5. FIELD-A – HOLDUP & PRESSURE MEASUREMENTS
5.1. G2NT1 Pipeline Results:
5.1.7. G2NT1 Pipeline LedaFlow Simulations
Da mesma maneira em que se foi pensando o conceito de gênero dentro das ciências sociais e humanas, estabelecendo novos conceitos e novas formas de pensamentos, também as teorias que envolvem a linguagem passam pelo processo de ressignificação e reconstrução de seus conceitos, tendo por base aspectos de outras teorias sociais.
Conforme indicam Ostermann e Fontana, a teoria da relação entre linguagem e gênero passou inicialmente por três perspectivas teóricas:
12 Castells (Trad. 2006, p. 23) “pode-se dizer que identidades organizam significados, enquanto papéis organizam funções”.
1) A perspectiva do déficit, a qual indicava uma inferioridade no estilo conversacional da mulher em relação ao homem.
2) A perspectiva da dominância, que argumentava que o estilo conversacional inferior das mulheres se devia à dominância social do homem sobre a mulher;
3) A perspectiva da diferença, ou modelo das duas culturas, que estabelece uma diferenciação no modo de falar entre homens e mulheres já na primeira infância. Nos dias atuais, em relação à linguagem e gênero, surgiu uma outra perspectiva que leva em consideração a diversidade, observando sobretudo a questão da performance13. Segundo
Butler (trad. 2008, p. 200):
O gênero não deve ser construído como uma identidade estável ou um lócus de ação do qual decorram vários atos; em vez disso, o gênero é uma identidade tenuemente constituída no tempo, instituído num espaço externo por meio de uma repetição
estilizada de atos.
Dentro da grande área da linguística aplicada, sobretudo entre pesquisadores que adotaram uma linha crítica, as teorias da linguagem têm sido combinadas e influenciadas por teorias provenientes das ciências sociais, estabelecendo em um primeiro momento a oposição e diferenciação e assumindo agora uma postura de diversificação e a noção de identidades híbridas, constituídas por diversos papéis ou identidades coletivas.
Figueiredo (2009) examina um percurso do conceito de identidades de gênero e suas representações nas ciências da linguagem explicitando que com base no sistema binário de gênero, estabeleceu-se um poder originário na figura masculina, gerando legitimações de determinadas ações. Dessa maneira, a construção de identidade de gênero tendo por base a diversificação proporcionaria uma concepção igualitária. Cabe pensar agora nas possibilidades de pesquisa de poder tendo por base a linguagem.
2.2.1. ADC e poder
A origem da linguagem e seu funcionamento sempre foi alvo de debate entre pesquisadores e filósofos. Na ânsia de desvelar-se a origem da linguagem surgiram algumas teorias linguísticas, dentre elas o estruturalismo e o funcionalismo. Para uns, a língua se
apresenta como forma de estrutura, para outros, as línguas indicam e propiciam determinadas funções e atividades sociais.
Assim, a linguística dividiu-se em duas grandes áreas áreas que seguem preceitos que remetem ao campo do formal e do contextual. Pensando nas relações entre texto e os conceitos de ideologia e poder, surge na Universidade de East Anglia, na Inglaterra, na década de 1970, a Linguística Crítica que, segundo Fowler (2000), surge como uma “linguística instrumental” e que possuí como pressupostos a crítica marxista contemporânea, o pós- estruturalismo e o desconstrucionismo.
Na década de 1980 surge a ADC como forma de desenvolvimento da perspectiva crítica da linguagem. Teóricos como Fairclough, Wodak, van Dijk, entre outros, se propuseram a investigar os aspectos da linguagem que se relacionavam com questões de poder e de ideologia.
Segundo Wodak (2004), os termos Linguística Crítica e ADC são usados como sinônimos atualmente, mas a ADC percebe a linguagem como “prática social” e observa as relações entre linguagem e poder. Os analistas de discurso que percebem aspectos sociais “consideram a unidade mais ampla do texto como unidade comunicativa básica”, por isso estas pesquisas se voltam para “os discursos institucional, político, de gênero social, e de mídia (no sentido mais amplo) que materializam as relações mais ou menos explícitas de luta e conflito”.
Segundo Magalhães (2004, p. 120), a ADC pode ser considerada uma continuação da Linguística Crítica, mas não se pode reduzir aquela a esta, pois a ADC “tem se dedicado à análise de textos, eventos discursivos e práticas sociais no contexto sociohistórico”. Enquanto a Linguística Crítica “desenvolveu um método para analisar um pequeno corpus textual, a ADC oferece uma contribuição significativa da linguística para debater questões da vida social contemporânea” (Magalhães, ibid.).
Dessa maneira, segundo Magalhães (2009), tem-se a Linguística Sistêmico-Funcional e a Linguística Crítica como base para a construção da Análise de Discurso Crítica, sendo correntes com evoluções diferenciadas, mas que podem contribuir de maneira significativa para a análise crítica de textos. O aspecto central de investigação para a ADC é o discurso, que é visto como elemento de análise das interações sociais. Segundo Fairclough e Wodak (1997, p. 367), a ADC “interpreta o discurso – o uso da linguagem em fala e em escrita – como uma forma de ‘prática social’”14. A definição de discurso como aspecto da linguagem
14 Minha tradução para “...ADC interpreta el discurso – el uso del lenguaje en el habla y em la escritura – como uma forma de ‘práctica social’”.
que envolve questão de poder é perpassada por toda a teoria de ADC, mas a relação do discurso com outros elementos faz a diferença de concepções teóricas da área.
Segundo Resende (2009, p. 12), algumas abordagens da ADC já se tornaram “basilares”, caso de Fairclough que associa a Linguística Sistêmico-Funcional e Sociologia; Teun van Dijk que articula a Linguística Social e a Psicologia Social; e Ruth Wodak que relaciona elementos da Sociolinguística e da História15.
Fairclough (trad. 2001, p. 100) traz uma visão tridimensional do discurso, na tentativa de “reunir três tradições analíticas, cada uma das quais indispensável para análise de discurso”. Por meio de seu modelo, propõe que as análises linguísticas passem a considerar a parte social, trazendo aspectos da sociologia, psicologia e política. O modelo tridimensional é representado da seguinte forma:
Figura 1 - Concepção tridimensional do discurso em Fairclough (trad.2001)
Em outra etapa de reflexão a respeito das relações dialéticas que envolvem discurso e prática social, Chouliaraki e Fairclough (1999) desenvolvem uma teoria e método que consideram aspectos da pós-modernidade. Conforme observa Magalhães (2004, p. 120), “um ponto ressaltado por Chouliaraki e Fairclough (1999) é que as transformações da pós- modernidade são efeitos de estratégias de grupos particulares em um sistema particular”.
Fairclough (2001) apresenta como elementos das práticas sociais atividades; sujeitos e suas relações sociais; instrumentos; objetos; tempo e espaço; formas de consciência; valores; e discurso, indicando que a ADC “é a análise da relação dialética entre discurso (incluindo
15 As bases metodológicas adotadas por cada abordagem serão apresentadas no Capítulo III. PRÁTICA SOCIAL