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Oficialmente, o Brasil foi descoberto pelos Portugueses em 22 de Abril de 1500 por Pedro Alvares Cabral, enquanto este buscava uma rota para as Índias. Um conjunto de 13 navios, e um total de 1200 tripulantes, saíram de Portugal em Março de 1500, após uma missa que contou com a presença do Rei Manuel de Portugal e acabou chegando a costa brasileira.

No entanto, mesmo após a sua descoberta, o Brasil foi tratado como mais um conjunto de portos de comércio, da mesma forma que ocorria com as colônias africanas e asiáticas. Como as populações indígenas não usavam adornos de ouro ou outros metais preciosos o interesse inicial português foi relativamente pequeno. A rota asiática era a que tinha o maior interesse, e Portugal tinha um domínio e portanto obtinha altos lucros nestas operações (MEADE, 2004).

No entanto, logo houveram incursões dos Franceses e Espanhóis nestas rotas, e consequentemente uma diminuição da lucratividade, criando uma maior necessidade de outros produtos, o que levou a Coroa portuguesa a adotar o sistema de capitanias hereditárias no Brasil, para que fossem explorados madeira e outros recursos naturais, estabelecendo quinze capitanias entre 1534 e 1536 (SKIDMORE,1999). Embora este sistema de capitanias tenha tido sucesso nas Ilhas de Cabo Verde, e na Madeira, no Brasil não teve o sucesso esperado, pois havia grande dificuldade em convencer os donatários das capitanias a realizarem os investimentos necessários, devido ao alto risco e a necessidade de altos investimento, alguns donatários nem sequer tomaram posse de suas capitanias.

Percebendo a dificuldade de implantar este modelo de colonização, em 1550 a Coroa Portuguesa, instituiu um Governo Geral, sendo Tomé de Souza, o primeiro a ocupar este cargo, fundando a cidade de Salvador, a primeira cidade do Brasil, que permaneceu como a capital da colônia por mais de dois séculos. Já no século dezessete, o país se tornou um dos maiores exportadores de açúcar, no período de 1600 a 1650, este setor representava entre 90 a 95% das exportações brasileiras, próximo ao fim do século quando o comercio de açúcar declinou, o açúcar ainda foi era responsável por 15% das exportações brasileiras.

O estabelecimento da cultura de cana de açúcar definia o Brasil como uma economia de monocultura, o que se manteve até o século XX, que implicava em plantações orientadas a

exportação, de grandes dimensões, autossuficientes, baseadas em mão de obra escrava, regionalmente concentrada no Nordeste Brasileiro (MEAD,2004). No entanto, os preços do açúcar caíram drasticamente nos anos 1670 e 1680, devido ao aumento da produção e participação das Antilhas, o que ameaçou a economia brasileira na época. No entanto, no início da década de 1690 o ouro foi finalmente descoberto no Brasil, nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás e Sul da Bahia. Em poucas décadas o país passou a ser o maior produtor de ouro, e na década de 1720 iniciou-se a produção de diamantes.

A produção de minério expandiu-se alcançou seu ápice em 1760. Durante o século 18, o Brasil forneceu aproximadamente 80% do ouro de todo o mundo, aproximadamente 2 milhões de libras. Esta conjuntura criou condições de conflito entre a elite colonial brasileira, e os interesses portugueses, agravados pelo fato da economia da colônia ultrapassar em importância a da metrópole (MEADE,2004). Segundo SKIDMORE(1999) a primeira conspiração significativa contra o domínio português ocorreu em Minas Gerais, a Inconfidência Mineira, com um plano para assassinar o governador e estabelecer uma república independente. No entanto o plano foi descoberto e os envolvidos julgados e condenados (SKIDMORE,1999).

Este evento foi um importante precursor dos movimentos de Independência Brasileira, pois confirmou a influência dos ideais norte-americanos e da Revolução Francesa, o sentimento divergente da colônia em relação ao domínio português, as diferenças econômicas entre os dois países, o Brasil já possuía capacidade produtiva maior que a metrópole, além da demonstração de poder que a coroa Portuguesa fez questão de expressar.

No início do século XXI, em 1807 o exército de Napoleão invadiu a península Ibérica, e a corte Portuguesa se transferiu as pressas para o Brasil, fugindo do domínio francês. Entre os anos de 1808 e 1822, a presença da corte atraiu negócios e imigrantes, e a população do Rio de Janeiro dobrou neste período passando a mais de 100.000 habitantes. No entanto, em Portugal houve uma grande pressão para que Dom Joao VI, retornasse, principalmente após a derrota de Napoleão em 1814. Assim, Dom Joao VI, retornou para Portugal em Abril de 1821, com 4.000 portugueses, deixando o filho Pedro, como o príncipe regente do Brasil, (SKIDMORE,1999).

Em 7 setembro de 1822, a independência do Brasil foi proclamada por Pedro, filho de Dom Joao VI, e no mesmo ano foi coroado como o Imperador Pedro I, iniciando-se o Império Brasileiro, que durou até 1889, com a proclamação da República. Pedro I criou em 1823 a primeira Constituição do Brasil, fortemente baseada em ideais iluministas, considerada uma das

mais liberais da época, prevendo liberdade religiosa, instituindo a separação e independência entre os três poderes, que foi aprovada em 25 de março de 1824.

No entanto, pouco tempo após a criação de uma constituição, a morte de Dom Joao IV no ano de 1826 em Portugal tornou Pedro I também Rei de Portugal, por alguns dias, e por limites da constituição brasileira, teve de renunciar ao cargo. Assim, Pedro I abdicou no dia 7 de abril de 1831 partindo para Europa e nomeou o filho, futuramente conhecido como Dom Pedro II, com apenas 5 anos como o seu sucessor. O governo de Pedro II além de longo (1831 a 1889), foi marcado por uma série de acontecimentos como a Guerra do Paraguai (1860-1874) e a Abolição da Escravatura (1888).

No entanto já em meados de 1880 já com a saúde abalada, Pedro II iniciou uma série de viagens para tratamentos de saúde, e foi aos poucos perdendo o contato com a sua função de Imperador. Em 15 de Novembro de 1889, aproveitando a debilidade da saúde do Imperador, e mesmo sem apoio civil, Marechal Deodoro da Fonseca foi o responsável pelo golpe militar, que instituiu a Republica, sendo ele o primeiro Presidente do Brasil (SKIDMORE,1999).

Logo após, em 1891 a Assembleia Constituinte preparou a segunda constituição do Brasil, liderados por Rui Barbosa, instituindo um regime Federativo no Brasil, seguidos pelas eleições de 1894, na qual apenas 2% dos brasileiros votaram, pois o voto somente era permitido aos homens, alfabetizados e maiores de 21 anos. O novo governo passou a ser dividido por três poderes: judiciário, executivo e um legislativo, composto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado (MEADE,2004).

Os anos do início da republica (1890) até meados dos anos 1930, foram marcados por grandes mudanças demográficas, com uma nova onda de imigração e também de urbanização do pais, impactando não somente a demografia, mas também o poder, que tornou-se mais urbano. Já nos anos 1920 havia um claro um despontamento com o liberalismo, guiados por militares e apoiado pela comunidade intelectual.

As eleições presidenciais de 1918 e 1922, criaram condições ainda mais instáveis para o governo, com a eleição de Rodrigues Alves e posteriormente Arthur Bernardes (1922-1926) com constantes conflitos políticos. A eleição de Washington Luiz em 1926 continuou o processo de divisão dentro da política brasileira, sendo agravada pela escolha de um sucessor,

também paulista, em 1930, Júlio Prestes, ao invés de indicar um Mineiro, conforme acordo político da época.

Assim, aproveitando deste momento conturbado, em 1930, os militares um realizaram um golpe militar e instalaram Getulio Vargas como o chefe do governo, terminando a República Velha, e iniciando uma nova fase na política e na história Brasileira. A Primeira República conseguiu sucesso no processo de transição de uma monarquia escravocrata, embora com dificuldades e falhas neste processo (MEADE,2004). Assim que Getulio Vargas chegou ao poder, passou a centralizar o poder no Governo Federal, instituindo “presidentes” em todos os estados, com exceção de Minas Gerais.

Além disso, Vargas também nacionalizou transporte ferroviário, marítimo, e criou uma serie de empresas estatais em setores estratégicos, como Petrobras, além de aumentar a importância e o tamanho da burocracia federal. No entanto, em 1954, a sua renúncia foi exigida novamente pelos militares, sendo concedida em 24 de agosto do mesmo ano, seguido pelo suicídio de Getulio Vargas. Logo após, em 1955, Juscelino Kubitscheck foi eleito como o novo presidente, com foco no desenvolvimento econômico, com o Plano de Metas, buscando diversificar e ampliar a produção industrial, que aumentou 80 % no período entre 1955 e 1961. As metas estavam relacionadas com os setores de Energia, Transportes, Alimentação, Indústria de Base e Educação. No entanto, o maior feito foi sem dúvida a criação da nova capital nacional, Brasília.

Jânio Quadros foi o sucessor de Kubitscheck, foi eleito presidente em 3 de outubro de 1960, com 5,6 milhões de votos, mas somente permaneceu no poder por 8 meses, renunciando em 25 de agosto de 1961, assumindo assim o vice-presidente Joao Goulart, responsável pelo Plano Trienal, que tinha como objetivo uma série de reformas nos setores bancários, fiscais, urbanos, eleitorais, agrários e educacional, com um foco na nacionalização de setores industriais, além de um maior controle sobre investimentos estrangeiros.

Estas reformas desagradaram vários setores da sociedade, como grandes proprietários de terra, investidores estrangeiros e os militares. Assim, imediatamente, em 31 de março o General Olímpio Mourão Filho iniciou o golpe no Rio de Janeiro, sendo seguido por outros setores militares, e sob a liderança de Castello Branco o governo foi desposto. O Golpe de 1964, iniciou um novo período de governo militar, que se estendeu dos anos de 1964 até 1988. Contudo, em

1976 iniciou-se um processo gradual de abertura política, e em 1979 os partidos políticos foram novamente permitidos.

Em 1980 novas greves ocorreram no Estado de São Paulo, sendo lideradas pelo PT, e em 1984 demonstrações eclodiram em todo o país para reivindicar eleições diretas, causando o fim de um governo militar, com a eleição de Tancredo Neves, e Sarney como vice-presidente, que acabou assumindo devido a grave condição de saúde, seguida pela morte de Tancredo em 21 de abril de 1985.

Durante um Governo conturbado, Sarney tinha dois papeis principais controlar a inflação e instaurar novamente um sistema democrático, após 20 anos de governo militar. Pode-se considerar que o segundo objetivo foi melhor alcançado. A constituição foi finalmente construída em 1988 pelo Congresso, com 245 artigos e 70 medidas provisórias, abrindo caminho para as eleições de 1989.

A eleição contou com 80 milhões de eleitores, que escolheram o então Governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, como o presidente do Brasil. No entanto, problemas relacionados a corrupção incitaram uma grande manifestação popular que culminou a renúncia de Collor em dezembro de 1992, assumindo então o vice-presidente Itamar Franco, que teve como seu principal legado o Plano Real, que conseguiu efetivamente controlar a inflação, um dos principais problemas brasileiros (MEADE,2004).

O Plano Real foi tão popular que conseguiu eleger Fernando Henrique Cardoso(FHC), Ministro da Fazenda do Governo Itamar, nas eleições de 1994, com mais de 50 % dos votos válidos, sendo ainda reeleito em 1998, novamente com 53% dos votos, cumprindo assim dois mandatos.

Nas eleições de 2002, Lula conseguiu 61 % dos votos no segundo turno, derrotando José Serra, apoiado como sucessor de FHC, acabando com a administração Fernando Henrique que tinha iniciado em 1994. Os primeiros anos do Governo Lula, foram dedicados a enfrentamento de crises mundiais como México, e também de programas sociais, como Fome Zero, Bolsa Família entre outros. Outros feitos normalmente creditados a Lula são o aumento da classe média, da popularização e expansão das Universidades Federais e também das vagas nos cursos de nível superior. Lula também foi reeleito assim como FHC, e em 2006 conseguiu ser reeleito no primeiro turno. A popularidade de Lula foi determinante para que Dilma Rousseff, anteriormente Ministra de Minas e Energia e Ministra Chefe da Casa Civil, e também a

responsável pelo Programa de Aceleração do Crescimento(PAC), fosse eleita em sua primeira eleição para um cargo público, derrotando novamente José Serra, no segundo turno, com mais de 56 % dos votos válidos nas eleições de 2010.