em que existe a imprevisibilidade e que a eficácia das decisões tomadas em projeto só pode ser efetivamente avaliada durante a execução, a permanência da equipe de projeto ao longo daquele período é fundamental. (MELHADO e AGOPYAN, 1995, p. 15)

Marques (apud MELHADO; AGOPYAN, 1995, p. 16) avalia que a crescente complexidade operacional dos empreendimentos, somada a própria tendência à especialização cada vez maior, gerando, por conseqüência, a necessidade técnica específica para a condução do projeto – onde estão as principais dificuldades para a obtenção da qualidade, a necessidade de haver essa coordenação do processo de projeto é reconhecida por vários autores.

O trabalho compara o arranjo tradicional da equipe de projeto com o conceito de equipe multidisciplinar, tendo um papel central de integrador e com permeabilidade entre os agentes do processo. Os citados autores dizem que este coordenador “pode auxiliar a dissolver a noção de – autoria – do projeto, enfatizando

o resultado final e impedindo que haja uma – compartimentação estanque – das suas partes”. Também ressaltam que o “desenvolvimento do projeto deve ser baseado no trabalho gerado por uma equipe multidisciplinar e coordenada de forma iterativa por um profissional com adequada experiência em projeto e execução”. (MELHADO; AGOPYAN, 1995, p. 18)

Araújo (2003, p. 18) apresenta inúmeros exemplos que demonstram de que forma surgem novos campos de estudo que se constituem naturalmente em: interdisciplinares (interdisciplinar8 refere-se àquilo que é comum a duas ou mais disciplinas ou campo de conhecimento), citando como exemplo o estudo do genoma humano e a ética; e multidisciplinares (quando determinado fenômeno a ser analisado solicita o aporte de vários especialistas de diferentes disciplinas para tentar resolver um problema), exemplificando a ecologia.

Cita a terminologia transdisciplinaridade, referindo-se a temáticas que ultrapassam a própria articulação entre as disciplinas, atravessando-as, não permitindo que sejam reconhecidas dentro dos campos de conhecimento existentes. Exemplifica o estudo sobre as formas de alimentação e das relações do ser humano com o alimento.

Explica que o termo transversalidade:

[...] relaciona-se a temáticas que atravessam, que perpassam, os diferentes campos de conhecimento, como se estivessem em uma outra dimensão. Tais temáticas, no entanto, devem estar atreladas à melhoria da sociedade e da Humanidade, e por isso abarcam temas e conflitos vividos pelas pessoas em seu dia-a-dia. (ARAÚJO, 2003, p. 28)

Porém ressalta: “deve-se compreender que as temáticas transversais não são novos campos disciplinares e sim áreas que atravessam os campos disciplinares”. Desse modo, podem representar, além de formas geométricas (plano cartesiano), formas como a de “rizoma” ou de “redes neurais”.

Julga-se, portanto, que a temática “urbanização” de favelas pode requerer, além da ação multidisciplinar, solicitando abordagem das diversas disciplinas, uma ação transdisciplinar, perpassando uma intenção aglutinadora.

8 O autor salienta que muitas pessoas pensam que trabalham de forma interdisciplinar apenas porque

se reúnem com colegas de outras áreas, porém de forma fragmentada, estanque. (ARAÚJO, 2003, p. 19)

Morin (2002, p. 35) sugere alguns “saberes necessários”. Entre eles a multidisciplinaridade no tratamento das questões políticas, econômicas, sociais e ambientais:

Para articular e organizar os conhecimentos e assim reconhecer e conhecer os problemas do mundo é necessária a reforma do pensamento. Entretanto, esta reforma é paradigmática, e não programática: é a questão fundamental da educação, já que se refere a nossa aptidão para organizar o conhecimento.

Boff (1999, p. 97) coloca como “o grande desafio para o ser humano é combinar trabalho, com cuidado. Eles não se opõem, mas se compõem. Limitam-se mutuamente e ao mesmo tempo se complementam”.

E a essa colocação adiciona:

Há um descuido e um descaso pela coisa pública. Organizam-se políticas pobres para os pobres; os investimentos sociais, em seguridade alimentar. Em saúde, em educação e em moradias são, em geral, insuficientes. Há um descuido vergonhoso pelo nível moral da vida pública marcada pela corrupção e pelo jogo explícito de poder de grupos, chafurdados no pantanal de interesses corporativos. [...].

O que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato; é uma atitude. Portanto, abrange mais que um momento de atenção, de zelo e de desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro [...]. (BOFF, 1999, p. 19/33)

Quanto à ação do EAT, pode-se dizer que sua definição e a abrangência de atuação foram planejadas de forma simplista, até porque não se tinha noção exata do seu desenvolvimento; as necessidades demonstraram-se superiores às previstas. Não se definiu se esta atuação era sobre a obra núcleo Toledanos ou sobre a obra Jardim Santo André. A gestão do empreendimento ocorria ao nível interno da Companhia, compatibilizando as ações internas e externas do empreendimento para sua viabilização dentro dos aspectos compreendidos pelo programa, em nível macro-estrutural da sua implementação.

Localmente, ocorre a necessidade de compatibilizar ações detalhadas, envolvendo assim novos agentes e produtos. Como pode ser visto ao final da descrição do caso, a experiência do EAT aponta a existência desses elementos, que devem ser compreendidos, planejados e inseridos no rol de atividades para

execução da urbanização de favela. Este trabalho também ressalta a capacidade de gestão e os novos agentes necessários para esta função, redividindo as atribuições.